Ontem, a CMTV passou a preocupante reportagem que se pode ver na imagem, sobre uma suposta fuga hospitalar de duas pacientes suspeitas de estarem infectadas pelo novo Coronavírus.
A reportagem tinha todos os elementos que habitualmente agradam ao público da CMTV: pessoas em fuga da polícia, o potencial perigo para terceiros e o agravamento do alarme social. Com todos os ingredientes com que a CMTV preenche os seus espaços de notícias, era uma história bombástica demais para não ser exibida.
Só que tinha um problema fundamental: a notícia era falsa.
À hora que a CMTV passou a reportagem, já era sabido que a situação tinha sido um mero mal-entendido e que não havia mulheres suspeitas de estarem infectadas em fuga. Não obstante, a CMTV decidiu transmitir a notícia falsa, o que indica que ou o fizeram com dolo, sabendo que estavam deliberadamente a difundir uma falsidade que agravaria o ambiente de alarme social, ou fizeram-no por incompetência, falhando na responsabilidade jornalística de confirmar as histórias antes da transmissão.
O alerta foi dado pelo jornalista Filipe Caetano, no Twitter, que denunciou a mentira difundida pela CMTV, acrescentando que a TVI24 tinha feito o seu devido trabalho de verificação – ou seja, contactar as entidades responsáveis envolvidas na história – e tinha averiguado a verdade. E a verdade era diferente da alarmante história passada na CMTV.
Não sabemos se a decisão da CMTV de manter esta peça no alinhamento do seu jornal da noite se deveu a malícia ou a incompetência, mas sabemos que a malícia e a incompetência são características que habitualmente definem o trabalho desenvolvido pelos dois principais serviços do grupo Cofina, a CMTV e o Correio da Manhã.
Numa época em que todos os serviços informativos devem ter cuidados redobrados para transmitirem notícias rigorosas e esclarecedoras, a CMTV continua a pautar a sua actuação pelo exacto oposto, com um tipo de jornalismo sensacionalista e irresponsável que explora o medo, a insegurança e a miséria para aumentar os ratings e a venda de jornais.
Desde peças a sugerirem que o papa estaria infectado com o novo Coronavírus até jornalistas da CMTV a ocuparem a linha SNS24 para fins de reportagem, e não com uma emergência médica real, a CMTV tem sido o exemplo de tudo o que não se deve fazer no jornalismo. No momento excepcional que vivemos agora, ese tipo de prática é especialmente grave.
A situação da jornalista da CMTV a ocupar a linha SNS24 mereceu, aliás, duras críticas do Sindicato de Jornalistas.
Reforçamos o alerta que temos vindo a fazer: se procuram informações de natureza médica, laboral ou de segurança, recorram aos canais oficiais, através dos sites da DGS, do Ministério da Administração Interna, da Segurança Social ou das forças de segurança.
Se procuram informação sobre a actualidade nacional e internacional, recorram a jornais com um histórico sólido de profissionalismo, rigor e isenção.
Acima de tudo, não recorram à CMTV ou ao Correio da Manhã para terem actualizações sobre a pandemia do novo Coronavírus. As notícias falsas e o sensacionalismo que se praticam no grupo Cofina são precisamente o tipo de conteúdos que se devem evitar durante esta crise de saúde pública.
Uma Página Numa Rede Social
https://twitter.com/UmaPaginaSocial
Fontes e referências:
https://jornalistas.eu/nota-do-conselho-deontologico-sobre…/
Os tweets de Filipe Caetano, o jornalista da TVI:
https://twitter.com/filicaetano/status/1238945451451318273
https://twitter.com/filicaetano/status/1238968911762079744
https://twitter.com/filicaetano/status/1238944185018957826
O esclarecimento sobre a falsa fuga das mulheres suspeitas de terem coronavírus:
https://www.facebook.com/story.php?story_fbid=1331281747260201&id=737720606616321
https://observador.pt/…/psp-nega-fuga-de-duas-mulheres-sus…/