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Arquivo da Categoria: AICL Lusofonia Chrys Nini diversos
morreu sozinho numa tenda um ator abandonado
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Lúcia Duarte shared a post to the group: Liberta a expressão.
A vida triste😥😥

O actor José Lopes, morreu não se sabe quando, numa tenda que era a sua casa. Infelizmente não foi o único actor português que morreu sozinho e sem um tostão, são muitos os que têm tido um fim idêntico. Trabalhei com ele no Teatro da Cornucópia, era uma pessoa muito terna.
“O ZÉ LOPES
ANTÓNIO ALVES FERNANDES·TERÇA-FEIRA, 10 DE DEZEMBRO DE 2019·4 MINUTOS
Estava na época sazonal da apanha da azeitona na Cova da Beira: redes, bate-palmas, vibrações nos troncos das oliveiras e filas intermináveis para o Lagar Cooperativo.
Foi neste cenário, que a maioria dos nossos governantes nunca viveu nem conheceu, em que recebi a triste notícia do falecimento do José Lopes – o nosso querido Zé Lopes. Mas recuemos no tempo para conhecer o percurso do Nosso Homem.
José Manuel Lopes nasceu a 31 de Março de 1958. Casapiano, frequentou o curso de Antropologia Social, mas cedo se interessou pelo Teatro, participando como actor em diversas peças, entre elas “Os Negros” de Jean Genet com encenação de Rogério de Carvalho, “Vida e Morte de Bamba” de Lope de Vega com encenação de Luís Miguel Cintra ou “Epopeia de Gilgamesh” com tradução de Pedro Tamen e encenação de Adolfo Gutkin. Esteve presente no Festival Internacional de Teatro de Lovaina na Bélgica com a peça “Eu, Antonin Artaud” e no Festival de Teatro de Sitges (Barcelona) com uma peça encenada por Adolfo Gutkin dedicada ao mito de Drácula. Colaborou ainda com Luís Miguel Cintra na docência da disciplina de direcção de actores na Escola Superior de Teatro e Cinema. Enquanto actor de Cinema, preferiu sempre trabalhar em produções independentes: filmes como “Adeus Lisboa” de João Rodrigues, “Interrogatório” de Maria Mendes e José Pedroso ou “Longe” de José Oliveira, seleccionado para o importante Festival de Locarno. Ainda tive o prazer de contracenar com ele, eu como figurante, no filme “Guerra” do mesmo José Oliveira, na saudosa casa “Amigos do Minho” em Lisboa. Também na música, o Zé Lopes era um excelente tocador de viola (ainda muito novo já acompanhava o Zeca Afonso) e um profundo conhecedor e pesquisador da musicalidade ancestral do nosso povo. Quem não se lembra de “ir e vir ao mar e talvez não voltar”?
Conheci-o há cerca de uma década nos primeiros Encontros Cinematográficos realizados no Fundão. Recebi-o, junto a outros companheiros das lides cinematográficas, na Quinta da Nave de Cima em Aldeia de Joanes. Depressa criei empatia com ele, sempre divertido, curioso e pronto a ajudar. Lembro-me que, apesar das tertúlias cinematográficas se prolongarem pela noite dentro, ele era o primeiro a levantar-se. Muitas vezes eu acordava e já estava à minha espera para me apoiar na “reforma agrária”, juntava-se a mim na rega ou ajudava-me a transportar fruta. Quando os “Encontros” terminavam, a minha Esposa preparava-lhe sempre um “lanchinho” para uma semana. Voltava todos os anos, amava o Fundão, dizia a sorrir que era o seu “Paris Texas” e o último reduto de resistência cultural no país. Várias vezes o apanhei a beijar o chão que pisamos e nunca mais esqueci esse gesto simbólico. Ficava todo arrepiado, lembrava-me o Papa João Paulo II quando chegava pela primeira vez a um país. Confrontado com tão dignificante atitude, explicou-me que dada a generosidade das gentes da Beira, este local lhe estava para sempre no coração e beijava a terra como forma de agradecimento.
Muitos outros encontros se seguiram em Aldeia de Joanes, no Fundão e em Lisboa. Não posso esquecer a sua disponibilidade para se deslocar à Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Aldeia de Joanes, para abrilhantar musicalmente, com a cantora Marta Ramos, a apresentação do meu livro “O Nosso Homem”. As suas actuações foram um verdadeiro sucesso nessa tarde memorável em Março de 2017.
A vida proporcionou-lhe aplausos nos palcos de Teatro, nas salas de Cinema, nos convívios culturais, mas também se atravessou com muitos espinhos: um divórcio muito complicado, uma precariedade que afecta os verdadeiros artistas que não se vendem por “dá cá aquela palha”, um desemprego de longa duração, o fado português de o mérito artístico não ser reconhecido, a doença e a pobreza extrema.
Durante muito tempo recusou, com a altivez de um príncipe, qualquer espécie de ajuda e, quando a obtinha, logo a distribuia por quem mais precisava. Era pobre (não de espírito) mas distribuia generosidade como um Rei. Estava doente mas perguntava sempre pela nossa saúde. Deu tudo aos outros e acabou sem nada…
Aos 61 anos, este andarilho da cultura foi encontrado morto na tenda onde dormia (desde que a segurança social lhe cortara o rendimento mínimo), nos arrabaldes de Sintra, junto a uma estação de comboios… Não se sabe a hora nem o dia em que tal facto aconteceu. Dizem que morreu de causa desconhecida…
Já não volto a ver o Zé Lopes a beijar as terras da Cova da Beira, a tocar, a representar, a dar-me um apertado abraço, a “animar a malta”. Irei vê-lo vivo nos ecrãs do cinema. Nas artes e na cultura o Zé Lopes nunca morre, assim como no coração dos seus companheiros e daqueles que tiveram o privilégio de o conhecer.
Zé Lopes, Homem Livre, descansa em Paz.
António Alves Fernandes
Aldeia de Joanes
Dezembro/2019”
A hilariante história do livro português que ficou famoso por ser tão ridículo – NiT
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No meio do século XIX, um autor português pouco conhecido conquistou uma grande popularidade de repente. O seu livro “O Novo Guia da Conversação em Português e Inglês”, publicado originalmente em 1855, começou a ser famoso no Reino Unido. Mas não pelos melhores motivos. O objetivo era que esta obra de Pedro Carolino ajudasse os … Continued
Source: A hilariante história do livro português que ficou famoso por ser tão ridículo – NiT
parabéns ao meu adjunto Pedro Paulo Câmara
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19 valores por unanimidade.
Muito grato ao júri.
Muito grato a todos os presentes.
Muito grato a Armando Côrtes-Rodrigues e a Violante de Cysneiros.
E assim se celebra a defesa da dissertação Violante de Cysneiros: o outro lado do espelho de Côrtes-Rodrigues?

Silêncio no fundo do oceano para garantir defesa nacional – Açoriano Oriental
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“Serviço silencioso”. É um dos lemas dos militares da Marinha Portuguesa que trabalham no submarino Tridente. Uma das embarcações mais modernas das forças armadas nacionais demonstrou as suas capacidades em Ponta Delgada.
Source: Silêncio no fundo do oceano para garantir defesa nacional – Açoriano Oriental
património açoriano
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Mario Jorge Costa shared a memory.
Os povoadores
Viviam sempre na mira do horizonte.
Construíram no inicio casas dentro de cearias.
Assim era mais fácil colher Trigo, Cevada, Centeio, favas, vinhas e depois por volta de 1842? o Milho que veio das Américas.Desta casa vê-se todo o horizonte. sempre na esperança de ver no mar alguma Caravela não fosse chegar algum parente chegado que ficou para atrás. Está casa foi mesmo construída de prepósito á beira do mar. Estrutura de porta e dua janelas e na parte detrás tem dua lojas.pra arrumo. Era assim em tempos antigos nesta ilha de São Miguel Açores.



a beleza da ilha das Flores
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João Silveira shared a photo to the group: HOMELAND, SWEET HOMELAND !
Ilha das Flores…

Flores Island
Ilha das flores 🔝❤️📸
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Ilha das Flores…

Flores Island
Ilha das flores 🔝❤️📸
Fotografia: @deliorodrigues
#FromAzores
#Repost
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Fotografia: @deliorodrigues
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Senhores a quem entregamos a riqueza de nossos dados.
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retirado de diálogos lusófonos
Senhores a quem entregamos a riqueza de nossos dados. Programas e objetos “encantados” que comandam nossas vidas. O conhecimento comum controlado, como na Inquisição. “Novas” tecnologias ameaçam conjurar vasto retrocesso
Camponeses pagando tributos a seus senhores, xilogravura do século XVEscrito por Max Read
No final de agosto, um barco de velas pretas apareceu no porto, carregando uma visionária de 16 anos, uma garota que navegara do norte distante através de um grande oceano. Uma multidão de moradores e viajantes, encantados por suas profecias, reuniu-se para lhe dar boas-vindas. Ela viera para falar às nações da Terra, para advertir-nos de nossas vaidades e da catástrofe que se aproxima. “Havia quatro gerações saudando-a e dizendo, em cânticos, que a amavam”, observou o escritor Dean Kissick. “Quando ela pisou em terra, pareceu algo messiânico”.
Não posso ter sido a única pessoa a sentir que estava vivendo, estranhamente, nas páginas de um épico fantástico, no momento em que Greta Thunberg desceu em Nova York. Durante a maior parte de minha vida, o paradigma para imaginar o futuro foi a ficção científica distópica. Em cada foto de uma cidade reluzente de neon, em cada história de ciberguerra sem regras e limites, refletiam-se as visões ultramodernas e hipercapitalistas de escritores cyberpunk como Wiliam Gibson, cujo trabalho foi tão influente que moldou a forma como os primeiros arquitetos da internet compreenderam sua criação. Mas onde se encaixaria, no futuro noir e high-tech que me ensinaram a esperar, uma menina profetisa navegando do norte gelado para confrontar os reis e rainhas do planeta? Que conto de ciberintriga corporativa incluiria uma visionária liderando um exército de crianças em marchas pelo globo?
Refletindo depois, percebi que a história lembra menos o futuro cyberpunk de Gibson que o passado fantástico de J.R.R. Tolkien; menos tecnologia e cibernética que mágica e apocalipse. A internet não parece estar nos transformando em sofisticados ciborgues, e sim em camponeses medievais rudes, extasiados por um sempre presente reino de espíritos e cativos de senhores autocráticos e distantes. E se não estivermos sendo impulsionados rumo a um futuro cyberpunk, e sim atirados em algum passado pré-moderno fantástico?
Em minha própria vida quotidiana, eu já me relaciono constantemente com forças mágicas ao mesmo tempo sinistras e benevolentes. Observo de longe, através do cristal, os movimentos de meus inimigos. (Ou seja, eu odeio-e-sigo pessoas no Instagram ou Facebook). Leio histórias sobre símbolos amaldiçoados tão poderosos que tornam incomunicativo qualquer um que os contemple (Ou seja, glifos Unicode que paralisam seu iPhone). Recuso-me a escrever os nomes de inimigos míticos por temer trazê-los à minha presença, assim como os membros de tribos protogermânicas usavam o termo eufemístico marrom, em vem de urso, para não invocar um deles. (Ou seja, intencionalmente altero palavras como Gamergate quando as escrevo)1. Realizo rituais supersticiosos para obter a aprovação dos demônios (Ou seja, daemons, os programas autônomos de retaguarda sobre os quais a computação moderna se desenvolve).
Esta estranha dança de rituais e superstições irá tornar-se ainda mais intensa na próxima década. Graças a smartphones ubíquos e ao cellular data, a internet tornou-se uma espécie de camada sobrenatural instalada no topo de vida quotidiana, um reino facilmente acessível de poder temível, visões febris e batalhas espirituais apocalípticas. O medievalista Richard Wunderli descreveu o mundo dos camponeses do século XV como algo “encantado” – “limitado apenas por uma barreira translúcida e porosa, que levava ao reino mais poderoso dos espíritos, demônios, anjos e santos”. Não soa tão diferente de um mundo em que barreiras literalmente translúcidas separam-nos dos trolls, demônios e ícones pop-star a cujas menções no Twitter, e comentários no Instagram, eu deveria fazer uma peregrinação quase religiosa.
A estrutura da internet aponta para um arranjo que Bruce Schneider, um especialista em cibersegurança, chama de “feudalismo digital”. Por meio dele, os grandes proprietários – plataformas como o Google e o Facebook – estão se tornando nossos senhores feudais, e estamos nos reduzindo a seus vassalos. “Nós vamos abastecê-los com o dados que emanam de nossa navegação, em troca de vaga proteção contra saqueadores que buscam brechas de segurança”. O senso de impotência que podemos sentir diante da justiça algorítmica opaca das megaplataformas – e o senso de mistério que tais mecanismos deveriam engendrar – não teriam parecido estranhos para um camponês medieval. (Uma vez que você tenha explicado, é claro, o que significa um algoritmo).
E à medida em que a internet enfeitice cada vez mais objetos – “smart” TVs, “smart” fornos, “smart” alto-falantes, “smart” vibradores – sua lógica feudal abarcará também o mundo material. Você não possui mais o programa de seu telefone, assim como um camponês não possuía seu lote de terra. E quando seu carro ou fechadura de casa forem igualmente encantados, um senhor distante poderá expulsá-lo fácil e arbitrariamente. Os robôs de assistência ao consumidor aos quais você entregou seu caso serão tão impiedosos e incapazes de perdão como um xerife medieval. Izabella Kaminska sugere, no Financial Times, que no âmbito do controle quase feudal do capitalismo de compartilhamento por seus contratantes, há “potencial para o retorno da estrutura de guildas”. Motoristas de aplicativos, por exemplo, podem, em algum momento, criar um corpo independente credenciador, para garantir a portabilidade dos dados e da reputação entre as “fronteiras” dos “senhores” (ou seja, Uber, 99 ou Lyft), assim como os artesãos usavam o pertencimento a uma guilda como credenciais, no início do milênio passado.
Para onde esta camada de mágica, carregada espiritualmente e organizada à moda feudal, levaria nossa política e cultura? Poderíamos olhar para governantes como Donald Trump, que manejam o poder como um rei absolutista ou um papa caviloso e que fala, como diversos observadores notaram, como um herói grego ou um senhor de guerra anglo-saxão. Ou seja, no estilo fanfarrão e altamente repetitivo da poesia épica, característica das culturas orais.
Paradoxalmente, o caráter efêmero e a densidade rala dos textos nas mídias sociais estão recriando as circunstâncias de uma sociedade pré-letrada: um mundo em que a informação é rapidamente esquecida e nada pode ser facilmente consultado. (Como os monges medievais copiando Aristótoles, o Google e o Facebook coletarão e ordenarão o conhecimento do mundo; como a igreja católica medieval, controlarão rigorosamente sua apresentação e acessibilidade). Sob tais condições, a memorabilidade e a concisão – as mesmas qualidades que podem fazer alguém hábil no Twitter – serão mais valorizadas que a força do argumento; e líderes políticos bem-sucedidos, para os quais a verdade factual é menos importante que a perpétua repetição de um mito duradouro, focarão no autoengrandecimento repetitivo.
Tudo isso, é claro, ocorrerá diante de um pano de fundo de desastre: um mundo natural volátil, em ruínas, estranho e imprevisível em sua força e violência. Está ficando cada vez mais difícil prever o tempo, e os efeitos da mudança climática atiraram no território das dúvidas o vasto conhecimento que tornava o mundo familiar e governável. A natureza aparece para nós como tempestades aniquiladoras, incêndios furiosos, enchentes épicas, uma manifestação literal de nossos pecados terrestres. Presos numa cena pré-letramento, governados por ilusionistas e nepotistas, cativos de senhores feudais, circundados por ritual e magia – é de surpreender que nos voltemos a uma garota visionária, para nos salvar do apocalipse que se aproxima?
1Alusão intraduzível: refere-se a polêmica antifeminista ocorrida nos EUA – ver Wikipedia (Nota de Outras Palavras)
[ Tradução: Antonio Martins – fonte: www.outraspalavras.net]
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Ludwig Wittgenstein (1889-1951)
Enviado por: Isac Nunes <puigllum@gmail.com>
O Mega-Negócio por detrás dos Bancos Alimentares – YouTube
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uma nova sociedade verde new green deal
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“É possível um outro mundo? Decrescimento e new green deal”
texto de Isabella Roberto publicado no jornal Vida Económica
Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica
Com raízes no despertar ecologista da década de setenta (André Gorz, Ivan Illich), o decrescimento sustentável começa a conquistar o seu lugar enquanto paradigma alternativo ao crescimento económico. Mas é sobretudo com a eclosão da crise financeira em 2008 e a realização da primeira conferência internacional sobre o decrescimento sustentável, no mesmo ano, que se começa a desenhar uma primeira definição do conceito, tornando-o pertinente no contexto actual. No entanto, a superação do vigente modelo económico assim exigida levanta questões sobre justiça social e ecológica que terão consequências diferentes conforme o país pertencer ao eixo Norte ou Sul. Uma dicotomia que terá levado à criação de um sistema de indicadores de decrescimento sustentável, permitindo a sua aplicação de forma universal com base em 4 dimensões a considerar: económica, ambiental, social e subjectiva (ou felicidade média subjectiva). De todas, é sem dúvida a dimensão ambiental a que atualmente suscita maior preocupação, trazendo para a ordem do dia questões como o pico do petróleo, a acidificação dos oceanos, a erosão dos solos, a perda de biodiversidade, a escassez de água potável, as alterações climáticas… Hoje torna-se impossível esconder o quanto a atividade humana vem destruindo o equilíbrio que permite a própria vida no planeta. O que o decrescimento defende é que o factor económico não pode ser o principal vector de avaliação das nossas sociedades. Consolidar o PIB implica aumentar a produção e o consumo, ou seja, usar mais recursos e espoletar índices mais elevados de poluição. Contudo, uma economia que não cresce vai fazer depender a sua sustentabilidade de um sistema baseado em dívida, um sabor amargo que no Sul da Europa tão bem conhecemos. Dívida para crescer e para pagar mais dívida. Um veneno que com veneno mata. Desacorrentar a sociedade de um tal círculo vicioso e tóxico exige alterações de base profundas para assegurar o bem-estar das populações e, ao mesmo tempo, travar a escalada de produção e de consumo desenfreados.
O decrescimento apela a mudanças individuais, a experiências coletivas e a projetos político-sociais inovadores. O crescimento é elemento sagrado da economia capitalista. Mas para cada vez mais pessoas, nem o crescimento económico pode ser sustentável, nem o capitalismo pode ser verde. Ganha terreno a visão de um futuro em que as sociedades vivam dentro das suas possibilidades ecológicas, com economias abertas, mas localizadas, e em que os recursos sejam distribuídos mais justamente, através de formas outras de instituições democráticas e de organizações sociais que permitam às pessoas viver em comunidade e de modo frugal.
Décroissance, Postwachstum, degrowth, decrecimiento, decrescita seja em que língua for, decrescimento promete tornar-se uma das palavras-chave das próximas décadas.
Dos Estados Unidos à Europa: O Green New Deal
Com as crescentes mobilizações da Greve Climática Estudantil, algumas figuras políticas criaram o movimento por um Green New Deal como estratégia de combate à crise climática instalada e como alternativa viável à economia capitalista assente na produção e consumo ilimitados. Surgido nos EUA, em Março de 2019, o Green New Deal foi o nome dado, por uma determinada ala do partido democrata, a uma série de propostas económicas que visam travar o agravamento das alterações climáticas e das desigualdades sociais, promovendo a transição para uma economia sustentável. O seu nome tem por referência o New Deal de 1933, à época um conjunto de programas económicos aplicados pelo Presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, para combater a Grande Depressão de 1929. Atualmente, O Green New Deal pretende combinar a abordagem económica de Roosevelt com orientações de vertente ambientalista, como a implementação gradual das energias renováveis e a eficiência de recursos. A forma de alcançar estes objetivos seria o princípio do New Deal original: controlo estatal da economia de maneira a favorecer o investimento empresarial em setores como o das energias renováveis.
A proposta também já chegou à Europa, com o partido trabalhista a integrar a sua adesão e, mais recentemente, com Yanis Varoufakis a defender um Green New Deal europeu. O alerta é idêntico: as atividades económicas são cada mais impactantes no ambiente e a sua tendência para o monopólio e a busca incessante por mais lucro só aumentam a destruição do planeta. Ou seja, a configuração atual da economia capitalista é insustentável e qualquer alternativa à mesma terá que ser revolucionária. Para fazer face à crise climática é preciso produzir de acordo com as necessidades do conjunto, tendo em conta os limites do meio ambiente e não apenas o cumprimentos de critérios economicistas. Não há tempo a perder com falsas propostas, urge a transformação total do sistema: sair da sociedade de consumo para uma economia de transição pós-fóssil.








