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Coronel que liderou golpe em Madagáscar vai assumir presidência

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O líder do golpe de Estado militar em Madagáscar, o coronel Michael Randrianirina, afirmou hoje que vai assumir, nos próximos dias, “o cargo de Presidente”, um dia após o Tribunal Constitucional lhe ter pedido que o fizesse.

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Tribunal de Contas acusa Governo de estar a desorçamentar despesa pública através da Portos dos Açores I Antena 1 Açores

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Aumentou três milhões de euros em dois anos o valor dos juros da dívida da Portos dos Açores. São dados de uma auditoria do Tribunal de Contas à situação financeira da empresa pública entre 2022 e 2024. O Tribunal alerta que é uma dívida insustentável e acusa o Governo de estar a desorçamentar despesa pública […]

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A Chantagem Populista: França à beira do colapso e o espelho português

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A Chantagem Populista: França à beira do colapso e o espelho português
Por Maria João
A França encontra-se novamente no centro da turbulência política europeia. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou o seu governo e renunciou em menos de um mês, deixando Emmanuel Macron sem bússola e sem margem para manobra. À primeira vista, parece apenas mais uma crise política; na verdade, é o sintoma de algo mais profundo: o esgotamento do modelo centrista e o avanço calculado do populismo institucional.
O colapso francês não começou nas ruas, começou nas instituições. Desde as eleições de 2024, o Parlamento vive um impasse permanente. Nenhum bloco tem maioria, e cada votação é uma guerra de trincheiras. O governo tornou-se uma operação de sobrevivência. No meio desta paralisia, o orçamento de 2026 transformou-se no epicentro da crise. Se não for aprovado, a França entrará num regime de gestão provisória, um mecanismo constitucional de emergência que, em circunstâncias normais, seria impensável numa das maiores democracias da Europa Ocidental. Mas o impensável é agora rotina.
Marine Le Pen percebeu-o antes de todos. Recusou participar em negociações, anunciou que censurará tudo o que venha do governo e declarou guerra aberta à própria ideia de compromisso. O que parece obstinação é, na verdade, estratégia. Le Pen descobriu que, num país exausto de elites, o caos é o novo capital político. A sua tática é clara: bloquear tudo, sabotar o processo, provocar o colapso institucional e depois apresentar-se como a única capaz de restaurar a ordem.
Este não é um ato de oposição; é uma forma de chantagem política. Ao recusar jogar segundo as regras, Le Pen não desafia apenas Macron, desafia a democracia francesa. O Parlamento, transformado em campo de batalha, deixou de legislar para começar a implodir. E essa implosão interessa-lhe. Quanto mais o governo falhar, mais a sua retórica ganha força. Quanto mais as instituições se desgastam, mais a sua promessa de “ordem e soberania” parece sensata.
É uma estratégia perigosa porque, desta vez, a extrema-direita já não é marginal, é estrutural. Le Pen e Jordan Bardella representam um populismo que se veste de respeitabilidade, fala de orçamento, economia e segurança, mas cujo objetivo é simples: desacreditar o Estado liberal por dentro. O caos, para eles, é o método.
O risco é que, ao desestabilizar a França, Le Pen compromete a própria arquitetura europeia. Uma França bloqueada é uma França silenciosa. Sem Paris, o eixo europeu desintegra-se. A Alemanha está presa às suas crises internas, a Itália mergulha no nacionalismo de Meloni e a Europa perde o seu centro político e moral. O colapso francês seria mais do que uma crise doméstica; seria um golpe estratégico contra a União Europeia num momento em que a guerra na Ucrânia e o avanço dos autoritarismos exigem precisamente o contrário: coesão.
E aqui entra Portugal. O país observa à distância, mas Ventura observa de perto. André Ventura é o aprendiz atento deste modelo de chantagem política. O seu discurso replica a fórmula de Le Pen: transformar o ressentimento em força, esperar o colapso dos outros e posicionar-se como o único “incorruptível”. Ele sabe que o governo de Montenegro é vulnerável. Quando os ministros começarem a cair, e inevitavelmente cairão, Ventura não oferecerá soluções, oferecerá ruído. Fará do caos o seu palco.
O Chega, tal como o Rassemblement National, não quer governar, quer condicionar. Quer transformar o Parlamento português num espelho do francês: paralisado, tóxico e refém da retórica. Ventura percebe que, num país cansado da lentidão política, basta agitar o fogo do descontentamento para que o eleitorado, em nome da ordem, entregue o fósforo.
O populismo não conquista o poder por força, conquista-o por exaustão. A chantagem de Le Pen é o ensaio do que Ventura pretende reproduzir. Ambos exploram a fadiga democrática e a ilusão de que a estabilidade pode nascer da destruição. Mas a história ensina o contrário: o colapso institucional é o prelúdio do autoritarismo.
A França está a ensinar-nos, em tempo real, como se destrói uma democracia sem tanques nem golpes, apenas com táticas e cansaço. Portugal faria bem em aprender a lição antes que seja tarde. Porque quando o centro se cala, os extremos não apenas falam, tomam o poder.
A Chantagem Populista: França à beira do colapso e o espelho português
Por Maria João
A França encontra-se novamente no centro da turbulência política europeia. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou o seu governo e renunciou em menos de um mês, deixando Emmanuel Macron sem bússola e sem margem para manobra. À primeira vista, parece apenas mais uma crise política; na verdade, é o sintoma de algo mais profundo: o esgotamento do modelo centrista e o avanço calculado do populismo institucional.
O colapso francês não começou nas ruas, começou nas instituições. Desde as eleições de 2024, o Parlamento vive um impasse permanente. Nenhum bloco tem maioria, e cada votação é uma guerra de trincheiras. O governo tornou-se uma operação de sobrevivência. No meio desta paralisia, o orçamento de 2026 transformou-se no epicentro da crise. Se não for aprovado, a França entrará num regime de gestão provisória, um mecanismo constitucional de emergência que, em circunstâncias normais, seria impensável numa das maiores democracias da Europa Ocidental. Mas o impensável é agora rotina.
Marine Le Pen percebeu-o antes de todos. Recusou participar em negociações, anunciou que censurará tudo o que venha do governo e declarou guerra aberta à própria ideia de compromisso. O que parece obstinação é, na verdade, estratégia. Le Pen descobriu que, num país exausto de elites, o caos é o novo capital político. A sua tática é clara: bloquear tudo, sabotar o processo, provocar o colapso institucional e depois apresentar-se como a única capaz de restaurar a ordem.
Este não é um ato de oposição; é uma forma de chantagem política. Ao recusar jogar segundo as regras, Le Pen não desafia apenas Macron, desafia a democracia francesa. O Parlamento, transformado em campo de batalha, deixou de legislar para começar a implodir. E essa implosão interessa-lhe. Quanto mais o governo falhar, mais a sua retórica ganha força. Quanto mais as instituições se desgastam, mais a sua promessa de “ordem e soberania” parece sensata.
É uma estratégia perigosa porque, desta vez, a extrema-direita já não é marginal, é estrutural. Le Pen e Jordan Bardella representam um populismo que se veste de respeitabilidade, fala de orçamento, economia e segurança, mas cujo objetivo é simples: desacreditar o Estado liberal por dentro. O caos, para eles, é o método.
O risco é que, ao desestabilizar a França, Le Pen compromete a própria arquitetura europeia. Uma França bloqueada é uma França silenciosa. Sem Paris, o eixo europeu desintegra-se. A Alemanha está presa às suas crises internas, a Itália mergulha no nacionalismo de Meloni e a Europa perde o seu centro político e moral. O colapso francês seria mais do que uma crise doméstica; seria um golpe estratégico contra a União Europeia num momento em que a guerra na Ucrânia e o avanço dos autoritarismos exigem precisamente o contrário: coesão.
E aqui entra Portugal. O país observa à distância, mas Ventura observa de perto. André Ventura é o aprendiz atento deste modelo de chantagem política. O seu discurso replica a fórmula de Le Pen: transformar o ressentimento em força, esperar o colapso dos outros e posicionar-se como o único “incorruptível”. Ele sabe que o governo de Montenegro é vulnerável. Quando os ministros começarem a cair, e inevitavelmente cairão, Ventura não oferecerá soluções, oferecerá ruído. Fará do caos o seu palco.
O Chega, tal como o Rassemblement National, não quer governar, quer condicionar. Quer transformar o Parlamento português num espelho do francês: paralisado, tóxico e refém da retórica. Ventura percebe que, num país cansado da lentidão política, basta agitar o fogo do descontentamento para que o eleitorado, em nome da ordem, entregue o fósforo.
O populismo não conquista o poder por força, conquista-o por exaustão. A chantagem de Le Pen é o ensaio do que Ventura pretende reproduzir. Ambos exploram a fadiga democrática e a ilusão de que a estabilidade pode nascer da destruição. Mas a história ensina o contrário: o colapso institucional é o prelúdio do autoritarismo.
A França está a ensinar-nos, em tempo real, como se destrói uma democracia sem tanques nem golpes, apenas com táticas e cansaço. Portugal faria bem em aprender a lição antes que seja tarde. Porque quando o centro se cala, os extremos não apenas falam, tomam o poder.

Às primeiras chuvas do outono temos a sua visita no Mercado da (des)Graça

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Às primeiras chuvas do outono temos a sua visita no Mercado da (des)Graça! O curioso é que esta situação era esperada por todos os frequentadores deste espaço!!!
Tantos milhões gastos para quê?
A culpa não pode morrer solteira!
Artur Neto

Pura e simplesmente VERGONHOSO, como foi gerido todo esse processo, graças ao incompetente presidente PNC. Como foi eleito de novo (espero que não chegue ao fim do mandato), será mais do mesmo, até à queda final…

Opinião: Alexandra Manes | Os outros são eles – jornalacores9.pt

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Quem nasceu ou viveu em Portugal, durante um curto período, já se deparou com referências a tachos, com bastante regularidade. Não me refiro a questões de culinária. Falo de tachos, no sentido metafórico, tantas vezes aproveitado pela classe política, mas também por outras profissões que flutuam em torno do ato de maldizer do nosso país. […]

Source: Opinião: Alexandra Manes | Os outros são eles – jornalacores9.pt

Até Pedro Nuno avisa: o Chega não perdeu

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“Pode-nos acalmar o espírito acreditarmos que o Chega teve um revés eleitoral e que foi o grande derrotado da noite, mas não é verdade”.

Source: Até Pedro Nuno avisa: o Chega não perdeu

Comboio da CP perde carruagem entre Lisboa e Faro. GPIAAF investiga

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Os engates de um comboio da CP quebraram-se em plena viagem, entre Lisboa e Faro, fazendo com que uma das carruagens ficasse para trás. O incidente não provocou feridos, mas foi “potencialmente perigoso”. O GPIAAF já abriu uma análise preliminar para recolha de informação.

Source: Comboio da CP perde carruagem entre Lisboa e Faro. GPIAAF investiga

Xanana, a Política do Drama e as Sombras do Poder em Timor-Leste

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Xanana, a Política do Drama e as Sombras do Poder em Timor-Leste

Kota Lale
6 h
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Xanana, a Política do Drama e as Sombras do Poder em Timor-Leste
Reflexão sobre a Crise Moral e os Desafios da Democracia às Vésperas da Integração na ASEAN
Por: Loro Sa’e Obsever
Do Símbolo da Resistência à Sombra do Poder
Timor-Leste foi, em tempos, uma história de coragem, uma pequena nação nascida da dor, do sacrifício e do sangue do seu povo.
No centro dessa história estava Xanana Gusmão, rosto da resistência e símbolo da unidade nacional.
Duas décadas após a restauração da independência, porém, a figura que outrora encarnava a esperança tornou-se também um espelho das contradições do poder: o herói transformado em governante incontestável; o libertador que agora dirige um sistema frequentemente marcado por desigualdades e privilégios.
Continua a falar em nome do povo, mas muitas decisões parecem beneficiar círculos restritos do poder.
Continua a pregar a humildade, mas à sua volta cresceu uma elite que vive com ostentação e distância da realidade popular.
O poeta da revolução converteu-se no arquiteto de um império político, e a luta libertadora transformou-se num drama de poder.
Do Combatente ao Guardião Absoluto
Xanana é produto da história, mas hoje parece também prisioneiro dela.
Apresenta-se como o “guardião da revolução”, como se apenas ele detivesse a chave do destino nacional.
Desse modo nasceu uma política excessivamente centrada na figura do líder, onde a lealdade pessoal frequentemente pesa mais do que o mérito e o serviço público.
Esse modelo cria dependência: os funcionários esperam ordens, os cidadãos hesitam em questionar, e o Estado perde a autonomia moral que deveria sustentá-lo.
Debaixo do carisma, instala-se uma cultura de medo e silêncio, o tipo de ambiente que lentamente sufoca a democracia.
Dili e o Surgimento de uma Nova Burguesia Política
Vinte anos depois de o povo lutar pela terra e pela dignidade, grande parte da riqueza nacional concentra-se agora nas mãos de poucos.
Dili mostra duas faces:
de um lado, carros de luxo, moradias imponentes e festas políticas;
do outro, desemprego, preços elevados e o desespero silencioso da população.
Quem prospera em Dili hoje?
Não são os camponeses de Baucau, nem os pescadores de Liquiçá, nem os professores de Viqueque.
São os empresários políticos e os intermediários que orbitam os centros de poder.
O que se vive não é desenvolvimento, mas um tipo de colonialismo interno, onde os novos senhores falam Tétum e empunham a bandeira nacional, enquanto o povo continua à margem.
O Estado e as Redes de Interesses
Diversos observadores e ativistas sociais têm alertado que o perigo atual de Timor-Leste não vem de fora, mas de dentro:
de redes político-económicas opacas que debilitam o Estado e capturam recursos públicos.
Os processos de contratação, as licenças e os investimentos estatais parecem frequentemente influenciados por conexões pessoais e partidárias.
As recentes declarações do Ministro Agio Pereira, advertindo sobre a infiltração de redes organizadas em instituições públicas, trouxeram à luz uma preocupação legítima.
A coragem de abordar esse tema demonstra que a integridade e a transparência ainda têm defensores dentro do próprio governo, e que esses valores são essenciais para restaurar a confiança dos cidadãos.
Teatro Político e Crise Moral
Na política, a imagem tornou-se mais poderosa do que o conteúdo.
O líder carismático pode ser, ao mesmo tempo, o revolucionário humilde e o governante intocável.
Quando o discurso da resistência é usado para justificar práticas de poder, corre-se o risco de transformar a memória em propaganda.
Mas a ilusão começa a desvanecer.
O povo observa, questiona, e sente na pele o custo da desigualdade.
As palavras já não bastam, a democracia precisa de moral e de verdade.
CNRT e o Desafio da Reforma
O CNRT, partido nascido do espírito de libertação, enfrenta hoje o seu maior desafio:
pode transformar-se num partido moderno, de serviço público, ou continuará a ser instrumento de privilégios e proteção política?
Críticos argumentam que o partido se converteu num espaço onde a lealdade pessoal é mais valorizada do que a competência e a ética.
Contudo, há vozes reformistas que buscam mudar essa cultura, exigindo auditorias, transparência e meritocracia.
Essas vozes merecem apoio, pois sem elas não há renovação, nem futuro democrático.
A Verdadeira Luta: Entre a Corrupção e a Honestidade
Timor-Leste já não vive uma guerra entre partidos, mas um confronto moral entre os que servem e os que se servem do Estado.
Essa batalha atravessa ministérios, parlamentos e aldeias.
E, embora o povo não tenha armas, tem algo mais poderoso: consciência.
A consciência de que o país não pertence a uma família nem a um grupo;
de que a independência é vazia se só enriquece alguns;
de que a liberdade deve ser continuamente reconquistada através da justiça.
Tempo de Reflexão para as Lideranças
Nenhum líder é eterno.
O verdadeiro estadista é aquele que sabe quando passar o bastão à próxima geração, com dignidade e visão.
Se Xanana Gusmão, símbolo máximo da resistência, tiver a grandeza de promover uma transição política saudável, a história o recordará como o pai da nação moderna.
Mas, se o poder continuar a ser um fim em si mesmo, a memória coletiva também registrará o lado sombrio dessa persistência.
Retomar o Espírito da Luta
A independência não foi conquistada para enriquecer elites, mas para restaurar a dignidade popular.
A soberania real não se mede por bandeiras ou cerimónias, mas por justiça, igualdade e honestidade no governo.
O maior inimigo de Timor-Leste já não é o invasor estrangeiro, mas a corrupção interna travestida de nacionalismo.
E esse inimigo só pode ser vencido com verdade e coragem.
Chegou o momento de uma nova geração de timorenses, estudantes, trabalhadores, intelectuais, reformistas, retomar o rumo moral do Estado.
Construir instituições fortes, inclusivas e dignas é o único caminho para uma independência plena.
Às Vésperas da ASEAN: Um Espelho para a Nação
Nas próximas semanas, Timor-Leste deverá tornar-se membro pleno da ASEAN, um passo histórico no plano diplomático, mas também um teste de maturidade nacional.
A ASEAN exige estabilidade, transparência e governação responsável.
O mundo observará não apenas discursos e cerimónias, mas a coerência entre o que dizemos e o que fazemos:
como gerimos o erário público, como aplicamos a lei e como tratamos o nosso povo.
A adesão à ASEAN será vazia se não vier acompanhada de reformas internas.
É hora de provar que merecemos esse lugar, não apenas pela bravura do passado, mas pela integridade do presente.
Conclusão: Para que a História Não se RepitaTimor-Leste encontra-se, mais uma vez, numa encruzilhada.
Ou continua a viver da glória passada, ou tem a coragem de escrever um novo capítulo baseado em justiça e ética.
A história lembrará quem falou e quem se calou.
Quem lutou pela verdade e quem preferiu o conforto da mentira.
E, no fim, uma verdade permanecerá:
a verdadeira independência não depende de quem governa, mas de quem tem a coragem de servir com honestidade.
Nota do autor:
Este texto é uma reflexão e análise política baseada em observações e debates públicos em Timor-Leste. Não pretende acusar ou difamar qualquer indivíduo, mas sim contribuir para um diálogo construtivo sobre integridade, liderança e o futuro da democracia timorense.
***

miséria africana e emigração

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Eles trabalham na maior lixeira de África Ocidental enquanto sonham chegar à Europa
(…) Stefano Paikos visitou Mbeubeuss, a maior lixeira a céu aberto de África Ocidental, e trouxe o retrato de quem trabalha arduamente em prol de um sonho: o de chegar à Europa. Em exposição em Braga.
(…)
[Ana Marques Maia, “Público”, 10/10/2025]
………………
A maioria das pessoas que trabalha em Mbeubeuss não é de Dakar, mas vem do norte do Senegal ou de países vizinhos, como Guiné-Bissau, Mali ou Mauritânia. Elas deixam as suas casas por vários motivos: secas prolongadas, desespero económico, instabilidade política
Para muitos migrantes provenientes de países africanos, a jornada em direcção à Europa não começa num barco, a cruzar perigosamente o Mediterrâneo, mas sim muito antes.
“Por vezes, começa em lugares como Mbeubeuss, a maior lixeira a céu aberto de África Ocidental, que fica nos arredores de Dacar, no Senegal”, diz ao P3, em entrevista, o fotógrafo grego Stefanos Paikos, o autor do projecto Reaching for Dusk, que se encontra em exposição ao longo da parte pedonal da Avenida da Liberdade, em Braga.
“O debate político [em torno da migração] foca-se geralmente nas causas – a guerra, a pobreza, as alterações climáticas – e deixa de fora uma questão essencial: como é que as pessoas financiam a sua jornada [até à Europa]?”
Mbeubeuss é, nas palavras do fotógrafo, um “desastre ambiental” e ocupa, sensivelmente, uma área semelhante à do Parque das Nações, em Lisboa. Transformou-se, ao longo dos anos, num “sistema frágil e informal de trabalho e sobrevivência”, lê-se no artigo redigido por Paikos, que esteve no Senegal em Dezembro de 2024 e Março de 2025.
“Milhares de pessoas, homens, mulheres e crianças, vivem e trabalham em Mbeubeuss sob condições extremamente precárias. Recolhem metal, garrafas de vidro, cabos, e queimam plástico para dele extrair materiais reutilizáveis – sem utilizar material de protecção e rodeado de fumo tóxico e fagulhas afiadas.”
Quem lá trabalha, senegaleses e imigrantes de países vizinhos, ganha entre quatro e nove euros por dia, dependendo da qualidade e quantidade dos materiais que recolhe; muitos demoram anos a juntar o valor de que precisam porque os valores pagos aos trabalhadores são bastante baixos.
Por cada quilo de cobre ou metal indiferenciado, cada trabalhador recebe quase quatro euros; por alumínio, recebe pouco mais de 50 cêntimos e o valor decresce progressivamente: as latas são pagas a 0,27 euros por quilo e os plásticos e o vidro a 0,11 euros.
“O objectivo de quase todas as pessoas com quem falei é juntar dinheiro para chegar à Europa”, refere Stefanos Paikos. “Cerca de três mil pessoas trabalham ali, competindo pelos artigos mais rentáveis. É um ambiente que facilmente se torna agressivo.”
Ami Ndiaye trabalha em Mbeubeuss, tem 26 anos e é natural de Kaolack, região que fica a 190 quilómetros a sudeste de Dacar. “Ela é a pessoa mais forte que conheci lá”, recorda o fotógrafo. Ela e o seu filho Babacar de dois anos vivem muito perto de Mbeubeuss.
Ami trabalha longas horas na lixeira apenas com um objectivo em mente: o de pisar solo europeu. “No início quer ir sozinha, encontrar trabalho, e mais tarde quer trazer também o filho”, refere o grego. No último dia que Stefanos e Ami passaram juntos, “ela chegou com um vestido longo amarelo e um lenço azul na cabeça”, recorda o fotógrafo.
“Quando o vento pressionou o tecido contra o seu corpo, ficou claro: Ami está grávida. Tudo o que ela suporta, o trabalho árduo naquele lugar e criar o seu filho, ela faz enquanto carrega outra criança no ventre.”
A maioria dos que trabalham em Mbeubeuss são de outras paragens, de dentro ou de fora do Senegal. “Muitos vêm de países como Guiné-Bissau, Mali ou Mauritânia.
Deixam as suas casas por uma grande variedade de razões: secas prolongadas, desespero económico, instabilidade política.” Neste contexto, a Mbeusseus é sempre uma paragem, nunca o destino final. Quem chega, raramente o faz sozinho.
“Amigos, familiares, vizinhos já abriram caminho para a sua chegada”, lê-se no artigo que acompanha o projecto. “Através de redes informais, espalha-se a palavra de que pelo menos ali é possível ganhar um pouco de dinheiro. Para muitos, é a única oportunidade de dar continuidade à sua jornada em direcção a norte.”
Demba Baldé nasceu em Gabu, na Guiné-Bissau, há 25 anos e chegou a Dacar há dois, depois da morte do pai. Trabalha em Mbeubeuss diariamente por quatro a cinco euros por dia para poder enviar para casa uma parte porque a mãe está gravemente doente.
“A família não consegue suportar os custos do tratamento médico dela e é difícil encontrar trabalho na Guiné, é difícil construir uma vida melhor.”
Demba tem uma rotina “monótona, mas perigosa”, descreve Paikos. “É comum haver disputas violentas por achados valiosos em Mbeubeuss.” O guineense tem no braço uma cicatriz que resultou de uma facada desferida por outro trabalhador. “
“O seu objectivo é chegar a Portugal porque consegue falar a língua e acredita que isso facilitará na sua busca de emprego. Disse-me que se houver racismo, se as pessoas não gostarem de mim lá, eu não me irei importar porque é a única chance que tenho de ter uma vida melhor.” Até Março de 2025, altura em que o fotógrafo tirou o seu retrato em Mbeubeuss, Demba ainda não tinha conseguido a quantia necessária para seguir viagem.
“Todo este fluxo migratório tem, no fundo, uma só raiz: a Europa e o seu passado”, observa o grego. “A instabilidade que existe em muitos países africanos, os conflitos que lá existem, são, não raramente, uma herança da colonização europeia — que, mesmo no presente, se mantém por via económica. As pessoas que sofrem com esses problemas, em África, querem ir para a Europa para procurar uma vida melhor, mas agora os países europeus não as querem.”
O grego sentiu nos migrantes uma desesperança esmagadora. “Muitos acham que não têm hipótese alguma de mudar algo nos seus países por acreditarem que esses estão, ainda que de forma não declarada, sob domínio externo.”
O projecto Reaching for Dusk está dividido em vários capítulos – um realizado na Grécia, outro na Tunísia e outro na Turquia –, todos dedicados ao tema da migração. “Acredito que, no futuro, me irei debruçar cada vez mais sobre os problemas que os países europeus levaram até aos países onde se verificam esses êxodos em massa.”
Ana Marques Maia, “Público”, 10/10/2025]

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Chega: seita nacional, flop local

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Chega: seita nacional, flop local
Os fiéis são crédulos no grande líder, mas não adoram as pagelas: o “impensável” aconteceu mesmo e o partido de André Ventura não conseguiu a desejada implantação autárquica.
Um líder carismático com autoridade total, manipulação psicológica e social dos seguidores, crença numa verdade milagrosa, uma estrutura interna rígida e hierarquizada, tendência para o isolamento.
Se esta é a descrição de uma seita religiosa, a verdade é que se aplica também à política.
E em particular ao Chega e à sua relação com o eleitorado.
E se André Ventura tem sido bem-sucedido a evangelizar o povo para confiar nele para o Governo à base do protesto e do soundbite, domingo ficou claro que não conseguiu plantar “santinhos” igualmente adoráveis por esse país fora.
Os fiéis são crédulos no grande líder, mas não tanto nas pagelas: (pseudo) Messias há só um, Ventura e mais nenhum.
A política tem destas coisas: o Chega ganhou as suas primeiras três câmaras e mais do que quadruplicou os resultados face a 2021,
mas foi mesmo o grande perdedor destas eleições autárquicas, ficando muito aquém de todas as expectativas sonhadas e declaradas.
A desilusão ao nível local foi brutal.
O Chega pode ter conseguido a Câmara do Entroncamento, mas saiu-se um fenómeno do Encolhimento:
mingou para menos de metade a votação das Legislativas e “só” foi até aos 654 mil votos.
O líder Ventura chegou a aventar 60 câmaras, declarou o objetivo das 30 e viu o seu coordenador autárquico traçar a meta das dez.
E se disse e repetiu que “era impensável” que o partido tivesse menos votos do que o CDS e a CDU, mais uma vez não pensou bem no assunto.
É que o que lhe era inimaginável impôs-se: só atingiu metade das câmaras do CDS (6) e um quarto das da CDU (12),
dois partidos que o líder do Chega despreza e aos quais vaticinou o fim, mas que, apesar de tudo, se aguentaram.
Apesar de ter colocado quase toda a bancada da Assembleia da República como cabeças de cartaz, o povo não aderiu.
As pessoas querem Ventura como porta-voz para o seu ressentimento em Lisboa, mas preferem outros a gerir-lhes as questões de proximidade do dia a dia por esse país fora.
Os populistas de pantufas Bruno Mascarenhas em Lisboa e Miguel Corte Real, no Porto, não convenceram.
Rita Matias faz vídeos que bombam no TikTok, mas não disparou em Sintra:
ficou-se pelo terceiro lugar, bem atrás do PSD e do PS, ambos com mais de 30%.
Em Oeiras, Pedro Frazão vinha com taxas de autoconfiança em máximos, mas acabou a noite com uma taxa de votação em mínimos:
só chegou aos 8%, atrás de Ana Sofia Antunes, do PS, a invisual que apostou na mensagem da inclusão.
Isaltino, como era esperado, esmagou com 62% e “limpou o chão” autárquico com o Andrezito e o Pedrito, conseguindo mais um vereador para a sua maioria absolutíssima.
Notório foi o facto de o Chega ter começado logo com o pé extremo-direito:
o primeiro presidente de câmara eleito (José Carlos Gonçalves, na Madeira) agrediu o delegado do PSD na assembleia de voto.
Habituem-se…
A outra derrotada da noite foi a Iniciativa Liberal.
Esteve melhor do que em 2021, é certo, mas não conseguiu implantação autárquica, não ganhou nenhuma câmara
e ficou-se por uns parcos dois vereadores, um em Braga (Rui Rocha) e outro em Castelo Branco.
Poucochinho.
O partido da ambição que quer acelerar Portugal não consegue sair do passo de caracol.
Por outro lado, as notícias da morte do bipartidarismo ao nível local eram manifestamente exageradas.
No país real, o centrão está bem e recomendou-se.
O PSD foi o grande vitorioso da noite em todos os critérios relevantes:
conseguiu os dois bastiões de Lisboa e Porto, as cinco câmaras mais populosas do país e a Associação Nacional de Municípios.
Luís Montenegro está de parabéns: ganhou um boost de energia com o facto de poucos se terem mostrado agastados com o rumo do seu governo minoritário
(nem com os seus problemas de falta de transparência na Spinumviva).
Em Lisboa, a vitória foi do mérito de Moedas e do seu vertiginoso marketing pessoal, mas também do demérito do frentismo de esquerda liderado por Alexandra Leitão – um erro que se adivinhava.
Já o PS teve um mau resultado e deixou de ser o maior partido autárquico,
mas não foi a “hecatombe” das Legislativas (palavras do próprio José Luís Carneiro)
e até teve algumas vitórias de consolação que lhe dão ligeiro fôlego:
roubou cinco capitais de distrito ao PSD, incluindo o tradicional “Cavaquistão” de Viseu e a câmara laranja de Bragança.
No Algarve, onde se esperava um grande resultado do Chega, o Partido Socialista manteve-se o mais votado (e até aumentou em número de votos),
alcançando 11 câmaras, incluindo a capital de distrito.
O povo ordenou (dentro de ti, ó cidade), está ordenado.
Mafalda Anjos.
CNN Portugal, 13 de Outubro de 2025.

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