SÁ CARNEIRO

Sá Carneiro, um mistério com 40 (42) anos.
Acidente ou atentado.
Os motivos da queda do Cessna que resultou na morte de Sá Carneiro, primeiro-ministro e dirigente histórico do PSD, nunca foram esclarecidos cabalmente.
A Justiça aponta num sentido, os inquéritos parlamentares noutro.
A dúvida paira no ar 40 anos depois…
Quatro de dezembro de 1980.
Quinta-feira da última semana de campanha eleitoral para as segundas eleições presidenciais do Portugal democrático do pós-25 de Abril.
No restaurante Escondidinho, frente ao Coliseu do Porto, para onde está previsto para as 21 horas um comício da candidatura à Presidência da República do general Soares Carneiro, apoiado pela Aliança Democrática (PPD/PSD, CDS e PPM), há uma mesa reservada para cinco pessoas.
Uma mesa especial, colada à lareira, a que é sempre escolhida por Francisco Sá Carneiro nas habituais deslocações àquele templo gastronómico da Invicta, na Rua de Passos Manuel, inaugurado em 1927 e cujas paredes são testemunhas de épicas conversas históricas de políticos, poetas, realizadores de cinema, até de membros da realeza europeia.
À sua espera, os pratos a que raramente se furta.
“Tornedó Rossini ou entrecôte”, como recorda Amarílio Barbosa, atual proprietário do Escondidinho, amparado pela memória viva do veterano cozinheiro da casa, António Pereira, conhecedor à légua dos gostos gastronómicos do fundador e líder do PPD (PSD, a partir de 1976).
“Já sabia bem a carta, nem precisava de a consultar. Bastava pedir”, rebobina.
A reserva, apontada para as 20 horas, contempla ainda as presenças de Snu Abecassis, companheira de Sá Carneiro, de Adelino Amaro da Costa, ministro da Defesa e vice-presidente do CDS, da sua mulher, Maria Manuela Vaz Pires, e de António Patrício Gouveia, chefe de gabinete do então primeiro-ministro.
“Seria um jantar rápido e apressado.”
Seria mas não foi.
Porque um fatal desastre de aviação matou quem iria ocupar a célebre mesa junto à lareira.
Portugal iniciava então um jogo de sombras com a verdade histórica que dura há 40 anos: o que fez morrer Sá Carneiro?
Concluída em 1981, a investigação da Polícia Judiciária ao caso, entretanto prescrito na Justiça e por isso impossível de ser reaberto, redundou na tese de acidente por falta de provas em contrário.
O Ministério Público, que fechou o dossiê em 1983, seguiu a mesma linha.
No entanto, das dez comissões parlamentares sobre Camarate, realizadas entre 1982 e 2011, oito foram claras em apontar claramente que se tratou de um atentado.
“O despenhamento da aeronave foi causado por um engenho explosivo que visou a eliminação física de pessoas, tendo constituído, por isso, ação criminosa”, lê-se nas conclusões da VIII Comissão de Inquérito, terminada em 2004 e que teve como presidente o deputado do CDS-PP Nuno Melo.
“A investigação inicial foi muito deficiente e concluiu pelo acidente, o que condicionou tudo o que se seguiu ao longo dos anos, desde as diligências posteriores à conservação dos despojos do Cessna”, considera o agora eurodeputado.
“É muito fácil e tentador avançar com teorias da conspiração, mas o certo é que há factos com razoabilidade que permitem especular sobre um atentado dirigido a Amaro da Costa devido à decisão do ministro de proibir a venda da armas a vários países, o que mexeu com interesses económicos de muita gente”, avança Nuno Melo.
“Adelino Amaro da Costa estava particularmente atento às operações de venda de armamento que envolviam o Estado português, tendo vetado várias operações (vendas à Indonésia, à Guatemala e à Argentina) e tendo pedido, a 2 de dezembro de 1980, esclarecimentos adicionais acerca da venda de armas ao Irão”, sublinha o referido relatório parlamentar.
Ricardo Sá Fernandes, advogado das vítimas da queda do Cessna, é perentório: “A verdade já veio a lume, o avião caiu devido a um ato de sabotagem dirigido ao ministro da Defesa”.
Para o também escritor do livro “O crime de Camarate”, “as provas são tão impressionantes e esmagadoras nesse sentido que é impossível apontar o contrário”.
Sá Carneiro terá sido apanhado involuntariamente num crime bombista que “tinha como alvo Amaro da Costa, que estava a investigar os destinos dos dinheiros do Fundo de Defesa do Ultramar”.
A certeza absoluta, essa, será apenas conhecida no dia em que “os autores tiverem um rebate de consciência e admitirem tudo” ou quando “forem abertos os arquivos dos serviços secretos americanos”.
Já para Miguel Pinheiro, diretor executivo do “Observador” e autor de “Sá Carneiro”, biografia publicada em 2010 e agora reeditada, “com os dados que há hoje é difícil saber-se a verdade” do que realmente aconteceu a 4 de dezembro de 1980.
Porém, lembra, “as coisas mudam durante o curso da História” e no futuro a eventualidade de serem encontradas pistas seguras não está excluída.
“Há sempre documentos oficiais escondidos que poderão ser revelados.
Papéis ou gravações perdidas em casa de alguém podem vir também a lume e ajudar a perceber o que se passou”, assinala.
Certo é que, quatro décadas depois, “são mais as contradições do que as certezas”, o que “torna complicado” avançar com uma conclusão definitiva.
A noite fatídica
Afinal, como se desenrolou o filme que redundou na morte, entre outros, do primeiro-ministro e do ministro da Defesa?
Pelas 19.15 horas, menos de uma hora antes da chegada prevista ao Porto, Francisco Sá Carneiro entrou no Aeroporto da Portela, em Lisboa, acompanhado de Snu Abecassis e do chefe de gabinete.
O grupo dirigiu-se à sala VIP e lá esperou que uma viatura o transportasse ao setor da pista, na parte traseira do aeroporto, onde se encontrava estacionado o pequeno bimotor Cessna C 421 matrícula YV-314P, de 1969, propriedade de José Manuel Moreira, engenheiro e amigo próximo de Amaro da Costa, e um dos três Cessna utilizados pela campanha de Soares Carneiro – o candidato encontrava-se em Setúbal num comício.
No interior do aparelho, que fora propriedade do presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez, estavam já os pilotos Jorge Albuquerque e Alfredo de Sousa.
Faltavam Amaro da Costa e a mulher, que se haviam atrasado num compromisso anterior e só chegariam à Portela já perto das 20 horas.
Sá Carneiro, contam relatos da época confirmados pela secretária pessoal, Conceição Monteiro, em sede de comissão parlamentar de inquérito, terá decidido viajar com o ministro da Defesa apenas em cima da hora.
Tinha reservado lugar num voo da TAP para o Porto previsto sensivelmente para o mesmo horário, que acabou por desmarcar porque desejava regressar a Lisboa logo após o comício no Coliseu do Porto, o que não seria possível através da companhia de bandeira.
Pouco antes de chegar ao aeroporto, Sá Carneiro realizou aquela que foi a última aparição pública, uma conferência de imprensa em que contou com a companhia de Soares Carneiro e de Freitas do Amaral, número dois do Governo e líder do CDS.
Objetivo: insistir nos ataques veementes contra Ramalho Eanes, presidente da República e recandidato ao cargo, últimos trunfos a jogar para o desafio eleitoral que se desenrolaria no domingo seguinte, 7 de dezembro.
“Não pode ser qualificada de plenamente democrática qualquer candidatura objeto de apoio expresso oficial de forças políticas que abertamente desejam a instabilidade política”, ouviu o seu candidato proclamar, referindo-se à desistência de Carlos Brito, do PCP, a favor de Eanes.
A torre de controlo do Aeroporto da Portela deu autorização de descolagem às 20.14 horas.
O Cessna C 421 levantou da pista mas pouco tempo se manteve no ar.
Despenhou-se menos de um minuto depois, qual bola de fogo, no Bairro das Fontainhas, em Camarate, a 500 metros do local da partida.
Todos os sete ocupantes tiveram morte imediata.
Carbonizados.
“Caiu por virtude de sabotagem e, portanto, de um atentado, estando-se, assim, na presença de uma intervenção criminosa”, concluíram os deputados que fizeram parte da III Comissão de Inquérito, em 1987.
“Encontraram-se nos destroços elementos químicos estranhos à aeronave em quantidades desabituais”, acrescentou a IV Comissão, em 1991.
“Os factos (…) permitem estabelecer a presunção de que o despenhamento (…) foi causado por um engenho explosivo”, reforçou mais tarde a V Comissão, em 1994.
“Considerada comprovada a presença de elementos químicos, potássio e chumbo, também detetados nos materiais que foram sujeitos a ensaios explosivos com granada incendiária de fósforo (…) e a existência de substâncias explosivas (nitroglicerina, dinitrotolueno e trinitrotolueno)”, rematou, por sua vez, a VIII Comissão de Inquérito, em 2004.
“A maior nódoa negra da democracia”
O madeirense Guilherme Silva, histórico militante do PSD e deputado durante oito legislaturas, não duvida das teses apontadas nas comissões parlamentares.
“O que resultou dos inquéritos é que se tratou de um crime cujos responsáveis não foram responsabilizados criminalmente”, enfatiza.
“A incerteza oficial do que realmente aconteceu é a maior nódoa negra da nossa democracia, uma falha imperdoável que teve uma raiz bondosa, a de apressar a tese de acidente como forma de evitar a perturbação pública”, especifica.
Mas, para Guilherme Silva, o que os anos seguintes ditaram foram situações de “um amadorismo incrível” que deixaram cair no esquecimento o apuramento das razões que levaram à morte de Sá Carneiro.
“A investigação nunca poderia ter tratado Camarate como um simples caso de rotina.
Estava em causa a morte de altas figuras do Estado”, lamenta.
Manuel Loff, professor do Departamento de História e Estudos Políticos e Internacionais da Universidade do Porto e investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, entende que a morte de Sá Carneiro é um emaranhado de complexas situações que se cruzam entre si.
“O único facto concreto é que um avião caiu e morreram dois titulares de cargos públicos.
O resto é dúvida que ficará no tempo e na História.
Uma dúvida legítima, aliás”, realça.
“Se Camarate significou que Portugal se inscreveu na lista de países cujos regimes viram um ou mais membros do poder mortos por atentado, isso provavelmente nunca poderá ser afirmado com clareza.
Permanecem dúvidas e contradições que os anos ajudaram a serenar mas nunca a esclarecer”, aponta.
“Seria um jantar rápido e apressado”, volta a lembrar Amarílio Barbosa, dono do restaurante Escondidinho, onde a mesa junto à lareira não mais teve ocupante ilustre.
Uma metáfora que encaixa perfeita no puzzle que foi a vida e a morte de Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro (1934-1980).
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Lola Couto Rosário and 4 others
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lembrar sá carneiro

【A CAUSA DAS COISAS】
A morte de Sá Carneiro ocorreu a 4 de Dezembro de 1980. Passaram 42 anos e o acidente nunca foi esclarecido.
Em Maio de 1974, após a Revolução dos Cravos, Francisco Sá Carneiro fundou o Partido Popular Democrático – entretanto designado Partido Social Democrata – juntamente com Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota. Sá Carneiro torna-se o primeiro secretário-geral do então PPD.
Foi nomeado ministro em diversos governos provisórios, eleito deputado à Assembleia Constituinte em 1975 e, no ano seguinte, eleito deputado à Assembleia da República, na primeira legislatura.
Depois de se demitir e de regressar à liderança do partido, cria, em 1979, a Aliança Democrática, uma coligação entre PPD/PSD, CDS, Partido Popular Monárquico e alguns independentes.
A coligação vence as legislativas com maioria absoluta, na maior coligação governamental até então, desde o 25 de Abril.
Sá Carneiro foi chamado pelo Presidente da República de então, Ramalho Eanes, para liderar o novo executivo, tendo sido indigitado primeiro-ministro.
Francisco Sá Carneiro morre na noite de 4 de Dezembro de 1980, em circunstâncias trágicas e nunca esclarecidas.
Seguia num avião em direção ao Porto, juntamente com Adelino Amaro da Costa, ministro da Defesa, e a sua companheira Snu Abecassis, para participar num comício de apoio ao candidato presidencial da coligação, o general António Soares Carneiro.
Artur Arêde and 2 others
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Mysterious Coin Coming From a Possible Parallel Universe Found In Mexico – “The Year 2039, New Germany” – Alien News

We’re all aware that parallel worlds and multiverses can exist side by side. Every universe has us all at the same moment. And in each of those infinite worlds, we’re doing something entirely different. These worlds are beginning to appear in our lives at the moment. A Mexican construction crew discovered an unusual coin. They decided to bring the coin to the university for it to be examined. What did they discover? Check out the video below for additional information, and don’t forget to let us know what you think. VIDEO:

Source: Mysterious Coin Coming From a Possible Parallel Universe Found In Mexico – “The Year 2039, New Germany” – Alien News

o uruguai português – O PRIMEIRO GOVERNADOR australiano LUTOU PELA MARINHA PORTUGUESA

extraído de CHRONICAÇORES VOL 5 LIAMES E EPIFANIAS AUTOBIOGRÁFICAS ED LETRAS LAVADAS 2022

6.2.5. O PRIMEIRO GOVERNADOR australiano LUTOU PELA MARINHA PORTUGUESA

Finalmente, a História repõe factos reais, desimbuídos de conotações patrioteiras. É assim que devemos considerar, um livro de 1984 do australiano Kenneth Gordon McIntyre, “The Rebello Transcripts, Governor Phillip’s Portuguese Prelude.” Para os desconhecedores da história da colonização da Austrália, o Capitão Arthur Phillip foi o Comandante da Primeira Armada que chegou à Austrália em janeiro 1788, oito anos depois da alegada descoberta do Capitão Cook, após 257 dias de tormentosa viagem, com 11 barcos, 730 degredados (160 mulheres), 250 marinheiros e homens livres, para criarem a primeira colónia britânica no continente.

Arthur Phillip nasceu em Fulham em 1738, filho de Jacob Phillip, professor de línguas, de origem alemã, e de Elizabeth Breach, viúva dum Capitão da Marinha Real Inglesa. Estudou no Hospital de Greenwich tornou-se aprendiz de marinheiro, aos treze anos na Marinha mercante na Gronelândia.

Aos quinze, alistou-se na Marinha Real e esteve na Guerra dos Sete Anos de 1756-1763. Tomou parte na Batalha de Minorca (1762), promovido a Tenente, com meio soldo logo que a Guerra terminou, casou, estabeleceu-se numa quinta (Lyndhurst, Hampshire) recorrendo à agricultura para sobreviver durante os dez anos seguintes.

Esteve depois nas colónias sul-americanas na guerra opondo a Espanha (e França), contra Portugal e Inglaterra, e da qual estas sairiam vencedoras, com a exceção de Rio Grande, que ficaria espanhol. O Tratado de Paris (1763) gerou trocas de territórios coloniais entre as potências europeias: a Espanha troca a Flórida por Havana, recupera Manila e as Filipinas, e devolve a Portugal a Colónia do Sacramento.

Em 1773, os Portugueses recrutavam oficiais de Marinha, e Phillip, Tenente Naval, obtém o posto de Capitão. Três anos mais tarde, comandava uma fragata portuguesa encarregue da proteção de Colónia. Era uma praça penal permanentemente ameaçada pela Espanha. Os habitantes foram obrigados a comer ratos, cães e gatos para sobreviverem ao cerco. O profissionalismo de Phillip granjeou-lhe a admiração dos portugueses. Em 1777, a Armada espanhola tentava provocar um confronto com os portugueses ao largo da costa, o comodoro irlandês, MacDoual, depois de consultar Phillip, disse ser de evitar um confronto direto.

Ao contrário do escrito nas biografias, a nomeação para Governador da colónia australiana, não corresponde à brilhante carreira na Real Marinha Britânica, mas aos relevantes serviços na Marinha Portuguesa.

O livro de McIntyre “The Rebello Transcripts” baseia-se num estudo de finais do séc. XIX, do General Jacintho Ignácio de Brito Rebello, arquivista da Torre do Tombo, que, a pedido de historiadores australianos, estudou a carreira do Capitão Phillip ao serviço dos portugueses. Embora os dados tenham estado à disposição dos historiadores, o desconhecimento da história não permitiu o seu aproveitamento.

Consagrados, como George MacKaness ao publicar, em 1937, a biografia do Almirante referem erradamente a defesa da “colónia” (Brasil), em vez de Colónia del Sacramento, hoje território uruguaio.

Mais tarde, 1778, por fidelidade, Phillip coloca-se à disposição da Inglaterra para a Guerra da Independência (EUA), após a dispensa pelos portugueses dos seus notáveis serviços.

Colocado na Reserva por 16 meses, aos 43 anos (1781) o Almirantado deu-lhe o comando dum navio de 64 canhões “Europa”. Phillip foi recomendado para o lugar, pela meritória ação ao serviço da Armada Portuguesa.

Tal como Colónia do Sacramento, de difícil linha de abastecimentos, também Botany Bay representava enorme desafio. Em 1786 conduzia a Primeira Armada a Botany Bay, daí a importância de Phillip para a história da Austrália.

A Primeira Armada arribara após meses de tormentosa viagem. Phillip escolheu Sydney Cove, vasto porto natural, a norte de Botany Bay. Das 1030 pessoas 3/4 eram condenados, e os restantes marinheiros e oficiais. Durante cinco anos com inabalável otimismo, tentou criar uma colónia viável com material humano inadequado. A maioria dos condenados pertencia às mais baixas classes. Concedeu terras para amanharem ao terminarem as sentenças. Isto não os transformou em classe diligente de agricultores. Apenas 13 colonos livres embarcaram na sua governação para criarem uma colónia viável. A fome era uma ameaça constante.

A Primeira Armada levara mantimentos para dois anos. A 2ª Armada chegaria a junho 1790 e a 3ª em julho 1791. Até ao reabastecimento, todos os bens eram racionados. Fundou-se Parramatta como centro agrícola com os condenados na lavoura. Faltavam animais de carga e equipamento, o que aliado às condições locais e à dificuldade de criar uma colónia nova tornavam bem difícil tal desiderato.

Quando, doente, regressou a Inglaterra em dezº 1792, o núcleo urbano de três mil pessoas não produzia os géneros necessários para sobreviver. Os marinheiros foram substituídos pelo New South Wales Corps, em 1791, promovendo trocas comerciais mercantis entre a Índia e os EUA. A colónia sobreviveria com mais navios, mas com o futuro incerto devido ao elevado custo duma colónia longínqua e cara.

A visão de Phillip para a viabilidade com colonos livres demorou tempo, após anos de privações. Antes de sair deixou as linhas mestras de sobrevivência económica. Foi promovido a Contra-Almirante (1798), reformou-se (1805) em Bath onde faleceu (1814) Almirante.

 

QUADRO I – A LUTA PELA COLÓNIA DE SACRAMENTO

1494 TRATADO DE TORDESILHAS Espanhol n
1679 Fundação de Colónia pelo Príncipe Pedro Português
1680 Destruição de Colónia pelos Espanhóis Espanhol
1683 Devolução de Colónia após negociações Português
1705 Captura. Guerra da Sucessão em Espanha Espanhol
1713 Devolução. Tratado de Utreque (Utrecht) Português
1750 Renegação do Acordo. Tratado de Madrid Espanholn
1761 Revogação do Acordo. Tratado do Pardo Portuguêsn
1762 Captura. Guerra dos Sete Anos Espanhol
1763 Devolução. Tratado de Paris Português
1777 Destruição pelos espanhóis Espanhol
1821 Anexação por Portugal Português
1822 Independência do Brasil Brasileiro
1828 Fundação do Uruguai Uruguaio

n Denota apenas mudança teórica do domínio legal, já que na prática (fisicamente) nada se alterou.

QUADRO II – CARREIRA DO CAPITÃO PHILLIP NA MARINHA PORTUGUESA
  1774 25 agosto Solicita autorização para admissão na Marinha Portuguesa  
    22 dezº Parte de Londres para Lisboa  
  1775 14 janº Nomeado Capitão da Marinha Portuguesa  
    09 fevº Parte de Lisboa ao comando da “Belém”  
    ? maio Chega ao Rio de Janeiro  
    28 setº Ao comando da “Pilar” com destino a Colónia  
    22 outº A “Pilar” parte do Desterro  
    ? novº Regressa ao Rio, partindo logo a seguir.  
  1776 27 janº Ao comando da “Pilar” ruma a Colónia  
    18 ago A “Pilar” intervém na defesa de Colónia  
    29 dezº Parte de Colónia  
  1777 20 fevº Fica baseado na Ilha de Santa Catarina  
    março Integrado num Esquadrão Naval no Rio de Janeiro  
    01 abr Parte ao comando da “Pilar” numa missão de defesa a sul  
    26 abr Regressa triunfante com um barco inimigo aprisionado  
    29 maio Nova partida em patrulha às águas do sul  
    23 outº Nomeado Capitão do “Santo Agostinho”  
  1778 10 maio Parte do Brasil com destino a Lisboa  
    04 ago Chegada a Lisboa  
    24 ago Pagamento e exoneração da Marinha Portuguesa  

extraído de CHRONICAÇORES VOL 5 LIAMES E EPIFANIAS AUTOBIOGRÁFICAS ED LETRAS LAVADAS 2022

O Uruguai Já Foi Português

Pode ser uma imagem de mapa
♔ | Sabia Que… O Uruguai Já Foi Português
Em 31 de Julho de 1821, a Banda Oriental (actual Uruguai) foi incorporada oficialmente ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A partir dessa data, o território, que estava ocupado desde 1817, passou a ser administrado sob a denominação de Cisplatina.
A região cisplatina era disputada pelas coroas de Portugal e da Espanha desde a fundação da Colónia do Santíssimo Sacramento (1680), sendo objeto de vários tratados territoriais, dos quais os principais foram o Tratado de Madrid (1750), o Tratado de Santo Ildefonso (1777), também, chamado Tratado dos Limites e o Tratado de Badajoz (1801). Na posse espanhola, com a independência da Províncias Unidas do Rio da Prata, constituiu-se em território daquele país até 1816 quando foi invadida pelo general Carlos Frederico Lecor, comandante da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, para a Coroa portuguesa, na Guerra contra Artigas. Ali desenvolveu uma inteligente política de ocupação, com a fundação das Escolas Mútuas do Método Lancaster e o apoio às elites Orientais. Em 1821, foi incorporado ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves pelo príncipe-regente português, com o nome de Província Cisplatina. A anexação foi justificada, à época, pelos alegados direitos sucessórios que sua esposa, a rainha Carlota Joaquina, teria sobre a região.
Com a proclamação da independência do Brasil em 7 de Setembro de 1822, o Imperador D. Pedro I estava na prática a declarar guerra a Portugal, e na Bahia e na Cisplatina, houve grande resistência à separação do Brasil do Reino Unido com Portugal.
A Guerra da Cisplatina ocorreu de 1825 a 1828, entre Brasil e Argentina, pela posse da Província de Cisplatina, actual Uruguai.
O conflito foi travado entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata (recém-independentes de seus colonizadores, Portugal e Espanha) pela posse da Província Cisplatina, a região da atual República Oriental do Uruguai. Localizada na entrada do estuário do Rio da Prata, a província era uma área estratégica, já que quem a controlava tinha grande domínio sobre a navegação em todo o rio da Prata, além de acesso aos rios Paraná e Paraguai.
Os argentinos reivindicavam-na, assim, como parte do antigo Vice-reinado da Prata. O Império do Brasil a mantinha como necessária para a defesa das províncias do Sul.
Em 27 de Agosto de 1828, o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata assinaram o Tratado do Rio de Janeiro. O documento estabeleceu a independência da República Oriental do Uruguai. No dia seguinte, com a assinatura do Tratado de Montevidéu, chegava oficialmente ao fim a Guerra da Cisplatina, iniciada três anos antes.
O desfecho desfavorável ao Brasil agravou a crise política no país. A perda da província foi mais um motivo para a insatisfação dos brasileiros com o Imperador D. Pedro I, que acabou renunciando, em 1831.
Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica
José Bárbara Branco

Sobre esta extraordinária campanha militar e política, cujo fim era trazer a fronteira brasileira até ao Rio da Prata, vale a pena ler o II volume da obra de F.S. de Lacerda Machado (1933) “Expedição a Montevideo”:
No photo description available.

MORREU HÁ 10 ANOS

Hoje assinala-se uma década sem Manuel Ferreira (1916–2012). O jornalista, escritor, biógrafo e historiador, autor de mais de três dezenas de publicações, entre elas o icónico conto açoriano «O Barco e o Sonho», continua bem presente na minha memória, “alto como as estrelas, livre como o vento”.
Estas duas fotografias, da autoria de José António Rodrigues, pertencem ao arquivo da Publiçor e foram recentemente partilhadas comigo pelo major-general José Alfredo Ferreira Almeida, que teve o privilégio de acompanhar o trabalho do pertinaz defensor da autonomia e da açorianidade e com quem tenho vindo a trocar impressões sobre aquele período áureo.
Urbano Bettencourt, Maria João Ruivo and 28 others
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Santos Narciso

O grande jornalista e escritor Manuel Ferreira morreu há dez anos, era 1 de Dezembro de 2012. Recordo-o aqui com aquilo que escrevi no Correio dos Açores no dia 29 de Janeiro de 2016, no centenário do seu nascimento.
Pouco tempo antes da inesperada morte de Mário Mesquita, tínhamos conversado sobre a ideia de uma grande homenagem pública à memória de Manuel Ferreira. Pensava Mário Mesquita constituir uma Comissão para levar a efeito esta homenagem, para a qual me convidava, estando também a pensar na edição de um livro sobre o escritor. Com a morte de Mário Mesquita, nunca mais ouvi falar no projecto.
Fica aqui, em jeito de homenagem, o que escrevi em 2016.
Pedras para o Templo
Não! Não é apenas o título de um dos mais marcantes livros de Manuel Ferreira! Um livro em que ele quis condensar os mais marcantes editoriais que escreveu nos anos sessenta e setenta do século passado, aqui, neste “Correio dos Açores” de que, em dois períodos distintos, foi Chefe de Redacção. Manuel Ferreira, cujo centenário de nascimento está a decorrer este ano, desde o dia 29 de Janeiro, é ele mesmo uma “Pedra para o Templo” desta catedral de sonhos e lutas que é a Autonomia dos Açores.
Os editoriais de Manuel Ferreira não se mediam por parágrafos! Contavam-se por números, escarrapachados, a romano, a duas colunas, de alto abaixo, a abrir a primeira das duas ou quatro páginas que era o “seu jornal”, um lençol de papel, com cheiro de tinta fresca, quando ainda pontificava a tipografia à moda de Gutenberg, prova de galeão e prova repetida de página, batida a soco, húmida de água e suor de horas de composição, letra a letra, com o carinho de quem amassava o pão da opinião e a força da cultura que a tecnologia de hoje remeteu para honras de museu.
Manuel Ferreira quando agarrava num assunto, jamais dele se afastava. Ia até às últimas consequências. Era brusco, severo e de difícil trato, mas para ele, os ideais não se compadeciam com “paninhos quentes”.
Entrei no “Correio dos Açores” em 1973, levado pela mão de Ruy-Guilherme de Morais. Encontrei Manuel Ferreira e Gustavo Moura, todos os dias à noite, porque fechar o jornal antes da meia-noite, era milagre que raramente acontecia. Manuel Ferreira fez com que eu me “enfarinhasse” nas questões políticas e sociais de então, lendo, recortando e arquivando muito daquilo que ele e seus colaboradores escreviam. E posso aqui citar: Engenheiro Costa Matos, Dias de Melo, Branco Camacho, Deodato Magalhães, e tantos outros, para além de Ruy-Guilherme e Gustavo Moura.
Com Manuel Ferreira passei a noite do 25 de Abril no jornal: lembro-me, às tantas da noite, a aflição do Dr. Ernesto Macedo, o último censor, porque o jornal não tinha ido à censura… Manuel Ferreira, com aquele brilho que qualquer triunfo dava ao seu olhar, apenas lhe disse, mais ou menos isto: “ Nem hoje, nem nunca mais; a censura acabou. Você está despedido”.
Mais do que jornalista de casos, Manuel Ferreira era um jornalista de causas e como tal, com a sua inconfundível verve, tornou-se um temível polemista, como eu jamais vi outro. Sem querer ser exaustivo, cito apenas algumas das sua célebres intervenções, durante semanas ou meses, sobre temas quentes da actualidade então, com Agostinho Sá Vieira, Carreiro da Costa, Cândido Pamplona Forjaz, ou mesmo com seu cunhado e outro grande jornalista e homem de cultura que foi Luciano Mota Vieira, com quem debateu ao longo de meses, no início dos ano setenta, a questão de aterrar ou não o portinho da Calheta para o prolongamento da Avenida.
Manuel Ferreira saiu do Correio dos Açores numa época conturbada e de deriva ideológica que, filtrada à distância, talvez tenha sido a causa de o jornal ainda hoje estar vivo. Fiel a Gustavo Moura, foi colaborador do “Açoriano” durante alguns anos, mas, sempre que editava mais um livro, aí estava ele na redacção do Correio dos Açores para o entregar.
O sonho da Autonomia dos Açores, da libertação de amarras e de colonialismo, deve muito a Manuel Ferreira. Ele foi “pedra para o templo”, pela força da palavra, pela garra e pelo indomável amor que nutria por estes calhaus; ele é ainda hoje esteio seguro de que há vozes que não morrem neste brado imenso de quem se considera “alto como as estrelas e livre como o vento”.
Santos Narciso
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Paula De Sousa Lima, Artur Neto and 24 others
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  • Roberto Rodrigues

    O retrato incompleto de um Homem de um só temor. o da luta que faia sua .
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  • Miguel Simas

    Caro Narciso parabéns pelo texto. Nunca tinha visto uma fotografia escrita à mão tão bonita! Importas que partilhe?
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