Confunde-se tudo! A abaya não é necessariamente um vestido religioso. Depende da região, do país. Há muçulmanas que usam, outras não.
Concordo que não se use nas escolas a burka ou outras que tapem a cara num estado laico. É preciso que se identifiquem as pessoas; não tem sentido não saber se determinada aluna é ela, a prima ou a tia, etc.
Mas a abaya não tapa a cara e num país livre qualquer um deve poder vestir o que quer.
Quanto aos símbolos religiosos quase brincamos ou não reparamos. Há símbolos religiosos por todo o lado, principalmente cristãos. Vão tirar também os crucifixos que tanta gente usa ao pescoço? Vão mudar os nomes das ruas e cidades que têm nomes de santos? Vão disfarçar as igrejas com tapumes, como se fazia em Portugal com as sinagogas no séc. XIX, quando começaram a ser permitidas?
Não se trata do estado laico. Trata-se de atirar areia para os olhos escondendo problemas do quotidiano, como a segregação, a xenofobia, a falta de oportunidades para a segunda ou terceira geração de imigrantes, que até têm nacionalidade francesa.
Se essas alunas não forem à escola, ficam sujeitas a quem? E depois? Vão prendê-las, vão deportá-las (talvez não possam porque têm nacionalidade francesa)?
Espero que o governo francês não faça recordar, não volte aos tempos de triste memória, como a deportação de judeus de nacionalidade francesa, em que os colaboracionistas, do governo de Vichy, exportavam pessoas ainda mais diligentemente que os alemães, para os campos de extermínio ou as perseguições aos franceses de origem argelina, durante a guerra da Argélia.
Não são pequenas coisas. Começa-se por aí.