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a beleza da ilha das Flores

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Senhores a quem entregamos a riqueza de nossos dados.

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retirado de diálogos lusófonos

 

Senhores a quem entregamos a riqueza de nossos dados. Programas e objetos “encantados” que comandam nossas vidas. O conhecimento comum controlado, como na Inquisição. “Novas” tecnologias ameaçam conjurar vasto retrocesso

Camponeses pagando tributos a seus senhores, xilogravura do século XVEscrito por Max Read

No final de agosto, um barco de velas pretas apareceu no porto, carregando uma visionária de 16 anos, uma garota que navegara do norte distante através de um grande oceano. Uma multidão de moradores e viajantes, encantados por suas profecias, reuniu-se para lhe dar boas-vindas. Ela viera para falar às nações da Terra, para advertir-nos de nossas vaidades e da catástrofe que se aproxima. “Havia quatro gerações saudando-a e dizendo, em cânticos, que a amavam”, observou o escritor Dean Kissick. “Quando ela pisou em terra, pareceu algo messiânico”.

Não posso ter sido a única pessoa a sentir que estava vivendo, estranhamente, nas páginas de um épico fantástico, no momento em que Greta Thunberg desceu em Nova York. Durante a maior parte de minha vida, o paradigma para imaginar o futuro foi a ficção científica distópica. Em cada foto de uma cidade reluzente de neon, em cada história de ciberguerra sem regras e limites, refletiam-se as visões ultramodernas e hipercapitalistas de escritores cyberpunk como Wiliam Gibson, cujo trabalho foi tão influente que moldou a forma como os primeiros arquitetos da internet compreenderam sua criação. Mas onde se encaixaria, no futuro noir e high-tech que me ensinaram a esperar, uma menina profetisa navegando do norte gelado para confrontar os reis e rainhas do planeta? Que conto de ciberintriga corporativa incluiria uma visionária liderando um exército de crianças em marchas pelo globo?

Refletindo depois, percebi que a história lembra menos o futuro cyberpunk de Gibson que o passado fantástico de J.R.R. Tolkien; menos tecnologia e cibernética que mágica e apocalipse. A internet não parece estar nos transformando em sofisticados ciborgues, e sim em camponeses medievais rudes, extasiados por um sempre presente reino de espíritos e cativos de senhores autocráticos e distantes. E se não estivermos sendo impulsionados rumo a um futuro cyberpunk, e sim atirados em algum passado pré-moderno fantástico?

Em minha própria vida quotidiana, eu já me relaciono constantemente com forças mágicas ao mesmo tempo sinistras e benevolentes. Observo de longe, através do cristal, os movimentos de meus inimigos. (Ou seja, eu odeio-e-sigo pessoas no Instagram ou Facebook). Leio histórias sobre símbolos amaldiçoados tão poderosos que tornam incomunicativo qualquer um que os contemple (Ou seja, glifos Unicode que paralisam seu iPhone). Recuso-me a escrever os nomes de inimigos míticos por temer trazê-los à minha presença, assim como os membros de tribos protogermânicas usavam o termo eufemístico marrom, em vem de urso, para não invocar um deles. (Ou seja, intencionalmente altero palavras como Gamergate quando as escrevo)1. Realizo rituais supersticiosos para obter a aprovação dos demônios (Ou seja, daemons, os programas autônomos de retaguarda sobre os quais a computação moderna se desenvolve).

Esta estranha dança de rituais e superstições irá tornar-se ainda mais intensa na próxima década. Graças a smartphones ubíquos e ao cellular data, a internet tornou-se uma espécie de camada sobrenatural instalada no topo de vida quotidiana, um reino facilmente acessível de poder temível, visões febris e batalhas espirituais apocalípticas. O medievalista Richard Wunderli descreveu o mundo dos camponeses do século XV como algo “encantado” – “limitado apenas por uma barreira translúcida e porosa, que levava ao reino mais poderoso dos espíritos, demônios, anjos e santos”. Não soa tão diferente de um mundo em que barreiras literalmente translúcidas separam-nos dos trolls, demônios e ícones pop-star a cujas menções no Twitter, e comentários no Instagram, eu deveria fazer uma peregrinação quase religiosa.

A estrutura da internet aponta para um arranjo que Bruce Schneider, um especialista em cibersegurança, chama de “feudalismo digital”. Por meio dele, os grandes proprietários – plataformas como o Google e o Facebook – estão se tornando nossos senhores feudais, e estamos nos reduzindo a seus vassalos. “Nós vamos abastecê-los com o dados que emanam de nossa navegação, em troca de vaga proteção contra saqueadores que buscam brechas de segurança”. O senso de impotência que podemos sentir diante da justiça algorítmica opaca das megaplataformas – e o senso de mistério que tais mecanismos deveriam engendrar – não teriam parecido estranhos para um camponês medieval. (Uma vez que você tenha explicado, é claro, o que significa um algoritmo).

E à medida em que a internet enfeitice cada vez mais objetos – “smart” TVs, “smart” fornos, “smart” alto-falantes, “smart” vibradores – sua lógica feudal abarcará também o mundo material. Você não possui mais o programa de seu telefone, assim como um camponês não possuía seu lote de terra. E quando seu carro ou fechadura de casa forem igualmente encantados, um senhor distante poderá expulsá-lo fácil e arbitrariamente. Os robôs de assistência ao consumidor aos quais você entregou seu caso serão tão impiedosos e incapazes de perdão como um xerife medieval. Izabella Kaminska sugere, no Financial Times, que no âmbito do controle quase feudal do capitalismo de compartilhamento por seus contratantes, há “potencial para o retorno da estrutura de guildas”. Motoristas de aplicativos, por exemplo, podem, em algum momento, criar um corpo independente credenciador, para garantir a portabilidade dos dados e da reputação entre as “fronteiras” dos “senhores” (ou seja, Uber, 99 ou Lyft), assim como os artesãos usavam o pertencimento a uma guilda como credenciais, no início do milênio passado.

Para onde esta camada de mágica, carregada espiritualmente e organizada à moda feudal, levaria nossa política e cultura? Poderíamos olhar para governantes como Donald Trump, que manejam o poder como um rei absolutista ou um papa caviloso e que fala, como diversos observadores notaram, como um herói grego ou um senhor de guerra anglo-saxão. Ou seja, no estilo fanfarrão e altamente repetitivo da poesia épica, característica das culturas orais.

Paradoxalmente, o caráter efêmero e a densidade rala dos textos nas mídias sociais estão recriando as circunstâncias de uma sociedade pré-letrada: um mundo em que a informação é rapidamente esquecida e nada pode ser facilmente consultado. (Como os monges medievais copiando Aristótoles, o Google e o Facebook coletarão e ordenarão o conhecimento do mundo; como a igreja católica medieval, controlarão rigorosamente sua apresentação e acessibilidade). Sob tais condições, a memorabilidade e a concisão – as mesmas qualidades que podem fazer alguém hábil no Twitter – serão mais valorizadas que a força do argumento; e líderes políticos bem-sucedidos, para os quais a verdade factual é menos importante que a perpétua repetição de um mito duradouro, focarão no autoengrandecimento repetitivo.

Tudo isso, é claro, ocorrerá diante de um pano de fundo de desastre: um mundo natural volátil, em ruínas, estranho e imprevisível em sua força e violência. Está ficando cada vez mais difícil prever o tempo, e os efeitos da mudança climática atiraram no território das dúvidas o vasto conhecimento que tornava o mundo familiar e governável. A natureza aparece para nós como tempestades aniquiladoras, incêndios furiosos, enchentes épicas, uma manifestação literal de nossos pecados terrestres. Presos numa cena pré-letramento, governados por ilusionistas e nepotistas, cativos de senhores feudais, circundados por ritual e magia – é de surpreender que nos voltemos a uma garota visionária, para nos salvar do apocalipse que se aproxima?

1Alusão intraduzível: refere-se a polêmica antifeminista ocorrida nos EUA – ver Wikipedia (Nota de Outras Palavras)

[ Tradução: Antonio Martins – fonte: www.outraspalavras.net]

“Els límits de la meva llengua són els límits del meu món”
Ludwig Wittgenstein (1889-1951)

 

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Enviado por: Isac Nunes <puigllum@gmail.com>

uma nova sociedade verde new green deal

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“É possível um outro mundo? Decrescimento e new green deal”

texto de Isabella Roberto publicado no jornal Vida Económica

Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica
Com raízes no despertar ecologista da década de setenta (André Gorz, Ivan Illich), o decrescimento sustentável começa a conquistar o seu lugar enquanto paradigma alternativo ao crescimento económico. Mas é sobretudo com a eclosão da crise financeira em 2008 e a realização da primeira conferência internacional sobre o decrescimento sustentável, no mesmo ano, que se começa a desenhar uma primeira definição do conceito, tornando-o pertinente no contexto actual. No entanto, a superação do vigente modelo económico assim exigida levanta questões sobre justiça social e ecológica que terão consequências diferentes conforme o país pertencer ao eixo Norte ou Sul. Uma dicotomia que terá levado à criação de um sistema de indicadores de decrescimento sustentável, permitindo a sua aplicação de forma universal com base em 4 dimensões a considerar: económica, ambiental, social e subjectiva (ou felicidade média subjectiva). De todas, é sem dúvida a dimensão ambiental a que atualmente suscita maior preocupação, trazendo para a ordem do dia questões como o pico do petróleo, a acidificação dos oceanos, a erosão dos solos, a perda de biodiversidade, a escassez de água potável, as alterações climáticas… Hoje torna-se impossível esconder o quanto a atividade humana vem destruindo o equilíbrio que permite a própria vida no planeta. O que o decrescimento defende é que o factor económico não pode ser o principal vector de avaliação das nossas sociedades. Consolidar o PIB implica aumentar a produção e o consumo, ou seja, usar mais recursos e espoletar índices mais elevados de poluição. Contudo, uma economia que não cresce vai fazer depender a sua sustentabilidade de um sistema baseado em dívida, um sabor amargo que no Sul da Europa tão bem conhecemos. Dívida para crescer e para pagar mais dívida. Um veneno que com veneno mata. Desacorrentar a sociedade de um tal círculo vicioso e tóxico exige alterações de base profundas para assegurar o bem-estar das populações e, ao mesmo tempo, travar a escalada de produção e de consumo desenfreados.

O decrescimento apela a mudanças individuais, a experiências coletivas e a projetos político-sociais inovadores. O crescimento é elemento sagrado da economia capitalista. Mas para cada vez mais pessoas, nem o crescimento económico pode ser sustentável, nem o capitalismo pode ser verde. Ganha terreno a visão de um futuro em que as sociedades vivam dentro das suas possibilidades ecológicas, com economias abertas, mas localizadas, e em que os recursos sejam distribuídos mais justamente, através de formas outras de instituições democráticas e de organizações sociais que permitam às pessoas viver em comunidade e de modo frugal.

Décroissance, Postwachstum, degrowth, decrecimiento, decrescita seja em que língua for, decrescimento promete tornar-se uma das palavras-chave das próximas décadas.

Dos Estados Unidos à Europa: O Green New Deal

Com as crescentes mobilizações da Greve Climática Estudantil, algumas figuras políticas criaram o movimento por um Green New Deal como estratégia de combate à crise climática instalada e como alternativa viável à economia capitalista assente na produção e consumo ilimitados. Surgido nos EUA, em Março de 2019, o Green New Deal foi o nome dado, por uma determinada ala do partido democrata, a uma série de propostas económicas que visam travar o agravamento das alterações climáticas e das desigualdades sociais, promovendo a transição para uma economia sustentável. O seu nome tem por referência o New Deal de 1933, à época um conjunto de programas económicos aplicados pelo Presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, para combater a Grande Depressão de 1929. Atualmente, O Green New Deal pretende combinar a abordagem económica de Roosevelt com orientações de vertente ambientalista, como a implementação gradual das energias renováveis e a eficiência de recursos. A forma de alcançar estes objetivos seria o princípio do New Deal original: controlo estatal da economia de maneira a favorecer o investimento empresarial em setores como o das energias renováveis.

A proposta também já chegou à Europa, com o partido trabalhista a integrar a sua adesão e, mais recentemente, com Yanis Varoufakis a defender um Green New Deal europeu. O alerta é idêntico: as atividades económicas são cada mais impactantes no ambiente e a sua tendência para o monopólio e a busca incessante por mais lucro só aumentam a destruição do planeta. Ou seja, a configuração atual da economia capitalista é insustentável e qualquer alternativa à mesma terá que ser revolucionária. Para fazer face à crise climática é preciso produzir de acordo com as necessidades do conjunto, tendo em conta os limites do meio ambiente e não apenas o cumprimentos de critérios economicistas. Não há tempo a perder com falsas propostas, urge a transformação total do sistema: sair da sociedade de consumo para uma economia de transição pós-fóssil.

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Sydney’s worst single day on record for smoke haze

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Sydney’s worst single day on record for smoke haze forced thousands of workers to abandon work sites, schools to cancel excursions and sports and firefighters to attend scores of jobs.

Venham voar connosco sobre Santa Bárbara

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Daniel Gonçalves
46 mins

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Estão prontos para perder o fôlego? Venham voar connosco sobre Santa Bárbara. Uma produção do nosso santa barbarense Pedro Cerqueira @circuloperfeito.net

VIMEO.COM
Santa Bárbara é uma freguesia portuguesa do concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores. Tem 15,42 km² de área…

memórias de aviação insular

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PRIMEIRO VOO ULM NA HISTÓRIA DA AVIAÇÃO PORTUGUESA
ENTRE A TERCEIRA (LPLA) E PONTA DELGADA (LPPD)

A memória do Facebook surpreende-me hoje com esta foto de 2004, há 15 anos atrás – final longa a alinhar para a aterragem na 30 de Ponta Delgada, acabado de voar 90 milhas náuticas entre a Terceira e Ponta Delgada em avião particular ULM Jabiru SK, matrícula CSUKC.
Na história da aviação portuguesa, fica o registo desta travessia como a primeira que um piloto em avião privado fez inter-ilhas entre a Terceira (LPLA) e Ponta Delgada (LPPD).

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