a estátua do Corvo ERA UMA VEZ UMA HISTÓRIA DUM ARQUIPÉLAGO

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AÇORES 2005-2006 CHRONICAÇORES DE CHRYS CHRYSTELLO
11.1. ERA UMA VEZ UMA HISTÓRIA DUM ARQUIPÉLAGO

Há mapas das expedições às Canárias, no tempo de D. Afonso IV,[1] por marinheiros genoveses ao serviço de Portugal. As teses que defendem o descobrimento como obra do infante D. Henrique e, especificamente Frei Gonçalo Velho, baseiam-se na tradição oral recolhida pelo cronista Gaspar Frutuoso[2], na segunda metade do séc. XVI. As teses ecléticas consideram o descobrimento no tempo de D. Afonso IV e que as viagens por ordem do infante D. Henrique teriam sido de simples reconhecimento. O mapa de Beccario, de 1435, assinala a maioria das ilhas como “insule de nuovo reperte”. Damião Peres defende que “foram achadas por Diogo de Sunis (ou Silves), piloto de el-rei de Portugal no ano de 1427”. É atribuído a Gonçalo Velho, primeiro capitão donatário de S. Miguel e de Santa Maria, o papel, de lançador de gados e de colonizador. A primeira referência da descoberta vem em Azurara (Crónica do descobrimento da Guiné)

E na era de mil…(?) anos mandou o Infante D. Henrique a um cavaleiro que se chamava Gonçalo Velho, Comendador que era da Ordem de Xpõ (Cristo) que fosse povoar, outras duas ilhas que estão afastadas daquelas (Madeira e Porto Santo) a cento e setenta léguas a noroeste”.

 

Outro coevo do Infante, o almoxarife do Paço de Sintra, Diogo Gomes, conta: “O Infante desejando descobrir lugares no Oceano Ocidental, e averiguar se existiam ilhas ou terra firme para além das descritas por Ptolomeu, mandou caravelas a procurar essas terras. … e viram a ocidente trezentas léguas além do Cabo Finisterra e vendo que eram ilhas, entraram na primeira. As caravelas voltaram a Portugal a comunicar ao referido Infante as descobertas que tinham feito, com o que ele folgou muitíssimo. O Infante mandou o cavaleiro Gonçalo Velho, capitanear as caravelas que conduziam animais domésticos que se distribuíram por cada uma das ilhas…” Não diz quem capitaneou as caravelas, só fala do povoamento. Gaspar Frutuoso escrevia: “No ano de 1428 foi o Infante D. Pedro à Inglaterra, França, Alemanha, à Casa Santa e tornou pela Itália, Roma e Veneza e trouxe de lá um mapa-múndi que tinha todo o ambiente da Terra e o estreito de Magalhães a que chamavam de Cola do Dragão e o Cabo da Boa Esperança; e conjeturou que deste se ajudaria o Infante em seu descobrimento…” Nunca se saberão ao certo os nomes pois as teorias da revelação geográfica do arquipélago são inúmeras, e dividem-se em três:

as que sustentam no segundo quartel do séc. XIV, no reinado de D. Afonso IV (H. Major, Ferreira de Serpa);

as que afirmam que será da primeira metade do século XV por Gonçalo Velho (cardeal Saraiva, Aires de Sá);

as que conciliam as duas correntes de opinião (Jordão de Freitas, Velho Arruda).

 

As primeiras fundamentam-se nos mapas genoveses a partir de 1351, onde aparecem ilhas que investigadores identificam com os Açores, pela situação e pelos nomes. O arquipélago, era conhecido pelos Cartagineses e Árabes e surge perfeitamente localizado em mapas genoveses que atribuem o seu achamento a marinheiros portugueses e a genoveses (ao serviço de Portugal), entre 1317 e 1339. Isto foi escrito 150 anos depois, o que pressupõe serem conhecidas. Mas quem seriam os que as viram primeiro? Estariam os fenícios na sua génese[3]? esses mareantes que, saídos do Mediterrâneo, singravam os mares até à Grã-Bretanha, à cata de estanho e animais? A favor da hipótese há a descoberta de moedas fenícias e cirenaicas na Ilha do Corvo, no séc. XVIII. Já os romanos falavam das numerosas ilhas atlânticas. Estrabão, cita as Ilha Britânicas e as Cassitéridas. Plínio, fala das Górgonas, onde as mulheres tinham o corpo coberto de cabelos, e das Hespérides ou Purpurinas e, a meio delas, das Afortunadas. Na antiguidade[4] havia efetivamente conhecimento de algumas ilhas atlânticas e do litoral africano. O conhecimento deste resultou de expedições de que se destacam: a primeira por ordem do faraó Necao ou Necho II em 610 A.C., a viagem de Sataspes (480-470 a.C.) à Guiné, e o périplo de Hanäo com sessenta navios desde Cartago, em 485 a.C. e que teria percorrido a costa africana até Cabo Verde. A era europeia dos descobrimentos foi iniciada em 1317 por D. Dinis que contratou o genovês Manuel Pezagno (português Pessanha) para o comando da frota real. Em 1335, D. Afonso IV enviou uma armada às Canárias cujos privilégios seriam concedidos em 1338 a mercadores estrangeiros. Segue-se, em 1415, a conquista de Ceuta numa expedição organizada por D. João I. Com estas atividades aumentam os relatos de registo sobre as ilhas.

 

As viagens referenciadas não têm cativado o interesse da historiografia oficial, renitente em aceitar os relatos dos textos clássicos. A Historiografia dos séculos XVIII e XIX afirmava perentoriamente a veracidade destas informações e defendia que os fenícios projetaram o empório comercial na costa ocidental africana. Apenas os portugueses, e os eruditos velhos do Restelo, mantiveram a tese de que a região estava por revelar no início das navegações henriquinas.

 

Mais problemático é o nome das Sete Cidades[5] ex-libris turístico da ilha de S. Miguel. Durante séculos falou-se da lendária ilha, no Mar Oceano, a oeste da Europa. Datam de escritores latinos, no seguimento de tradições de povos mediterrânicos as nomenclaturas de Insula Septem Civitatum, Ilha das Sete Tribos ou Sete Povos, traduzida como Sete Cidades. Fernão Teles, natural dos Açores, mostrou ao rei D. Afonso V (em 1473) um mapa com uma longa costa, ilhas, baías e rios que declarou fazerem parte das Sete Cidades. Talvez fosse a costa norte do Brasil, no delta do Parnaíba, entre Maranhão e Ceará. Aparentemente, o rei não terá acreditado na descoberta, ou não considerou Fernão Teles suficientemente digno, e da carta de doação não constam as Sete Cidades, mas uma grande ilha ocidental que se pretenderia povoar. Insatisfeito com a carta de doação, Fernão Teles insiste no pedido. Consultado o cosmógrafo genovês Paolo del Pozzo Toscanelli (1398-1492), declarou que a Antília[6] e a Ilha das Sete Cidades seriam na margem do Atlântico, finalmente foi concedida (1476) a carta, mas não se conhece expedição subsequente. Entre as expedições mais bem documentadas conta-se a do flamengo Ferdinand van Olm (na historiografia açoriana Fernão Dulmo), casado com a filha de Fernão Teles, e residente nos Açores, recebeu (1486) autorização de D. João II para achar a ilha onde estaria o reino cristão das Sete Cidades, que o sogro teria reconhecido anos antes. De parceria com o madeirense Afonso do Estreito, organizou a expedição com cofinanciamento real, mas não teve melhor sorte que os antecessores[7].

 

Sobre a Ilha das Sete Cidades, parafraseando a observação aposta no mapa-múndi de Johannes Ruysch (1508) sobre a Antília, se diz: “a ilha foi descoberta, antigamente, pelos portugueses; agora, quando a procuramos não a encontramos”. Como consolação ficou o nome do maior vulcão, das Sete Cidades, na metade ocidental da ilha de S. Miguel, com as lagoas e a freguesia do mesmo nome, anichadas na caldeira. Há ainda o lugar das Sete Cidades, na ilha do Pico; o Parque Nacional de Sete Cidades, no sertão do Piauí (Brasil) e lendas e histórias em permanente recriação. Outros, porém (Daniel de Sá, op. cit.) opinam diferentemente quanto à data: “O padrão erguido em Santa Maria para comemorar o quinto centenário do Descobrimento tem uma data: 1432! Era a que a gente aprendia. E também aprendíamos que o descobridor fora Gonçalo Velho Cabral. Ainda não chegara aos livros de História a decisão que Damião Peres tomara em 1943 de atribuir tal feito a Diogo de Silves. E digo que se tratou de uma decisão, porque o achado pouco parece ter de rigor histórico. No mapa que Gabriel de Valsequa, judeu convertido da Escola Hebraica da Catalunha, fez das ilhas dos Açores em 1439, consta uma legenda que diz que foram encontradas em 1427 por um piloto do rei de Portugal. Quanto à data, poucos discordam, fazendo fé na maioria, aceitemos 1427. Poucas dúvidas também para o nome de batismo do enigmático navegador: Diogo (Valsequa, maiorquino, teria escrito Diego.) A leitura mais antiga que se conhece da carta de Valsequa é de 1789, e foi feita por um tal Pasqual, também maiorquino. E ele leu Guullen. Depois disso, sucederam-se leituras diferentes. Para complicar tudo, em 1838, no palácio dos condes de Montenegro e de Montouro, em Palma de Maiorca, a tinta de um tinteiro derramou-se sobre o mapa, e não encontrou onde cair senão no apelido do navegador. George Sand, que acompanhava o seu amado Chopin que ali fora procurar melhoras para o mal da tuberculose que haveria de matá-lo, assistiu horrorizada à cena, que descreveu mais tarde. Foi uma simples testemunha, mas ainda há quem a culpe do desastre.”

 

Sempre associei Açores ao pássaro. De facto, o nome é incorretamente assinalado como provindo da palavra açor. Luiz António de Assis Brasil, foi professor de literatura na Universidade dos Açores, e conta que os primeiros navegadores viram milhafres, e os confundiram com açores, originando-se daí o nome. Esta resposta, repetida até à exaustão nos guias turísticos, carece de fundamento científico. Não há açores nos Açores e a ave a que chamam Milhafre não é nem açor nem milhafre. O Accipiter gentilis (açor), só existe acima do Tejo; Buteo buteo – a águia-asa-redonda, no continente e ilhas é rara; e o Buteo buteo rothschildi – o «milhafre» nos Açores é uma subespécie de águia-asa-redonda. Daniel de Sá apresenta a correção no livro Açores (ed. Everest): “Quanto à origem do nome, desde o séc. XVI que se levanta a dúvida, pensando-se que os descobridores, ao verem milhafres, os tenham confundido com açores. Gonçalo Velho Cabral que, a mando do Infante D. Henrique, organizou o povoamento de Santa Maria e São Miguel, talvez tenha sido padrinho das ilhas honrando N. Sra. dos Açores, que se venera na igreja gótica de Aldeia Rica[8], Beira Alta, da sua especial devoção. Além deste nome, e durante algumas décadas, outro andou juntamente com ele, ou foi usado em vez dele, em boca de marinheiros ou cartas de marear. Ilhas Terceiras lhes chamavam, por terem sido descobertas depois dos arquipélagos das Canárias e da Madeira.”

Outra explicação, simples e plausível é através do aportuguesamento da designação genovesa ou florentina das míticas ilhas azuis. A partir do vocábulo azzurre, azzorre, azuis, terá nascido açores. De facto, o carregado verde azulado da vegetação nativa dos Açores, que recobria totalmente as ilhas, fazem-nas parecer azuis, a curta distância. Esta versão é a menos estimada pelos estudiosos.

 

Data de 1345 o chamado “Libro del Conoscimiento”, de um frade mendicante de Sevilha, que teria acompanhado as expedições portuguesas, onde estão descritas diversas ilhas.

“Sobí en un leño con unos moros e llegamos a la primera isla, que dizen Gresa, e aprés d’ella es la isla de Lançarote, e dizen le así porque las gentes d’esta isla mataron a un ginovés que dezían Lançarote. E dende fui a otra isla que dizen Vezimarín e a otra que dizen Rachan, e dende a otra que dizen Alegrança, e otra que dizen Vegimar, e otra que dizen Forte Ventura, e otra que dizen Canaria. E fui a otra que dizen Tenerefiz, e a otra que dizen la isla del Infierno, e fui a otra que dizen Gomera, e a otra que dizen la isla de lo Fero, e a otra que dizen Aragavia, e a otra que dizen Salvaje, [Selvagens, Madeira] e a otra que dizen la isla Desierta [Desertas, idem], e a otra que dizen Lecmane [Madeira], e a otra el Puerto Santo [Porto Santo], e a otra la isla del Lobo, e a otra la isla de las Cabras [S. Miguel], e a otra la isla del Brasil [Terceira], a otra la Columbaria [Pico], a otra la isla de la Ventura [Faial], a otra la isla de San Jorge, e a otra la isla de los Conejos, e a otra la isla de los Cuervos Marines [Flores e Corvo], e en tal manera que son veinte e cinco islas. “

Curioso como este frade descreve as 25 ilhas, cujos nomes se manterão nas cartas náuticas, por mais de um século:

1351 – O Portulano Mediceo Laurenziano (Atlas Laurentino, Atlas Mediceo), na Biblioteca Nacional de Florença, Itália, assinala as ilhas “Cabrera” (Santa Maria e S. Miguel), Brasil (Terceira), Ventura (Faial), Columbis (Pico), Corvis Marinis (Flores e Corvo) e a de S. Jorge, sem no entanto a nomear.

1375 – O Atlas Catalão, de Jehuda Cresques, na Bibliothèque Nationale de France, Paris, nomeia a ilha de S. Jorge.

1384 – O Atlas Walckenaer-Pinelli assinala a ilha de Santa Maria

1385 – A Carta de Soleri assinala as ilhas anteriormente apontadas e mantém a “Capraria” (Sta Maria e S. Miguel).

1413 – O mapa de Maciá de Viladestes, também na Bibliothèque Nationale de France, assinala Santa Maria.

1426 – A carta de Giacomo Giraldi, assinala a ilha de Santa Maria.

 

Não existem provas de que os Açores sejam o remanescente da mítica Atlântida, próspera e culta, desaparecida nas profundezas, mas, curiosamente, no livro de banda desenhada de Blake e Mortimer “O Enigma da Atlântida”, S. Miguel era uma porta de saída da Atlântida. Mesmo que os Atlantes tenham habitado aqui não foram descobertos vestígios arqueológicos. Falta explorar as insondáveis profundezas dos mares, e mesmo aí é dúbio que algo possa ser encontrado e que sucessivos tremores e erupções não tenham destruído totalmente. Pelo eventos sísmicos e vulcanicos dos últimos quinhentos anos, dificilmente se deparará com artefactos ou restos civilizacionais da Atlântida perdida com eco nos escritos de Platão. A Atlântida foi sempre motivo de cogitações e explorações fantásticas. Não faltaram, recentemente, escritores, jornalistas, romancistas e cineastas, a reconstituir, com imaginação, a arquitetura, o traçado e os materiais de construção da capital da Atlântida. Confabularam o vestuário, o modo de vida; a economia, as classes sociais, a religião, os deuses e demónios; os imperadores; as orgias, a beleza estranha da soberana. Platão foi submetido a uma das mais ferozes análises críticas, na tentativa de descobrir algum pormenor que conduza à localização da misteriosa Atlântida. Quiseram uns geógrafos e historiadores ver na narrativa do filósofo grego uma alusão poética a um muito antigo conhecimento da América. O facto não é tão extraordinário como pode parecer, se considerarmos o arrojo marinheiro dos fenícios, e as recentes travessias do Atlântico por navegadores solitários em frágeis embarcações.

 

O historiador Pausanias diria, mais tarde (150 AC), “Existia em pleno oceano, longe, e a oeste, um grupo de ilhas habitadas por homens de pele vermelha e cabelos como crinas de cavalo”. Narrativa extraordinária ou pura imaginação que iria encontrar eco na realidade descoberta 1600 anos depois? Plutarco, entre os anos 40 e 120 DC, escrevia “Existem a oeste, na mesma latitude da Grã-Bretanha, ilhas atrás das quais se estende um vasto continente…caraterizam-se pelo sol que aí brilha ininterruptamente durante trinta dias. À noite, o astro recolher-se uma hora, mas mesmo nessa altura, a obscuridade não seria total, porque o horizonte, a ocidente, ficava iluminado por um crepúsculo”. Plutarco descrevia, sem dúvida, terras próximas do círculo polar. O continente só poderia ser a América. Juntem-se essas narrativas à hipótese de que, antes de Cristo, já os Açores e a Madeira terem sido explorados pelos fenícios, e não acharemos tão improvável o facto de que o Novo Mundo fosse conhecido na antiguidade. A Atlântida não seria, então, o continente sul-americano? O poderoso reino a que se referia Platão não seria o império asteca? As viagens de Fenícios e Cartagineses tiveram grande importância na Antiguidade para fins comerciais. As que poderiam ter levado a um reconhecimento dos Açores, foram a circum-navegação do continente africano, de Oriente para Ocidente, a mando do faraó Necao ou Necho em finais do séc. VII a.C. e a do cartaginês Annone, que no fim do séc. V a.C., abriu as velas de Cartago rumo ao Atlântico, ultrapassou as Colunas de Hércules (Gibraltar) e chegou ao Golfo da Guiné. É curioso que as referências ao conhecimento dos Açores, anteriores à chegada dos Portugueses, sejam fenícias e relativas ao Corvo. Como dizia nos anos 70 num dos meus programas de rádio em Macau “Todas as coincidências têm uma causa matematicamente provável”. Neste caso podem existir causas cientificamente prováveis. Fazendo fé na historiografia, a probabilidade de os fenícios terem chegado aos Açores, é elevada.

 

Humboldt refere no “Examen Critique de la Géographie du Nouveau Monde” que em 1749, uma tempestade violenta teria abalado as fundações de um edifício parcialmente submerso no Corvo. No fim da borrasca descobriu-se, entre as ruínas, um vaso contendo moedas de ouro e cobre que foram levadas para um convento, e nove foram preservadas e enviadas ao padre Enrique Flores, em Madrid, que as cedeu a J. Podolyn da Academia de Ciências de Estocolmo. Algumas moedas apresentavam a figura de um cavalo por inteiro, outras apresentavam a cabeça desse animal. Alguns peritos afirmaram, com suficiente grau de certeza, que se tratava de duas moedas fenícias do norte de África (antiga colónia grega de Cirene[9] [em grego Κυρήνη, Kurene] na atual Líbia, a mais antiga e importante das cinco cidades gregas da região. As restantes sete moedas eram cartaginesas. A primeira publicação de caráter científico referindo as moedas do Corvo deve-se a Johann Frans Podolyn, um numismata sueco que publicou em 1778 uma notícia intitulada “Algumas anotações sobre as viagens dos antigos, derivadas de várias moedas cartaginesas e cirenaicas que foram encontradas em 1749 numa das ilhas dos Açores”. No artigo, Podolyn[10] afirma que em 1749, depois de vários dias de mar tempestuoso de oeste, que expôs parte da fundação das ruínas de um edifício de pedra numa praia da ilha do Corvo, foi descoberto um vaso de barro negro, quebrado, contendo um grande número de moedas que foram levadas para um convento[11] a partir do qual foram distribuídas. Parte foi enviada para Lisboa e daí para Madrid ao padre Flórez[12], conhecido historiador e numismata espanhol, à época o mais conhecido. Desconhece-se o número de moedas no vaso e quantas foram enviadas para Lisboa. O Padre Flórez recebeu nove moedas, por ele descritas e estudadas: “recebidas em Madrid duas moedas cartaginesas de ouro, cinco moedas cartaginesas de cobre e duas moedas cirenaicas, também de cobre” que cedeu a Podolyn quando este visitou Madrid em 1761, dizendo-lhe que “representavam todos os tipos encontrados no Corvo” e que eram as mais bem preservadas da coleção. Na notícia publicada, com imagem das moedas, Podolyn afirma que as mesmas, “com exceção das de ouro, não são raras, sendo apenas notável o sítio onde foram encontradas, já que não se conhece notícia da presença de cartagineses nos Açores, embora seja possível ligar a presença à famosa estátua equestre[13] e inscrição que teria sido encontrada no Corvo à época do povoamento”.

 

É relatado pelo francês André Thevet, no século XVI, que um descendente mourisco ou judaico, encontrou uma inscrição com caracteres hebraicos numa gruta de S. Miguel, mas não foi capaz de a ler, supuseram tratar-se de caracteres fenícios. Em 1976, na mesma ilha, haveria de ser desenterrado um amuleto com inscrições de uma escrita fenícia tardia, séculos VII e IX da era cristã. Recentemente foi aventada a hipótese de se terem encontrado caracteres fenícios em rochas nas Quatro Ribeiras, Terceira. A maioria dos historiadores nega-lhe validade, o que não a impede, porém, de ser verídica. No século XVI, Génébrand referiu-se à existência dum túmulo com inscrição hebraica em S. Miguel: “Trata-se de carateres fenícios de Canaã, erroneamente qualificados de hebraicos, pela semelhança entre o alfabeto dos cananeus e o dos antigos hebreus. O texto decifrado permitiu a Manasseh ben Israel, sábio hebreu do séc. XVII ler a inscrição como “Mektabel Suai, filho de Matadiel.[14]

 

Damião de Góis (1502-1574) escreveu na “Crónica do Sereníssimo Príncipe Dom João”: “Quando os portugueses chegaram à remota ilha encontraram uma estátua equestre no cume noroeste da serra, no centro da ilha, colocada sobre um pedestal quadrado. No cume, que parecia servir de marco aos navegantes, estava o vulto de um homem de pedra, montado num cavalo sem sela. Era uma estátua construída, não se sabe por quem, a partir de um único bloco de pedra e representava um homem, de cabeça descoberta, tapado por uma espécie de manto. As faces do rosto e outras partes estavam sumidas, cavadas e quase gastas pelo tempo e supõe-se que pela erosão dos elementos. Sobre as crinas do cavalo, que tinha uma perna dobrada e outra levantada, estava a mão esquerda, enquanto o braço direito estava estendido e os dedos da mão encolhidos. Só o indicador continuava aberto e apontava para o poente ou noroeste, para as regiões onde o sol se oculta, a grande terra dos bacalhaus, a América ou o Brasil, terras que não tinham sido descobertas….” O rei D. Manuel I teria mandado a Duarte d’Armas[15] que fizesse um desenho da estátua e ordenado o seu transporte para a corte de Lisboa, mas só viria a receber pedaços do monumento, nomeadamente, a cabeça, e o braço e mão direitos, e parte do cavalo. Estas peças foram guardadas no palácio real, tendo-se perdido o rasto. Na base – deixada no Corvo – existiam letras numa escrita desconhecida, copiadas em 1529 por Pedro da Fonseca, mas cujo teor ninguém conseguiu identificar. Na primeira metade de Quinhentos o historiador da corte de D. João III[16], Rui de Pina nas Crónicas D’el Rey, conta que tinha sido enviado à mais pequena Ilha do Arquipélago o afamado arquiteto (João) Juan de Urbina[17] para recortar da pedra viva, num lugar de difícil acesso na orla costeira, uma estátua equestre de estilo cartaginês. A operação correu mal e estátua partiu-se, voltando ao reino com algumas peças em pedra como a cabeça do cavalo e a mão do cavaleiro que apontava para Oeste. É sabido que os cartagineses erigiram diversas colunas comemorativas, e o cavalo está presente em quase todas as suas cunhagens.

 

Diria o cético Daniel de Sá a este respeito (jornal Público 20 julho 2008): “…novidade nas livrarias, … sobre uma famosa estátua que teria sido encontrada na ilha do Corvo pelos primeiros povoadores. Prova irrefutável de que por ali andaram cartagineses muito antes de Cristo calcorrear a Galileia. Falou dela Damião de Góis, que a descreve em pormenor, mas não a viu. Como convém nestes casos, não ficou nem um pedacinho da escultura, que teria sido levada para a corte no tempo de D. Manuel. Nem qualquer marca na ilha. E também desapareceram as moedas cartaginesas encontradas lá nos finais do século XVIII. Desaparecimentos deste tipo dão sempre jeito para uma história revista e aumentada.”

 

Já o historiador, Joaquim Fernandes (antigo colega de liceu) responderá assim a Daniel de Sá: “Pretende beliscar uma dupla credibilidade: a de Damião de Góis, que descreve com algum detalhe, o episódio da estátua equestre encontrada pelos portugueses na ilha do Corvo, e o historiador no papel de autor do romance O cavaleiro da Ilha do Corvo, que embora em tons de ficção, fá-lo com a segurança e credibilidade que lhe confere uma investigação documental de centenas de referências bibliográficas, de Aristóteles à pesquisa atual, disponível no final do citado livro. Desde o arquiteto Duarte d’Armas[18], que el-rei mandou ao Corvo fazer o desenho da estátua, aos pedreiros enviados ao ilhéu com a incumbência de trazerem o monólito para Lisboa, passando pelo donatário Pedro da Fonseca, que em 1529, se deslocou ao Corvo para recuperar uma legenda em carateres não-latinos descoberta no sopé onde antes existira a estátua do cavaleiro com “traços africanos”, segundo a descrição de Góis. E o mapa dos irmãos Pizzigani, de 1367, que confirma a tradição árabe das estátuas-marco no Atlântico? Ou seja, o autor da Crónica do Príncipe D. João é digno de crédito para descrever a chegada do primeiro rinoceronte a Lisboa; mas não serve quando relata a chegada ao Paço dos destroços do monumento, que a imperícia dos pedreiros provocara. Quatro séculos passados persistem os que minimizando a integridade de Damião de Góis, tentam fazer da História um livro fechado:”

 

Sei-o, por experiência própria, que sempre que se quer alterar o que ao longo dos séculos passa por História, um enorme coro se levanta a defender o status quo. Faz parte da mente humana esta recusa de aceitar novos factos, provas ou teorias, que contradizem o que se estudou. Assim tem acontecido, desde 1985, com a minha incessante divulgação, de estudos diversos de diferentes autores, sobre a descoberta e presença portuguesa na Austrália (após 1521). O Infante D. Henrique terá encarregue Gonçalo Velho do povoamento de Sta. Maria, com os sobrinhos, Nuno e Pedro. Sobre a Terceira, o flamengo Jácome de Bruges foi nomeado capitão da ilha, por doação do infante, em 1450, incentivando o povoamento. Relativamente à Graciosa, o povoamento esteve a cargo de Pedro Correia e Vasco Gil Sodré, antes de 1510. Quanto ao Faial e Pico, foram doadas, antes de 1466, a Josse Van Hurtere e na sua companhia teriam vindo muitos flamengos. O povoamento deveu-se a portugueses e flamengos pela ação de D. Isabel (condessa da Flandres e mulher de Filipe de Borgonha) junto do irmão D. Henrique. Inicialmente houve um influxo de mouros e judeus, a que se seguiriam italianos, castelhanos, franceses, ingleses, escoceses, etc. Curiosamente, o elemento flamengo depressa seria absorvido, restam traços genéticos em cabelos louros e olhos azuis na maior parte das ilhas.

 

Inicialmente os Açores eram uma Donataria Hereditária, sendo cada ilha uma Capitania. Ao donatário pertenciam todos os tributos, dízimos, impostos, rendas e foros das terras e um domínio incontestado sobre os habitantes. Pertencia-lhe a jurisdição civil, criminal e administrativa, nomeando funcionários e confirmando eleições. Angra, foi a primeira cidade, por foral de 1534 e sede do bispado pelo Papa Paulo III. Ponta Delgada foi elevada a cidade por carta régia de 1546. A donataria ficou na coroa real até 1580. A partir daí, foi nomeado um Governador-Geral, com poderes civis, políticos e militares e escolhida Angra como sede do governo. O filho bastardo do Infante D. Luís, D. António Prior do Crato, apresentou-se como sucessor do reino, disputando-o pelas armas, contra Filipe II. Perdida a causa em desastrosos combates, resistiu heroicamente a Terceira, capital do arquipélago, onde estavam os partidários de D. António. Durante três anos resistiu ao domínio espanhol, sendo o único ponto onde se erguiam as cinco quinas da bandeira portuguesa, chegando a ter trono, Casa da Suplicação, Mesas de Desembargo do Paço e Casa da Moeda. Angra estava sujeita ao lema “Mais Vale Morrer Livres Do Que Em Paz Sujeitos”. Dizia-se que na convicção templária: «a morte era, de facto, mais bela que a vida comprada com a cobardia». É este o sentido da divisa utilizada pelos açorianos, no brasão com a frase de Cipião de Figueiredo, conde de São Sebastião (por D. António I) corregedor dos Açores na crise de 1580, tendo governado o arquipélago durante o período conturbado que se seguiu à aclamação nas ilhas de D. António, Prior do Crato como rei de Portugal. A ele se deve a fortificação e defesa da Terceira e à vitória na batalha da Salga. Foi ele que se negou a entregar os Açores ao poder espanhol, preferindo morrer a favor do Prior do Crato, último monarca da dinastia de Avis: «MAIS VALE MORRER LIVRES DO QUE EM PAZ SUJEITOS». Será coincidência de convicção, ou serão os Açores um dos últimos refúgios da mente templária? Depois de subjugarem a revolta local, os Castelhanos organizaram ali um governo-geral. Após a Restauração de 1640, o sistema continuou até 1653, data em que se voltou ao sistema de Capitanias. Em 1589 e 1597 as armadas inglesas dos condes de Cumberland e de Essex e os piratas devastaram e pilharam as ilhas, especialmente o Faial. Após 60 anos de domínio filipino, e aclamado D. João IV em 1640, as ilhas aderiram ao movimento restaurador, verificando-se grande resistência dos castelhanos, sitiados na fortaleza de Angra, até março de 1642. Em 1766, os Açores passaram a ser governados por um capitão-general em Angra.

 

A revolução de 1820 teve repercussões na Vila da Praia, onde em 1829, se travou uma grande batalha entre miguelistas e liberais, com a vitória destes. Em 1830, formou-se um conselho de regência. Em 1832 chegou D. Pedro IV formando um governo sob a presidência do marquês de Palmela e de que fazia parte Mouzinho da Silveira, coadjuvado por Almeida Garrett. As grandes reformas deste foram promulgadas nos Açores, que passaram a província. Em 1832, a Capitania Geral deu lugar à Província Açoriana, sede em Angra. Em 1836, dividiram-se as ilhas em três Distritos Administrativos. Após o 25 de abril de 1974, a Constituição instituiu o regime atual, Região Autónoma com assembleia e governo regional. Em 1976 foram eleitos os deputados e o primeiro Governo Regional. A sede na Horta, num imponente edifício que serve para justificar as visitas dos deputados insulares e o custo das deslocações.

 

[1] O mapa mais antigo é a carta de Angelino Dulcert 1339 com as ilhas dos Açores, seguem-se o planisfério Mediceo ou portulano Laurentino de 1351, o atlas catalão de 1375, a carta de Pinelli-Walckenaer de 1384 e a De Viladestes de 1413.. Em 1270 Lanzarote Malucelli chega às Canárias e Madeira, de acordo com o portulano Laurentino. Apenas no Atlas de Cristofalo Soligo em 1470 surgem todas as ilhas dos Açores

[2] Azurara, Duarte Pacheco Pereira e outros, nunca citam Gonçalo Velho. Estes historiadores, opinam que as explorações atlânticas datam de 1431.

[3] A hipótese fenícia nos Açores é mais provável do que se pensa. No jornal Público, 31 outº 2008, era notícia “ADN dos fenícios está nos genes dos portugueses”. Um em cada 17 homens que vivem nas costas do Norte de África e no sul da Europa podem ter tido um antepassado fenício, com ponto de partida o atual Líbano, conclui um estudo na revista científica “American Journal of Human Genetics”. Os cientistas do “Genographic Project,” que estuda a forma como a humanidade se espalhou, identificaram um padrão genético da expansão dos fenícios,.e estudaram o cromossoma Y de 1330 homens, para verificar a frequência desse padrão. Descobriram na bacia do Mediterrâneo onde é mais provável haver descendentes masculinos dos fenícios, zonas litorais e a costa atlântica portuguesa, estão entre as que têm mais descendentes dos fenícios.

[4] Recorde-se a lenda da Atlântida, referida pela primeira vez em 421 antes de Cristo.

[5] Existe a crónica das Sete Cidades dum clérigo cristão, 750 a.C. em Portucale. Os árabes dominavam a península desde 711 d.C., no estertor visigótico. Em 734, o arcebispo de Portucale estava em fuga, com prelados e fiéis, numa frota que chegou sã e salva ao destino. Nada se soube da expedição às Sete Cidades (Septem Civitatum) que os marinheiros asseveravam existir no meio do oceano. A lenda perdurou na Idade Média com expedições para o seu achamento. Quase todas as cartas e portulanos medievais tinham as Sete Cidades. Na tradição brandoniana, é uma das referências geográficas mais antigas. S. Brandão de Ardfert e Clonfert (484-577) o Navegador, nasceu em Ciarraighe Luachra, Tralee, condado de Kerry, Irlanda, em 484. Deve a notoriedade e o cognome na literatura medieval, às famosas viagens marítimas no Atlântico Norte. Terá garantidamente visitado a Bretanha, as Órcadas, Shetland e as Faroé, um feito então incomum. Outras expedições, a lugares mais distantes, nunca puderam ser comprovadas embora possíveis. No séc. XVI, Pierre de Medine, do “Traité de l’Art de Naviguer” escreveu:”Não longe da Madeira, havia outra ilha, chamada Antília e que já não se vê mais..Num Ptolomeu, dirigido ao papa Urbano VI, 1378 a 1389, encontrei esta ilha, com a seguinte legenda: “Esta ilha foi outrora descoberta pelos Portugueses, mas hoje não se avista quando é procurada,.aí foram encontradas pessoas de língua espanhola, que consta terem-se refugiado na ilha fugindo dos Bárbaros que invadiram a Hispânia, no reinado do rei Rodrigo, o ultimo a governar a Hispânia no tempo dos Godos. Há um arcebispo com seis bispos, e cada um tem a sua cidade, o que leva muitas pessoas a chamarem-lhe a ilha das Sete Cidades; o povo vive muito cristãmente, cumulado de todas as riquezas “, a ilha aparecia com a legenda: “Isla insula Antilia, aliquando a Lusitanis est inventa, sed modo, quando quaeritur, non invenitur.”. Trata-se provavelmente de carta suplementar, que os sábios do séc. XVI tinham por hábito juntar as edições de Ptolomeu, atualizando-as com as descobertas geográficas. Buache julga encontrar Antília nos Açores.

[6] O globo de Martin Behaim, inspirado na carta de Toscanelli, situava Antília a 330 graus. Em 1190, Alexandre Anfredi, armador de La Rochelle, envia 10 navios que não regressam “para lá do Sol”. Anfredi abre falência. Doze anos depois, a frota do armador surge em La Rochelle, carregada de ouro e especiarias. Em 1470, o piloto Pedro de Velasco parte dos Açores em busca das Antilhas, “ante ilhas”, a terra mais avançada para oeste, a areia das praias contém um terço de ouro puro. Velasco percorreu 150 léguas e desencoraja-se perante a imensidão do mar. Mas este arquipélago é desenhado desde o séc. XIV, a acreditar no portulano de 1351. Se Antília correspondesse a S. Miguel ou a qualquer ilha açoriana não teria continuado a figurar nas cartas que incluem os Açores, como nas de Bianco e de Behaim..À medida que continua o reconhecimento do Atlântico, Antília desaparece. As ilhas descobertas por Colombo não são conhecidas dos primeiros cronistas espanhóis, Acosta e Oviedo nunca chamam às modernas Antilhas “Antília”. Semelhantes são as cartas de Juan de la Cosa e de Ribeiro, e a recolha italiana de todas as ilhas do mundo feita por Benedetto Bordone, no “Isolario” de Porcacchi, na “Cosmographie” de André Thevet (de 1575), na descrição das índias ocidentais de Herrera (de 1615), nunca figura Antília. O arquipélago com esse nome aparece como Lucayas, Caraíbas ou Camercanas. Pedro Martyr tinha já proposto esse nome na “Oceânica”, e Américo Vespucci (“Venimus ad Antigliae insulam sese reperisse refert Columbus, sed, cosmographicorum tractu diligenter considerato, Antiliae insulae sunt illae et adjacentes aliae.”). Surge uma representação tardia num mapa de Desceliers, 1546, que a apresenta nas Bermudas. Uma inscrição dá o nome de Sete Cidades e refere que pertence a Portugal. Os mapas de Ortelius (1570) e Mercator (1587) deslocam-na para sul e águas mais profundas. Após 1587, o nome desaparece totalmente.

[7] Em pleno séc. XVII, organizou-se na Terceira uma expedição para explorar o oceano a noroeste, onde teria sido avistada uma ilha desconhecida. Nos Açores sobrevive a lenda da ilha encantada avistada por volta do dia de S. João (24 junho). É frequente, naquele período, o registo visual de ilhas desconhecidas, mas são bancos de nevoeiro de S. João (que encerram aeroportos por dias seguidos) e nuvens distantes a emergir do horizonte.

[8] Daniel de Sá, certamente por lapso, menciona Aldeia Rica, anexa de Açores, anteriormente era chamada de “Ricason”, no reinado de D. Dinis. Esta aldeia foi doada a Afonso Correia. A toponímia do nome não se refere à riqueza de terras ou fertilidade dos seus solos, mas sim, à Ordem de Cristo a que pertencia. Santo António é padroeiro de Aldeia Rica. Deveria referir-se à aldeia de Açores e não Aldeia Rica.

[9] A cidade deu o nome à região oriental da Líbia [Cirenaica]; vale fértil nas terras altas de Jebel Akhdar. Batizada em homenagem à fonte, Kyre, que consagraram a Apolo, no séc. III a.C., sede da famosa escola de filosofia de Aristipo de Cirene (discípulo de Sócrates).

[10] O padre Flórez fez-me presente destas moedas quando estive em Madrid em 1761, e disse-me que no todo havia apenas moedas destas nove variedades. (Achados Arqueológicos nos Açores, José Agostinho, Açoreana, vol. 4, fasc. 1, 1946, pág. 101-2

[11] (franciscano de S. Boaventura, em Santa Cruz das Flores)

[12] Enrique Flórez de Setién y Huidobro (1701 – 1773), da Ordem de Santo Agostinho

[13] Faria e Sousa na História de Portugal relata a estátua como possivelmente de origem chinesa, o que levou esse inventor Gavin Menzies, a usá-la como “prova” da descoberta chinesa dos Açores.

[14] (in Pierre Carnac “A Atlântida de Cristóvão Colombo”)

[15] O debuxo de uma antiquíssima estátua equestre existente no Corvo (Damião de Góis. Chronica do Principe Dom Joam, rei que foi destes regnos, segundo de nome (…). Lisboa, 1567, Capítulo IX.) Duarte de Armas foi arquiteto da casa real. Deixou descendência na ilha do Corvo.

[16] (Lisboa, 6 de junho de 1502 – Lisboa, 11 de junho de 1557)

[17] Juan de Urbina, Mestre-de-Campo e primeiro governador militar em Angra na conquista da cidade por D. Álvaro de Bazán, após o desembarque da Baía das Mós 27 julho 1583. Urbina mantinha estreita relação com Cervantes, de quem terá sido companheiro de armas na batalha de Lepanto.

[18] 1465-1516. Filho de Rui Lopes de Veiros, escudeiro da Casa Real, bacharel em Direito Canónico e notário apostólico, escrivão da Livraria Régia e da Torre do Tombo. Hábil no desenho, foi encarregado por Manuel I para levantar o estado das fortificações da fronteira com Castela, o que fez em planta e em panorâmicas, com as medidas, sinais cartográficos e notas explicativas, de Castro Marim a Caminha. Além do Livro das Fortalezas (Códices A e B), conhecemos mais dois trabalhos, a mando de D. Manuel: O levantamento das barras das praças de Azamor, Mamora, Salé e Larache, na costa de Marrocos, como integrante da Armada de D. João de Meneses em 1507 (Damião de Góis. Chronica do Felicissimo Rei Dom Emanuel. Lisboa, 1566, Parte II, Cap. XXVII.); e debuxo da antiquíssima estátua equestre na ilha do Corvo (Damião de Góis. Chronica do Principe Dom Joam, rei que foi destes regnos, segundo de nome (…). Lisboa, 1567, Capítulo IX.) Acredita-se que em 1516 vivia e trabalhava, em Lisboa, onde terá morrido em data ignorada.