QUANDO NINGUÉM MANDA TODOS MORREM

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José Graça

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Vou ser direto: nada do que se segue exige leis novas, orçamentos extraordinários ou comissões de estudo. Exige decisão política. E coragem para assumir responsabilidade.
Se saiu de casa naquela manhã, foi porque alguém decidiu não decidir.
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1. Cadeia de comando clara ao nível municipal
Hoje: Ninguém manda até ser tarde demais. Todos “articulam”, “acompanham”, “avaliam”. Quando chega a emergência, a confusão institucional mata.
Amanhã: Quando o IPMA emite aviso laranja ou vermelho, o presidente da câmara assume automaticamente o comando operacional local. Sem esperar por Lisboa. Sem reuniões de articulação.
Se um presidente de câmara não quer esse ónus, não devia ter esse cargo.
2. Protocolos automáticos, não discricionários
Hoje: Tudo depende de “avaliar a situação no terreno”. Tradução: esperar até ser óbvio, quando já é tarde.
Amanhã: Avisos meteorológicos geram ações obrigatórias, não sugestões.
Exemplos concretos:
Encerramento preventivo de vias com histórico de inundação
Proibição temporária de circulação pesada em zonas de risco identificado
Pré-posicionamento obrigatório de meios de socorro antes do evento, não depois
Quem não cumprir fica registado. Responsabilidade não é abstração moral, é consequência administrativa.
3. Usar os dados que já existem
Hoje: O Estado sabe exatamente onde alaga, onde desliza, onde colapsa. Essa informação existe em PDFs, relatórios técnicos e gavetas digitais.
Amanhã: Mapas de risco integrados nos centros de decisão municipais e operacionais. Atualizados. Obrigatórios. Acessíveis em tempo real.
Quando um sítio inunda pela terceira vez, não é surpresa climática. É negligência administrativa acumulada ao longo de governos sucessivos, executivos de todas as cores e anos de adiamento confortável.
4. Comunicação direta e localizada
Hoje: Avisos genéricos, nacionais, abstratos. “Tempo severo no continente”. Informação inútil para quem precisa de decidir se sai de casa.
Amanhã: Mensagens locais, curtas, específicas, georreferenciadas. “Na tua freguesia, evita circular entre as 18h e as 22h. A Rua X vai ser encerrada às 17h.”
Não é paternalismo. É serviço público básico no século XXI.
5. Proteção Civil com autoridade real
Hoje: A Proteção Civil acompanha situações. Observa. Recomenda. Não decide.
Amanhã: Autoridade para ordenar encerramentos, evacuações pontuais e cortes de circulação sem pedir autorização política prévia.
Se não tem poder para agir, então é apenas figurante institucional.
6. Registo público do que falhou
Este é o ponto mais incómodo. E o mais necessário.
Amanhã: 72 horas depois de cada evento meteorológico severo, publicação obrigatória de:
O que foi previsto e avisado
Que medidas foram tomadas, quando e por quem
Que medidas não foram tomadas, com identificação institucional clara
Sem nomes de pessoas, mas com nomes de instituições e cargos.
Sem este registo público, tudo se repete. Sempre.
O Que Quase Ninguém Quer Dizer
Portugal não tem um problema de meios. Tem bombeiros, tem proteção civil, tem meteorologia competente.
Portugal tem um problema de medo.
Medo de decidir. Medo de errar. Medo de assumir culpa. Medo de ser o nome no relatório.
Enquanto a lógica for “ninguém erra porque ninguém decide”, vamos continuar a chamar excecional ao que já é padrão sazonal.
A Pergunta Incómoda
Preferimos continuar a lamentar mortes evitáveis, ou estamos dispostos a tornar isto politicamente insustentável?
Isto devia ser exigido amanhã em todas as assembleias municipais do país.
Porque só muda quando começa a doer eleitoralmente.
Não quando comove. Quando custa votos.
A Verdade Nua
Estas seis medidas não exigem um cêntimo extra. Exigem vontade política e aceitação de que governar em risco implica decidir com informação imperfeita.
Implica errar às vezes por excesso de cautela. E assumir quando se erra por omissão.
Enquanto não aceitarmos isto, vamos continuar a contar mortos e a fazer minutos de silêncio.
Como se fossem inevitáveis.
Não são.

Incêndio em pavilhão destrói 12 carros de golfe na ilha de São Miguel I RTP Açores

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Um incêndio atingiu esta manhã o Campo de Golfe Furnas, em São Miguel, resultando na destruição de um pavilhão e de 12 carros de golfe, além de diverso equipamento – os prejuízos estão avaliados em cerca de 200 mil euros. O sinistro, que deflagrou pelas 08h10 e foi extinto duas horas depois, consumiu a “Casa […]

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Governo decreta situação de calamidade

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Fique a par da atualidade nos Açores com o jornal mais antigo de Portugal.

https://www.acorianooriental.pt/noticia/governo-decreta-situacao-de-calamidade-nas-zonas-mais-afetadas-374745

Source: Açoriano Oriental

JOSE GRAÇA E O PROBLEMA QUE NOS RECUSAMOS A NOMEAR

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José Graça

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A tempestade Kristin deixou o rasto habitual: casas inundadas, árvores tombadas, milhares de pessoas sem eletricidade e o discurso de sempre. Nas redes sociais, a coreografia repetiu-se. Uns culpam o Estado por tudo. Outros invocam o clima como destino incontornável. No fim, nada muda, porque ambos os discursos servem para evitar a única conversa que interessa.
O problema não é apenas meteorológico. Tempestades intensas existem há séculos neste território e hoje tendem a ser mais frequentes e violentas. O que mudou de forma decisiva foi a forma como ocupámos o solo. Durante décadas, construímos como se essas tempestades não existissem. Ocupámos leitos de cheia, autorizámos loteamentos em zonas de risco, canalizámos ribeiras, impermeabilizámos solos e chamámos a isso progresso. Cada decisão camarária, cada licença concedida, cada plano diretor aprovado foi uma aposta de que a sorte duraria para sempre. Kristin limitou-se a cobrar a fatura.
Invocar responsabilidade individual parece sensato, mas é insuficiente e muitas vezes enganador. Quando alguém constrói em zona inundável com licença municipal, quem falhou? Quando um município aprova loteamentos sem salvaguardar linhas de água, onde termina a escolha privada e começa a falha pública? A assimetria é evidente. Cidadãos decidem dentro das regras que o poder público define, tolera ou ignora. Fingir uma simetria perfeita entre responsabilidades é conveniente, mas falso.
Isso não absolve tudo nem todos. Há municípios que decidiram melhor do que outros. Houve pressão de proprietários, promotores e interesses locais para forçar más opções. Houve cumplicidades e silêncio conveniente. O problema não é um Estado abstrato, é um sistema concreto de decisões políticas, técnicas e económicas que privilegiou crescimento rápido sobre risco conhecido.
Os seguros são outro exemplo de falsa simplicidade. Tratá-los como mera opção individual ignora que vastas franjas da população não têm margem financeira para coberturas adequadas. Ignora também que o próprio mercado segurador recusa ou encarece drasticamente seguros em zonas de risco elevado, criando áreas onde a solução privada simplesmente não existe. Dizer “deviam ter seguro” a quem perdeu tudo numa casa licenciada pelo próprio Estado não é análise fria, é crueldade disfarçada de pragmatismo.
A verdade inconveniente é esta: resolver o problema implica custos políticos que poucos querem pagar. Implica dizer não a construções que prometem emprego e receita fiscal. Implica recusar licenças, rever planos diretores, relocar famílias, expropriar terrenos e restringir usos do solo. Implica conflito aberto com proprietários, promotores e autarcas. Implica aceitar que decisões legais no passado não são automaticamente legítimas à luz do risco que hoje conhecemos.
Implica também abandonar a ilusão de que crescimento económico e ocupação territorial desregulada são a mesma coisa. Portugal tem população em queda, mas áreas urbanas em expansão. Construímos mais onde precisamos menos e, muitas vezes, nos sítios errados. Cada nova catástrofe confirma que o modelo falha, mas a inércia continua a vencer.
Kristin foi violenta, mas não foi surpresa. As próximas tempestades também não serão. Entre agora e a seguinte, faremos estudos, anunciaremos planos, alocaremos fundos a projetos que ficarão na gaveta. Quando a próxima chegar, repetiremos o ritual: uns culparão o Estado, outros o clima, todos evitarão a conclusão óbvia.
Sabemos o que é preciso fazer. Sabemos que passa por menos exceções, mais recusas e mais conflitos antes da próxima tempestade. Falta apenas decidir se estamos dispostos a pagar esse preço, em vez de continuar a pagá-lo em cada inundação.

Três tempestades em poucos dias: as fragilidades (e as soluções) em Portugal

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Ingrid, Joseph, Kristin. Mortos, destruição, prejuízos. E parte importante da solução está na… própria Natureza.

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“Não sabemos o que fazer, estamos completamente isolados e desesperados”: Figueiró dos Vinhos pede socorro

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Autarca a ligar do telefone satélite dos bombeiros fala em “segunda maior tragédia” depois de Pedrógão Grande. Concelho de Leiria está sem comunicações, sem energia e, daqui a umas horas, sem água, assolado por um rasto de destruição. Autarca pede que seja decretado estado de calamidade. O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, pediu socorro e a declaração de calamidade esta quinta-feira, e alertou que o concelho, devido ao mau tempo, está “a viver um dos piores momentos da sua história”. “Estou a ligar do telefone satélite dos bombeiros porque, efetivamente, não temos comunicações. Nenhuma

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Forte ciclone afeta Portugal – risco de vento superior a 140km/h na pior tempestade de vento deste inverno – saiba a previsão do tempo na quarta, 28 de janeiro de 2026 | Luso Meteo

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O tempo na quarta, dia 28 de janeiro de 2026, fica marcado pela aproximação de um forte ciclone, que se forma na sequência da circulação das depressões Joseph

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Depressão Joseph vai atingir os Açores com ventos até 110 km/hora

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Nas ilhas do grupo Ocidental e Central as rajadas de vento poderão atingir os 110 quilómetros/hora, enquanto no grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria) as rajadas poderão chegar aos 90 quilómetros/hora.

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