504. volitando (lomba da maia) 4,5,2011
vieram os deuses
plantaram insulas
uma ilha-mãe,
outra marilha,
a ilha menina
a ilha-filha
a ilha branca, a azul
a verde, a lilás,
castanha e cinzenta
amarela, rosa e preta
nove irmãs
filhas de poseidon e de afrodite
nascidas da espuma do mar
onde dantes havia água
nos montes verdes
cuspiam fogo rugiam dragões
tremiam os chãos secavam ribeiras
vomitavam magma choviam trovões
de thor filho de odin
olvidado das gentes e animais
pobres escravos e colonos
amanhadores de rochas e fomes
desbravadores de mínguas
crentes e temerosos
orando promessas seculares
criam no destino mas sabiam-se culpados
ainda hoje penam
com liberdades que não pagam dízimos
votam com os pés da emigração
a libertação de todas as cangas
mas voltam sempre
romeiros em promessas várias
açorianos até ao tutano
sem alforrias nem autonomias
perenes escravos destas ilhas
escrevem a história que poucos leem.
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594. autonomias nominais (moinhos) 6 ,6,2013
“para saberes quem te governa descobre quem não podes criticar”
voltaire
hoje acordei
sem voz
sem mãos
sem pés
sem coração.
habito nove ilhas de mil cores
num fiasco de autonomia
de pobreza sem alegria
arquipélago de mil autores
na independência poucos confiam
em busca de subvenções porfiam
submissos e acomodados
pobres e despreocupados
perenes servos enfeudados
ingénuos sempre explorados
melhor é ficar mudo e quedo
viver do esmoler subsídio
na eterna espera de godot
ou de mandela ainda no presídio
assim se explicam os açores
ilhas de mil e uma dores.
584. autonomias (moinhos) 10,5, 2013
arquipelágica
nasceste para as palavras
sísmica
nasceste para a fé
vulcânica
nasceste para as lendas
autónoma
nasceste para a liberdade
que um dia terás.
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696. liberdade já, 12/7/17
o que queremos?
liberdade já!
por que queremos?
só um povo emancipado pode ser livre!
quando queremos?
já!
quem somos?
um povo, uma alma, uma cultura
queremos liberdade já
das grilhetas coloniais
das falsas autonomias
do centralismo anquilosante
das esmolas dependentes
dos subsídios e ris
mais vale a miséria em liberdade
do que a pobreza envergonhada
mais vale errar livres
do que sermos obedientes súbditos
mais vale morrer livres
do que em paz sujeitos
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678 autonomias açorianas (moinhos) 20,8, 2015
a independência é o fim
último das autonomias
de nada serve criar
sonhos grandiosos
(de independência)
em fundações movediças
mais valera criar
realidades funcionais
(de autonomia)
firmes na instabilidade destes vulcões
de nada serve sonhar
sem lançar alicerces
de cultura e educação
só um povo culto e educado
pode ser libertado
só um povo autónomo
pode ser independentizado
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