antigamente é que era bom

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“Antigamente é que era bom”, dizem alguns filhos da aristocracia daqui e de lá.
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Porto a escravidão das carqueijeiras

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As carquejeiras. Poucos conhecem, por certo, a história destas mulheres de trabalho escravo, que diariamente, e carregando 50 a 60 quilos de carqueja, subiam, vezes sem conta, a ingrime calçada (210 metros de comprimento e 20 por cento de inclinação), hoje com o seu topónimo mas antes chamada de Corticeira, que vai da marginal do Douro às Fontainhas, percorrendo depois a cidade a distribuir o produto para dar chama, servindo de acendalha, aos fornos das padarias. O tempo passa, mas esta desumana atividade está – quer queiramos, quer não -, registada na história da cidade do Porto dos finais do século XIX ao primeiro quartel do século passado.
Pela Corticeira passaram, de acordo com o blogue “Monumentos Perdidos” – do qual reproduzimos, com a devida vénia, certas imagens –, dezenas e dezenas de mulheres, número que chegou a ser de 90 por dia, isto na década de 40 do século passado, e que em ziguezague, para atenuar a agrura da subida, passavam centenas e centenas de molhos de carqueja, que eram depois distribuídos por certas zonas da Invicta.
O trabalho era tão pesado que a imprensa da época dava também destaque à escravidão a que estavam sujeitas as mulheres que, “com coragem e determinação”, subiam a calçada, mais, por certo, a pensar nos filhos a alimentar, do que na sua própria condição de mulher e trabalhadora, registos que, então, eram praticamente desconhecidos
Mais recentemente, ou seja, desde há três anos, que uma associação, encabeçada por Arminda Santos, tenta perpetuar, homenageando, estas mulheres, com a colocação de uma estátua no local onde o esforço desumano destes seres era mais visível (Fontainhas). O projeto tem vindo a ganhar cada vez mais aderentes, estranhando-se, porém, o silêncio da Câmara Municipal do Porto, que ainda não apoiou, nem deixou de apoiar, esta iniciativa, posição que é demonstrativa de uma urbe que sempre enalteceu, envaidecendo-se, ser capital do trabalho em Portugal e sobre o Trabalho, em cerca cem estátuas na cidade, só ter duas a homenageá-lo.
Artur Arêde and 39 others
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Origens: Lista dos sobrenomes das primeiras famílias que povoaram os Açores

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PÁGINA GLOBAL: A CARTA DE SAVIMBI A PEDIR AJUDA AO EXÉRCITO COLONIAL PORTUGUÊS

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Origens: Descoberta e povoamento da ilha de S. Jorge Arquipélago dos Açores

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Palestra | Será que a primeira comunidade negra em Manhattan falava português? | 14 dez. ’21 | 18h00

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Biblioteca Nacional de Portugal

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HISTÓRIAS DE SANTA MARIA O DR TELES

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Tenho este artigo a aguardar algumas informações e ilustrações que já me foram prometidas. Publico-o agora para tentar, com a ajuda dos meus leitores, corrigi-lo e melhorá-lo com mais dados que possam ser do conhecimento das pessoas mais antigas desta ilha ou dos seus familiares. Aqui fica o repto.
O DR. TELES
Quando se aborda para tema de conversa o Dr. Teles, há pessoas que não sabem nada. Mas se é com pessoas de mais idade, na casa dos oitenta ou noventa anos de idade, a conversa já é outra. Com os olhos a brilhar e uma alegria mal contida, todos debulham merecidos elogios àquele que consideram o melhor médico que porventura já esteve em Santa Maria, salientando as suas qualidades humanas e competência profissional.
Natural do lugar de Santa Bárbara, freguesia das Ribeiras no concelho das Lajes do Pico, onde nasceu em 8 de Maio de1908, o Dr. José Prudêncio Teles Jr. era o benjamim, o filho mais novo dos cinco de Maria Luísa da Silveira e de José Prudêncio Teles. O pai foi um dos maiores comerciantes da ilha que, em razão disso, lhe conseguiu dar uma educação acima de tudo aquilo que era previsível numa ilha considerada “subdesenvolvida” como eram todas as dos Açores, com uma quase exceção do Faial, Terceira e S. Miguel. Teve o ensino primário na Escola das Ribeiras, seguindo depois para o Liceu da Horta. No Liceu de Angra completou o 6.º ano do liceu e no de Ponta Delgada o 7.º, de onde seguiu para Coimbra onde frequentou os cursos de Histórico-Filosóficas e de Medicina e Cirurgia, concluindo as Licenciaturas em 1935. Foi uma grande proeza tratando-se de um jovem criado numa ilha onde, habitualmente, os jovens ficavam, no melhor das hipóteses, pelo 2º ciclo do ensino secundário, isto é, pelo 9º ano de escolaridade.
O primeiro lugar onde o Dr. Teles foi colocado foi Santa Maria. Aqui chegou logo a seguir à formatura e deu provas da sua magnanimidade e competência. Foi o Delegado de Saúde da Ilha e médico no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Porto. Morava numa casa em frente à antiga Guarda Fiscal e costumava comer na casa do senhor Jacinto Almada. Era uma pessoa que despertava sensações de amizade em todos os seus doentes. Talvez derivado à educação que teve, não levava dinheiro pelas suas consultas. Mesmo que alguns dos seus doentes mais abonados lhe fizesse algum pagamento pelos seus serviços, ele arranjava maneira de esconder essas quantias debaixo da almofada de algum doente mais pobre e envergonhado. Era assim. Tinha uma postura completamente diferente da maioria dos seus colegas, também derivado ao facto de ir obtendo ajudas das suas irmãs e família. Gostava de se vestir bem, sempre com o seu fatinho bem engomado, o que melhorava a sua figura simpática, que nutria verdadeiras paixões nas moças de então.
Em Santa Maria há quem se lembre do Dr. Teles. Ainda há dias, em conversa com o Dr. Gil de Sousa, ele contou-me que foi o Dr. Teles que o tratou quando tinha 3 anos de idade. Livrou-o de uma pleurisia purulenta que o atacou. Por assim dizer salvou-lhe a vida, mesmo contrariando a opinião de um outro médico militar que os pais chamaram em socorro e que afirmava ser um caso perdido. Ele não se pode lembrar do Dr. Teles mas recorda-se de ter ouvido os pais referirem-se a ele como uma pessoa de boa índole, muito competente, um médico completamente diferente dos outros, pela sua bondade, dedicação e, acima de tudo, por não levar dinheiro pelas consultas. Era uma figura à parte na nossa sociedade que o idolatrava.
Também há o caso da D. Mariazinha que foi tratada de uma doença crónica (psoríase) durante muito tempo e do garrotilho que assolou a sua família. Ficou-lhe sempre uma adoração imensa por um médico e ser humano como não havia igual.
O Dr. Teles aproveitava ainda os fretes do táxi do senhor Bernardino Borges. Quando tinha de ir acudir doentes acamados, dava boleias no táxi a quem quisesse regressar a casa ou ir visitar familiares fora da Vila. Convém não esquecer que, nesse tempo, só havia um carro de praça e os transportes públicos ainda não existiam. As alternativas era irem a pé, troteando maus caminhos durante horas perdidas, ou socorrerem-se da ajuda de um burrinho, o que estava ao alcance de bem poucos…
Mas um dia o encanto acabou-se em Santa Maria. A ilha chorou pelo Dr. Teles quando, no início dos anos 40, resolveu rumar a S. Miguel. A irmã mais velha, Maria, tornou-se quase uma mãe adoptiva do Dr. Teles, cedendo-lhe, inclusivamente, um espaço na sua casa onde instalou o consultório. Ali começou a ser o médico preferido de muita gente que nutria por ele uma grande admiração. Também por causa das consultas grátis, parte dos doentes começaram a fugir dos seus médicos e a concentrarem-se no seu consultório.
Em 1941, aquando da visita oficial do Presidente da República, General Óscar Carmona, aos Açores, é-lhe atribuída a “Comenda da Ordem de Benemerência”, o reconhecimento institucional do regime vigente.
Mas uma nuvem negra pairava por cima do médico. Em pouco tempo, talvez por causa do mal estar de muitos outros médicos que se sentiram prejudicados pela sua postura, o Dr. Teles começou a ser olhado pela PIDE com uma certa desconfiança, sendo considerado uma pessoa de esquerda e nefasta para o regime ditatorial vigente. Assim, é acusado de ter ideias subversivas, consubstanciadas na forma como tratava os seus doentes mais necessitados. Sabendo da intenção da PIDE de o submeter a inquéritos, o Dr. Teles refugia-se em Lisboa até que o assunto fosse esquecido. Já depois de 1945 resolveu regressar aos Açores. Desembarcou em Santa Maria e não chegou a sair do aeroporto: a PIDE recambiou-o, sob prisão, para Lisboa. Foi submetido a intensos interrogatórios durante meses, que o deixaram desmoralizado e desmotivado. Acabou por ser absolvido mas ficou muito traumatizado com todo o processo e voltou ao Pico. Aqui, durante anos a fio, de forma absolutamente voluntária e obstinada, preocupou-se quase exclusivamente em servir, em tratar, em dar, por quase nada em troca. A família e alguns familiares e amigos asseguram-lhe o sustento, pois o pouco que cobra a alguns (muito raramente) é imediatamente dado a outros que, pela sua extrema pobreza, desse apoio precisam. Trabalha dia e noite, calcorreando a ilha de lés-a-lés, numa preocupação constante por servir, tratar, aliviar a dor e curar. Reside em São Mateus com a mãe e as irmãs onde tem consultório, dando igualmente consultas na casa dos pais em Santa Bárbara. Em 1960 casa com Odete Hermínia Azevedo da Silva e passa a residir no Cais do Pico, concelho de São Roque, onde abre também um consultório. Em 1961, aos 53 anos, nasce o seu único filho, José Eduardo Azevedo da Silva Teles.
Nunca teve o hábito de pedir dinheiro aos doentes. Porém, a vida de casado já obrigava a algumas contenções. A esposa geralmente acompanhava-o nas suas deslocações e encarregava-se de cobrar, pacificamente, pequenas quantias que eram indispensáveis para fazer face às despesas do dia a dia. Foi denominado Inspetor Regional dos Açores. Mas lá para meados de 1980 foi-lhe detetado um cancro no duodeno. Só lhe restava recorrer a um especialista. Encontrou um nos Estados Unidos
Porém, ao fim de cinco meses de tratamento, faleceu. Era o dia catorze de março de 1981. Regressou à sua ilha de eleição numa urna, onde foi pranteado por todos os seus doentes e pela população em geral que o estimava acima de todas as coisas.
O Dr. José Prudêncio Teles Jr. foi um clínico excepcional. A sua elevada competência técnica e o seu invulgar poder de diagnóstico, associados a uma grande inteligência, sensibilidade e coerência, revelam um homem de enorme dimensão; um profissional extraordinário, que será sempre uma referência absoluta e incontornável para a história da medicina na ilha do Pico e Açores em geral.
Nota: Neste artigo recorri a informações que me foram fornecidas por diversas pessoas, com especial referência pelo Dr. Manuel Costa, diretor do Museu das Lajes do Pico. Aproveitei também parte de um texto publicado a propósito da exposição biográfica e documental Dr. José Prudêncio Teles Jr. – o Homem, o Médico e o Mito, apresentada ao público durante o mês de maio de 2015, na Galeria de Exposições Temporárias do Museu da Indústria Baleeira, em São Roque do Pico. A todos os meus agradecimentos.
Convém que se diga que este artigo poderá vir a ser alterado, de acordo com informações sobre o assunto que me sejam encaminhadas em comentários a este artigo, o que desde já agradeço.
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um dia negro da história há 525 anos

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Há exatos 525 anos, a 5 de dezembro de 1496, D. Manuel I publicava um édito, em Muge, próximo de Lisboa, para a expulsão da comunidade judaica de Portugal, porque pretendia casar-se com a Infanta D. Isabel de Espanha, filha dos Reis Católicos, e esta era a imposição para haver cerimónia matrimonial. Assim, a 22 de maio de 1501, os primeiros judeus expulsos de Portugal Continental aportavam aos Açores, pela Ilha Terceira, oferecidos como escravos a Vasco Anes Corte-Real, primogénito de João Vaz Corte-Real, que soube aproveitar as capacidades judaicas e integrá-los na sociedade.
Em 1492, os judeus foram expulsos de Espanha pelos Reis Católicos, pois não quiserem converter-se ao catolicismo, a grande bandeira destes reis, que tinham conseguido conquistar Granada neste ano, e expulsar os muçulmanos do seu último reduto na Península Ibérica. Cerca de 60 000 judeus emigraram para Portugal, onde D. João II, O Príncipe Perfeito, abriu-lhes as portas, obrigando-os a pagar 8 cruzados por pessoa e concedendo-lhes, em troca, licença de trânsito por oito meses. Aqueles que não tinham este dinheiro viram os seus bens confiscados para a Coroa e foram-lhes também retirados os filhos menores. Estes foram posteriormente batizados e entregues à guarda de Álvaro de Caminha, que partiu com eles para o povoamento da ilha de São Tomé, onde a maioria não resistiu às condições do clima. D. João II queria, assim, forçar a fixação de operários especializados em Portugal.
Com a morte de D. João II, sucedeu-lhe no trono o seu primo e cunhado D. Manuel I, que, embora fosse bastante tolerante com os Judeus, publicou, em 5 de dezembro de 1496, um édito, em Muge, próximo de Lisboa, para a expulsão de judeus de Portugal, para assim se puder casar com a Infanta D. Isabel de Espanha, filha dos Reis Católicos, que tinham imposto esta condição para haver enlace. D. Manuel I apercebeu-se que a saída dos judeus do País levaria, também, à fuga de capitais do Reino, pois a comunidade judaica era formada por um escol de mercadores, banqueiros, médicos, economistas, ourives, entre outras atividades. Era portanto gente endinheirada. D. Manuel ofereceu barcos para quem quisesse sair do Reino, o que foi feito por poucas famílias abastadas, mas o Rei rapidamente mudou de estratégia.
Para D. Manuel I, a saída de tanta riqueza não podia acontecer, sobretudo num momento em que a aposta nos Descobrimentos era cada vez maior, e o capital judaico era muito necessário. Assim sendo, D. Manuel I decretou a conversão forçada de judeus, e até de muçulmanos, ao Cristianismo no prazo de dez meses. Nasceu, assim, o conceito de cristão-novo (os cristãos que já existiam passaram a ser os cristãos-velhos).
Em 1499, os cristãos-novos foram proibidos de sair de Portugal, mas tinham acesso a cargos políticos, administrativos e eclesiásticos. Além disso, D. Manuel I deixou-os praticar a sua religião de forma secreta, tendo uma política de grande benevolência para com os antigos judeus. Contudo, a diferenciação entre cristãos-novos e velhos era muito grande e estes últimos, impuseram várias perseguições e até massacres, obrigando muitos dos cristãos-novos a sair do país. Estes sentiam-se portugueses de segunda.
A 22 de maio de 1501, aportaram à Terceira, vários náufragos cristãos-novos que fugiam à perseguição no Continente. Estes se encontravam numa caravela que se dirigia para África, levando um grande número de judeus. O mar bravio destruiu-lhes o barco e obrigou-os a pedir ajuda na Terceira, provavelmente através do atual Porto Judeu. Vasco Anes Corte-Real, o Capitão Donatário de Angra, avisou D. Manuel I do sucedido e o Rei ofereceu-lhe os judeus como escravos. Assim nasceu a primeira colónia judaica na Terceira e nos Açores.
Vasco Anes Corte-Real rapidamente compreendeu as capacidades judaicas e o benefício que a Ilha podia receber com tal presença, assim os judeus foram bem acolhidos e tratados como iguais, longe do fanatismo que singrava a capital do Reino. A população cedo começou a entrar em contato com os rituais judaicos, que lhes eram permitidos praticar. Em 1558, a comunidade cristã-nova nos Açores já era grande e estes pagaram 150 000 cruzeiros à regente D. Catarina, avó de D. Sebastião, para prover as armadas da Índia. Em troca, D. Catarina prorrogou o adiamento da pena de confisco de bens aos cristãos-novos por dez anos, deixando-os envolver-se na vida do arquipélago.
Em 1501, em um momento de terror para os Judeus no Continente português, foram bem recebidos na Terceira, onde puderam implantar-se e formar as suas comunidades. Com o passar dos anos, as suas crenças misturaram-se com os costumes locais, fazendo da Terceira um bom exemplo da mistura de religiões, com características muito próprias.
É bom olharmos para estes exemplos e percebermos a importância da tolerância e do apoio às minorias. É necessário respeitar os outros e não utilizar as desculpas dos problemas e da crise para desrespeitar a Liberdade e a individualidade de cada ser. Não devemos ser falsos hipócritas, fingindo ser o que não somos, devemos assumir a nossa personalidade com defeitos e virtudes e respeitar as diferenças. A Liberdade de cada um termina quando interfere na do outro…seja ele quem for.
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JUDEUS NA ILHA TERCEIRA

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*** OS EXPULSOS E A TERCEIRA ***
A 5 de dezembro de 1496, D. Manuel I publicava um édito, em Muge, próximo de Lisboa, para a expulsão da comunidade judaica de Portugal, porque pretendia casar-se com a Infanta D. Isabel de Espanha, filha dos Reis Católicos, e esta era a imposição para haver cerimónia matrimonial. Assim, a 22 de maio de 1501, os primeiros judeus expulsos de Portugal Continental aportavam aos Açores, pela Ilha Terceira, oferecidos como escravos a Vasco Anes Corte-Real, primogénito de João Vaz Corte-Real, que soube aproveitar as capacidades judaicas e integrá-los na sociedade.
Em 1492, os judeus foram expulsos de Espanha pelos Reis Católicos, pois não quiserem converter-se ao catolicismo, a grande bandeira destes reis, que tinham conseguido conquistar Granada neste ano, e expulsar os muçulmanos do seu último reduto na Península Ibérica. Cerca de 60 000 judeus emigraram para Portugal, onde D. João II, O Príncipe Perfeito, abriu-lhes as portas, obrigando-os a pagar 8 cruzados por pessoa e concedendo-lhes, em troca, licença de trânsito por oito meses. Aqueles que não tinham este dinheiro viram os seus bens confiscados para a Coroa e foram-lhes também retirados os filhos menores. Estes foram posteriormente batizados e entregues à guarda de Álvaro de Caminha, que partiu com eles para o povoamento da ilha de São Tomé, onde a maioria não resistiu às condições do clima. D. João II queria, assim, forçar a fixação de operários especializados em Portugal.
Com a morte de D. João II, sucedeu-lhe no trono o seu primo e cunhado D. Manuel I, que, embora fosse bastante tolerante com os Judeus, publicou, em 5 de dezembro de 1496, um édito, em Muge, próximo de Lisboa, para a expulsão de judeus de Portugal, para assim se puder casar com a Infanta D. Isabel de Espanha, filha dos Reis Católicos, que tinham imposto esta condição para haver enlace. D. Manuel I apercebeu-se que a saída dos judeus do País levaria, também, à fuga de capitais do Reino, pois a comunidade judaica era formada por um escol de mercadores, banqueiros, médicos, economistas, ourives, entre outras atividades. Era portanto gente endinheirada. D. Manuel ofereceu barcos para quem quisesse sair do Reino, o que foi feito por poucas famílias abastadas, mas o Rei rapidamente mudou de estratégia.
Para D. Manuel I, a saída de tanta riqueza não podia acontecer, sobretudo num momento em que a aposta nos Descobrimentos era cada vez maior, e o capital judaico era muito necessário. Assim sendo, D. Manuel I decretou a conversão forçada de judeus, e até de muçulmanos, ao Cristianismo no prazo de dez meses. Nasceu, assim, o conceito de cristão-novo (os cristãos que já existiam passaram a ser os cristãos-velhos).
Em 1499, os cristãos-novos foram proibidos de sair de Portugal, mas tinham acesso a cargos políticos, administrativos e eclesiásticos. Além disso, D. Manuel I deixou-os praticar a sua religião de forma secreta, tendo uma política de grande benevolência para com os antigos judeus. Contudo, a diferenciação entre cristãos-novos e velhos era muito grande e estes últimos, impuseram várias perseguições e até massacres, obrigando muitos dos cristãos-novos a sair do país. Estes sentiam-se portugueses de segunda.
Em 22 de maio de 1501, aportaram à Terceira, vários náufragos cristãos-novos que fugiam à perseguição no Continente. Estes se encontravam numa caravela que se dirigia para África, levando um grande número de judeus. O mar bravio destruiu-lhes o barco e obrigou-os a pedir ajuda na Terceira, provavelmente através do atual Porto Judeu. Vasco Anes Corte-Real, o Capitão Donatário de Angra, avisou D. Manuel I do sucedido e o Rei ofereceu-lhe os judeus como escravos. Assim nasceu a primeira colónia judaica na Terceira e nos Açores.
Vasco Anes Corte-Real rapidamente compreendeu as capacidades judaicas e o benefício que a Ilha podia receber com tal presença, assim os judeus foram bem acolhidos e tratados como iguais, longe do fanatismo que singrava a capital do Reino. A população cedo começou a entrar em contato com os rituais judaicos, que lhes eram permitidos praticar. Em 1558, a comunidade cristã-nova nos Açores já era grande e estes pagaram 150 000 cruzeiros à regente D. Catarina, avó de D. Sebastião, para prover as armadas da Índia. Em troca, D. Catarina prorrogou o adiamento da pena de confisco de bens aos cristãos-novos por dez anos, deixando-os envolver-se na vida do arquipélago.
Em 1501, num momento de terror para os Judeus no Continente português, foram bem recebidos na Terceira, onde puderam implantar-se e formar as suas comunidades. Com o passar dos anos, as suas crenças misturaram-se com os costumes locais, fazendo da Terceira um bom exemplo da mistura de religiões, com características muito próprias.
Num momento de crise, é bom olharmos para estes exemplos e percebermos a importância da tolerância e do apoio às minorias. É necessário respeitar os outros e não utilizar as desculpas dos problemas e da crise para desrespeitar a Liberdade e a individualidade de cada ser. Não devemos ser falsos hipócritas, fingindo ser o que não somos, devemos assumir a nossa personalidade com defeitos e virtudes e respeitar as diferenças.
A Liberdade de cada um termina quando interfere na do outro…seja ele quem for.
Texto de: Francisco Miguel Nogueira
May be an image of monument and text that says "1506-2006 EM MEMÓRIA DOS MILHARES DE JUDEUS VÍTIMAS DA INTOLERÁNCIA DO FANATISMO RELIGIOSO ASSASSINADOS NO MASSACRE INICIADO A 19 DE ABRIL DE 1506 NESTE LARGO 5266-5766"
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DOMINGOS REBELO HÁ 130 ANOS

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130º Aniversário de Domingos Rebêlo.
Á meia-noite do dia 3 de Dezembro de 1891, nascia em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, o futuro pintor açoriano, que veio a este mundo para nos maravilhar com a sua Arte.
(Pintura “Roupa ao sol nas Sete Cidades” (pormenor),década 1930-foto de Bruno Amaral; Fotografia de Domingos Rebêlo, em 1912)
130th Anniversary of Domingos Rebêlo.
At midnight on December 3, 1891, the future Azorean painter was born in Ponta Delgada, São Miguel Island, Azores. Rebêlo came to this world to amaze us with his his art.
(Painting “Clothes drying in the Sun at Sete Cidades” (detail), 1930´s – Photo by Bruno Amaral; Photograph of Domingos Rebêlo, in 1912)
May be art of 2 people
130º Aniversário de Domingos Rebêlo.
Á meia-noite do dia 3 de Dezembro de 1891, nascia em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, o futuro pintor açoriano, q…

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