o tialeto (dialeto especial da língua portuguesa)

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O “TIALETO”
A língua é uma entidade viva em permanente mutação, não se contendo nas páginas de um dicionário. Ela recebe influências individuais (idioleto), regionais (dialeto) e sociais (socioleto).
O idioleto é o hábito discursivo de um indivíduo. Um amigo meu, por exemplo, usa muito o termo “desembebedado” (no sentido de estar sóbrio), uma variante da língua fruto da sua criatividade. No domínio literário temos, a título ilustrativo, a expressão utilizada pela célebre personagem de Os Maias, Dâmaso Salcede: “chique a valer”.
O dialeto é a variante regional da língua. Em Portugal temos os dialetos das gentes de Lisboa, do Porto, do Alentejo, de Trás-os-Montes, das Beiras ou do Algarve, dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, etc. Com destaque para o dialeto mirandês, que tendo sobrevivido centenas de anos no isolamento, alcançou em 1999 o estatuto de segunda língua oficial em Portugal…
E o socioleto, ou dialeto social, é o conjunto de traços linguísticos que identificam e caraterizam um grupo ou um estrato social. Por outras palavras, e segundo o Dicionário Houaiss, são as «variedades de uma língua usadas pelos grupos de indivíduos que, tendo características sociais em comum (p. ex., a profissão, os passatempos, a geração, etc.), usam termos técnicos, ou gírias, ou fraseados que os distinguem dos demais falantes na sua comunidade».
Isto tudo a propósito do socioleto das tias, a que já ouvi chamar de forma trocista de “tialeto”. Quem não reconhece a voz afetada e nasalada das tias (e dos tios e dos betos e das betas) ricas ou aspirantes a ricas, com um vocabulário muito próprio e com uma pronúncia muito praticada sobretudo em Lisboa e certos arredores da cidade – Cascais, Sintra, Estoril, Oeiras…, isto é, como se sofressem de paralisia e tivessem o maxilar preso?…
Alguns exemplos do “tialeto”:
PORTUGUÊS CORRENTE “TIALETO”
prenda …………………………………presente
aniversário ………………………….anos
funeral …………………………………enterro
negro …………………………………preto
vermelho ………………………………..encarnado
mala ou bolsa de mão …………..carteira
tourada ………………………………..corrida de touros
olho ………………………………………..vista
lábios …………………………………boca
automóvel ………………………….carro
tchau …………………………………adeus
“a minha mãe”/”o meu pai” …….“a mãe”/”o pai”
sabonete …………………………………sabão
aleijar …………………………………magoar
robe …………………………………………roupão
rádio ………………………………….telefonia
discoteca …………………………..boate
cortinados …………………………..cortinas
lilás/violeta …………………………..roxo
“as crianças”/”os filhos” …………….“os piquenos”
calças de ganga …………………….jeans
“estou doente” ……………………“tou péssimo”
“não é isso”/”jamais” …………….“de todo”
inteligente …………………………..esperto
muito ………………………………….imenso
foto …………………………………………retrato
conduzir ………………………………….guiar
bonito …………………………………..giro
lindo ………………………………….giríssimo
piroso ………………………………….possidónio
escola ………………………………….colégio
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Ana Maria Nini and 23 others

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Carlos Peralta

Engraçaleto, mas muita coisa não é tialeto, é mesmo o mais usado por toda a gente, inteligente e esperto são coisas totalmente diferentes, ciaoooo (xau pt, tchau br)
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Black Friday: Indivíduo conseguiu comprar frigorífico de 500 euros por 600 graças a desconto de 70%

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Um indivíduo conseguiu adquirir esta quinta-feira um frigorífico que andava a namorar há meses. “Tem um dispensador de gelo automático, não faças confusão, olha”, demonstra o indivíduo, que espalhou gelo pelo chão da cozinha numa altura em que entrou a sogra, que deverá ter uma fractura na perna.  O frigorífico, que há pelo menos dois […]

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aviso, desabafo

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Aviso! Desabafo…. Para aqueles que estão a colocar luzes/decorações de Natal no vosso jardim, podem evitar qualquer coisa que tenha luzes vermelhas ou azuis a piscar juntas?
Cada vez que eu chego na esquina, penso que é a polícia e tenho um ataque de pânico.
Tenho de travar com força, atirar o meu gin pela janela, esconder a erva, apertar o cinto de segurança, atirar o telemóvel para o chão, baixar o rádio e empurrar o taco de basebol para debaixo do assento, tudo enquanto tento conduzir.
É demasiado drama, até para o Natal.
Obrigado pela colaboração e compreensão.
(Por favor, continue assim e roube esta publicação como eu fiz… ) Todos nós precisamos de rir. 😂 😂😂
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Lúcia, Herberto and 18 others

Aviso! Desabafo…. Para aqueles que estão a colocar luzes/decorações de Natal no vosso jardim, podem evitar qualquer coisa que tenha luzes vermelhas ou azuis a piscar juntas?
Cada vez que eu chego na esquina, penso que é a polícia e tenho um ataque de pânico.
Tenho de travar com força, atirar o meu gin pela janela, esconder a erva, apertar o cinto de segurança, atirar o telemóvel para o chão, baixar o rádio e empurrar o taco de basebol para debaixo do assento, tudo enquanto tento conduzir.
É demasiado drama, até para o Natal.
Obrigado pela colaboração e compreensão.
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Um sexagenário português que persegue três adolescentes brasileiras,

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«Eu cá queria escrever sobre a sorte que tem a língua portuguesa aqui em Portugal por ter tantos brasileiros a falar a nossa língua. É mais do que uma injecção de vitalidade e de amplitude: é uma segunda vida.
Não é só o português que os brasileiros falam — musical, gracioso, sexy, humorístico, brincalhão, metediço, encantador — mas a maneira como eles vão construindo a língua à medida que falam, como se tivessem vindo do dentista e, estando a passar a anestesia camoniana, se pusessem a explorar a língua e o interior da boca, para ver onde se consegue meter, para descobrir até aonde pode ir.
É a língua portuguesa em liberdade, muito novinha, ainda a decidir o que quer ser.
Mas, como se verá, é difícil para caramba escrever em português. Lembrei-me dos nadadores-salvadores brasileiros que havia na Praia Grande, que ficavam escandalizados com a maneira como os basbaques olhavam para as mulheres. Um deles estava sempre a abanar a cabeça e a protestar: “Isto no Brasil é assédio!”
Saindo anteontem da padaria, dei com três brasileiras que iam para a escola. Iam mesmo à minha frente, de passo apressado, muito bem-dispostas — a rir-se tanto que tinham de parar para deixar escapar o riso.
Mas como é que se podia escrever isto sem parecer assédio? Não podia dizer que fui atrás de três brasileiras ou que segui três brasileiras pela rua abaixo — apesar de ter sido isso que aconteceu.
E eis que surge uma lição que os brasileiros nos ensinaram: só um português teria este problema.
É o eterno problema do “parecer mal”. Um brasileiro acharia graça à possibilidade de um mal-entendido. Um sexagenário português que persegue três adolescentes brasileiras, para mais a pensar em Drummond de Andrade e em Cesariny, é bom demais para ser desperdiçado.
Não é só a língua que falamos que agradece, mas é importantíssimo: considero cada brasileirismo que apanhei não só como uma honra, mas como uma prova de abertura e de flexibilidade.»
[Miguel Esteves Cardoso, “Público”, 19/11/2023]
Eram três brasileiras e um português
PUBLICO.PT
Eram três brasileiras e um português
Considero cada brasileirismo que apanhei não só como uma honra, mas como uma prova de abertura e de flexibilidade.
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