o bem maior 

Views: 5

 

 

645 23 fevº o bem maior

O Governo alertou, para a baixa produtividade por hora em Portugal, que em 2025 ficou 28% abaixo da média europeia, apesar da subida do salário médio bruto, que cresceu 5,6%, acima do esperado. A remuneração bruta total mensal média subiu para 1.694 euros, contra 1.604 euros um ano antes, indicam dados do INE. Citada no documento, a ministra, Maria do Rosário Palma Ramalho, salientou que para o salário médio “continuar a ser revisto em alta, de forma sustentável, Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade“.

 

Três semanas depois do temporal Kristin e seguintes, ainda há mais de duas mil pessoas sem eletricidade. Não s consegue imaginar como essas pessoas estão a viver, se recordam a era das cavernas ou duma guerra mundial. É inconcebível que empresas (chinesas da EDA E-Redes e Cia) da EDA com lucros milionários ainda não tenham conseguido repor a eletricidade. Não deve viver nessa zona nenhum ministro nem nenhum VIP…

 

Durante anos, um homem manteve viva uma rotina silenciosa e profundamente pessoal: ouvir a antiga mensagem de voz deixada pela esposa já falecida. A gravação, simples e quotidiana, havia-se transformado em algo muito maior, um elo com o passado, uma presença afetiva em meio à ausência. Até que, inesperadamente, o arquivo foi apagado após alterações técnicas da operadora, o que desapareceu não foi apenas um áudio, mas uma memória carregada de significado. Comovida com a situação, a empresa mobilizou uma equipe de 11 engenheiros e técnicos para vasculhar sistemas e arquivos antigos em busca de qualquer vestígio da mensagem. Após um trabalho minucioso, a gravação foi finalmente recuperada. Ao ouvir novamente a voz que julgava perdida, a emoção tomou conta, não apenas pela lembrança, mas pela sensação de que algo precioso havia sido devolvido. Trago esta notícia à colação pois sinto-a quase como minha, quando ouço as gravações sobreviventes da Nini em entrevistas à RTP, ou quando olho pela milésima vez para as milhentas fotos que incessantemente correm na moldura digital ou na secretária do escritório ou na cadeira de balouço frente à televisão,. Há lembranças que cabem em objetos grandiosos, mas outras sobrevivem em detalhes quase invisíveis. Às vezes, um simples som ou uma imagem pode guardar uma vida inteira.

 

Continuo diariamente a ler inúmeros artigos, sobre o caso Epstein, e para lá de todos os horrores e anormalidades descritas teve a vantagem dúbia de comprovar a maior parte das Teorias da Conspiração em que eu já acreditava, alertando-me para outras nunca imaginadas e para a repetição secular de homens a querer imitar os deuses, a quererem a imortalidade outras coisas lunáticas. Mais gente irá morrer “suicidada” fruto disso, haverá um ou outro que possa ir para a prisão para morrer lá ou ser substituído por sósias (doppelganger). Putin será dos poucos que não está envolvido, pois Epstein nunca o conseguiu atrair para a sua rede, apesar de nunca se ter poupado a esforços. Dizem que CEO da Oracle, invejoso, comprou uma ilha no Hawai para fazer concorrência ao Epstein, mas quando se começar a falar desse caso já as minhas cinzas se desintegraram. Algumas das descrições ultrapassam a capacidade imaginativa dos autores de livros de terror, mais uma vez a realidade ultrapassa a ficção. Pena é não terem ido praticar canibalismo com os colegas da Papua Nova Guiné que há uns anos (1961) comeram um Michael Rockfeller de 23 anos (reparem no sorriso de antecipação do nativo da direita), filho dum vice-presidente dos EUA e neto do capitalista mor John D Rockfeller.

Alguns missionários relataram ter ouvido dos aldeões que um forasteiro branco havia chegado à costa, mas foi morto num ato de retaliação relacionado à violência colonial anterior. Outros sugeriram canibalismo — histórias que refletiam a compreensão sobre as tradições Asmat. Nenhuma evidência física jamais surgiu. Nenhum corpo, nenhum pertence, nada definitivo.

 

Sinceramente, ainda estou a tremer de raiva neste momento. Em 2020, alertei muitas pessoas — incluindo familiares e amigos próximos — para a hipótese de a COVID não ser o que parecia, pois assemelhava-se a uma tentativa mundial para obter controlo e conformidade, muito mais orquestrado do que nos foi dito. Fui chamado de louco, paranoico, conspirador, entre outros. Quase todos me ignoraram, e me trataram como se eu estivesse a enlouquecer. Há algumas crónicas publicadas no jornal Diário dos Açores ou nos volumes 5 e 6 de “ChrónicAçores” que são finalmente vindicadas com esses arquivos de Epstein divulgados (milhões de páginas publicadas nos últimos meses). Lemos sobre e-mails e discussões uma década antes da COVID sobre planos para uma pandemia, simulações e ligações com pessoas poderosas profundamente envolvidas na saúde. Não é tudo, mas é o suficiente para mostrar que eu não estava a imaginar coisas — havia conversas e conexões acontecendo nos bastidores muito antes de 2020.

Nunca me calei mesmo quando todos me contradiziam como num poema dedicado a “um bem maior” Se me ignoraram naquela altura, espero que pelo menos reflitam agora.

O BEM MAIOR COVID-19, Lomba da Maia, 21.6.2020

Quando deixarem morrer os teus pais

num lar sem água

Deixa lá é por um bem maior

Quando recusarem levar

os teus pais ao hospital

deixa lá é por um bem maior

quando recusarem tratar os teus pais

porque os remédios são caros

deixa lá é por um bem maior

quando derem aos teus pais

morfina que inibe respirar

em vez de entubarem num ventilador

deixa lá é por um bem maior

quando em nome de um vírus

te tirarem toda a liberdade

deixa lá é por um bem maior

quando em nome da saúde

te controlarem o smartphone

deixa lá é por um bem maior

quando em nome de um bem maior

te levarem ao matadouro

deixa lá é por um bem maior

publicado também in Poesia Chiado Entre O Sono E O Sonho 2020 vol. XII

 

Pensem bem, quando leio, uns anos mais tarde o que escrevi em tempos, verifico que muitas vezes o tempo me dá razão, e isso chega. Continuarei sem me calar mesmo que pareça louco ou desajustado. Enquanto isso alertas vermelhos para o Grupo Ocidental, ventos de 110 km/h, são esperadas ondas de oeste, “com altura significativa que poderá atingir os 10 metros no grupo Ocidental (podendo a altura máxima atingir os 19 metros), oito metros no grupo Central e sete metros no grupo Oriental”.…aqui em S Mig todo o dia ventos fortes e chuva miudinha.

 

CHRÓNICAÇORES Liames e epifanias autobiográficas(EM BREVE 2ª EDIÇÃO)

Views: 8

Posfácio

 

Não é objetivo deste posfácio matar a obra, como gesto concluído da descodificação! Não se pretende saturar o saciado leitor e explicar a estrutura externa da mesma, nem sequer, esmiuçar – sem que a esse exercício consigamos escapar – as motivações emocionais do seu autor, que só a ele dizem respeito e, claro está, a cada um daqueles que interpreta cada palavra e investe num virar de página. Não pretende este posfácio, ao menos, substituir o prefácio, preâmbulo descortinador de capítulos, títulos e subtítulos. Não acrescentará, portanto, este posfácio nada ao escrito de Chrys Chrystello, que é rico por si só.

 

É pouco plausível, todavia, que a imparcialidade habite este texto, uma vez que, como cada um de vós, me deixei embrenhar nesta organizada selva memorialista – memorialista sem ser saudosista –, pejada de humor ácido e banhada por laivos de ironia. Existe uma poética do tempo que ostenta uma evidente resistência ao esquecimento e, nessa luta desigual, o CHRÓNICAÇORES converte-se, naturalmente, num CHRÓNICAMUNDO, porquanto garante a imortalidade do tempo, dos espaços e das gentes.

 

Chrys Chrystello certifica que a mutabilidade irreversível da existência sobreviva, assegurando-lhe, precisamente, vida para a posteridade, para além da finitude anunciada, instigando-nos a compreender e a aceitar o curso ininterrupto do metamorfismo mundano.

 

É nesse gesto partilhado que o seu universo pessoal se converte num universo coletivo: partilhamos os seus voos e as suas aterragens, passeamos pelas ruelas das aldeias dos seus ancestrais, agora tão cheias de silêncio e solidão; bebemos da velha fonte das feiticeiras, que tantas gargantas e sonhos já saciou; refrescamo-nos com o ar gélido de Bragança; aproveitamos o bulício do Porto; entreolhamo-nos com as sombras intimidantes da nossa casa; perdemo-nos nas colinas de Timor; sobrevivemos ao calor australiano e aos casamentos; fizemos rádio; escrevemos reportagens e quase, tantas vezes, fomos presos…

 

Mas não desertamos do texto, como o autor não desertou do ato de escrever!

 

O dever do escritor é retribuído pelo do leitor, irmanados por este tributo à memória.

E, assim, a obra de Chrys Chrystello atinge a imortalidade por sua intemporalidade.

 

Pedro Paulo Câmara

 

Prefácio – Quando Um Andarilho do Mundo Acaba Nos Açores

 

… Vivi três vidas numa só, carreiras distintas em paralelo e nada de material tinha para mostrar, mas teimava em acarretar essa pesada bagagem de conhecimentos e cultura.

Chrys Chrystello, LIAMES e EPIFANIAS 1949-2005 (CHRÓNICAÇORES V)

 

Vamberto Freitas

 

Falar de Chrys Chrystello é falar de um Fernão Mendes Pinto da nossa época (menos as supostas mentiras do autor de Peregrinação, publicado em 1614), e que desde há anos vive e dinamiza a cultura literária (e não só) aqui nas ilhas, e levando tudo para o exterior adentro de Portugal e no estrangeiro. Esta não é em uma feroz anti-cruzada como Peregrinação, a primeira da Europa ou do mundo após os Descobrimentos portugueses, como a classificou Rebbeca Catz há muitos anos, numa distinta tese de doutoramento defendida na Universidade da Califórnia. Uma estudiosa falecida, mas que permaneceu sempre uma grande amiga e admiradora de Portugal, e foi na altura elogiada largamente por alguns escritores e intelectuais do nosso país, como Augusto Abelaira. O seu livro fulminante (mesmo sendo uma tese de doutoramento defendida na Universidade da Califórnia) foi publicado em Inglês em 1972, e depois traduzido em Portugal em 1978 sob o título de A sátira social de Fernão Mendes Pinto: análise crítica da Peregrinação.

Não pretendo fazer aqui paralelismos com a dividida e complexa experiência vivencial ou profissional de Chrys Chrystello, seja como jornalista ou como escritor. Só que este seu livro contém passos semelhantes, apesar de ele nunca lido Rebbeca Catz.

Na contracapa do livro do livro desta americana judia vem uma citação mais do que demolidora: “… escrita em Almada, no auge dos conflitos político-religiosos que constituíram o pano de fundo da famigerada Inquisição e Contrarreforma ibéricas, a Peregrinação é um exemplo prematuro – senão mesmo o primeiro, em toda a literatura europeia – de sátira corrosiva que, denunciando a ideologia da Cruzada, põe em dúvida a moralidade das conquistas ultramarinas portuguesas, que Fernão Mendes Pinto é o primeiro a condenar como atos de bárbara pirataria”.

Chrys Chrystello é natural do Porto (embora se diga sempre australiano de origem transmontana). A verdade é que Chrys traça as suas origens a Afonso Henriques, mesmo antes de Portugal o ser, reduzido ainda ao Condado Portucalense, e depois, do lado materno aos Novos Cristãos, aos judeus que só no século passado assumiriam quem eram perante o mundo na História rica a partir do momento que D. Manuel I tanto obedece como contraria as ordens dos seus sogros no lado de lá da nossa fronteira, e sempre à espreita do momento de nos conquistar ou absorver através dos estranhos casamentos do tempo de monarquias mandantes e poderosas. Vamos ao essencial, que coloca este livro no seu devido contexto açoriano.

Chrys Chrystello cresce numa família tradicional cuja fortuna haveria de desaparecer, e entre 1972-1975 foi para Timor (ano em visitaria pela primeira vez a Austrália, e lá se fixando a partir de 1982), testemunhando toda a complexidade da transição para a liberdade daquele país cobiçado por potências ali por perto.

Depois veio Macau nos anos de 1976-1982, o momento em que ele decide de mudar de nome por duas razões. Primeiro, insistiam em chamá-lo “Chrys”. Segundo, viu nisso a oportunidade de adotar esse nome para esquecer, ou mesmo rejeitar todo um passado num Portugal que raras vez atinava com os seus próprios interesses ou identidade ante um mundo em mutação, mas do qual se encontrava longe.

O autor deste e de outros livros, após o seu serviço irrequieto à Nação e ao longe, tornar-se-ia um jornalista profissional, fundador do Público, no tempo, mais ou menos em que foi repórter da LUSA durante 11 anos.

Começou logo em 2001 a organizar os colóquios sobre a lusofonia, e quando se instala permanentemente no nosso arquipélago (a sua companheira tinha sido colocada numa escola de cá), retoma-os em 2006, até hoje, com dois encontros por ano, em ilhas diferentes e no resto de Portugal e além-fronteiras, editando sempre os “Cadernos de Estudos Açorianos” que já somam 40, e em cada qual distingue um dos nossos escritores e/ou poetas. Nunca nada disto tinha sido feito entre nós.

Estou à vontade neste texto: nunca deixei de ser convidado, e nunca participei ativamente, com a exceção da apresentação de um livro de Zeca Soares no pátio do seu próprio e mítico restaurante da Praia dos Moinhos (2014) e no Centro Cultural Natália Correia (2021). A minha ausência das suas imparáveis iniciativas tem a ver com questões sobre as quais não quero nem devo falar neste espaço. Segui sempre afastado, no entanto, os trabalhos em curso, com admiração e saudade de alguns amigos e colegas da escrita que estiveram e estarão presentes. Da Lomba da Maia para o mundo, onde Chrys e a sua companheira professora vivem no que ele chama o seu “castelo”.

“Outra deficiência – escreve o autor – que adquiria em novo, por influência paterna era a sôfrega sede do direito inalienável à liberdade de expressão e de pensamento, malformação congénita que valera muitos dissabores pessoais. A relação com os outros era sempre problemática e resumia-se â aversão pelos ditames alheios. Fora assim com a autoridade paternal, com os militares como oficial do exército e na vida profissional. Era avesso aos “carneiros” e talvez por isso acabaria por casar com uma pessoa desse signo. Desrespeitava a inveja alheia, noção que me era alienígena, pois inveja nada e ninguém. Criticava os outros pela fachada que mantinham, pelos estereótipos com que se regiam: conversas balofas e mesquinhas, sem profundidades. Ansiava por conversas profundas , preferia argumentos ‘intelectuais’ ou ‘pseudointelectuais’ em que se esgrimissem argumentos, ideias e propostas concretas de melhorar o mundo…”

A escrita de Chrys Chrystello, neste livro, é mais uma sequência de memórias do que “crónicas”. O segredo está nos detalhes que incluem História, acontecimentos, nomes, datas, tudo num tom de linguagem muito pessoal que nos agarra de página em página, que nos apresenta a mundos conhecidos e desconhecidos, que contextualiza uma vida singular no meio das mais diferentes – por vezes, divergentes – culturas, línguas e modo de estar e ser que nos parecem estranhos, quando depressa nos damos conta da tragicomédia que a vida em toda a parte. Este estilo literário não é nada comum entre nós, preferimos o mexerico e mal-dizer do café ou das tertúlias exclusivistas que sempre proliferaram entre nós. Direi do autor o que uma vez um grande amigo residente no Canadá me disse: és um crítico americano que escreve em língua portuguesa.

Com Chrys Chrystello tenha, esta afinidade, sem nunca ser declarada: um passado anglo-saxónico que nos transformou para sempre a nossa identidade e visão do mundo, e isto sem nunca abjurar as nossas origens multisseculares e que nada ficam a dever aos nossos outros mundos íntimos e significantes do nosso ser como cidadãos do mundo. Só os provincianos estranham estas experiência entre os mais diversos povos e presença, ora conhecida, ora desconhecida, no mundo.

Raramente me tenho encontrado com Chrys Chrystello ao longo destes anos em que ele se tornou uma espécie de cidadão honorário ou real dos Açores. Falamos pouco, mas estou convencido que o respeito é mútuo, assim com o reconhecimento do trabalho de cada um. Tínhamos em comum um grande amigo, Daniel de Sá, o grande escritor da Maia, aqui em São Miguel. Foi-me irónico ler que “Maia”, desde Portugal Continental, tem sido sempre os seus lugares de tristeza e outras lembranças menos agradáveis. Ele não sabe disto, mas tivemos outro amigo em comum, e esse foi um Capitão de abril de nome Vítor Alves. Foi o primeiro representante após 25 de abril (tinha colocado a sua vida em perigo com toda a coragem da conspiração e da libertadora madrugada em Lisboa) das nossas comunidades espalhadas pelo mundo fora. Não só o apresentei numa comunidade do sul da Califórnia, tomei uns copos com ele, e avisou-me que eu falava nesses eventos mais do que era necessário. Muitos anos mais tarde dei-lhe o últimos abraço na Universidade de Lisboa num congresso sobre as narrativas pessoais e gerais na vasta Diáspora norte americana. Faleceu um pouco depois, mas ser-nos-á inesquecível para sempre. A memória permanece das pessoas que nos tocaram profundamente na vida, ou que foram, o que fizeram neste caso parte dos nossos libertadores.

O mundo é pequeno, sabemos, como no título de num dos romances de David Lodge, que goza à brava da academia e dos seus encontros que poucas vezes resultam seja no que for, e quase só servem para longas viagens de escritores com egos muito maiores dos aviões em que se sentam de continente para continente.

“Digamos – escreve o escritor e poeta Vasco Pereira da Costa num breve nota a CHRÓNICAÇORES II – que se trata de uma vontade de conhecer para amar – e só se pode amar o que se conhece. As ilhas atlânticas – a Macaronésia, assim designada – surgem deste modo, como uma realidade geográfica, histórica, símbolos dispersos sem coesão nem coerência na vastidão cronológica e espacial”.

É isso mesmo. Este livro de Chrys Chrystello é um outro testemunho de alcance universal das nossas vidas, da nossa sorte, da nossa tragédia e, sim, da nossa felicidade.

 

 

Vamberto Freitas

novº 2020

 

____

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Terei absolvição deste ato hediondo? 18.02.2026 chrys c

Views: 6

  1. Terei absolvição deste ato hediondo? 18.02.2026

esta e anteriores em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html

 

Por todo o mundo, é tanto o protecionismo que esquece outra espécie em vias de extinção: o homem.

Entendo que as espécies devem ser preservadas em harmonia e que os interesses de uns não atropelem os de outros. Imaginei em tempos o próximo alvo: o não-abate da vaca, que emite demasiado CO2. Ao contrário dos milhões de aviões que poluem diariamente a atmosfera em todo o mundo.

 

O ridículo levou a isso mais depressa do que pensava; aconteceu logo em 2019 e, agora, já há movimentos a favor de evitar o consumo de bacalhau.

Mais dia, menos dia: chega a campanha propugnando a alimentação artificial do ser humano (já a propõem desde 2017), com transgénicos e alimentos manipulados, e a preservação da couve-galega, do tomate e das cebolas.

Sou diariamente confrontado com a necessidade de eliminar animais em vias de extinção ou não.

Há a mega melga (Tipulidae Tipulomorpha, inofensiva, mas assustadora), baratas, formigas (terrestres e extraterrestres), aranhas de todos os tamanhos, o ocasional grilo, a ubíqua bicha-cadela, centopeias ou milípedes, caracóis, lesmas, minhocas e demais vermes.

Como viver confortavelmente, sem ser molestado por pestes (em extinção ou não)?

Extermino-os ou deixo-os fruir do meu espaço?

Terei de construir vias separadas ou coexisto?

A casa não tem a importância da estrada no esquecido Nordeste Transmontano, mas não encontro manual da sobrevivência humana e do equilíbrio ecológico que me indique, sem extremismos e fanatismos ideológicos, dicas sobre como proceder.

Debato-me com problemas de consciência.

Há tempos, as formigas invadiram a mesa-de-cabeceira, onde guardo “jellies” e “lollies” (doces, ótimos para dar trabalho aos médicos e dentistas) que trinco antes de adormecer. Não tive solução senão exterminá-las violentamente. Senti-me um verdadeiro genocida, capaz de ser levado ao Tribunal Internacional da Haia. Não sabia de que raça ou de que subespécie eram as formigas. Nem sei se estavam em vias de extinção. Como eram às centenas, afoguei-as na pia da cozinha.

Será que, à semelhança da Igreja Católica, poderei ir a um confessionário ecologista?

Terei absolvição deste ato hediondo?

Haverá perdão? Terei possibilidade de absolvição?

Ou passarei o resto dos dias a penar por este crime sórdido?

ChrónicAçores estão em As (Ana)Chrónicas Açorianas

Views: 5

estas e as anteriores ChrónicAçores estão em As (Ana)Chrónicas Açorianas

 

 

 

  imperadores romanos     chrys c

Views: 3

  1. imperadores romanos 10 FEVº

A surpresa agradável foi esta que recebi do meu filho João hoje….

Olá Pai,

Aqui fica um poema “A Professora”.
Também quis seguir os teus passos e musicá-lo, mas não consegui terminar a tempo para o Natal. Deixo esta em vida para ti.
A mãe já não pôde ouvir, mas tu podes, enquanto estamos cá os dois.
A Professora
de fora, ninguém.
de dentro, farol.

a professora para os alunos,
para os colegas, mais
e ainda assim, mãe
inteira.

a professora,
luz de serviço,
mão estendida,
dia inteiro
sem aplauso.

pai presente,
sem ser perfeito,
mas firme
por perto,
com amor quieto.

e os dois, unidos,
a Lusofonia
como casa,
como fio.

eu era pressa
demorei a ver.
mas a professora
insistia.

licenciei-me
no ano em que a professora
já não pôde ver.

de fora, ninguém.
de dentro, alguém.

a professora
de todos, ninguém.
a professora
só minha,
e do pai também.

À mãe, a ti e tudo o que foram (e são) para mim. Mas, como compensação, tens uma nova versão da Maria Nobody.

https://youtu.be/dFJ5XlKtmQ4?list=PLwjUyRyOUwOKRIA8XUWpVdMb8qRyjwlPB
Com Amor, do teu Filho,
João Chrystello

 

Uma surpresa agradável, a contrastar com mais um dia de bruma, chuvosa (menos vento do que nos últimos dias) e com a vontade de fugir, de emigrar para um local mais tropical. Há momentos na vida que apetece guardar. IA ou não, o que conta é a intenção e o seu significado latente. Exatamente quando me estava-a recordar de que, exceto no futebol (a Nini era fanática benfiquista, sempre a insultá-los “…seus cães…”) tínhamos muitos gostos em comum e partilhávamos muitas semelhanças, aparte daquelas que fomos construindo ao longo dos anos, ao moldarmo-nos um ao outro. Enquanto muitos casais hoje se “gastam” e não “se consertam”, nós íamos conseguindo emendar algumas coisas, mesmo sem fita-cola nem adesivo. E conseguíamos falar sem nos insultarmos, como tantos casais que por aí andam, a fingir. Conseguíamos discutir pontos de vista diferentes e por vezes, atingíamos mesmo um consenso. E é nisto que ela me faz falta diária, pois a TchiTchi (cadela Leoa) nem sempre entende as minhas tergiversações.

Por vezes, esqueço-me de que ela já não está fisicamente presente e digo: “olha, sabes…” e dou conta da sua real ausência.

Sei que ela gostaria de ouvir o poema do João e escolheria uma das versões de que mais gostava da “Maria Nobody”, hoje que divulguei a do João e o improviso de 2025 do Aníbal Raposo.

Eu continuo a ter de viver sozinho e, diariamente, percorrer fotos e memórias da nossa vida em comum. A maior parte da nossa vida foi agradável e conseguimos ultrapassar os escolhos e os Everest com que nos deparamos.

Quando vejo os estragos no continente, imagino como seria bom se fôssemos japoneses ou chineses…assim, tenho de me contentar em ouvir um ministro dizer que vai demorar 9 meses para reparar a Linha do Oeste da ferrovia! Eles construíam uma nova nesse tempo ou menos. Vai demorar anos a restaurar o que se danificou, fora aquelas obras de Santa Engrácia, que nunca serão concluídas, sempre adiadas para as calendas. A incompetência, a desresponsabilização, a incúria, a falta de manutenção de pontes, estradas e tudo o mais é o que me custa mais a ver. Mas se fosse em casa deles, aposto que seria numa pressinha.

Como escrevi há mais de 15 anos, o mundo ocidental — o imperialismo capitalista — aproxima-se do seu termo.

Infelizmente parece que vai ser substituído por autocracias e fascismos. Andam todos muito contentes com a máxima votação para Presidente da República, mas esquecem-se de que se os partidos não alterarem radicalmente o seu funcionamento, é só uma questão de tempo para o Ventura e a sua corja ascenderem ao poder, de mérito próprio, eleitoral, tal como aquele austríaco de nome Adolfo.

Custa-me imaginar que estarei vivo quando isso suceder; toda a vida lutei para que isso não se repetisse, mas ninguém lê ou estuda a História e repete os mesmos erros. Dizem que Caracala foi o pior de todos. Calígula era louco e Cómodo também vivia em outra realidade. Caracala era simplesmente cruel por crueldade. Dito isso, Cómodo leva o bolo pelo maior dano de longo prazo ao império Romano no menor espaço de tempo, se estamos medindo dessa forma. Calígula foi o mais depravado, enquanto Caracala foi o mais cruel entre os três. Provavelmente, o mais excêntrico tenha sido Cómodo. Talvez Trump esteja a competir diretamente com ele.

Certa vez, tendo o imperador Calígula, que governou de 37 a 41 d.C., adoecido gravemente, dois cidadãos romanos apresentaram-se: um desejava oferecer a própria vida e outro propunha-se a lutar como gladiador se o imperador recuperasse. Calígula recuperou a saúde e exigiu que cumprissem as promessas, de modo que ambos morreram. Cometeu incesto com suas irmãs, queria fazer seu cavalo cônsul e afirmou ser capaz de comunicar-se com a deusa lunar.

Diz-se que Nero, imperador de 54 a 68 d.C., se considerava um artista talentoso. Cantava, tocava cítara, escrevia poesia e conduzia bigas. Exibiu-se em teatros e arenas de circo e até fez uma digressão pela Grécia no ano de 67/68. Em Roma, utilizou imensos recursos do império para promover luxuosos banquetes públicos e para construir um complexo palaciano para si, no centro de Roma, que ligava a colina do Palatino à do Esquilino e ocupava uma área de cerca de 50 hectares. Diz-se que Domiciano, imperador de 81 a 96 d.C., teria aterrorizado a aristocracia romana de forma sistemática, obrigando-a a comparecer às suas receções matinais e jantares noturnos no palácio. Ao fim do seu reinado, tinha tanto medo de conspirações que instalou espelhos nos muros do palácio para ver o que acontecia na sua retaguarda.

Calígula, Nero, Domiciano, caso nos centremos no primeiro século d.C., personificam de maneira absoluta a imagem negativa dos imperadores romanos nas fontes literárias antigas. As fontes citam como características comuns orgulho, ódio e perseguição da aristocracia senatorial, luxo e prodigalidade, crueldade e perversão sexual, megalomania e, ainda — no caso de cada imperador, de forma mais ou menos óbvia —, sinais de doença mental. Todos os três foram assassinados — no caso de Nero, forçado a cometer suicídio. Após as mortes, foram apagados da memória pública pelo Senado, mediante damnatio memoriae, e os seus atos foram postumamente declarados inválidos. Foram esses três imperadores, acima de tudo — além de Cómodo, que governou entre 180 e 192 — que deram sentido ao termo moderno “loucura imperial (ou loucura cesariana)“. Esse termo começou a aparecer no século XIX e também foi aplicado a governantes contemporâneos, mostrando-se útil desde então em vários contextos não académicos, sendo uma espécie de categoria-síntese para designar a perda de contacto com a realidade por parte de potentados modernos, causada pelo próprio papel que desempenhavam. Olhem em volta e descubram semelhanças. Isto sem falar na anormalidade do caso E P S T E I N.