ADORO O SOM DE VESTES RASGADAS PELA MANHÃ

ADORO O SOM DE VESTES RASGADAS PELA MANHÃ
O título indica um post erótico mas, infelizmente, ainda não tenho arcaboico para esse tipo de escrita. O que é pena porque sempre ficávamos mais bem dispostos e com o sangue a circular em zonas esmorecidas pelo frio.
Nesta fase da vida já não consigo ouvir falar do Ronaldo. A sério que não. Por mim teria bastado que acertasse uma das 10 hipóteses de golo que teve no Qatar ou, em alternativa, que tivesse ficado calado no mês anterior e durante a competicão. Qualquer uma me teria servido. A partir daí, o resto importa pouco e o bombardeamento de discussões sobre o rapaz, a Georgina e o clã Aveiro mostra mais sobre a nossa pobreza de espírito do que propriamente sobre a dele que, como qualquer um de nós, tenta fazer pela vida. Nada contra.
Na impossibilidade de receber o que quer num clube de topo, uma vez que já todos perceberam que para o que exige já não existem pernas, foi para a Arábia receber uma fortuna e vender camisolas. Óptimo para ele e para aquela malta que vive pendurada nele. Óptimo para selecão nacional que, em princípio, já não precisa de fazer mais fretes. E uma pena para o melhor jogador português que alguma vez vi jogar porque, certamente, merecia um final de carreira noutras paragens. Nem ele, nem a sanguessuga do Mendes, souberam evitar a catadupa de casos e o choque de egos que conduziram a esta situacão e à opinião, generalizada, que nesta fase da carreira Ronaldo é um activo tóxico. Compensa-se pois o facto com um rio de dinheiro. Não me importava de estar no lugar dele e não ter que pensar em taxas de juro.
Ignorando este último ano, Ronaldo ficará na história como um dos melhores que alguma vez pisou os relvados. Esse lugar é dele e por mérito próprio. E o patamar onde hoje se eleva a selecão nacional também se deve, em grande parte, a ele. Portanto, no meio da náusea, há que ser justo.
Dito isto, pior que as notícias da Georgina, dos jatos e dos Rolls-Royces, só mesmo o som das vossas vestes rasgadas por ver o Ronaldo a ir para um país que não respeita os direitos humanos. É que nem sei por onde comecar…
Quando meteram aí as bandeirinhas a pedir mais armas para a Ucrânia e o corte às energias russas, sabem que a UE pediu um reforco de producão a dois países que se estão bem a cagar para os direitos humanos, certo? Um deles foi exactamente a Arábia Saudita, bem expresso na voz do presidente francês Macron numa daquelas reuniões onde os líderes aparecem de jato para discutir problemas ambientais.
Quando gritaram nos golos contra a Suica, há pouco mais de um mês no Qatar, sabiam que centenas de trabalhadores tinham trabalhado e morrido em condicões desumanas para construir aquele estádio.
Quando vão à Zara, Adidas, Nike, H&M ou qualquer outro sítio onde compram uma camisola que custa 10x mais do que pagaram ao miúdo do Bangladesh para a coser, ficam aflitos com os direitos humanos?
Enquanto estão a ler isto no vosso iPhone ou Samsung, rezam uma avé-maria pelas chineses que estão nas linhas de montagem? Quando aceleram no vosso carro eléctrico, perdem quanto tempo a pensar, durante as filas para a ponte, nos chilenos e bolivianos que estão expostos a ambientes cancerígenas para extrair aquela merda?
Epá…não precisamos de ir tão longe. Quando metem aqueles mirtilos no meio da granola que despejam no kefir, agradecem aos nepaleses que estão lá nos caixotes em Odemira?
O Ronaldo faz o mesmo que nós todos. Usa a exploracão dos mais pobres para seu conforto. A diferenca é que ele recebe mais do que 1000 euros pela compra da consciência. De resto, mais Kátias, menos Georginas, mais jatos, menos EasyJets, somos relativamente parecidos na moral e nos costumes.
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You, Paulo Pinto, Ana Nogueira Santos Loura and 153 others
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Azores Rallye no Tour European Rally Series – Jornal Açores 9

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MORTE EM PARAPENTE

PARAPENTE É UM VOO PARA A MORTE.
DEVIA SER PROIBIDO.
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  • Guida Campos Costa

    O que mais me incomoda e me faz questionar é sentir a necessidade de certas pessoas de conviverem lado a lado com o perigo iminente. É como se tivessem necessidade de competir com a morte, de a desafiar… , muito esquisito.