A SAÚDE É QUE NOS MATA?

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A SAÚDE É QUE NOS MATA?
Os indicadores económicos e demográficos revelados nos últimos dias do ano que terminou são demolidores para a nossa região.
A única conclusão a retirar é que a continuar no mesmo modelo de desenvolvimento que apostamos até aqui, vamos acabar todos no abismo.
Desde há vários anos que muita gente vem alertando para esta conclusão óbvia e é preciso começar a reflectir muito seriamente sobre muita coisa que dávamos por adquirido e que não é sustentável continuarmos nesta senda.
Ainda agora ficamos a saber que a Região voltou a divergir da Europa, passando para 65,8% da média do PIB per capita (67,2% em 2020; 69,7% em 2019; 75% em 2010). Estamos, portanto, a ficar para trás.
O risco de pobreza voltou a aumentar nos Açores, em conctraciclo com os valores nacionais, a desigualdade disparou e a perda de população e o envelhecimento generalizado estão a galopar.
Tudo conjugado, vamos ter problemas sérios nos próximos tempos em vários sectores, por falta de financiamento para este modo de vida, em que não criamos riqueza.
O primeiro governante a dar o alerta, esta semana, foi Clélio Meneses.
O Secretário Regional da Saúde fez bem em levantar a questão da sustentabilidade do Serviço Regional de Saúde tal como está. É preciso começar a sacudir mentes.
É impossível a nossa região arrecadar receitas para acudir a um sector que, de ano para ano, dispara brutalmente nas despesas, sem que haja nenhuma intervenção da República, porque estamos todos (ou devíamos estar) no Serviço Nacional de Saúde.
Cerca de 30% do nosso orçamento já é “comido” pela Saúde e este ano, devido à inflação e ao aumento brutal dos preços de medicamentos e equipamentos médicos, vamos derrapar com toda a certeza.
Pelos números que conseguimos obter, só no custo dos medicamentos (compra mais comparticipações) ultrapassamos, pela primeira vez, no ano passado, a barreira dos 100 milhões de euros (108.143.439,34 euros exactamente), numa preocupante trajectória ascendente que rondava os 72 milhões em 2019, aumentou mais 10 milhões em 2020 e atingiu mais de 85 milhões de euros em 2021.
Este é apenas um pequeno exemplo da enorme pressão orçamental a que está sujeita a nossa região, no sector da Saúde, sendo necessária uma intervenção rápida para travar o descalabro que se perspectiva.
Aliás, as agências de notificação não se fartam de chamar a atenção para esta situação, com a Moody’s, ainda há poucos meses, a alertar para a nossa situação financeira devido ao endividamento contraído para fazer fazer à pandemia e para a situação no sector da Saúde, que já leva uma fatia fora do comum no Orçamento da região.
Na verdade, para além de eleger a SATA como razão principal para a revisão do ‘rating’, a Moody’s faz múltiplas referências às obrigações crescentes regionais com a Saúde, um problema que já em 2011 era considerado grave pela mesma agência, que veio cavalgando por estes anos fora, ao ponto do governo de então ver-se obrigado a internalizar o enorme buraco, de mais de 750 milhões de euros da Saudaçor, no perímetro orçamental da região.
A baixa do ‘rating’ dos Açores tem, mesmo assim, em linha de conta a suposição da Moody’s de que existe uma probabilidade elevada de que a República ajudará os Açores, por via da redução dos custos de financiamento, numa situação extrema, uma vez que a Saúde e a Educação são uma parte substancial dos encargos regionais.
É uma discussão que terá que se fazer, mas desconfio que a República vá na cantiga, pelo menos por agora, já que os seus principais protagonistas estão obcecados com o défice e com as “contas certas”. A “situação extrema” há muito que a atingimos.
Se as Regiões Autónomas introduzirem esta questão, na actual conjuntura, mesmo por via da discussão da revisão da Lei de Finanças Regionais, o mais certo é que vamos levar uma enorme nega.
Mas a discussão tem que ser feita e, cá dentro, também não estamos a ver que se consiga algum consenso para revermos muita coisa que possa levar, necessariamente, à perda de benefícios adquiridos.
Pelo contrário, toda a gente quer médico e enfermeiro à porta de casa, medicamentos de graça, hospitais e centros de saúde em cada concelho ou freguesia e por aí fora…
Numa região rica, seria o mínimo que se exige.
Numa região pobre como a nossa e cada vez a ficar mais para trás, o problema vai agravar-se e não haverá capacidade de responder a tudo.
Há que alterar métodos, organizações e vícios, denunciar as capelinhas no sector da Saúde que agravam custos e gerir doutra forma, com os mesmos ou menos recursos, mas com mais eficiência e qualidade.
O sector público não é infinito e alguém tem de pagar.
Ainda agora estamos a assistir ao que aconteceu com a SATA, onde alguns julgavam que o poço não tinha fundo e era um tal fartar vilanagem com gestão ruinosa atrás de gestão ruinosa.
Esta cultura de “deixa andar” foi-nos impregnada, durante anos, por uma gestão política desastrosa que se fez nos Açores.
Mudar isto não vai ser fácil, porque os políticos estão sempre a olhar para o ciclo eleitoral.
Um dia vamos bater com a cabeça na parede.
Já foi com a SATA.
Seguir-se-á com a Saúde?
Osvaldo Cabral
Janeiro 2023
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  • Paula Torres Santos

    Admin
    Certamente, e agravando ainda mais as contas da saúde na Região, temos a recente situação com os médicos das urgências do HDES, cuja as negociações para, entre outras coisas, a nova tabela de preços de horas extraordinárias, ainda decorre, sem que, tan…

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    • 56 m
  • Mário Raposo

    Aqui está um bom texto para aqueles que dizem que Açores é Portugal. Porquê que os Açores não estão no SNS! A República é que está a por os Açores nessa situação degradante, nenhum governo regional pode fazer milagres com um orçamento do mais pobre que…

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ALMEIDA GARRETT

May be an image of 1 person and text that says "E eu pergunto aos economistas, políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?" Almeida Garrett"

A 9 de Dezembro de 1854, morre o escritor e político português,
Almeida Garrett, defensor do Liberalismo, promotor da reforma do ensino artístico, fundador do futuro Teatro Nacional D.Maria II
Iniciador do Romantismo, refundador do teatro português, criador do lirismo moderno, criador da prosa moderna, jornalista, político, legislador, Garrett é um exemplo de aliança inseparável entre o homem político e o escritor, o cidadão e o poeta. É considerado, por muitos autores, como o escritor português mais completo de todo o século XIX, porquanto nos deixou obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários.

Manuel Leal and 1 other

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  • Manuel Leal

    Caro Miguel Canto e Castro, já os judeus ancestrais deixaram no Velho Testamento que mais fácil entrará um camelo pelo buraco de uma agulha que um rico no Reino dos Céus. Mas eu acrescento que na frequência do capitalismo alguns transcendem a Curva no lado positivo. Suspeito que a hipocrisia dos outros é característica do trumpismo.

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quem defende são miguel ??Carlos Rezendes Cabral.

A máscara começa a cair!
Aconselho a leitura deste corajoso artigo, na defesa de S. Miguel, da autoria de Carlos Rezendes Cabral.
May be an image of 1 person and text that says "Jornal "Correio Açores 10-1-2023 Falar claro, quem defende São Miguel? verdade; nH melhorias hospi- antaMa- Réccoo estipula letra cabos nstalados dia vários g decorito Penso público, nada! Sim- governante Texto 8JAN2023 antiga grafia."
Artur Neto, João Mota Vieira and 26 others
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  • Manuel Botelho

    Já o li e como sempre vale a pena ler com atenção.

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  • Jorge Pereira da Silva

    Nao venham falar em bairrismo que normalmente é uma arma usada por quem não quer ver o óbvio, está tudo dito neste belo artigo.

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  • Artur Neto

    Tem toda a razão o Carlos Rezendes Cabral. Uma vergonha os deputados de São Miguel, uma vergonha o que se passa neste governo, enfim, tudo gente de brandos costumes para o meu gosto. Um pouco do que se passa em França, era bom para tratar esses polític…

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  • Luis Arruda

    E continua…!!
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  • Luisa Câmara

    O Carlos faz parte de um grupo de açorianos que já restam poucos infelizmente.Tenho pena desta nova geração de políticos ou politiqueiros que nem a sua terra sabem defender só os seus interesses ,suas vaidades ,nem sequer ouvir as suas gentes .Parabéns Carlos.

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  • Jose Vieira Medeiros

    Enfim alguém que pensa como eu, isto não pode continuar, quando houver eleições está coligação vai perder, mas será tarde porque o que eles estão a fazer fica feito, pergunto o que é que nós micaelenses poderemos fazer?? Ir para a rua?? Pois vamos e em massa

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  • João Cordeiro

    Há algum tempo que defendo que o actual estatuto político administrativo, responsável pelo desequilíbrio da representatividade política, dando maior peso às pequenas ilhas, está a causar graves e progressivas distorções.

    É urgente corrigi-lo. Um único…

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  • Ló Rego Costa

    O ideal seria São Miguel ficar, com Santa Maria, separado das outras 7 ilhas, que ficam tão longe.

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  • Abela Valerio

    Sem papas nos dedos.
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  • Valter Franco

    Caro Carlos Cabral,
    Há muito que os micalenses são vacas “mouxas”.

    Consentem tudo em nome do consenso.…

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  • Ana Maria

    O relato perfeito de como S. Miguel é prejudicado
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  • Paulo Bermonte

    …é por essas e por outras que defendo a criação de partidos regionais….
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  • Paulo H. Rego

    Na realidade já o disse por várias vezes que estamos perante um governo amordaçado e uma oposição que se vale disto para poderem manter o seu lugar no parlamento ( o dinheirinho faz falta no fim do mesmo ) ou basta ver quantas vezes o governo foi ameaçado de romperem acordos e depois já estava tudo bem , quantas vezes o Sr. Presidente do Governo teve que ir apaziguar as hostes e justificar as declarações dos membros do Governo veja-se o caso dos médicos o próprio Sr. Secretário da Saúde que depois de ser ultrapassado pelo vice-presidente do Governo desculpou-se a alegar que não comentava alegações dos colegas do Governo. Ainda sobre o HDES infelizmente tive que ir á urgência este fim de semana com um familiar, realmente depois da triagem ( estacionam as cadeiras de rodas ém fila indiana ) e já nem uma simples sopa dão aos doentes pessoas idosas que estavam desde madrugada e não tinham comido nada, viu muitos familiares a irem levar sandes, quanto ao pessoal de serviço ( médicos, enfermeiros, auxiliares porteiros e até o guarda da PSP dão ajuda aos que cheguem ém carros particulares mais debilitados) realmente não se podem desdobrar mais …
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    • 19 m

TANTA IGNORÂNCIA

Quando comes, fumas e fazes outras coisas inexplicáveis com cogumelos, dá nisso…
Passam anos, décadas e séculos e a ignorância não diminui… AUMENTA!
Louca: -“Ar encanado!
Goucha: – Adoro essa expressão!…
VENTO ENCANADO! VENTO ENCANADO! Atoleimados…
[Da SÉRIE: PARA FALAR DOS AÇORES, ESTUDASSES]
A chef Luisinha parece ter vivido em S. Jorge. Perdão, segundo a mesma, viveu num charuto, e por lá apanhou tanto vento encanado que: viu batatas serem arrancadas e a voar (o que isto poupa a coluna de quem tem que as tirar com enxada); vislumbrou a floresta das Sete Fontes com criptomérias de 90 metros de altura (e eu que andei estes anos todos a ser enganado, pois só consegui enxergar um parque florestal. E não o devo visitar há tantos anos que nunca vi as árvores com o tamanho referido); mas, pior do que o mencionado, o vento encanado afetou-lhe o discernimento.
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