NAZIS MATARAM PORTUGUESES

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Investigação revela portugueses detidos e mortos pelos nazis durante a II Guerra Mundial
Lisboa, 21 jul 2023 (Lusa) – O novo livro da investigadora Miriam Assor revela que centenas de portugueses e cidadãos de origem portuguesa estiveram nos campos de concentração nazis ou morreram às mãos de Hitler, apesar de Portugal ter sido neutral durante a II Guerra Mundial.
O livro, “Portugueses na Lista Negra de Hitler” desvenda o rasto de portugueses ou cidadãos de origem portuguesa, maioritariamente judeus, que residiam fora de Portugal e não foram salvos “devido à morosidade e desleixo das autoridades portuguesas”, disse Miriam Assor em declarações à agência Lusa.
Miriam Assor realçou à Lusa que “nem todos eram judeus” e “houve um desleixo e impasse burocrático das autoridades portugueses que tinham um certo medo dos nazis alemães”.
A investigadora referiu um grupo de portugueses que ficou detido em Le Vernet, em França, durante cerca de quatro anos, e foi depois deportado para o campo de concentração de Dachau, na Alemanha, onde a maioria morreu. “Estes não eram judeus”, disse.
Em Le Vernet, nos Pirenéus franceses, estiveram detidos cerca de 12 mil anarquistas espanhóis da Divisão Durruti, e a partir de 1942 tornou-se um centro de detenção para judeus, tendo os últimos prisioneiros sido levados no “comboio fantasma”, em junho de 1944, para Dachau. Neste campo de concentração estiveram detidos cerca de 40 mil pessoas de 58 nacionalidades, incluindo a portuguesa.
A autora referiu que “a neutralidade portuguesa foi oscilando com o evoluir da guerra, até ao ‘Dia D’ [6 de junho de 1944], a guerra dá muita volta e Portugal também”.
O “Dia D” foi a operação militar aliada, dos Estados Unidos, Reino Unido e Commonwealth e outras nações, de desembarque das tropas na costa da Normandia, França, e que deu início à libertação da Europa do domínio militar nazi.
Miriam Assor afirmou que não encontrou posições de antissemitismo por parte do Governo de Portugal, nomeadamente do então presidente do Conselho de Ministros e ministro dos Negócios Estrangeiros – “António de Oliveira Salazar e do seu séquito” -, mas notou “uma falta de responsabilidade e de tomada de decisão”.
O Governo de então “não quis assumir, ao contrário até dos nazis, que pediam para Portugal retirar os seus cidadãos dos territórios sob o seu domínio”.
À Lusa, a autora referiu os portugueses que se encontravam no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, foram colocados num “bloco onde não eram obrigados a trabalhar”. “Tinham de se levantar de manhã e estar cinco a seis horas numa fila para receberem a sopa diária. Tiveram doenças e emagreceram bastante, mas há uma diferença ordenada pelo Hitler, porque eram de um país neutro”.
Relativamente à indecisão de Lisboa em reconhecer a nacionalidade de alguns dos seus cidadãos, nomeadamente residentes em França, ocupada parcialmente pelas forças alemãs, e na Grécia, ambos os países sob ocupação nazi entre 1940 e 1944, a autora afirmou que não teve dúvidas e considerou-os “portugueses”.
“Considerei-os portugueses, porque as documentações que eu vi levaram-me a crer que essas pessoas eram portuguesas”, disse, referindo que houve várias pessoas que “pediram a Portugal para lhes renovar a documentação e Portugal esquivou-se”. “Até à guerra eram portugueses, mas depois da guerra Portugal percebeu que tinha ali um grande imbróglio”, assegurou.
Miriam Assor afirmou que “a sorte dos judeus portugueses na Grécia foi muito inferior à dos judeus portugueses em França que conseguiram ser repatriados à conta de cônsules-honorários que arriscaram a sua carreira para salvarem pessoas”, como Aristides de Sousa Mendes (1885-1954), que foi cônsul-honorário em Bordéus, no sudoeste de França.
“A ditadura [portuguesa] em nenhum momento tomou uma decisão de salvar estas pessoas – os nossos. É sempre alguém, um pouco sub-repticiamente, que salva”.
Em 1940, Aristides de Sousa Mendes “já tinha caído em desgraça”, exonerado pelo Governo de Salazar.
Miriam Assor levou dez anos a escrever este livro, tendo recolhido vários testemunhos, nomeadamente dos descendes, mas falou com sobreviventes, como o sefardita Maurício Lévi, de 88 anos, que vive no Estado norte-americano da Virgínia.
A obra reproduz vários documentos oficiais portugueses, nomeadamente diplomáticos, incluindo uma lista de nomes dos portugueses presos pela milícia paramilitar nazi Schutzstaffel (SS) em Atenas, em 1944, e mais tarde deportados. Desta lista constam 19 nomes.
A autora refere vários portugueses e tece a sua curta biografia, ao longo da obra, como o minhoto João Fernandes, de Gondariz (Viana do Castelo) deportado para o campo de concentração em Mauthausen, na Áustria sob bandeira nazi, e, posteriormente para o de Natzweiller-Struthof, atualmente em França, na época sob administração alemã, “um dos raros” que sobreviveu à guerra.
Outro sobrevivente foi Joaquim Sequeira, natural de Lalim, no concelho de Lamego, distrito de Viseu, que esteve em Dachau e em Natzweiller-Struthof.
Também João Faria de Sá, de Vila Nova de Famalicão (Braga), esteve no campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha.
A estes nomes juntam-se outros como Raquel Batista, de Lisboa, que foi morta no campo de concentração de Auschewitz-Birkenaum na Alemanha, em agosto de 1942, e Bernardino da Silva, de Santo Tirso (Porto), “o único português no denominado ‘Comboio da Morte’ que saiu da cidade francesa de Compiègne, em julho de 1944, em direção a Dachau”, tendo morrido durante o trajeto.
“Dentro desta tragédia encontrei amor”, sentenciou a autora que não dá por terminada a investigação, afirmando: “Continuo na expectativa de descobrir e divulgar mais detalhes sobre os portugueses que sofreram na II Guerra Mundial [1939-1945]”.
Miriam Assor, jornalista que iniciou carreira no semanário O Independente, tem publicado vários livros sobre judeus, como “Aristides de Sousa Mendes – Um Justo Contra a Corrente” e “Judeus Ilustres de Portugal”.
NL // MAG
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UM FALSO ENFERMEIRO NA ARRISCA

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Falso enfermeiro conseguiu trabalhar na ARRISCA durante um ano
Um homem de 33 anos de idade exerceu funções de enfermeiro na ARRISCA entre Junho de 2021 e o mesmo mês do ano seguinte sem possuir as necessárias qualificações. Fonte do nosso jornal avançou ainda que este ‘falso’ enfermeiro trabalhou em várias valências da associação, entre elas a Unidade Móvel 2 da ARRISCA, onde teve a incumbência de administrar cloridrato de metadona a vários utentes. O Correio dos Açores sabe igualmente que, no início de Julho de 2021, uma nota interna da instituição dava conta da entrada em funções de um conjunto de pessoas, entre elas, deste homem de 33 anos que acabou por exercer funções de enfermagem na ARRISCA durante um período considerável de tempo. O homem terá apresentado falsas informações na sua candidatura e acabou por nunca entregar o seu certificado de habilitações (algo indispensável num processo destes) junto da instituição. A situação arrastou-se algum tempo e só alguns meses mais tarde, quando a situação começou a causar estranheza, é que esta organização sem fins lucrativos decidiu averiguar o caso e avançar, após a descoberta do embuste, com uma queixa-crime junto do Ministério Público.
O Correio dos Açores pediu uma reacção à Direcção da ARRISCA que, numa resposta enviada por escrito, informou que denunciou o caso e que se encontra a “aguardar a decisão da justiça”.
“Relativamente à informação solicitada, somos a informar que foi efectuada uma queixa nas instâncias devidas. A Direcção entende não dever pronunciar-se, uma vez que o processo se encontra em investigação. Aguardamos a decisão, sendo certo que a instituição procedeu de acordo com a legalidade (fazendo queixa e suspendendo o elemento com posterior despedimento) logo que teve dúvidas da certificação da pessoa em questão. Durante o período que exerceu funções não existiram quaisquer incidentes. A Direcção da ARRISCA nada mais tem a acrescentar, estando a aguardar a decisão da justiça”, pode ler-se.
Ordem dos Enfermeiros refere que
este é um “caso inédito” nos Açores
Contactada pelo nosso jornal, a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, através do seu Presidente, Pedro Soares, confirmou, após uma busca a todos os registos, que o homem em causa “nunca esteve inscrito ou demonstrou qualquer intenção em estar inscrito na Ordem dos Enfermeiros em Portugal. Não tem cédula profissional atribuída pela Ordem dos Enfermeiros”, reforçou.
O Presidente da Secção Regional dos Açores admite que vê esta situação “com grande preocupação”.
“Estamos perante um caso de usurpação de funções a nível de enfermagem e que é punível por Lei. Demonstra também aqui alguma falha na instituição ao nível da contratação do sujeito porque todas as instituições são obrigadas a requerer, pelo menos, as certificações profissionais quando fazem a contratação dos seus funcionários. Aqui, claramente, o sujeito ou entregou declarações falsas à instituição ou simplesmente não entregou a cédula profissional”, afirmou. Esclarecendo que “é completamente impossível exercer a profissão sem estar inscrito nesta Ordem”, Pedro Soares revela que esta “é uma situação inédita” na Região e garante que, relativamente a este caso, “não houve qualquer contacto por parte da ARRISCA”. Perante estes factos, o Presidente do Conselho Directivo da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros explica também, “agora que temos conhecimento pela comunicação social da situação”, que irá ser aberto “um processo de averiguações e tomadas as medidas necessárias”
“Repito, estamos perante usurpações de funções, algo que é um crime na lei portuguesa. Neste momento abriremos um processo de averiguações e obviamente que vamos fazer uma denúncia sobre a pessoa e sobre todo o processo que permitiu que esta tenha exercido as funções de enfermeiro”, garantiu.
Luís Lobão, Correio dos Açores
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Fernando A. Pimentel

Inadmissível em qualquer instituição, trabalho etc, mas nesta ainda é mais grave porque é uma instituição que trabalha com produtos ( mesmo que sejam de substituição) estupefacientes.
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Preços enganadores no Pingo Doce dão chuva de processos – Dinheiro – SÁBADO

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A associação de consumidores Citizen’s Voice entregou 53 ações populares contra a cadeia da Jerónimo Martins, por desvios entre o que anunciava cobrar e o que de facto custavam mais de 100 produtos, a maioria alimentos. Pedido global de indemnização supera 200 milhões de euros. Pingo Doce contesta.

Source: Preços enganadores no Pingo Doce dão chuva de processos – Dinheiro – SÁBADO

PORTUGAL FERROVIA PÉSSIMA PARA ESPANHA

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Portugal “extremamente mal” ligado a Espanha por comboio – Greenpeace
Bruxelas, 20 jul 2023 (Lusa) – Portugal está “extremamente mal conectado” a Espanha por comboio, com apenas uma ligação – Porto-Vigo – a ser feita duas vezes por dia, destaca a organização não-governamental (ONG) ambientalista Greenpeace, num relatório hoje divulgado sobre viagens ferroviárias.
Através da ligação Porto-Vigo, no noroeste de Espanha, é possível chegar a Madrid, destacando a Greenpeace o facto de ser impossível viajar de comboio entre as capitais ibéricas no mesmo dia.
Em todo o caso, para chegar do Porto a Madrid – para além das mais de nove horas de viagem que demora a percorrer 420 quilómetros – é preciso fazer uma escala em Vigo.
Para além da ausência de ligação direta, a ONG destaca que a CP “não vende bilhetes com mais de dois meses de antecedência e os bilhetes para Espanha têm de ser comprados ao operador ferroviário espanhol”, o que desencoraja mais a opção pelo comboio.
Já por avião, há três operadoras de baixo custo com ligações diretas entre o Porto e a capital espanhola.
Em Portugal, a Greenpeace analisou as rotas Porto-Lisboa e Porto-Faro, comparando as opções entre o comboio e o avião, concluindo que só na primeira – e por falta de ligações em companhias aéreas de baixo custo -, o primeiro é mais barato do que o segundo e o trajeto leva um pouco menos de três horas.
Entre Lisboa e Porto, há viagens de comboio de hora em hora e os bilhetes custam entre 15,5 e 25,25 euros, enquanto o voo custa 37,46 euros.
Nesta rota, a opção pelo avião envolve a emissão de 57 quilos de gases de efeito de estufa por passageiro e, se for banida e substituída pelo comboio, representa um corte de 81% nas emissões, destaca a Greenpeace.
Na rota Porto-Faro, há três ligações aéreas diárias operadas por uma companhia de baixo custo, com preços entre os 19,21 e os 32,85 euros.
A CP, por seu lado, tem preços 70% mais altos e a viagem dura quase seis horas.
Segundo o estudo, as viagens de longo curso de comboio são, em média, duas vezes mais caras do que as dos aviões, com algumas rotas a custarem até 30 vezes mais do que um bilhete numa transportadora aérea de baixo custo.
A ONG denuncia que os caminhos-de-ferro estão a ser “minados” por condições de concorrência favoráveis às companhias aéreas.
Na maioria (79 em 112) das rotas analisadas pela Greenpeace na UE, os voos são mais baratos do que o comboio, sendo as viagens ferroviárias, em média, duas vezes mais caras do que as de avião, com o impacto climático global do voo a poder ser mais de 80 vezes pior do que o do comboio.
Das 23 que são mais baratas, apenas metade têm boas ligações, com as restantes a terem más ou lentas conexões por comboio.
A Greenpeace analisou ligações de comboio e de avião em 24 Estados-membros da União Europeia (UE), incluindo Portugal, bem como na Noruega, Suíça e Reino Unido.
IG // ZO
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