A história dos dois lobos

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A história dos dois lobos

A história dos dois lobos é frequentemente atribuída ao folclore nativo americano. No entanto, parece ter na verdade origem num ministro cristão. Independentemente da fonte, geralmente é assim:

Um velho chefe Cherokee estava a ensinar o seu neto sobre a vida. Ele disse ao menino:

«Há uma luta a decorrer dentro de mim. É uma luta terrível, entre dois lobos. Um é sombrio — ele é raiva, inveja, tristeza, arrependimento, ganância, arrogância, autopiedade, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, falso orgulho, superioridade e ego.»

Ele continuou: “O outro é claro — ele é alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé. A mesma luta está acontecendo dentro de ti — e dentro de todas as outras pessoas também”.

O neto pensou por um minuto e então perguntou ao avô: “Qual lobo vai vencer?”

O velho Cherokee respondeu: “Aquele que eu alimentar”.

O Lobo Negro

O «lobo negro» representa as qualidades negativas que às vezes podem dominar a vida das pessoas. O chefe mencionou coisas como ganância, arrogância e ressentimento, entre outras. Mas o lobo negro pode representar qualquer traço ou característica (por exemplo, vingança, teimosia, ingratidão) que possa obscurecer o seu julgamento, prejudicar a sua saúde mental e afastá-lo de uma vida plena.

O Lobo da Luz

O «lobo da luz» representa o oposto — as qualidades positivas que as pessoas podem ter. Embora o chefe tenha mencionado algumas, como bondade, generosidade e humildade, temos muitos outros traços e características positivas (por exemplo, paciência, diligência, coragem) que podem não ser óbvios quando enfrentamos os desafios da vida. Este lobo pode parecer o mais fraco dos dois quando enfrenta situações difíceis, mas pode ser cultivado e fortalecido ao longo do tempo.

O poder da escolha

«Alimentar os lobos» tem a ver com as escolhas que faz. Cada pensamento, ação e reação alimenta o lobo negro ou o lobo claro. Por outras palavras, as escolhas diárias ajudam-no a negligenciar ou a cultivar características pessoais em si mesmo.

Todos têm uma mistura única de características pessoais. Alguns traços de personalidade podem parecer naturalmente mais dominantes ou naturais para si. Outras qualidades podem parecer mais fracas — embora o chefe Cherokee sugira que elas não são tão fracas, mas sim adormecidas, à espera que as desenvolva. É fácil cair em rotinas nas quais certos traços parecem controlar-nos, enquanto ignoramos outros que poderiam ser mais úteis. Mas, assim como na história dos Dois Lobos, você tem o poder de cultivar as qualidades que o aproximam dos seus valores e objetivos.

Escolher exatamente quais características cultivar nem sempre é fácil — especialmente quando se enfrenta stress ou emoções difíceis. No entanto, você pode moldar quem você é seguindo um processo de duas etapas: primeiro, decidir quais objetivos e valores na vida são mais importantes para você. Depois, uma vez que tenha decidido, pode fazer escolhas mais intencionais que se alinhem com esses valores — por exemplo, bondade, integridade, paciência ou coragem. Isso não significa rejeitar todas as suas características de «lobo negro», mas compreender quais características pessoais apoiarão a vida que deseja e quais podem estar a impedi-lo de avançar.

Como cultivar as qualidades que deseja

Uma maneira de fazer mudanças duradouras é concentrar-se nas características que se alinham com a sua visão de quem deseja se tornar. Vejamos um exemplo: imagine que deseja tornar-se um pai mais paciente porque valoriza a criação de um ambiente calmo e solidário para os seus filhos. Nesse caso, pode decidir concentrar-se em lidar com momentos frustrantes com compaixão, em vez de raiva em relação ao seu filho. Cada vez que escolhe a paciência em vez da irritação, está a cultivar ativamente essa qualidade. Com o tempo, ela se torna parte de quem é e vai perceber que está a viver de acordo com o seu objetivo de ser um pai ou mãe solidário.

Da mesma forma, se está a trabalhar para se tornar mais corajoso, pode se esforçar para falar mais no trabalho ou aceitar novos desafios, mesmo que eles o assustem. Ao sair da sua zona de conforto com esses pequenos passos, estará alimentando o «lobo da luz» da coragem, o que pode, em última análise, ajudá-lo a se sentir mais realizado e alinhado com os seus objetivos.

Fazer escolhas guiadas por qualidades positivas como paciência, perdão ou empatia, mesmo em interações menores, é uma forma de nutrir o seu «lobo da luz». Alimentar o lobo da luz é como fortalecer um músculo. Com o tempo, a sua capacidade de compaixão, paciência e compreensão cresce.

 

O lobo escuro torna-se mais fácil de controlar — não porque desaparece, mas porque o lobo claro ficou mais forte. Com o tempo, as decisões aparentemente pequenas que toma todos os dias não se tornam apenas hábitos — podem solidificar-se como parte da sua personalidade.

A ligação entre saúde mental e traços positivos

Há cada vez mais pesquisas que mostram que nutrir traços positivos não é bom apenas para os seus relacionamentos ou carreira — é essencial para o seu bem-estar mental. Praticar deliberadamente a gratidão, pensar de forma otimista e ser mais consciente tem demonstrado ajudar a melhorar o bem-estar e diminuir os sintomas depressivos. Ser gentil com as outras pessoas pode ajudar a reduzir o stress e o sofrimento emocional. A gentileza com os outros e o perdão a si mesmo podem melhorar o funcionamento psicológico e até mesmo a saúde física. Ter uma perspetiva amorosa, gentil e atenciosa de si mesmo e dos outros está associado a uma melhoria da atenção plena, da compaixão e dos sintomas psicológicos.

Em contrapartida, cultivar qualidades negativas pode ser potencialmente prejudicial ao seu bem-estar. Por exemplo, a ganância está associada a uma menor qualidade de vida, sintomas de saúde mental mais graves e maior agressividade. Da mesma forma, a inveja está relacionada com o agravamento da saúde mental e do bem-estar no futuro. Remoer o arrependimento pode contribuir para sintomas de depressão e ansiedade, e ser agressivo com os outros está relacionado com depressão e uso problemático de substâncias mais tarde na vida.

Quando investe em qualidades como gratidão, bondade e coragem, está a desenvolver a sua própria capacidade de lidar com o stress e os desafios de forma mais eficaz. Não se trata de forçar a positividade. Trata-se de criar hábitos que melhoram a sua resiliência mental ao longo do tempo.

Autorreflexão e conhecimento mais profundo

Muitas vezes, pode nem perceber qual lobo está a alimentar — o lobo negro ou o lobo branco. É aqui que a autorreflexão e a atenção plena entram em ação. Ao desacelerar e reservar um tempo para se perguntar: «O que cada lobo quer de mim agora?» e «Qual lobo quero alimentar agora?», pode se tornar mais consciente das suas escolhas e do impacto delas no seu bem-estar.

 

Essa prática de atenção plena ajuda-te a tomar decisões conscientes e intencionais sobre como responder às tuas emoções e pensamentos. Ao decidir deliberadamente qual lobo alimentar, podes capacitar-te para levar uma vida mais equilibrada e saudável.

The Story of the Two Wolves

The story of the Two Wolves is often attributed to Native American folklore. However, it seems to have actually originated from a Christian minister. Regardless of the source, it usually goes like this:

An old Cherokee chief was teaching his grandson about life. He told the boy:

“A fight is going on inside me. It is a terrible fight, and it is between two wolves. One is dark—he is anger, envy, sorrow, regret, greed, arrogance, self-pity, guilt, resentment, inferiority, lies, false pride, superiority, and ego.”

He continued, “The other is light—he is joy, peace, love, hope, serenity, humility, kindness, benevolence, empathy, generosity, truth, compassion, and faith. The same fight is going on inside you—and inside every other person, too.”

The grandson thought about it for a minute and then asked his grandfather: “Which wolf will win?”

The old Cherokee replied: “The one I feed.”

The Dark Wolf

The “dark wolf” represents the negative qualities that can sometimes dominate people’s lives. The chief mentioned things like greed, arrogance, and resentment, among others. But the dark wolf can represent any trait or characteristic (e.g., vindictiveness, stubbornness, ingratitude) that can cloud your judgment, harm your mental health, and lead you away from living a fulfilling life.

The Light Wolf

The “light wolf” represents the opposite – the positive qualities that people can have. Though the chief mentioned a few, such as kindness, generosity, and humility, we have many other positive traits and characteristics (e.g., patience, diligence, courage) that may not be obvious when we’re going through life’s challenges. This wolf might seem like the weaker of the two when you’re faced with difficult situations, but it can be nurtured and strengthened over time.

The Power of Choice

“Feeding the wolves” is about the choices you make. Every thought, action, and reaction feeds either the dark wolf or the light wolf. In other words, everyday choices help you either neglect or cultivate personal characteristics in yourself.

Everyone has a unique blend of personal characteristics. Some personality traits may naturally feel more dominant or natural for you. Other qualities may seem weaker — though the Cherokee chief would suggest that they aren’t weaker so much as lying dormant, waiting for you to develop them. It’s easy to fall into routines in which certain traits seem to control you while you ignore others that might serve you better. But, just like in the story of the Two Wolves, you have the power to nurture the qualities that bring you closer to your values and goals.

Choosing exactly which characteristics to cultivate isn’t always easy — especially when facing stress or difficult emotions. However, you can shape who you are by following a two-step process: first, deciding which goals and values in life matter the most to you. Then, once you’ve decided, you can more intentionally make choices that align with those values — for example, kindness, integrity, patience, or courage. This doesn’t mean rejecting all of your “dark wolf” traits but understanding which personal characteristics will support the life you want and which ones may be holding you back.

How To Cultivate the Qualities You Want

One way to make lasting changes is to focus on characteristics that align with your vision for who you want to become. Let’s look at an example: imagine you want to become a more patient parent because you value creating a calm, supportive environment for your children. In that case, you might decide to focus on handling frustrating moments with compassion rather than anger towards your child. Each time you choose patience over irritation, you’re actively cultivating that quality. Over time, it becomes part of who you are, and you’ll find yourself living in alignment with your goal of being a supportive parent.

Similarly, if you’re working toward becoming more courageous, you might push yourself to speak up more at work or take on new challenges even when they scare you. By stepping out of your comfort zone in these small ways, you’re feeding the “light wolf” of courage, which can ultimately help you feel more fulfilled and aligned with your goals.

Making choices guided by positive qualities like patience, forgiveness, or empathy, even in minor interactions, is a way of nurturing your “light wolf.” Feeding the light wolf is like strengthening a muscle. Over time, your capacity for compassion, patience, and understanding grows. The dark wolf becomes easier to manage—not because it disappears, but because the light wolf has grown stronger. Over time, the seemingly small everyday decisions you make don’t just become habits — they can be solidified as part of your personality.

story of the two wolves -- howling at the moon

The Link Between Mental Health and Positive Traits

There’s growing research showing that nurturing positive traits isn’t just good for your relationships or career — it’s essential for your mental well-being. Deliberately practicing gratitude, thinking optimistically, and being more mindful has been shown to help enhance well-being and lower depressive symptoms. Being kind towards other people can help reduce stress and emotional distress. Kindness to others and forgiveness to yourself may both improve psychological functioning and even physical health. Taking a loving, kind, caring perspective of yourself and others is associated with improved mindfulness, compassion, and psychological symptoms.

In contrast, fostering negative qualities can potentially be detrimental to your well-being. For instance, greed is associated with lower quality of life, poorer mental health symptoms, and higher aggression. Similarly, envy is related to worsened mental health and well-being in the future. Dwelling on regret can contribute to depression and anxiety symptoms, and being aggressive towards others is related to depression and problematic substance use later in life.

When you invest in qualities like gratitude, kindness, and courage, you’re building up your own ability to handle stress and challenges more effectively. This isn’t about forcing positivity. It’s about creating habits that improve your mental resilience over time.

Self-Reflection and Deeper Knowing

Often, you may not even realize which wolf you’re feeding — the dark wolf or the light wolf. This is where self-reflection and mindfulness come into play. By slowing down and taking the time to ask yourself, “What does each wolf want from me right now?” and “Which wolf do I want to feed right now?” you can become more aware of your choices and their impact on your well-being.

This practice of mindfulness helps you make conscious, intentional decisions about how to respond to your emotions and thoughts. By deliberately deciding which wolf to feed, you can empower yourself to lead a more balanced and healthier life.

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