para os que criticam estes regionalismos açorianos

VAIA (=VÁ)
e DEA (=DÊ)
O ciberdúvidas fala destas formas comuns a norte do Douro:
“‘As formas “deia” (ou “dea”) e “vaia” são bastante antigas e constituem variantes da língua que permaneceram no português mais popular e, portanto, nos dialetos regionais. A sua explicação é histórica e beneficia do confronto com a língua medieval e a atual língua galega”.
CIBERDUVIDAS.ISCTE-IUL.PT
As formas regionais “deia” 😊 dê) e “vaia” 😊 vá) – Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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MORRE UMA LÍNGUA

Volto a partilhar pensando na street sale das Caxinas.
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A MORTE ANUNCIADA DE UMA VELHA LÍNGUA
Nas lojas e corredores dos “shoppings”
Como se anuncia para breve a abertura de uma loja? “Opening Soon”, claro.
Como se promovem vendas de ocasião a preços fantásticos? “Flash sales”, por exemplo.
Como pode um cartaz de um café promover a venda de bicas ou cimbalinos? “Take a coffee” é uma boa hipótese.
Como se aguça o apetite para uma nova colecção que está para sair? Pode ser “Worth waiting for”.
Uma ideia para promover, numa tendinha de comida rápida, quatro produtos por apenas 5€? Que tal “High Five”?.
E como designamos um espaço com produtos para crianças numa grande loja como a Fnac? “Fnac Kids”, como é óbvio.
E a secção de jogos? “Gaming”, inevitavelmente.
E como realçar que uma certa casa de comeres se distingue de outras que só vendem comida rápida e insípida? Que dizem a “Real food (for) Real People”?
E finalmente, entre milhentos outros exemplos, que frase escolheríamos para um caixilho iluminado com uma mensagem ternurenta para a nossa mais-que-tudo? Vejam se gostam: “Always kiss me goodnight”.
Tudo isto, e muito mais que aqui não cabe, foi por mim registado hoje, segunda-feira, numa curta volta de 15 minutos por um centro comercial pejado de gente mascarada. Onde? – perguntam vocês. Em Southampton? Nos arredores de Londres? Em Nova Iorque? Em São Francisco? Nada disso, caros amigos. Estes anúncios, cartazes, sinalizadores, toda esta publicidade comercial está espalhada de forma esmagadora pelas lojas e corredores do Norteshopping, em Matosinhos, terrinha que confina com a segunda cidade portuguesa, a mui nobre, leal e invicta cidade do Porto. Segundo me apercebi, mas posso estar enganado, quem circulava, conversava e comprava nas lojas do Norteshopping eram sobretudo cidadãos portugueses, nados e criados cá, com escolaridade obrigatória, cursos secundários e superiores ministrados na lingua de Camões.
Portanto: a malta já não compra, vai às “sales”. Deixou de ter filhos, passou a ter “kids”. Não convida um amigo para um café, antes o desafia “let’s take a coffee?”. E por aí fora, num imenso, inusitado, disparatado e criminoso lesa língua lusitana. Na maioria dos jornais, nas redes sociais, no linguajar de café e de tasca, o português tem sofrido tratos de polé, está cada vez mais pobre, maltratado, simplificado. A última coisa que precisávamos era desta parolice de invadir o quotidiano popular com inglesices escusadas, pacóvias, disparatadas. Continuem assim, e dentro de duas ou três gerações a velha e bonita língua de Vieira, de Camilo, de Aquilino ou de Mário de Carvalho há-de transformar-se numa algaraviada incompreensível, sem pés nem cabeça, e as futuras gerações hão-de precisar de dicionários de português antigo para decifrarem os nossos criadores maiores. Um crime e uma tristeza.
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PAULA SOUSA LIMA E OS PALAVRÕES

AMIGOS, cá vai a crónica deste fim-de-semana, embora ele esteja a acabar:
Acerca das palavras LVI – sobre os palavrões
Quem, caríssimos leitores e caríssimas leitoras, nunca permitiu que um palavrão saísse veloz e certeiro dos seus lábios? Quase apostaria que não há um único cidadão português, em idade adulta, que jamais tenha proferido o seu palavrão – ou palavrãozinho, pois nisto do palavrão há vários graus, do mais levezinho e aceitável ao mais pesado e próprio para ruborescer as faces apudoradas.
O palavrão, seja ele qual for, palavra única ou conjunto delas, deve ser incluído na classe das interjeições, porquanto com ele exprimimos emoções. E, sendo assim, usamos os palavrões para manifestarmos o que nos vai na alma, normalmente coisa má, embora nem sempre. Assim, o palavrão é, muito frequentemente, confundido com o insulto, conquanto isto não seja exato, pois pode insultar-se alguém – e muito –sem que usemos qualquer palavrão, tal como se pode usar palavrões em situações que não sejam a de injuriar alguém, até em contextos agradáveis e bem-dispostos.
Muito marcado pela cultura dos grupos sociais e também das épocas, o palavão está hoje tão divulgado como nunca e é usado tão frequente e naturalmente como nunca. Sou do tempo, caros leitores e caras leitoras, em que numa família séria e honrada não se permitia o palavrão – se um, do grau mais levezinho, por inadvertência, nos saía dos lábios, as mães e as avós demonstravam veementemente a vontade de nos lavar a boca com sabão. Os leitores e as leitoras da minha geração lembrar-se-ão destas ameaças, certamente. Nunca me lavaram a boca com sabão, mas também eu nunca ousei dizer mais do que o palavrão mais corriqueiro que há, aquele que começa por “m” e que hoje até os miúdos do segundo ciclo usam, aquele a que até a minha mãe já não torce o seu delicado nariz, muito embora não o use, nem esse nem nenhum, no tempo dela uma senhora era uma senhora, não dizia coisas porcas.
Hoje, caríssimos leitores e leitoras, como já devem ter notado, o palavrão tornou-se o pão nosso de cada dia, transbordou da tasca para os bancos das escolas, das vozes grossas de trabalhadores braçais para as vozinhas ingénuas (ou nem tanto) de adolescentes de ambos os sexos, sendo proferidos a propósito de tudo e de nada. Por uma questão de decoro (ou da educação que recebi), aqui não me atrevo a reproduzir aqui os palavrões que, enquanto professora, oiço nos corredores da escola, alguns tão grosseiros que, noutros tempos, sequer o tasqueiro os usaria. E o mais curioso – ou triste – é notar-se que tais palavrões surgem, a talho de foice, em quase todas as conversas que os adolescentes mantêm entre si, sem que eles se apercebam de quão reles é o seu linguajar. Estarei a ser velha, moralista, intransigente? É possível. É possível também que esta novíssima geração esteja a perder algum decoro – ou a não saber o que é decoro.
É que, note-se, a grande maioria dos palavrões que os nossos meninos e as nossas meninas usam têm teor sexual. Sobre isto já me pronunciei, mas retomo as ideias mais relevantes: tão triste como ouvir os jovens a atirar palavrões grosseiros sem qualquer recato é reparar-se que a sexualidade deve ser muito mal-amada, pois está associada ao palavrão e ao insulto, merecia outro trato, mas isto vem-nos de longe, certamente de tempos em que o sexo era considerado porco e pecaminosos. Já não o é – ou será que é? –, mas, sem nos apercebermos, perpetuamos esse entendimento de que o sexo é coisa má ao repetirmos palavões cuja matriz é sexual.
Bem, e porque, apesar de o tema dar pano para mangas, o espaço que me é cedido no jornal é – ó “m” – restrito, por aqui me quedo, confessando o meu pecadilho do palavão levezinho, sem o qual tenho dificuldade em passar. Não fique o leitor ou a leitora escandalizado/a, até a minha mãe já ultrapassou o desejo de me lavar a boca com sabão.
Maria João Ruivo, Roberto Y. Carreiro and 73 others
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Most relevant

  • Lili Viana

    Não digo nem gosto de ouvir palavrões , só me permito uma excepção quando bato com o dedo mindinho num móvel porque não dói tanto se disser um palavrão 😂😂
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  • Carmelio Rodrigues

    Como sempre, leio e releio as crónicas, para aprender alguma coisa, principalmente gramática, que necessito. E tenho aprendido!
    Noutro sentido, não me agradou a referência a “tasca” e a repetição “tasqueiro,” por um lado, e “família séria e honesta” dum lado oposto.
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    • 10 h
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  • Paula Viveiros

    Querida amiga, embora esteja um pouco longe deste espaço, ao domingo não deixo de cá vir para ler a tua crónica, que adoro. Obrigada Paula. Um grande beijinho no teu ❤
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    • 9 h
  • Marieta Brito da Mana

    Também não sou, nem nunca fui de palavrões, mas confesso que fico impressionada pela forma como os jovem se dirigem uns aos outros, sem respeitar nada nem ninguém!
    Também aprecio muito as suas crónicas.
    Beijinho.
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    • 9 h
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  • Roberto Silveira

    Talvez usar o palavrão é muito dificil,só em casos extremos o nde a privacidade reguarda estes itens!..Sempre é bom um tema que integre a sua funcionalidade na nossa realidade,
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    • 7 h
  • Roberto Silveira

    Parabéns

    pela sua crónica,.Paula de Sousa lima!..

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    • 7 h
  • AnaBela Terceira

    Infelizmente uma realidade presenciada em todos os setores da nossa sociedade
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    • 2 h
  • Maria Clara

    Para expressar certos estados de alma, nada como um palavrãozito dito para dentro. Quem nunca o fez??? Eu assumo 🙂. Bjs, Paulinha. Daqui a dias retomamos o “dizer interiormente” um palavrãozito. Não vem mal ao mundo por isso
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    • 2 h
    • Teresa Viveiros

      Maria Clara Palavrãozito dito para dentro… pelo pessoal do Norte!? Bem, haverá sempre alguma exceção para confirmar a regra. lol
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      • 1 h
    • Maria Clara

      Teresa Viveiros 🤣🤣🤣🤣 alto e bom som só num circulo muoto restrito! E se os dissesse em francês???? Très chic, ehemmm???!!!!
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      • 1 h
  • Maria Vieira Soares

    Parabéns

    pela crónica! Vos de sucesso.

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    • 2 h
  • Amelia Botelho Botelho

    Reflito no facto de sexualidade ser mal amada ou algo porco e pecaminoso e fico sem saber o que é pior se isso se o maldito palavrão repetido como bordão da modernidade.
    Coisas ruins!
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    • 1 h

não violentem a língua

4 m
Via Vitor Lopes Dias
Não se admirem se, em breve, nos tentarem convencer que a Lógica (modo correcto de pensar, subjacente à linguagem) foi uma invenção arbitrária dos gregos…
A título de exemplo:
Existe a palavra: PRESIDENTA? Que tal colocarmos um “BASTA” no assunto? No português existem os particípios activos como derivativos verbais.
Por exemplo: o particípio activo do verbo “atacar” é “atacante”, o de “pedir” é “pedinte”, o de “cantar” é “cantante”, o de “existir” é “existente”, o de “mendigar” é “mendicante”, etc. Qual é o particípio activo do verbo “ser”? O particípio activo do verbo ser é “ente”; aquele que é: o ente; aquele que tem entidade. Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a acção que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos “-ante”, “-ente” ou “-inte”. Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE,e não “presidenta”, independentemente do sexo.
Diz-se: capela ardente, e não capela “ardenta”; estudante, e não “estudanta”; adolescente, e não “adolescenta”; paciente, e não “pacienta”.
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
“A candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta.
Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, de entre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.
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santos narciso escreve sobre língua maltratada

No photo description available.
Deve dizer-se Câmara DE Lagoa ou Câmara DA Lagoa? Junta DE Arrifes, DE Capelas, ou DAS Capelas e DOS Arrifes?…. Eis o meu artigo publicado hoje, no “Correio dos Açores”…. Nunca peço isto a ninguém. Mas se puderem partilhar, ficarei muito grato. Pode ser que, por intermédio de algum dos meus Amigos/as do facebook, chegue junto de quem de direito, ou, pelo menos, dos muitos assessores/as de imprensa que pululam por aí!
Aqui está
DE ou dA?
A moda suplanta a gramática?
Tornou-se moda reduzir um determinativo de lugar à preposição “de”… Assim, temos, em documentos oficiais, A Câmara DELagoa; a Junta de Freguesia DE Arrifes; a Câmara DE Nordeste e a Junta DE Capelas. Isto para citar apenas alguns casos sem sair de São Miguel.
Nada mais errado! E não sei se ainda vamos a tempo de corrigir o erro. Porque nada pior do que a repetição dele para se pensar que assim é que é. Já para não falar de certo snobismo cultural que vai ditando regras ao sabor do momento e na proporção da indiferença com que as questões da Língua são tratadas.
No caso concreto das denominações de países, províncias, cidades, vilas, freguesias ou lugares, há dois aspectos a considerar: uns nomes pedem artigo definido, masculino ou feminino, no singular ou plural, para serem escritos ou pronunciados. Outros são “neutros” ou, como dizia o Professor José de Almeida Pavão, “indefinidos”.
E aqui estão exemplos: Roma, Paris, Londres, Lisboa, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Vila Franca do Campo, Água de Pau,
São Mateus, e tantos outros… Nenhum destes nomes precisa de artigo definido para ser pronunciado ou escrito.
E por isto mesmo se diz, correctamente: Vou A Lisboa, vim DE Roma, estive EMLondres, ou vivo EM Ponta Delgada. Tudo preposições simples sem qualquer contracção com o artigo definido.
Vejamos agora outros exemplos: tudo nomes de países, cidades, vilas, freguesias e lugares que requerem um artigo a defini-las: O Porto, A Ribeira Grande, A Horta, A Lagoa, OS Açores, OS Arrifes, O Nordeste, A Ribeira das Tainhas (por favor sem acento, e todas as placas estão erradas), A Maia e AS Capelas… Só para dar alguns exemplos.
E aqui todos nós dizemos, e bem: vou AO Porto, estive NA Ribeira Grande, já visitei A Horta, gosto de ir À Lagoa, tenho amor AOS Açores, passarei NOS Arrifes, e estarei NO Nordeste.
A ninguém passa pela cabeça dizer que vivi em Horta, ou vou morar em Lagoa, ou mesmo vou nadar no mar de Capelas. Como estas palavras todas pedem o artigo definido, quando preposicionadas, pedem a contracção da preposição com o artigo definido.
Por isso mesmo deve dizer-se a Vila DAS Capelas (contracção da preposição DE, mais o artigo definido do plural AS); Concelho, ou Câmara DA Lagoa, do Nordeste ou DA Ribeira Grande ( contracção da preposição DE, mais o artigo definido, no plural, feminino ou masculino A/O, conforme os casos).
Nunca percebi o porquê da moda que agora se vê em muitos lados, quando se escreve a Câmara DE Nordeste, a cidade DE Lagoa, ou a Junta DE Arrifes.
É natural que este meu alerta venha a cair em saco-roto, até porque me poderão dizer que não sou académico, nem tenho autoridade para opinar sobre a matéria. Mas acho que, em questões destas, basta conhecer o básico de uma gramática e acima de tudo estar atento ao senso comum. Se ninguém diz: eu vou A Arrifes, porquê Junta de Arrifes? Se ninguém diz: estive EM Lagoa, mas sim NA Lagoa, porque cidade DE Lagoa?
Deixo o assunto à consideração de cada um dos responsáveis, com a certeza de que quem tiver coragem de se demarcar de modas para se guiar pela gramática, ganhará pontos. Não dá votos, mas há mais vida para além dos votos!
Santos Narciso
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crónica de paula sousa lima

AMIGOS, aqui vai a crónica deste sábado:
Acerca das palavras LV – ainda sobre as palavras e o silêncio
Soube-me a pouco o que (vos) deixei escrito na última crónica. De facto, a questão das palavras e do silêncio é um campo quase inesgotável, tão vasto quanto a(s) abordagem(ns) que nos propusermos fazer. Sem ter a mínima ambição de esgotar a questão, apraz-me avançar mais algumas ideias sobre a mesma.
Ora, qual é a forma mais completa de nos exprimirmos? Através de belas, sentidas, sinceras palavras, ou deixando o silêncio fluir? Depende, como quase tudo, pois para se entender seja o que for é forçoso que nos atenhamos às circunstâncias. Creio ser mais fácil exprimirmo-nos através das palavras, pois são elas que permitem uma comunicação supostamente mais eficaz e também supostamente mais completa. Contudo, há uma elevação do espírito quando duas pessoas estão em sintonia ante o silêncio, quando não são já necessárias as palavras, quando a intimidade de almas é tal que dispensa qualquer palavra. Isto é para seres excecionais, de eleição, dir-me-ão. E dir-mo-ão com toda a propriedade – não é comum aquela harmonia de almas que se compreendem e unem uma à outra silenciosamente.
E qual é a forma mais cruel de lidar com o outro? Com frias, duras, ásperas palavras, ou com um cortante silêncio, daqueles que nos arrepiam a coluna vertebral de alto abaixo? Se as palavras podem ser muito cruéis, e são-no tantas vezes, o silêncio também o pode ser. Há silêncios prenhes de desprezo, saturados de ódio, plenos de indiferença, e estes transportam consigo uma crueldade tão grande como as palavras mais impiedosas. A verdade, porém, é que tanto os silêncios como as palavras tomam os seus significados de acordo com a forma de entender do interlocutor. Imaginemos uma discussão, uma disputa por qualquer razão. A certa altura, o falante A cala-se, deixa que se imponha o silêncio para que a disputa termine, para não ofender o falante B com alguma palavra mais acesa. O falante B, todavia, pode entender aquele silêncio como marca de desprezo por parte do falante A. A verdade é que acontece não entendermos bem os silêncios, tal como, tantas vezes, não entendemos bem as palavras.
Estas, de facto, geram todo o tipo de mal-entendidos que se possa imaginar, e nós, muito inocentemente, disso não nos apercebemos. Assim, há que ser muito cauteloso com as palavras. Às vezes, basta uma palavra, só uma, dita, muito provavelmente, sem qualquer má intenção, para que o nosso interlocutor se sinta ferido. É com mãos enluvadas que temos de manusear as palavras, sempre atentos a cada uma delas, ao tom com que as pronunciamos, pensando no efeito que elas terão sobre os nossos interlocutores – enfim, a comunicação é algo muito delicado, e as relações humanas são complexas em extremo, exigindo todo o cuidado.
Permitam-me, caríssimas pessoas que me leem, acabar em tom diferente, contando-vos um “caso” jocoso ou, tão-só, ridiculamente deplorável. Como não há nada a que eu escape nas redes sociais, andei uns tempos a tentar contornar o assédio de um “amigo”. Ora, o dito “amigo” exagerou nos seus arroubos, tornou-se inconveniente, mal-educado, e eu bloqueei-o, mas, como sou educadinha, disso o avisei, escrevendo: “Vou bloqueá-lo, pois você é uma criatura malformada e sem princípios.” Creiam, leitores e leitoras, que a pessoa em causa mereceu os insultos, até foram levezinhos. Bem, antes de eu clicar no botãozinho para bloquear o homem em causa, ainda li a resposta que me enviou, toda indignação por eu me referir a ele com a palavra “criatura” (que não é injúria, como sabe qualquer pessoa minimamente escolarizada), não por ser insultado com as expressões “malformada e sem princípios”. Caricato, não é? É, pois claro que é, mas cada um tem as suas palavras de estimação ou de estimado ódio, e, sem o sabermos, quantas vezes tocamos na tecla errada ou simplesmente inoportuna, naquela que vai fazer desandar a comunicação.
AnaBela Terceira and 5 others
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mais bem ou melhor?

FALAR E ESCREVER EM BOM PORTUGUÊS
De há uns bons anos para cá, que se ouve, na televisão e na rádio, com razoável frequência, expressões como “melhor conservado”, em vez de “mais bem conservado”, “melhor imaginado” em vez de “mais bem imaginado”, e muitas outras, saídas da boca de pessoas ditas cultas, com responsabilidades no uso da nossa língua.
Recordo-me de ter aprendido na Escola primária, que a palavra “bem” é um advérbio e, como tal, é invariável. Aprendi igualmente que a palavra “melhor” é, sim, um grau aumentativo do adjectivo “bom”, este, sim, variável.
Com base nestes ensinamentos, desde criança que, nestes casos, digo e escrevo “mais bem” em vez de “melhor”.
Dado o suposto bom nível cultural das muitas personalidades a quem ouvi e oiço o uso de um português diferente daquele que aprendi, à mistura com muitas reguadas, tenho vivido na dúvida sobre qual é forma correcta.
Há meia dúzia de dias, no propósito de me esclarecer, coloquei a questão, por e-mail, à Drª Edite Estrela, reconhecida conhecedora da Língua Portuguesa.
Eis a sua resposta, que agora me chegou
“Tem razão, ouve-se frequentemente esse erro, de tal modo que já há quem estranhe a construção correta. Até já vi “melhor dito” escrito em artigo de opinião de pessoa “douta”. Na oralidade, surje na boca de pretensos eruditos, governantes, professores, comentadores televisivos, etc.”
Obrigado, Drª Edite Estrela
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