CASTELO DE PENAS RÓIAS um dos meus favoritos

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CASTELO DE PENAS RÓIAS
Imagem: Vista do Castelo de Penas Róias, Portugal. Gravura, Duarte de Armas, “Livro das Fortalezas”, c. 1509, prancha 60.
O “Castelo de Penas Róias” localiza-se na povoação e freguesia de Penas Róias, concelho de Mogadouro, distrito de Bragança, em Portugal.
Antigo castelo da Ordem do Templo na região de Trás os Montes e Alto Douro, integrava, à época da constituição da nacionalidade portuguesa, juntamente com os de Algoso, Bragança, Miranda do Douro, Mogadouro, Outeiro de Miranda e Vimioso, o chamado núcleo duro do nordeste transmontano. Hoje compreendido na Área Turístico-Promocional de Montanhas, de seu sítio contempla-se a Igreja Matriz de Santa Maria de Azinhoso e, ao longe, Mogadouro.
O topónimo deriva de penha (penedo ou rochedo), sendo possível que Róia tenha derivado de “roja” (vermelha).
História
Antecedentes
Pouco se sabe acerca da primitiva ocupação humana desta área. Os testemunhos arqueológicos apontam uma ocupação proto-histórica do local, que poderá estar relacionada a um castro. À época da Invasão romana da Península Ibérica, encontrava-se abandonado.
O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península, a região foi inicialmente conquistada pelo reino de Leão.
Com a afirmação do reino de Portugal, diante do estabelecimento da capital em Coimbra, tornou-se imperativa a sua defesa ativa. Para esse fim, Afonso I de Portugal (1143-1185) delegou aos cavaleiros da Ordem do Templo o encargo de fortalecer os acessos a sul e a leste do rio Mondego, doando-lhes, a partir de 1145, diversos domínios como os de Mogadouro e outros, na região de Trás-os-Montes.
Os domínios de Penas Róias foram doados à Ordem logo em 1145 por Fernão Mendes de Bragança, “tenens” da Terra de Bragança, circunscrição na qual a localidade estava inserida. Essa época coincide com testemunhos arqueológicos da sua ocupação no século XII, ou um pouco antes, já ao final do XI, o que sugere, para alguns autores, a prévia existência de um reduto defensivo no local, fato que poderia ser atestado pelos vestígios de torreões de planta circular (típicos de estruturas leonesas na margem direita do rio Côa, nesse período) que subsistem nos vértices do castelo.
Em posse da Ordem, o castelo sofreu significativas alterações, entre as quais se destaca a construção de uma torre de menagem de planta em losango. Embora tradicionalmente se afirme a data de 1166 como a de início da construção do castelo, sob a direção do 4.º Grão-Mestre da Ordem, D. Gualdim Pais, a inscrição epigráfica na torre de menagem encontra-se bastante deteriorada. É possível, entretanto, ler-se a data como “Era 1210” (da Era Hispânica, correspondente ao ano de 1172 da Era Cristã) ou ainda “Era 1219” (correspondente a 1181). Francisco Manuel Alves (1940) e Cordeiro de Sousa (1948), pretenderam ler nela o nome de Gualdim Pais, o que não é plenamente verificável. De qualquer modo, os trabalhos contaram com o seu patrocínio direto, uma vez que a torre (e o castelo) inscreve-se no movimento maior de construção de castelos templários no país, todos assinalados por inscrições epigráficas e empreendidos por Gualdim Pais, como os de Almourol, Longroiva, Tomar e outros.
Sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211), empreendeu-se novo esforço de repovoamento da vila, que passou a sede de concelho, tendo recebido carta de foral em maio ou junho de 1187. Nesta fase, a Ordem deslocava a sua atuação mais para o sul, para a Beira Baixa, tendo recebido em agradecimento pelos seus serviços, os domínios de Idanha-a-Velha e de Monsanto em 1165 (os da primeira confirmados em 1197), e uma parcela, junto à Vila Velha de Ródão, em 1199. Em troca de Idanha-a-Velha, o soberano recebeu os castelos de Penas Róias e de Mogadouro (1197). Dois anos depois (1199), em troca da herdade de Azafa, o soberano recebeu da Ordem as igrejas de Mogadouro e de Penas Róias.
Posteriormente, sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279), nas Inquirições de 1258, faz-se alusão a Penas Róias e ao “tenens” de Bragança, D. Fernando Mendes de Bragança, que ocupou a tenência de Penas Róias entre 1128 e 1145, quando a doou aos Templários. A vila recebeu carta de foral, juntamente com Mogadouro, em 1272, foral esse confirmado a Penas Róias no ano seguinte (1273).
Diante da extinção da Ordem do Templo, Dinis I de Portugal (1279-1325) transferiu os domínios de Penas Róias para a Ordem de Cristo (1319), acreditando-se que tenham tido lugar trabalhos de recuperação e reforço das defesas à época, que estará na origem da configuração registada por Duarte de Armas no início do século XVI.
O domínio da povoação e seu castelo foram adquiridos por Álvaro Pires de Távora (1457), que também detinha a alcaidaria dos castelos de Mogadouro e de Miranda do Douro.
Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) o castelo e a povoação encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509). O soberano outorgou o Foral Novo a Penas Róias em 1512.
Do século XVIII aos nossos dias
As “Memórias Paroquiais” (1758) referem que o castelo, a norte da vila, encontrava-se arruinado, com muros “de pedra de seixo bruto”, estando a torre, “de quatro esquinas”, ainda “bem segura e fabricada do mesmo seixo bruto” com paredes altas e porta “levantada mais de trinta palmos” com um letreiro ilegível.
No ano seguinte (1759), na sequência do processo dos Távora, a povoação passou para a Coroa.
Em 1836 registou-se a extinção do concelho e consequente declínio da povoação. Neste período, a população reaproveitou os materiais de construção do antigo castelo.
No início do século XX ainda eram visíveis alguns dos cubelos que integravam o castelo e a antiga cerca da vila, bem como de uma porta que ligava o castelo à povoação.
Com a cerca da vila de há muito desaparecida, o castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto n.º 34.452, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 59, de 20 de março de 1945.
Em 1977, quando se lavrava um terreno próximo, vieram à luz restos de colunas. A intervenção do poder público fez-se sentir entre 1977 e 1978, quando foram procedidos trabalhos de consolidação e reparos nas muralhas e na torre de menagem, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).
Em 1992 o imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), pelo Decreto-lei nº 106F/92, publicado no Diário da República, I Série A, nº 126, em 1 de junho de 1992.
Em 2007-2008, no âmbito de uma candidatura apresentada pelo IPPAR ao programa comunitário InterregIIIA, foi desenvolvido um projeto de valorização que incluiu intervenções de conservação e restauro da torre de menagem e dos restos das muralhas do castelo.
Atualmente são visíveis apenas uma torre (fechada ao público) e os vestígios de antigas muralhas e cubelos medievais.
Características
Castelo roqueiro, na cota de 719 metros acima do nível do mar, foi erguido em estilo românico, tendo as suas muralhas sido reforçadas por quatro cubelos (dois facetados e dois cilíndricos). O material em que foi construído assemelha-se ao do Castelo de Algoso.
Ao centro da praça de armas ergue-se a torre de menagem, de planta em losango com lados de dimensões variáveis – entre 7 e 8 metros de largura -, de muros espessos, em aparelho simples de xisto quartzítico, argamassado. Internamente era dividida em três pavimentos. Nos alçados leste e sul, rasgam-se janelas em cantaria. A oeste rasga-se a única porta, retangular, a cerca de três metros de altura, também em cantaria. Era primitivamente acedida por uma escada de madeira, amovível. No lintel, inscreve-se a cruz pátea templária e uma inscrição epigráfica, muito erodida, onde de lê: “INCIPIUNT FUNDAMENTO CASTELO DE PENA ROIAS […] MENSE[(?)] ERA MªCCªXª[…] [ano de 1172] TEMPORE REGE [ALFONSO] […]”. (BARROCA, Mário Jorge. “Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), vol. II”. Porto: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. pp. 376-379)
Próximo a esta torre encontram-se os restos de um dos cubelos cilíndricos que integravam o castelejo. Subsistem ainda alguns troços da sua muralha, a leste.
Finalmente, um recinto murado de maiores dimensões correspondia a uma zona de habitação, atividades artesanais e currais de gado.
in:fortalezas.org
chryschrystello escreveu em chronicaçores
Lembrava-me dos fraguedos de Penas Roias (onde fora pela primeira vez em 1962), e da famosa arca do cura dessa aldeia esquecida, aonde só regressaria no conforto do alcatrão em 2003 ou 4.

No velho caminho medieval que vai para Penas Roias, logo à saída do Azinhoso, ainda existe um local chamado “Pelames”, onde os peleiros do Azinhoso curtiam as peles.
No velho caminho medieval que vai para Penas Roias, logo à saída do Azinhoso, ainda existe um local chamado “Pelames”, onde os peleiros do Azinhoso curtiam as peles.
O castelo de Penas Roias é roqueiro, anterior à nacionalidade, no tempo de D. Afonso Henriques era Fernão Mendes, o Braganção tenens da Terra de Bragança, em 1145, e o doou aos Templários . No lintel a cruz pátea templária: “Gualdim Pais, mestre geral dos Templários, mandou fazer o castelo de Pena Roia.”. A torre de menagem é de 1172. É possível ler-se a data “Era 1210” Era Hispânica, 1172 Era Cristã ou Era 1219 (1181)”. Já existiria um reduto defensivo, pois não se justificaria a doação aos Templários. Têm relevância os torreões de planta circular, nos vértices do castelo, incomuns na arquitetura militar medieval (que optou por torres de planta quadrangular) mais ligados à realidade leonesa. Com D. Sancho I (1185-1211), empreendeu-se o repovoamento e passou a sede de Concelho. Posteriormente, D. Afonso III (1248-1279), a vila encontra-se referida nas Inquirições de 1258, tendo recebido Carta de Foral, com Mogadouro, em 1272, renovado em 1273. Com a extinção da Ordem, D. Dinis transferiu-o para a Ordem de Cristo (1319). D. Manuel I (1495-1521) concedeu-lhe Foral Novo (1512). Posteriormente foi dada aos Távoras. Teve muralha, por Duarte d’Armas no início do séc. XVI. Em 1758 estava em avançado estado de ruína, hoje uma torre alcantilada, de planta quadrangular, de aparelho simples à base de xisto quartzítico com argamassa. A estrutura frágil da torre não permite o acesso. Perto, uma pequena torre circular..
No início de 1960 ainda não havia estrada, apenas um caminho de burros pelo meio do fraguedo, serra acima e nem se pensava sequer na mais recente barragem de Bastelos que está aos seus pés. Por isso entramos no jipe do meu primo médico, Zeca, e com o primo Carlos Alberto e o meu pai, um pouco temerosos, que eles não eram para grandes aventuras motorizadas, lá fomos atravessando a Ribeira de Bastelos, e por entre montes e rochas despidas de vegetação se subiu o fraguedo que se erguia a pique nos socalcos do velho castelo.
Passava-se pela velha ponte romana ou templária entre Azinhoso e Penas Roias, monumento completamente ao abandono até se chegar à “fonte da Vila” interessante de grande antiguidade com figuras antropomórficas, que hoje também demonstra enorme desprezo. As silvas e arbustos que lhe crescem na cobertura estão lá para o provar. A certa altura o jipe aberto voltou-se (capotou) e tivemos de saltar para não ficarmos debaixo. Lá o endireitamos e voltamos a subir ao castelo onde o senhor padre, numa habitação ao lado do mesmo, nos ofereceu da sua bem recheada arca em madeira, uns ricos chouriços com pão de centeio e bom vinho da região. Jamais esqueci esta aventura que me marcou para eu fazer viagens semelhantes para o resto da vida. O salpicão era mesmo bom e o chouriço… Em 2008 tive a oportunidade de contar esta mítica viagem histórica a um filho desse primo Zeca (que não conhecia pois não o via desde miúdo e aqui esteve colocado na PSP no Nordeste).

 

CASTELO DE PENAS RÓIAS
Imagem: Vista do Castelo de Penas Róias, Portugal. Gravura, Duarte de Armas, “Livro das Fortalezas”, c. 1509, prancha 60.
O “Castelo de Penas Róias” localiza-se na povoação e freguesia de Penas Róias, concelho de Mogadouro, distrito de Bragança, em Portugal.
Antigo castelo da Ordem do Templo na região de Trás os Montes e Alto Douro, integrava, à época da constituição da nacionalidade portuguesa, juntamente com os de Algoso, Bragança, Miranda do Douro, Mogadouro, Outeiro de Miranda e Vimioso, o chamado núcleo duro do nordeste transmontano. Hoje compreendido na Área Turístico-Promocional de Montanhas, de seu sítio contempla-se a Igreja Matriz de Santa Maria de Azinhoso e, ao longe, Mogadouro.
O topónimo deriva de penha (penedo ou rochedo), sendo possível que Róia tenha derivado de “roja” (vermelha).
História
Antecedentes
Pouco se sabe acerca da primitiva ocupação humana desta área. Os testemunhos arqueológicos apontam uma ocupação proto-histórica do local, que poderá estar relacionada a um castro. À época da Invasão romana da Península Ibérica, encontrava-se abandonado.
O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península, a região foi inicialmente conquistada pelo reino de Leão.
Com a afirmação do reino de Portugal, diante do estabelecimento da capital em Coimbra, tornou-se imperativa a sua defesa ativa. Para esse fim, Afonso I de Portugal (1143-1185) delegou aos cavaleiros da Ordem do Templo o encargo de fortalecer os acessos a sul e a leste do rio Mondego, doando-lhes, a partir de 1145, diversos domínios como os de Mogadouro e outros, na região de Trás-os-Montes.
Os domínios de Penas Róias foram doados à Ordem logo em 1145 por Fernão Mendes de Bragança, “tenens” da Terra de Bragança, circunscrição na qual a localidade estava inserida. Essa época coincide com testemunhos arqueológicos da sua ocupação no século XII, ou um pouco antes, já ao final do XI, o que sugere, para alguns autores, a prévia existência de um reduto defensivo no local, fato que poderia ser atestado pelos vestígios de torreões de planta circular (típicos de estruturas leonesas na margem direita do rio Côa, nesse período) que subsistem nos vértices do castelo.
Em posse da Ordem, o castelo sofreu significativas alterações, entre as quais se destaca a construção de uma torre de menagem de planta em losango. Embora tradicionalmente se afirme a data de 1166 como a de início da construção do castelo, sob a direção do 4.º Grão-Mestre da Ordem, D. Gualdim Pais, a inscrição epigráfica na torre de menagem encontra-se bastante deteriorada. É possível, entretanto, ler-se a data como “Era 1210” (da Era Hispânica, correspondente ao ano de 1172 da Era Cristã) ou ainda “Era 1219” (correspondente a 1181). Francisco Manuel Alves (1940) e Cordeiro de Sousa (1948), pretenderam ler nela o nome de Gualdim Pais, o que não é plenamente verificável. De qualquer modo, os trabalhos contaram com o seu patrocínio direto, uma vez que a torre (e o castelo) inscreve-se no movimento maior de construção de castelos templários no país, todos assinalados por inscrições epigráficas e empreendidos por Gualdim Pais, como os de Almourol, Longroiva, Tomar e outros.
Sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211), empreendeu-se novo esforço de repovoamento da vila, que passou a sede de concelho, tendo recebido carta de foral em maio ou junho de 1187. Nesta fase, a Ordem deslocava a sua atuação mais para o sul, para a Beira Baixa, tendo recebido em agradecimento pelos seus serviços, os domínios de Idanha-a-Velha e de Monsanto em 1165 (os da primeira confirmados em 1197), e uma parcela, junto à Vila Velha de Ródão, em 1199. Em troca de Idanha-a-Velha, o soberano recebeu os castelos de Penas Róias e de Mogadouro (1197). Dois anos depois (1199), em troca da herdade de Azafa, o soberano recebeu da Ordem as igrejas de Mogadouro e de Penas Róias.
Posteriormente, sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279), nas Inquirições de 1258, faz-se alusão a Penas Róias e ao “tenens” de Bragança, D. Fernando Mendes de Bragança, que ocupou a tenência de Penas Róias entre 1128 e 1145, quando a doou aos Templários. A vila recebeu carta de foral, juntamente com Mogadouro, em 1272, foral esse confirmado a Penas Róias no ano seguinte (1273).
Diante da extinção da Ordem do Templo, Dinis I de Portugal (1279-1325) transferiu os domínios de Penas Róias para a Ordem de Cristo (1319), acreditando-se que tenham tido lugar trabalhos de recuperação e reforço das defesas à época, que estará na origem da configuração registada por Duarte de Armas no início do século XVI.
O domínio da povoação e seu castelo foram adquiridos por Álvaro Pires de Távora (1457), que também detinha a alcaidaria dos castelos de Mogadouro e de Miranda do Douro.
Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) o castelo e a povoação encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509). O soberano outorgou o Foral Novo a Penas Róias em 1512.
Do século XVIII aos nossos dias
As “Memórias Paroquiais” (1758) referem que o castelo, a norte da vila, encontrava-se arruinado, com muros “de pedra de seixo bruto”, estando a torre, “de quatro esquinas”, ainda “bem segura e fabricada do mesmo seixo bruto” com paredes altas e porta “levantada mais de trinta palmos” com um letreiro ilegível.
No ano seguinte (1759), na sequência do processo dos Távora, a povoação passou para a Coroa.
Em 1836 registou-se a extinção do concelho e consequente declínio da povoação. Neste período, a população reaproveitou os materiais de construção do antigo castelo.
No início do século XX ainda eram visíveis alguns dos cubelos que integravam o castelo e a antiga cerca da vila, bem como de uma porta que ligava o castelo à povoação.
Com a cerca da vila de há muito desaparecida, o castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto n.º 34.452, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 59, de 20 de março de 1945.
Em 1977, quando se lavrava um terreno próximo, vieram à luz restos de colunas. A intervenção do poder público fez-se sentir entre 1977 e 1978, quando foram procedidos trabalhos de consolidação e reparos nas muralhas e na torre de menagem, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).
Em 1992 o imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), pelo Decreto-lei nº 106F/92, publicado no Diário da República, I Série A, nº 126, em 1 de junho de 1992.
Em 2007-2008, no âmbito de uma candidatura apresentada pelo IPPAR ao programa comunitário Interreg IIIA, foi desenvolvido um projeto de valorização que incluiu intervenções de conservação e restauro da torre de menagem e dos restos das muralhas do castelo.
Atualmente são visíveis apenas uma torre (fechada ao público) e os vestígios de antigas muralhas e cubelos medievais.
Características
Castelo roqueiro, na cota de 719 metros acima do nível do mar, foi erguido em estilo românico, tendo as suas muralhas sido reforçadas por quatro cubelos (dois facetados e dois cilíndricos). O material em que foi construído assemelha-se ao do Castelo de Algoso.
Ao centro da praça de armas ergue-se a torre de menagem, de planta em losango com lados de dimensões variáveis – entre 7 e 8 metros de largura -, de muros espessos, em aparelho simples de xisto quartzítico, argamassado. Internamente era dividida em três pavimentos. Nos alçados leste e sul, rasgam-se janelas em cantaria. A oeste rasga-se a única porta, retangular, a cerca de três metros de altura, também em cantaria. Era primitivamente acedida por uma escada de madeira, amovível. No lintel, inscreve-se a cruz pátea templária e uma inscrição epigráfica, muito erodida, onde de lê: “INCIPIUNT FUNDAMENTO CASTELO DE PENA ROIAS […] MENSE[(?)] ERA Mª CCª Xª[…] [ano de 1172] TEMPORE REGE [ALFONSO] […]”. (BARROCA, Mário Jorge. “Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), vol. II”. Porto: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. pp. 376-379)
Próximo a esta torre encontram-se os restos de um dos cubelos cilíndricos que integravam o castelejo. Subsistem ainda alguns troços da sua muralha, a leste.
Finalmente, um recinto murado de maiores dimensões correspondia a uma zona de habitação, atividades artesanais e currais de gado.
in:fortalezas.org
 

património apodrecido nos açores

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Carlos Augusto Furtado

Estamos a falar de um estado pobre, que cobra impostos a uma população ainda mais pobre, onde parte dela vive de auxílios do estado pobre, numa nação que não produz o suficiente para manter o edificado existente, nação esta que já há muito tempo não “produz” filhos em quantidade para travar o envelhecimento da população. Há tanto para fazer neste triste país.
May be an image of street
Chrys Chrystello lembra-me macau sob admin port quando lá vivi 1976-1982, quandoa china tomou conta, recuperou e manteve…uma vergonha açores…
Rui Machado de Medeiros

Carlos Augusto Furtado, se é tudo tão pobre eu ofereço a lata de tinta para pintar as janelas.

como o estado maltrata o património

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A nossa Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, está em estado degradante, precisa urgentemente de manutenção, a humidade avança a “olhos vistos”, ali está depositada toda a nossa História, toda a nossa Identidade!
A humidade cria as condições para o surgimento de fungos que são um dos principais inimigos da boa conservação dos livros ali depositados.
É urgente a manutenção de tão nobre lugar!!!
Chrys Chrystello

Isto faz-me lembrar MaCAU quando lá vivi entre 76 e 1982, os edifícios do Estado degradados, foi preciso a China tomar conta daquilo para serem renovados e mantidos… Aqui não sei qual será a solução, energumenos…
Gualter Correia

O projecto de recuperação e consolidação estrutural, beneficiação e organização dos espaços com base num programa funcional especifico para biblioteca e arquivo, foi de autoria do Prof. Arquitecto José Lamas, nos finais dos anos oitenta. A obra foi adjudicada à Engil, após concurso internacional, nos inícios dos anos noventa. Para os históricos edifícios, houve boas decisões públicas e adequado esforço orçamental.
A imagem acima ilustra ausência de programas de manutenção e conservação corrente e periódica, a traduzir má gestão pública.

Luís Miguel Rodrigues Martins

Concordo em absoluto com o teor deste post, é escandaloso! Outro dia era o elevador que não funcionava, está tudo muito degradado! E o custo da tutela estar na Terceira. Alguém duvida?
Tomás Quental

Há relativamente pouco tempo publiquei um artigo no Diário dos Açores sobre o mau estado de conservação do edifício ou edifícios da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada. Isto é mais do que uma vergonha: é um escândalo!

nova obra SUSANA ANTUNES

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  • Sentient Books: AI's Impact on Creation (Universalia)

Livros Sentient: O Impacto da IA na Criação (Universalia) Brochura – 27 de dezembro de 2025

por Sandra Sousa (autora), Susana L. M. Antunes (autora)

Parte de: Universalia (3 livros)

Sentient Books: AI’s Impact on Creation Editado por Sandra Sousa (Universidade da Flórida Central) e Susana L. M. Antunes (Universidade de Wisconsin-Milwaukee)

À beira de uma metamorfose tecnológica que rivaliza com a revolução de Gutenberg, Livros Sensíveis: O Impacto da IA na Criação surge como a bússola académica definitiva para navegar pela encruzilhada existencial mais profunda da humanidade. À medida que algoritmos compõem sinfonias e chatbots criam romances, o que acontece com a criatividade humana, a autoria e a alma da expressão artística? Esta coleção inovadora, magistralmente curada pelas professoras Sousa e Antunes, reúne vozes internacionais da literatura, teatro, linguística, direito e humanidades digitais para iluminar o impacto transformador — e potencialmente apocalíptico — da IA nos esforços criativos.

A relevância científica do volume transcende a especulação teórica, oferecendo investigações empíricas sobre a natureza paradoxal da IA como colaboradora e ameaça. Os colaboradores dissecam a poesia gerada por máquinas que imita a aleatoriedade dadaísta enquanto se disfarça de expressão humana, expõem crises pedagógicas à medida que os alunos renunciam às vozes autênticas em favor da facilidade algorítmica e investigam se a encarnação teatral sobrevive quando os artistas partilham o palco com co-criadores digitais.

Através de uma análise rigorosa que abrange várias literaturas e línguas, a coleção revela como a IA democratiza simultaneamente a expressão criativa e ameaça homogeneizar a diversidade linguística. O que distingue Sentient Books como um trabalho académico indispensável é a sua análise implacável do ataque da IA aos valores académicos.

Os colaboradores expõem a natureza enganosa da criatividade da IA por meio de recombinações infinitas, desafiando nossa compreensão de originalidade, plágio e propriedade intelectual. Por meio de experimentos em sala de aula que revelam a arbitrariedade semântica reveladora e a perfeição sem alma da IA, o volume demonstra como os alunos abandonam cada vez mais a composição autêntica. Essa perspectiva dupla posiciona o livro como essencial para educadores que lidam com a IA como ferramenta pedagógica ou ameaça existencial.

O âmbito interdisciplinar abrange metodologias de criação crítica, pedagogia convidativa e análise gramatológica, fornecendo estratégias práticas para integrar a IA, preservando a agência humana. Os colaboradores exploram como a criação baseada no julgamento pode substituir a arte baseada na habilidade, investigam as implicações dos direitos autorais em contextos internacionais e examinam o papel da IA na preservação e potencial extinção de línguas ameaçadas. Estudos de caso que vão desde teatro colaborativo com IA até plataformas educacionais multilíngues oferecem estruturas concretas para navegar por essa singularidade tecnológica.

Para os académicos que enfrentam o admirável mundo novo da inteligência artificial — divididos entre o fascínio e a apreensão —, esta coleção fornece vocabulário essencial para articular o que permanece irredutivelmente humano. Os algoritmos podem compreender a arquitetura da metáfora, a lâmina sutil da ironia ou a centelha inefável que transforma palavras em arte? Como revelam as perspetivas históricas, desde as advertências de Platão sobre a escrita até à nossa atual revolução digital, cada mudança tecnológica exige uma reconsideração da própria humanidade.

Sentient Books é tanto uma conquista académica quanto um manifesto urgente, garantindo que, ao testemunharmos o potencial surgimento de uma humanidade tecnologicamente aumentada, preservemos, em vez de renunciarmos, ao calor, à vulnerabilidade e à descoberta fortuita que definem a autêntica criação humana. Esta obra seminal garante que o progresso tecnológico amplifique, em vez de aniquilar, a nossa humanidade, tornando-a indispensável para qualquer pessoa interessada no futuro da expressão criativa.

 

 

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  • Sentient Books: AI's Impact on Creation (Universalia)

Sentient Books: AI’s Impact on Creation (Universalia) Paperback – December 27, 2025

Sentient Books: AI's Impact on Creation (Universalia)
Sentient Books: AI’s Impact on Creation Edited by Sandra Sousa (University of Central Florida) and Susana L. M. Antunes (University of Wisconsin-Milwaukee)
At the precipice of a technological metamorphosis rivaling Gutenberg’s revolution, Sentient Books: AI’s Impact on Creation emerges as the definitive scholarly compass for navigating humanity’s most profound existential crossroads. As algorithms compose symphonies and chatbots craft novels, what becomes of human creativity, authorship, and the soul of artistic expression? This groundbreaking collection, masterfully curated by Professors Sousa and Antunes, assembles international voices from literature, theatre, linguistics, law, and digital humanities to illuminate AI’s transformative—and potentially apocalyptic—impact on creative endeavor.
The volume’s scientific relevance transcends theoretical speculation, offering empirical investigations into AI’s paradoxical nature as both collaborator and threat. Contributors dissect machine-generated poetry that mimics Dadaist randomness while masquerading as human expression, expose pedagogical crises as students surrender authentic voices to algorithmic ease, and probe whether theatrical embodiment survives when performers share stages with digital co-creators. Through rigorous analysis spanning multiple literatures and languages, the collection reveals how AI simultaneously democratizes creative expression while threatening to homogenize linguistic diversity.
What distinguishes Sentient Books as indispensable scholarship is its unflinching examination of AI’s assault on academic values. Contributors expose the deceptive nature of AI creativity through infinite recombination, challenging our understanding of originality, plagiarism, and intellectual property. Through classroom experiments revealing AI’s telltale semantic arbitrariness and soulless perfection, the volume demonstrates how students increasingly abandon authentic composition. This dual perspective positions the book as essential for educators grappling with AI as either pedagogical tool or existential threat.
The interdisciplinary scope encompasses critical making methodologies, invitational pedagogy, and grammatological analysis, providing practical strategies for integrating AI while preserving human agency. Contributors explore how judgment-based creation might replace skill-based artistry, investigate copyright implications across international contexts, and examine AI’s role in both preserving and potentially extinguishing endangered languages. Case studies ranging from AI-collaborative theatre to multilingual educational platforms offer concrete frameworks for navigating this technological singularity.
For academics confronting artificial intelligence’s brave new world—torn between fascination and trepidation—this collection provides essential vocabulary for articulating what remains irreducibly human. Can algorithms comprehend metaphor’s architecture, irony’s subtle blade, or the ineffable spark transforming words into art? As historical perspectives reveal, from Plato’s warnings about writing to our current digital revolution, each technological shift demands reconsideration of humanity itself.
Sentient Books stands as both scholarly achievement and urgent manifesto, ensuring that as we witness the potential emergence of technologically augmented humanity, we preserve rather than surrender the warmth, vulnerability, and serendipitous discovery defining authentic human creation. This seminal work guarantees that technological progress amplifies rather than annihilates our humanity, making it indispensable for anyone invested in the future of creative expression.

quando começa a 3ª grande guerra? já começou?

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Os EUA ficaram com a Venezuela
Também querem a Gronelândia
Também querem o Canadá
Se isso acontecer, será a maior nação da Terra, ainda maior do que a Rússia
A China quer Taiwan
Também quer partes da Índia, Filipinas e Singapura
A Rússia quer a Ucrânia
Enquanto as crises no Irão e no Iraque nunca terminam
A Tailândia quer se estabelecer com o Camboja
O Paquistão e Bangladesh são as nações mais radicalizadas, fornecendo terroristas para todo o mundo
O Afeganistão nunca é um país estável
O Sri Lanka e o Nepal estão em plena turbulência
A Coreia do Norte quer invadir a Coreia do Sul
O Golfo está em completa desordem
Toda a Europa está em crise financeira e de imigração ilegal
As Nações Unidas são uma piada
Agora, não é uma questão de «Se a Terceira Guerra Mundial vai acontecer ou não»?
É apenas uma questão de «Quando»?

May be an image of map and text that says "Now it's not a question of 'Whether World War 3 will happen or not'? It's just a question 'When'?"

António Bulcão Carta a Donald Trump

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Carta a Donald Trump
Caro Donald: escrevo-lhe esta cartinha porque há muita gente aqui na Terceira com medo de que o senhor também nos queira anexar. Quer dizer, há também muita gente que gostaria disso, até já rezaram para o seu país ter mais guerras, para haver muitos americanos na Base, imensas casas arrendadas acima de mil euros e dinamização comercial da Praia. Mas eu sou dos que não gostariam de ser americano, pelo que lhe peço pelas almas: tire isso do juízo e deixe-nos em paz.
O receio será justificado, e o senhor é que deu pau para as colheres, com aquilo da Faixa de Gaza poder ser Riviera (temos uma praia com esse nome), por querer ficar com a Gronelândia e isto agora do petróleo da Venezuela. Acho até que, no seu primeiro mandato, falou na possibilidade de ficar com a ilha de Jasus, por razões geoestratégicas.
Daí estas curtas linhas, que são para lhe fazer um convite: antes de tomar decisões drásticas, venha passar uns tempos à ilha. Vai ver que não vale a pena tomar este calhau de assalto. Aqui vive gente doida, Donald (creizi pipol, em inglês).
Começa logo no Natal, com um ritual bárbaro, que dá pelo nome de “o menino mija” (de lital bói pisses). Quando cheguei aqui também fiquei confuso, toda a gente me dizia que o seu menino mijava, e eu a perguntar-me “ok, e o que tenho eu a ver com isso?” (what the fuck?), é natural que mijem os meninos, faz parte da natureza para não reterem líquidos e darem cabo da bexiga e dos rins. Só com o tempo me apercebi de que querem é pretextos para se encharcarem com aguardentes e licores em casa uns dos outros.
A seguir vem o Carnaval. Aí é que os nativos perdem completamente a cabeça. Uns a tocar, outros a representar, correm a ilha toda e ai povaredo nas sociedades para rir com bailinhos, chorar com danças, abarrotados com vinho de cheiro e filhoses, ai Donald, nem imagina a quantidade de homens que adoram vestir-se de mulheres, ia ser um perigo para os seus marines.
Depois vêm os bodos, os bezerros enfeitados com boninas amarelas e mais comezaina maluca pelas freguesias todas, com mordomos e tudo, muito prezados. E as touradas (bullfaites), os bichos dentro de gaiolas, depois a correr amarrados com cordas, gajos com guarda-chuvas a fintá-los, um ou outro turista a ir pelo ar e o povo a encher ruas, a não deixar passar carros, sempre com uma bujeca na mão?
E o que esta gente come, senhor Donald? Atiram-se por essas pedras à beira-mar, armados de fachos e martelos, e apanham caranguejos fidalgos (gentleman crab), mais cracas (creiques), que são animais que vivem em buracos e, depois de cozidos, são extraídos com pregos e engolidos junto com água do mar, já viu coisa mais medieval?
Espetam facas em porcos e, mal acaba a guincharia da pobre vítima, comem-no todo, das orelhas ao rabo, passando pelas tripas e pelo sangue, chamando-lhes morcela e linguiça, nada de fast food por aqui…
Se o senhor decidir anexar a ilha também vai anexar estes selvagens. E os americanos que para cá vierem, das duas uma: ou não aguentam e vão querer voltar para os States no primeiro avião que pousar nas Lajes; ou gostam tanto que nunca mais querem sair daqui para fora, vão espalhar palavra pelos 50 estados de V. Exa, que rapidamente ficarão despovoados e a gente não tem terra para albergar tanto milhão.
Venha ver com os seus olhos, senhor Donald. E traga a Melania. Acho que ela vai adorar isto. E se for mútuo, se esta gente engraçar com a sua mulher, podemos nomeá-la embaixadora da ilha Terceira, juntamente com a Sofia Ribeiro. Que dupla, senhor Donald, que dupla fantástica.
(publicada hoje no Diário Insular)
 

Joana Félix

Fez-me recordar o “Papalagui”. Outro que também já não está nas minha estantes e dos que comprei era novinha