Categoria: açorianidades açorianismos autores açorianos

  • uma vida amorosa vazia

    Views: 0

    CRONOLOGIA DE UMA VIDA AMOROSA
    Longo e atribulado é o caminho das mulheres que têm dificuldade em gerir os afectos.
    Vejamos a história de George Sand (pseudónimo de Amandine Dupin- 1804) . Ela passa de uns amantes para os outros sem nunca saber verdadeiramente o que quer nem quem quer. Por fora parece uma mulher forte e assumida. Por dentro é frágil e infeliz.
    Casa em 17 de Setembro de 1822 com Casimir Dudevant, que conhecia apenas desde Abril.
    Em 30 de Junho de 1823 nasce o seu primeiro filho Maurice.
    Em 1827 envolve-se com Stéphane Ajasson de Garndsagne, jovem culto cujas características físicas é possível encontrar no personagem Sténio de LÉLIA e… na sua filha Solange que nascerá no ano seguinte.
    Em 30 de Julho de 1830 conhece Jules Sandeau e tornam-se amantes. Ele tem 19 anos e ela 26.
    Em 1831 deixa os filhos com o marido e vai para Paris vivendo com os rendimentos da propriedade que herdou da Avó paterna.
    Em meados de Julho de 1831 instala-se com Jules Sandeau no nº 35 do Quai Saint-Michel. Sandeau abandona os estudos de Direito e juntos escrevem ROSE ET BLANCHE. O livro é publicado em Dezembro sob o pseudónimo de J. Sand.
    Em 1832 vai buscar a filha a Nohant, leva-a para Paris, escreve sozinha INDIANA, com o pseudónimo de G. Sand. Grangeia notoriedade imediata.
    Em Março de 1833, rompe com Jules Sandeau. Em Abril tem uma breve relação com o escritor Merimée e em Junho conhece Musset. Tornam-se amantes.
    Em Dezembro de 1833 partem para Itália. Em Janeiro-Fevereiro de 1834, em Veneza, Musset fica doente com tifo. O médico Pietro Pagello trata o doente e torna-se amante de George Sand .
    Em 29 de Março, Musset volta para Paris e George Sand e Pietro Pagello viajam para Treviso e Castelfranco. Em Julho vão ambos para Paris.
    Em Agosto, George Sand não sabe o que fazer para se desembararçar de Pagello . A 25 de Outubro manda-o de volta para Itália.
    A instabilidade emocional da escritora é visível neste trecho do seu Diário Intimo, em que ela se dirige a Alfred de Musset :
    «25 de Novembro de 1834:
    Quando esgotares o teu afecto e quando regressar a tua irritação. manda-me embora, maltrata-me, mas nunca utilizes essa terrível palavra :
    ” última vez”.
    Sofrerei tudo o que desejares, mas permite-me vir de vez em quando, nem que seja uma vez por semana, procurar uma lágrima, um beijo que me devolva a vida e a coragem. Mas és incapaz. Ah! Estás cansado de mim e também tu encontraste depressa a cura.
    Ai de mim, meu Deus! Cometi certamente graves faltas que tu não cometeste em Veneza, altura em que eu me consolei. Mas tu não me amavas, e a razão egoísta e maliciosa segredava-me: “Fazes bem”.
    Agora, sou culpada aos teus olhos — mas sou-o no passado; o presente ainda é belo e bom. Eu amo-te, submeter-me-ia a todos os suplícios para ganhar o teu amor, e tu abandonas-me! Ah! pobre homem, estais louco…
    George Sand, Journal Intime- Diário Íntimo. Tradução de Carla Silva Pereira, Antígona, 2004, pp. 50-51.
    Musset ainda reata com George Sand, mas a convivência é intempestiva. A ruptura definitiva acontecerá em Março de 1835. Ela continuava casada com Casimir Dudevant de quem se separa apenas em Julho de 1836.
    Durante o processo de divórcio envolve-se com o seu advogado Michel de Bourges.
    Entre Março e Abril mantém um relacionamento com Charles Didier, um genovês a viver em Paris. Leva uma vida dupla entre Michel de Bourges e Charles Didier .
    Em finais de Agosto de 1836 vai com os dois filhos para a Suíça e aí conhece Chopin que lhe é apresentado por Liszt.
    Em 1837 rompe com Michel de Bourges e com Charles Didier.
    Está apaixonada por Chopin, que chama «Chopinet», que, todavia, a acha demasiado masculina. Enquanto espera, busca consolação nos braços de actor Bocage e também nos do preceptor de seus filhos Félicien Malefitte.
    Em finais de Junho de 1838 George Sand atinge os seus objectivos com Chopin.
    Em 1845 escreve (dizem que em apenas 4 dias! ) LA MARE AU DIABLE
    Em Novembro de 1846 Chopin abandona Nohant e parte para Paris. Os filhos de George Sand azedaram a relação dos dois . A filha Solange encarna a mulher provocadora e o filho Maurice não tolera bem a rivalidade masculina.
    Em 19 de Maio de 1847 Solange, com 19 anos, casa-se com o escultor Jean-Baptiste Clésinger, 15 anos mais velho.
    A 27 de Julho de 1847 George Sand rompe definitivamente com Chopin.
    Em 1848 a relação de George Sand com a filha e o genro degrada-se cada vez mais.
    Em 1 de Dezembro de 1848 publica LA PETITE FADETTE.
    Em 1850 inicia a sua relação mais duradoura e também a mais discreta com Alexandre Manceau, seu secretário.
    Em 1854 a filha Solange separa-se do marido.
    A 15 de Janeiro de 1859 a Revue des Deux Mondes começa a publicar ELLE ET LUI, onde Sand narra a sua relação com Musset.
    Em resposta, a 10 de Abril, , Paul Musset irmão de Alfred Musset, publica LUIE ET ELLE em Le Magasin de Librairie.
    1860- publicação de MARQUIS DE VILLEMER, na Revue des Deus Mondes.
    Em Maio de 1861 Napoleão III oferece a George Sand um prémio pecuniário de 20 mil francos que ela recusa.
    Em 1863 – início da troca de correspondência com Flaubert.
    1863- Maurice , o filho de George Sand, também não se entende com Manceau, tal como já acontecera com Chopin.
    Em Setembro de 1864 George Sand torna-se amante do jovem pintor Marchal, amigo do seu filho Maurice.
    A 21 de Agosto de 1865 morre o amante Alexandre Manceau, com 48 anos.
    1966 e 1968 é visita da casa de Flaubert em Croisset .
    Em Dezembro de 1869 Flaubert visita Nohant. Não consta que tenham sido amantes.
    Em 1871 morre o seu ex-marido, o barão Casimir Dudevant.
    Em Abril de 1873 Flaubert volta a visitar Nohant, em companhia de Tourgueniev.
    Em 8 de Junho de 1876 George Sand morre com 72 anos devido a uma obstrução intestinal.
    A 10 de Junho as exéquias têm lugar em Nohant e contam com a presença de Renan, Flaubert, Dumas Filho e Victor Hugo. A pedido da filha Solange a cerimónia foi religiosa.
    Renan escreve em Le Temps:” A sua morte empobreceu a humanidade:”
    All reactions:

    Jose, Teresa and 2 others

    Like

    Comment
    Share
  • flores-turismo-2013-parte-4-I-chrys-c.pdf

    Views: 0

    Flores Turismo 2013 Parte 4 I Chrys C

  • poema Maria Nini 2024 declamado, de forma sublime, por Diogo Ourique

    Views: 0

  • A GREVE INEFICAZ

    Views: 0

    Uma greve com razões justas mas ineficaz
    Como antigo jornalista, estou, obviamente, solidário com as razões – com as razões apenas – da greve dos – melhor, de – jornalistas que decorre neste momento. Digo “de” jornalistas, porque muitos não aderem à greve.
    A comunicação social, em geral, atravessa uma crise profunda e alargada, com questões diversas, que vêm muito de trás e que foram sempre piorando. Questões financeiras, questões salariais, questões de organização, de estabilidade profissional, de progressão nas carreiras, de exercício profissional condicionado: eis algumas dessas questões.
    É importante realçar ainda que a comunicação social não é um sector uniforme: os problemas das grandes empresas não são os mesmos das pequenas empresas, embora possam coincidir em alguns aspectos. Existem, pois, muita complexidade e muita diversidade nesta matéria.
    Mas, que me desculpem os meus antigos colegas jornalistas, a greve não vai resolver qualquer um desses problemas, nem contribuir para a sua solução. Sei do que falo, porque passei e assisti a greves neste sector no passado.
    Estas greves prejudicam o grande público, que fica em grande parte sem informação, e favorecem as empresas do sector, públicas e privadas, que poupam muito dinheiro em remunerações por cada dia de greve, em energia e em outras despesas.
    As greves na comunicação social, como de resto em outros sectores, estão por vezes contaminadas por interesses exteriores e são uma forma de alguns sindicatos mostrarem serviço e darem sinal de vida. Já ando cá há muitos anos e tenho alguma capacidade de análise.
    O caminho tem de ser outro: actuar, acima de tudo, junto do poder político, das confederações patronais, das entidades públicas reguladoras do sector e até dos tribunais. Tudo o resto é “fumo” que desaparece rapidamente, sem beneficiar quem reclama com razão e justiça, mas pelo meio errado, porque sem consequência. Quando a greve terminar, poderemos talvez falar dos alegados resultados positivos da mesma, se existirem…Portanto, em conclusão: a greve dos ou de jornalistas é justa nas suas razões, mas ineficaz quanto a resultados.
    All reactions:

    You, Fátima and 3 others

    1
    Like

    Comment
    Active
    Fátima Silva

    Ora bem….
  • ao urbano memórias de 2015

    Views: 0

    Fui nomeado pela Joana Félix para postar 5 poemas e já nomeei apenas 4 pessoas para me seguirem, escolhi poemas meus para esta mostra e hoje vai este dedicado ao Urbano Bettencourt
    568. SEM PERFUME DE CAJU, AO URBANO BETTENCOURT, agosto2012
    na humidade da savana
    no calor da tabanca
    tange urbano a sua harpa
    palavras aceradas como o vento suão
    batuque abafado na bolanha
    longe do país de bufos e beatas
    traduzes as sílabas de morte e vida
    rumores desse cheiro de áfrica
    colado na pele que esfregas
    com napalm e metralha
    que nunca conseguiste lavar
    nem com as chuvas da monção
    ________________________________________

    This won’t appear in anyone else’s feed unless you share it
    Send
    Share
    See more memories

  • Há 25 anos, morria o dicionarista e intelectual Antônio Houaiss

    Views: 0

    Source: Há 25 anos, morria o dicionarista e intelectual Antônio Houaiss

  • dores (poema para a Helena Chrystello) | blogue.lusofonias.net

    Views: 0

    742 dores – Maria nini nunca saberei viver sem ti 4.2.2024   o pior de tudo são os silêncios sem fim entrecortados pelo toque dos sinos, o pior de tudo é não ouvir a tua voz ao telefone …

    Source: dores (poema para a Helena Chrystello) | blogue.lusofonias.net

  • a-minha-visao-das-flores-e-corvo-parte-III-3-chrys-c.pdf

    Views: 0

    A Minha Visao Das Flores E Corvo Parte III (#3) Chrys C

  • 2021 dia mundial da poesia Chrys C

    Views: 0

     

    May be an image of 1 person, harp and text that says "marsla femme,une histoire sans fin"