Enquadramento Científico das Hipóteses de Povoamento dos Açores antes do Século XV | Principia Editora

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Tendo já sido levantadas hipóteses de ocupação humana nos Açores antes do século XV (e, portanto, antes da chegada dos Portugueses ao arquipélago), os principais objetivos do workshop realizado em Angra do Heroísmo do qual resulta este livro foram os seguintes: 1) Enquadrar cientificamente a formulação de hipóteses sobre a ocupação humana nos Açores; 2) Informar atividades educativas e turísticas sobre os fundamentos científicos das hipóteses formuladas; e 3) Informar a estruturação de um programa de pesquisa científica faseado que, ao longo do tempo e de acordo com os meios disponíveis e o valor para os Açores do conhecimento alcançável, seja capaz de informar a política de apoio à investigação que sobre este tema seja relevante implementar. O programa resultou do contacto com os investigadores de renome capazes de enquadrar as hipóteses de povoamento levantadas e eventualmente ajudar a estruturar um programa de investigação.

Source: Enquadramento Científico das Hipóteses de Povoamento dos Açores antes do Século XV | Principia Editora

HONG KONG CLUB LUSITANO

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Club Lusitano. O ponto de encontro português em Hong Kong.
Fundado há 157 anos o Club Lusitano é um dos clubes sociais mais antigos daquele território.
O seu atual presidente, Patrick Rozario, explica a sua importância na manutenção de uma identidade ao mesmo tempo portuguesa e asiática.
Música cantada em português a sair das colunas, pastéis de bacalhau, muitos, servidos com vinhos do Dão ou do Alentejo a acompanhar as conversas, em várias línguas, às mesas ou ao balcão.
Tudo isto acontece no dia a dia de cinco andares de um edifício no centro de Hong Kong, no Club Lusitano, o local de encontro e socialização de descendentes portugueses.
É um dos mais antigos clubes sociais de Hong Kong e tem como objetivo perpetuar a identidade cultural portuguesa.
É isso que nos explica Patrick Rozario, o lusodescendente presidente do Lusitano.
Em conversa com o DN, via Zoom, sublinha a importância do clube fundado a 17 de dezembro de 1866 – dois anos depois da fundação do Diário de Notícias.
A história do clube começou quando os ingleses estabeleceram um porto em Hong Kong – maior e mais profundo do que o existente em Macau – e com os principais negócios daquela região do Oriente a sediarem-se por ali.
Isso levou a que muitas das pessoas de Macau, que falavam várias línguas, desde cantonês, português, ao patoá macaense (crioulo de Macau) inglês e francês, fossem para Hong Kong em busca de mais oportunidades.
“De mercadores, a advogados, de médicos a professores vieram para Hong Kong.
E com eles trouxeram as suas famílias”, explica Patrick Rozado.
Levou então pouco tempo a que se iniciasse a construção de escolas e igrejas católicas e, daí, um pequeno passo até à criação de um clube para a socialização dessa comunidade de portugueses e lusodescendentes.
“Há 150 anos a sociedade era muito segregada: apesar de trabalharem todos no porto, no final do dia cada um ia ter com as suas gentes com as suas nacionalidades.
Na altura não havia muita diversão, mas com a criação do Club Lusitano passou a existir um salão de baile, restaurante e até teatro”, acrescenta.
Com o passar dos anos a população cresceu, isso fez com que os membros do clube fossem “não só pessoas vindas de Macau, mas também vindas de Portugal”.
E apesar de as mulheres não poderem ser membros – tal só aconteceu a partir de 2002 – podiam, bem como os filhos dos sócios, frequentar o clube em diferentes ocasiões, como almoços ou eventos especiais .
“Lembro-me de, em criança, celebrarem casamentos no clube”, recorda Patrick Rozario.
Centro de refugiados
A Segunda Guerra Mundial veio alterar em muito a vida de Hong Kong e o clube tornou-se, também, uma espécie de centro de acolhimento.
“Como Portugal foi um país neutro durante a guerra, os japoneses, quando invadiram Hong Kong, permitiram que o Club Lusitano continuasse a funcionar quase como base de refugiados”, relembra o presidente.
Depois desse período mais conturbado, a vida do clube regressou, aos poucos, à normalidade e desde então a maior alteração foi ter-se tornando um clube luso-asiático.
Aliás, o próprio Patrick Rozario, que tem nacionalidade portuguesa, é luso-asiático de 10.ª geração.
“Atualmente, temos menos membros e não há tantos portugueses em Hong Kong, temos expats portugueses e alguns membros chineses – com nacionalidade portuguesa -, brasileiros, africanos e também judeus, que descendem dos sefarditas.
Mas ainda somos um clube étnico e temos de o manter assim, português.”
No total são hoje 600 membros dos quais 200 vivem fora do território, os chamados “membros absentes” que na maioria vivem nos Estados Unidos e que, de vez em quando, regressam a Hong Kong.
Na longa história do Club Lusitano, e entre vários membros ilustres do clube, Patrick Rozario destaca o papel do comendador Arnaldo de Oliveira Sales (1920-2020) que foi presidente durante 41 anos.
Foi durante os seus sucessivos mandatos que, em março de 1991, o clube recebeu a Ordem do Infante Dom Henrique pelos serviços prestados à cultura portuguesa.
Já o atual presidente está no cargo desde 2015.
Patrick Rozario é filho de pais macaenses.
Da mãe herdou o apelido Lemos e do pai o nome Rozario.
“Apesar de ter, também, nacionalidade inglesa, vejo-me como macaense e português.
Nasci e fui criado em Hong Kong, mas o meu pai enviou-me para o Canadá para estudar.
Depois regressei a Hong Kong para voltar ao Canadá e aos Estados Unidos, e regressei em definitivo nos Anos 1990″.
Rozario tem sido eleito anualmente para o cargo por um comité de nove membros e divide o seu tempo entre a vida do clube e a sua profissão como senior partner de uma empresa de contabilidade.
O ponto de encontro
“Para ser membro do clube é necessário ter nacionalidade portuguesa ou comprovar que se tem linhagem portuguesa e ser proposto por dois membros da direção com direito de voto”, frisa Patrick Rozario.
A atividade do clube é, sobretudo, social e de ponto de encontro em torno da comida. mas não só: há muitos eventos culturais que vão desde a leitura de livros em português, noites de fados ou, como há poucas semanas, a receção (e atuação) de uma tuna da Universidade de Coimbra.
“O nosso propósito continua a de sermos um clube social português e com herança portuguesa, o que conseguimos, sobretudo, através das atividades culturais e da gastronomia.
Contudo, a maior dificuldade é a língua, porque, vivendo num ambiente tão internacional, é difícil comunicar em português”, explica-nos Rozario, na conversa feita em inglês.
A imagem de Portugal na Ásia, especialmente em Hong Kong, é positiva, sublinha.
“É visto como um país mais relaxado, os portugueses são mais amistosos e têm uma imagem muito positiva.
Mesmo comparado com outros europeus”.
A concluir a conversa Patrick Rozario não se imiscui de mandar um recado (ou dica?) a quem está em Portugal:
“Há muita gente que gosta dos produtos portugueses, mas os portugueses não são bons a promover e vender o que é seu.”
Cinco pisos de uma casa portuguesa com vinho e pão sobre a mesa
Portugal é um dos países que mais vive em torno da mesa.
E é isso que também acontece no Club Lusitano de Hong Kong.
Além do social, é sobretudo um local onde comida portuguesa faz a ligação emocional com o território que está a milhares de quilómetros de distância.
E cabe ao português Fábio Pombo, chef executivo do Club, a preservação, e afirmação, dessa identidade à mesa de um dos clubes sociais mais antigo do Oriente.
No cargo há dois anos, Pombo é responsável por toda a comida (e também bebida) que é servida nos diferentes locais onde se pode petiscar e desgustar — o Club Lusitano ocupa cinco andares de um edifício no centro de Hong Kong.
Em conversa telefónica — depois de acertados os fusos horários –, o chef conta que num desses pisos está uma típica pastelaria portuguesa “com montra de bolos, folhados, sanduíches e, claro, café português”.
Noutro piso há um bar, onde passa rádio portuguesa e é abastecido por uma das melhores garrafeiras nacionais lusas fora de Portugal, acrescenta.
“Apesar de ser um bar muito internacional, e ter todo o tipo de cocktails, whiskeys e gins, tem um grande foco na oferta de produtos portugueses”.
Mas não se pense que se bebe, apenas, no… bar.
Por lá é possível comer pratos que dizem muito aos portugueses: sardinhas, arroz de pato, bacalhau com natas, arroz de polvo, de marisco, e pastéis de bacalhau – este é um dos produtos mais pedidos.
“Fazemos milhares de pastéis de bacalhau por mês”, revela o chef.
O Lusitano tem ainda um restaurante de alta cozinha – e que obriga a um dress code específico.
Por lá, há comida de fusão, onde o chef combina o que é tradicional português com comida de origem africana, brasileira e da vizinha Macau.
Há ainda um último andar, no edifício, reservado para conferências e eventos dos associados.
No dia da conversa, o chef português, contou que estava a preparar uma festa de reforma de um associado.
Um evento para 200 pessoas onde seriam distribuídos canapés de sardinha e, claro, muitos pastéis de bacalhau.
A tantos quilómetros de distância de Portugal, é em Macau que Fábio Pombo vai buscar a matéria prima.
“Tenho por cá muitos parceiros que fornecem produtos, como bacalhau, carne de vitela barrosã e sardinhas.
E, por norma, uma vez por ano importamos um contentor inteiro de produtos vindos de Portugal.”
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