O-NEGOCIO-DA-SAUDE.

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Excelente artigo de Mário Abrantes publicado hoje no “Diário dos Açores”, de Ponta Delgada.
Convido-vos a ler!
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O Hospital da Lagoa, a saúde em negócio ou o negócio da doença?
Numa demonstração clara de como gere o setor privado as suas unidades e cuidados de saúde comparticipados por fundos públicos, bem como a relação com os seus trabalhadores, utentes e profissionais do Hospital Internacional dos Açores (HIA) foram no passado dia 20 do corrente surpreendidos e confrontados de forma irrevogável, pela voz do presidente do conselho de administração, com a venda desse hospital ao Grupo CUF da Saúde.
Um dia depois do anúncio da venda, num congresso internacional sobre a saúde nos Açores, da iniciativa do próprio hospital, o mesmo dirigente fazia um apelo veemente ao Presidente do Governo para uma maior cooperação da Região com o setor privado da saúde e mais concretamente com o HIA.
Ao abrigo da “lei” do segredo do negócio, utentes e profissionais do hospital, além dos poderes públicos que ajudaram a financiá-lo, foram assim pura e simplesmente arredados, sem possibilidades de escrutínio democrático, de uma importante decisão que lhes diz diretamente respeito e que certamente interferirá de forma significativa com o seu futuro. No entanto, o investimento na construção do hospital foi suportado em mais de 50% por dinheiros públicos. Só a comparticipação comunitária sobre os 30 milhões do valor da obra foi na ordem dos 17 milhões de euros, e isto sem contar com a cedência gratuita pela Câmara Municipal da Lagoa dos terrenos onde foi construído, trazendo à pala, ao que parece, a autorização de construção de mais um hotel logo ao lado.
Agregando depois os rendimentos provenientes das convenções com o Serviço Regional de Saúde e a ADSE, na prestação dos cuidados hospitalares, conclui-se assim que este hospital, à custa de dinheiros públicos, proporcionou aos seus promotores e acionistas o acesso a uma volumosa fonte de acumulação privada de riqueza. Objetivo este que já estaria certamente na sua mira aquando da construção do hospital, muito embora nessa altura e numa clara manobra de diversão tenham garantido que ele se destinaria essencialmente ao turismo de saúde, dirigido para o mercado norte-americano…
No ato de transação do hospital, de forma legal mas nem por isso menos perversa (como em muitas outras situações criadas pelo sistema neoliberal dominante), os cofres públicos não serão senão simbolicamente ressarcidos pela sua contribuição para a instituição, por mais rendimentos que ela já tenha proporcionado aos seus proprietários. Em resumo, isto quer dizer que, mesmo se o hospital vier a ser vendido ao Grupo CUF por preço inferior ao do seu valor, os atuais donos poderão ainda assim ganhar bastante com a venda, e se for pago pelo seu valor real constituirá então para eles um super-negócio. O que lucrou então o Serviço Regional de Saúde com esta “cooperação”? A fuga dos seus médicos e enfermeiros por falta de condições, o desinvestimento na investigação, na tecnologia ou no atendimento? A manutenção das listas de espera imensas? A falta de especialistas e de cuidados?
E o que significa então o apelo do presidente do HIA à ainda maior cooperação do Serviço Regional de Saúde com o setor privado, infelizmente bem acolhido na resposta que o Presidente do Governo Regional então lhe deu?
Para já os números nacionais canalizam 41% do dinheiro público da saúde para o setor privado, onde o Grupo CUF é um dos maiores usufrutuários. Assim, de 375 milhões do orçamento regional para 2023, com a compra do HIA, o Grupo CUF já tem em mira mais 150 milhões para o “negócio da doença”. A prevenção da doença e a promoção da saúde sobram para o Serviço Regional de Saúde! É esta a “maior cooperação” desejável por alguém a quem a saúde, como um direito de todos e das 9 ilhas, até pode ser prejudicial ao negócio…
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O SNS PODIA COPIAR A DINAMARCA

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Hvidrove, um hospital publico dinamarquês. Um dos três grandes hospitais públicos existentes em Copenhaga.
Na Dinamarca não há hospitais privados. A saúde é uma responsabilidade pública e é gratuita, com excepção de alguns tratamentos odontológicos ou especiais (embora o serviço de estomatologia para crianças seja integralmente gratuito). A Dinamarca gasta cerca de 10% do seu orçamento na saúde.
São quatro alas unidas por um enorme corredor a todo o comprimento, onde circulam rapidamente macas e pequenos contentores de abastecimentos, empurrados por uma espécie de empilhadoras motorizadas.
Cada ala é dedicada a um conjunto de patologias, técnicas ou serviços e tem 3 pisos. No rés do chão fica o tratamento ambulatório, no 1° andar os consultórios e, no 2° piso, os internamentos. Na cave ficam a logística, os serviços de manutenção e aprovisionamento e um parque para automóveis, imenso.
Mas o que mais me surpreendeu foi a ausência de aglomerações de doentes ou sequer de um grande numero de pessoas à procura de consulta. Meia duzia de pessoas em cada local, os serviços a decorrer, com calma e, aparentemente, sem sobressaltos, nem aglomerações ou confusão.
Na Dinamarca, os partos não são feitos por obstetras, nem sequer por médicos, mas sim por parteiras. Ninguém se queixa, todos acham bem e o serviço parece ser do agrado geral. O pessoal de enfermagem é solicito, atencioso e educado.
Será que cá não podíamos fazer o mesmo? O dinheiro, por si só não garante certamente capacidade de gestão e uma boa organização de funcionamento. Na Europa unida podia haver visitas e trocas de experiência.
Copenhaga, tem mais ou menos a população de Lisboa, porque é que os mais de 15 hospitais da capital portuguesa não conseguem fazer o mesmo que os três hospitais públicos dinamarqueses ? Onde está o segredo?
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Opinião: Rui Martins | Bem-vindo à colónia! – Jornal Açores 9 médicos, bastonário etc

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Já o disse no passado, por isso nem é novidade. O Sr. Bastonário da Ordem dos Médicos olha para os Açores como se de uma colónia se tratasse. Assim, da metrópole lá vai estabelecendo uns contactos com os indígenas, e volta e meia, cá os vem visitar, como o faz agora a convite… sendo que […]

Source: Opinião: Rui Martins | Bem-vindo à colónia! – Jornal Açores 9

coca é para os licenciados

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Roberto Y. Carreiro shared a link.

COCAÍNA – A DROGA DOS LICENCIADOS?
Um estudo diz que a cocaína é consumida preferencialmente por licenciados na faixa etária dos 25 a 34 anos…
Assim fica explicado muita coisa…
@ Ryc
Consumidor tipo de cocaína é licenciado e tem entre 25 e 34 anos
JN.PT | BY JORNAL DE NOTÍCIAS
Consumidor tipo de cocaína é licenciado e tem entre 25 e 34 anos
Um inquérito europeu revela que o consumidor tipo de cocaína em Portugal prefere a inalação nasal, consome pontualmente para se divertir e não o faz sozinho. É homem, tem entre 25 e 34 anos e o ensino superior completo. O estudo, realizado no ano passado, mostra ainda que o consumo é maior na…
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