AÇORES QUEM NÃO TEM COVID FOI ABANDONADO PELA SAÚDE

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A Covid não justifica tudo! (2)

No passado dia onze, este jornal publicou um artigo intitulado “A Covid não justifica tudo!”, no qual me insurgia contra a forma como estão a ser acompanhados os doentes, nesta pandemia, no serviço de Dermatologia/ Oncologia do Hospital do Divino Espírito Santo em Ponta Delgada.
As reacções a este artigo fizeram-se de várias formas, ultrapassando, em muito, o meu imaginável. O assunto é muito mais grave do que relatava neste artigo!
Senti que fui a voz de muitos e muitos doentes que, por esta ou aquela razão, não denunciam, calam-se e sofrem em silêncio, juntando ao seu padecimento a ansiedade, a depressão e o medo. Fazendo sofrer, também, os seus familiares e amigos!
Afinal, o caos não está só instalado na Dermatologia, também, a Urologia, a Oftalmologia, a Cardiologia, a Recuperação Física – Fisioterapia, padecem do mesmo problema e sabe-se lá o que mais! Em Março, com o argumento da Covid-19, os doentes foram simplesmente postos na rua, abandonados à sua sorte, tratados a olho pelo companheiro ou companheira, como me dizia alguém. Não houve o cuidado de se avaliar a condição do doente para promover a ajuda devida. Em alguns casos, até houve contacto telefónico, com promessa de consulta imediata que ainda está por se realizar à presente data. Atitude terrível e desumana, nos dias de hoje, nem aceitável a um animal!
Como se pode abandonar um doente oncológico, cardíaco, ou outro, à sua sorte? Não estamos a infringir as regras da: Boa Ética Médica; da Carta dos Direitos do Doente e Humana?
Agora percebemos porque o Governo Regional dos Açores, em Março, indicou o Hospital do Santo Espírito, na ilha Terceira, como Hospital de Referência à Covid-19, nos Açores. O Hospital de Ponta Delgada estava tecnologicamente parado no século passado por falta de investimento. Facto que a classe médica há muito vinha reivindicando na urgência de se investir, sob pena da população ser prejudicada na sua saúde pública. Por sinal, é só cerca de sessenta por cento da população dos Açores. A provar, foram as obras de urgência, realizadas à pressa, com todos os inconvenien- tes conhecidos, para adaptar e actualizar o hospital às circunstâncias reais!
O Governo Regional dos Açores, neste ano de campanha eleitoral, tem vindo a lançar primeiras pedras no valor de milhões de euros, em obras que afirma estruturantes e precisas, nada me move contra estas obras, no entanto, no estado de AGONIA que está a Saúde Publica na Região, não será mais prioritário investir nesta área em prol do bem estar e da saúde dos Açorianos?
Por favor!… PAREM… meditem nas prioridades e decidam, porque por este caminho estamos a ir para o abismo com muito, mas muito, sofrimento da população Açoriana!
Um POVO doente não é, certamente, um POVO FELIZ!

(Carlos A César – Correio dos Açores de 18/09/2020)

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