afinal o PAN deixa tirar macacos do nariz sem nos meter em tribunal…ufa! que alívio

Souto Gonçalves shared a post.

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PAN ::: Pessoas-Animais-Natureza

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No seguimento de notícias falaciosas que afirmam que o PAN pretende alterar provérbios que contenham referências a animais, o partido informa o seguinte:

1. O PAN foi contactado por órgãos de comunicação social para dar o seu parecer sobre uma campanha da PETA sobre frases e provérbios com referências violentas a animais nos Estados Unidos da América, um país com um contexto legislativo e sociocultural bastante diferente do português.

2. Em momento algum o PAN defendeu ou disse que acompanhava a campanha americana da PETA, nem sequer referiu que iria ou queria alterar provérbios com referências a animais.

3. A resposta do PAN a esta questão foi e é simples: o PAN não vai apresentar nenhuma iniciativa sobre este assunto e considera que este não é um tema prioritário na sociedade portuguesa, apesar de perceber que atualmente existe vontade de reflexão social sobre este tipo de questões associadas a discursos que veiculam a violência, de forma mais ou menos consciente, reflexão que pode ser relevante para as/os ativistas que trabalham nesta área.

4. Esta resposta foi extrapolada e deturpada no sentido de se fazerem interpretações com contornos políticos perigosos e analogias a situações de fundamentalismos e autoritarismos que não correspondem à verdade.

5. É factual, e relevante para a compreensão da polémica, que os títulos que apelam à indignação “O PAN quer tirar os animais dos provérbios”, referem no conteúdo das notícias “ONG internacional quer alterar expressões anti-animal”.

6. O PAN defende a liberdade, a criatividade e o humor a que estes e outros movimentos sociais recorrem para fazerem ouvir as suas vozes e perspetivas.

7. O PAN defende a liberdade de cada pessoa para concordar ou discordar com estas e outras vozes e apresentar visões alternativas. Esta é a única atitude possível para preservar os valores democráticos e não violentos num mundo cada vez mais polarizado.

8. A apresentação exata dos factos é também um pilar fundamental da defesa destes valores. O PAN não alinha com princípios ou visões de comunicação que tenham como finalidade a desinformação dos cidadãos e cidadãs na quebra de confiança nas instituições democráticas.

9. O PAN convida todas e todos a seguirem a nossa informação diária, nomeadamente através das nossas redes sociais no Facebook, Youtube, Twitter e Instagram.

A vida de luxo dos reformados que traficavam droga em cruzeiros

Os dois reformados ingleses detidos, a bordo de um paquete de luxo, na posse de nove quilos de cocaína dissimulados em malas de viagem, viviam junto a Alicante, em Espanha, e faziam cerca de seis cruzeiros por ano. No entanto, Sue e Roger Clarke nunca explicaram aos amigos a origem do dinheiro que lhes permitia manter o estilo de vida faustoso.

Source: A vida de luxo dos reformados que traficavam droga em cruzeiros

EXTREMISMOS VERBAIS DO PAN

O POLITICAMENTE CORRETO NOUTROS PAÍSES QUER MUDAR A LÍNGUA PARA NÃO OFENDER OS ANIMAIS E A MODA CHEGA CÁ …

For my Portuguese friends: Entre animais e deputados do PAN, o meu voto vai para os animais. São incomparavelmente mais sensatos.

SABADO.PT
O partido aderiu à campanha da PETA que pede a alteração de expressões que reforcem comportamentos negativos contra os animais. Mas o PAN não quer criar uma lei para o tema. – Portugal ,…
Depois de a organização não-governamental dos direitos dos animais PETA ter lançado esta semana uma campanha para acabar com expressões que sugiram maus tratos a animais, o PAN gostaria de ver alterações a expressões portuguesas que se referem negativamente ao trato dos animais.

“Pregar dois pregos de uma martelada só” (para substituir “Matar dois coelhos de uma cajadada só”) ou “Pegar uma flor pelos espinhos” (como alternativa para “Pegar um touro pelos cornos”) são algumas das sugestões do partido

“Há expressões que usamos desde pequenos e só anos mais tarde nos questionamos sobre o seu conteúdo”, aifrma Francisco Guerreiro, coordenador da comunicação e membro da comissão política do PAN em declarações ao jornal Expresso, afirmando depois que esta campanha “é um sinal de evolução e a prova de que a sociedade civil, as organizações e as ONG se movimentam nesse sentido”.

PETA: Bringing Home the Bagels Since 1980

@peta

Words matter, and as our understanding of social justice evolves, our language evolves along with it. Here’s how to remove speciesism from your daily conversations.

61,9 mil pessoas estão falando sobre isso

Mas o PAN não quer que estas tentativas se transformem em iniciativas legislativas já que o objectivo não é “condicionar a liberdade de expressão ou a criatividade”. E por isso propõe alterações como “Mais vale dois pássaros a voar do que um na mão”.

A tentativa de mudança de linguagem não é de agora. Em algumas escolas, a canção “Atirei o pau ao gato” já se canta como: “Atirei o pão ao gato, mas o gato não comeu”, para retirar a carga de violência da canção.

“As palavras importam e à medida que o nosso entendimento sobre a justiça social evolui o mesmo deve acontecer à nossa linguagem”, escreveu a PETA, na passada segunda-feira, quando lançou a campanha.

sexismo, assédio e Wall St

Já ninguém se lembra do McCarthyismo e é pena. Qualquer ideia (no caso era a defesa da democracia contra a ameaça comunista) se torna perniciosa quando descamba na caça às bruxas e na histeria e se passa por cima de princípios fundamentais dos Estados de Direito como a presunção de inocência e a necessidade de provar as acusações.

«Em Wall Street, os homens já não querem estar ao lado de mulheres
Os efeitos do movimento MeToo estão a fazer com que os homens evitem viajar ao lado de mulheres. Ou, se estiverem em reuniões privadas, manterem a porta aberta. Em vez de assistir a uma correcção de comportamentos, as mulheres estão a ser excluídas e os homens afastam-se de uma queixa de assédio sexual para serem acusados de discriminação com base no género, explica um advogado especialista em questões laborais.
LILIANA BORGES
3 de Dezembro de 2018

A denúncia de casos de assédio e abuso sexual teve um preço em Wall Street: o afastamento das mulheres. A Bloomberg revela esta segunda-feira que, no centro financeiro de Nova Iorque, as mulheres estão a ser preteridas pelos executivos masculinos. Para evitar casos de assédio ou abuso, no lugar da correcção dos comportamentos está a promover-se a eliminação de situações onde aqueles podem acontecer. Como consequência, as mulheres estão a ser afastadas. Um ano depois da popularização do movimento MeToo, Wall Street arrisca-se a tornar-se, novamente, um clube “só para rapazes”.

Mais de três dezenas de executivos seniores em Wall Street estão “assustados” com o movimento MeToo. “Está a criar uma sensação de andar sobre ovos”, exemplificou David Bahnsen, ex-director administrativo do banco de investimento Morgan Stanley e actualmente consultor independente.

Stephen Zweig, advogado especialista em questões laborais da FordHarrison, ressalva que existe o risco de as empresas não tomarem medidas para que estes abusos sejam denunciados. Ao mesmo tempo, as empresas não garantem que os responsáveis em cargos superiores estejam disponíveis para lidar com os problemas de abuso. “Se os homens evitam trabalhar ou viajar com mulheres sozinhos com medo de ser acusados de assédio sexual, esses homens afastam-se de uma queixa de assédio sexual para serem acusados de discriminação com base no género”, afirmou o advogado.

À semelhança de Mike Pence — o vice-presidente norte-americano afirmou que evitava jantar sozinho com mulheres que não sejam a sua mulher —, os homens entrevistados pela Bloomberg contam que estão cada vez menos com colegas do sexo feminino, especialmente se forem “jovens ou atraentes” com receio dos rumores ou das potenciais “mentiras”, descreve um deles.

Ao serem excluídas de jantares de negócios ou de encontros casuais após o trabalho, as mulheres são excluídas dos laços de ligação entre colegas e afastadas das decisões.

Deixar de reunir com mulheres ou manter a porta aberta em reuniões privadas são algumas das estratégias equacionadas pelos executivos.

Lisa Kaufman, chefe executiva da LaSalle Securities, nota que para evoluir profissionalmente em Wall Street é necessário ter um mentor. “Não existem ainda mulheres suficientes para ajudar a próxima geração. A evolução requer tipicamente que alguém de um nível mais sénior conheça o teu trabalho e te dê uma oportunidade. Isso é difícil se a pessoa não estiver disposta a estar sozinha com o membro júnior”, afirma.»

PUBLICO.PT
Os efeitos do movimento MeToo estão a fazer com que os homens evitem viajar ao lado de mulheres. Ou, se estiverem em reuniões privadas, manterem a porta aberta. Em vez de assistir a uma correcção de comportamentos, as mulheres estão a ser excluídas

Paris brûle-t’il-déjà?

Eduardo Fernandes and João Pedro Dias shared a link.
EXPRESSO.SAPO.PT
Às 15h45, hora de Paris, um banco, barricadas e veículos ardiam na zona do Arco do Triunfo em Paris. Dois quilómetros mais abaixo, na rua do Rivoli, na zona da praça da Concórdia, outro carro encontrava-se em chamas. A essa hora, toda a Paris-chique estava fora de controlo e dominada pela…

geração Floco de neve, conhece?

«Quando imaginamos um floco de neve, nós o associamos à beleza e singularidade, mas também à sua enorme vulnerabilidade e fragilidade. Estas são precisamente duas das características que definem as pessoas que atingiram a idade adulta na década de 2010. Afirma-se que a geração “floco de neve” seja formada por pessoas extremamente sensíveis aos pontos de vista que desafiam sua visão do mundo e que respondem com uma suscetibilidade excessiva às menores queixas, com pouca resiliência.

A voz de alarme, por assim dizer, foi dada por alguns professores de universidades como Yale, Oxford e Cambridge, que notaram que a nova geração de alunos que frequentavam suas aulas era particularmente suscetível, não tolerante à frustração e particularmente inclinados fazerem uma tempestade em um copo de água.
Cada geração reflete a sociedade que eles viveram

Dizem que as crianças saem mais ao padrão da sua geração que aos pais. Não há dúvida de que, para entender a personalidade e o comportamento de alguém, é impossível abstrair do relacionamento que estabeleceu com seus pais durante a infância e a adolescência, mas também é verdade que os padrões e expectativas sociais também desempenham um papel importante no estilo educacional e moldam algumas características de personalidade. Em resumo, podemos dizer que a sociedade é a terra onde a semente é plantada e crescida e os pais são os jardineiros que são responsáveis por fazer crescer.

Isso não significa que todas as pessoas de uma geração respondam ao mesmo padrão, felizmente há sempre diferenças individuais. No entanto, não se pode negar que as diferentes gerações têm metas, sonhos e formas de comportamento característico que são o resultado das circunstâncias que tiveram que viver e, em alguns casos, tornam-se inimagináveis em outras gerações.

Claro, o mais importante é não colocar rótulos, mas analisemos para entender o que está na base desse fenômeno, para não repetir os erros e para que possamos dar a devida importância a habidades de vida tão importantes quanto a Inteligência Emocional e a resiliência.
3 erros educacionais colossais que criaram a geração “floco de neve”

1. Superproteção. A extrema vulnerabilidade e escassa resiliência desta geração têm suas origens na educação. Estes são, geralmente, crianças que foram criadas por pais super protetores, dispostos a pavimentar o caminho e resolver o menor problema. Como resultado, essas crianças não teve a oportunidade de enfrentar as dificuldades e conflitos do mundo real e desenvolver tolerância à frustração, ou resiliência. Não devemos esquecer que uma dose de proteção é necessária para que as crianças cresçam em um ambiente seguro, mas quando impede que explorem o mundo e limite seu potencial, essa proteção se torna prejudicial.

2. Sentido exagerado de “eu”. Outra característica que define a educação recebida pelas pessoas da geração “floco de neve” é que seus pais os fizeram sentir muito especiais e únicos. Claro, somos todos únicos, e não é ruim estar ciente disso, mas também devemos lembrar que essa singularidade não nos dá direitos especiais sobre os outros, já que somos todos tão únicos quanto os outros. O sentido exagerado de “eu” pode dar origem ao egocentrismo e à crença de que não é necessário tentar muito, uma vez que, afinal, somos especiais e garantimos o sucesso. Quando percebemos que este não é o caso e que temos que trabalhar muito para conseguir o que queremos, perdemos os pontos de referência que nos guiaram até esse momento. Então começamos a ver o mundo hostil e ameaçador, assumindo uma atitude de vitimização.

3. Insegurança e catástrofe. Uma das características mais distintivas da geração do floco de neve é que eles exigem a criação de “espaços seguros”. No entanto, é curioso que essas pessoas tenham crescido em um ambiente social particularmente estável e seguro, em comparação com seus pais e avós, mas em vez de se sentir confiante e confiante, temem. Esse medo é causado pela falta de habilidades para enfrentar o mundo, pela educação excessivamente superprotetiva que receberam e que os ensinou a ver possíveis abusos em qualquer ação e a superestimar eventos negativos transformando-os em catástrofes. Isso os leva a desejarem se bloquear em uma bolha de vidro, para criar uma zona de conforto limitado onde eles se sintam seguros.

Para entender melhor como a educação recebida afeta uma criança, é importante ter em mente que as crianças procuram pontos de referência em adultos para processar muitas das experiências que experimentam. Isso significa que uma cultura paranóica, que vê abusos e traumas por trás de qualquer ato e responde com sobreproteção, gerará efetivamente crianças traumatizadas. A forma como os adultos enfrentam uma situação particularmente delicada para a criança, como um caso de abuso escolar, pode fazer a diferença, levando a uma criança que consegue superar e se torna resiliente ou uma criança que fica com medo e torna-se uma criança vítima
Qual é o resultado?

O resultado de um estilo de parentesco superprotetivo, que vê o perigo em todos os lugares e promove um sentido exagerado de “eu”, são pessoas que não possuem as habilidades necessárias para enfrentar o mundo real.

Essas pessoas não desenvolveram tolerância suficiente à frustração, então o menor obstáculo os desencoraja. Nem desenvolveu uma Inteligência emocional adequada, então eles não sabem como lidar com as emoções negativas que certas situações suscitam.

Como resultado, eles se tornam mais rígidos, se sentem ofendidos por diferentes opiniões e preferem criar “espaços seguros”, onde tudo coincide com suas expectativas. Essas pessoas são hipersensíveis à crítica e, em geral, a todas as coisas que não se encaixam na visão do mundo.

Também são mais propensos a adotar o papel das vítimas, considerando que estão todos contra ou equivocados. Desta forma, eles desenvolvem um local de controle externo, colocando a responsabilidade sobre os outros, em vez de se encarregar de suas vidas e mudar o que podem mudar.

O resultado também é que essas pessoas são muito mais vulneráveis ao desenvolvimento de transtornos psicológicos, do estresse pós-traumático à ansiedade e à depressão. Na verdade, não é estranho que o número de transtornos de humor aumente ano após ano.

Fonte:
Mistler, BJ et. Al. (2012) The Association for University and College Counseling Center Directors Annual Survey Reporting. Pesquisa do AUCCCD ; 1-188»

PORTALRAIZES.COM
A voz de alarme, por assim dizer, foi dada por alguns professores de universidades como Yale, Oxford e Cambridge, que notaram que a nova geração de alunos que frequentavam suas aulas era particularmente suscetível, não tolerante à frustração e particularmente inclinados fazerem uma tempestade…

o mundo dos zombies

“Andar por uma rua em qualquer área urbana em ruínas neste país, você vê rostos tristes olhando fixamente enquanto eles se arrastam por suas vidas na estrada para lugar nenhum, ou perdem tempo absorvido por trivialidades e besteiras que emanam de seus iGadgets”, escreve Jim Quinn em um post especialmente presciente no blog The Burning Platform :

As vidas de muitos são uma marcha sem sentido de miséria e repetição irracional de tarefas diárias. Há uma esmagadora nuvem de tristeza permeando a vida das massas, à medida que nossa cultura repulsiva, construída sobre desejos satisfatórios, consumismo, egoísmo e ganância, acaba resultando em seres humanos delirantes, desapontados e desesperados.

A LÍNGUA DOS SENTINALESES

COMO SERÁ A LÍNGUA DOS SENTINELESES?

(A minha crónica de hoje no Sapo 24.)

Cada doido, sua mania. Oiço falar dos Sentineleses, a tribo isolada que matou um maluc… missionário que lá quis ir — e a primeira coisa que penso é: como será a língua deles?

Ora, sabemos pouco sobre essa língua, mas sabemos algumas coisas…

*

1. É uma língua que os vizinhos não compreendem

Não, não são só os missionários vindos de longe que não conseguem compreender frases simples como «Faça o favor de se afastar se não quer levar com uma seta na tromba.» ou «Esse Jesus parece ser boa pessoa, mas temos mais que fazer.».

Num dos poucos contactos entre os Sentineleses e os habitantes das ilhas em redor, os vizinhos conseguiram perceber uma coisa: não percebiam nada do que eles diziam — ou melhor, do que eles lhes gritavam de setas alçadas. Ou seja, mesmo que as línguas fossem, há uns milénios, parecidas, os séculos e séculos de isolamento afastaram-nas irremediavelmente.

Não é nada de espantar. Sem um oceano em redor, as línguas dos vários povos latinos afastaram-se muito em dois míseros milénios. O que dizer de povos a viver em ilhas há tanto tempo, com contactos muito esporádicos?

*

2. É uma língua que, enfim, existe…

Não os compreendemos, mas sabemos uma coisa: os Sentineleses têm uma língua, como acontece com todos os grupos de seres humanos. Parece que nem todos usam roupa, por exemplo. Mas língua? Ainda está por encontrar a tribo que se tenha esquecido de falar.

Como é que isto aconteceu? Como é que a linguagem se tornou essencial aos seres humanos?

Há duas correntes (simplificando um pouco). Alguns linguistas sublinham a maneira como a linguagem é uma ferramenta cultural, inventada em certo ponto da nossa História. No fundo, o uso da linguagem será como a roda: uma vez inventada, tornou-se tão útil que ninguém a dispensa. Mas não nascemos — segundo esta perspectiva — com algum tipo de mecanismo linguístico impresso no cérebro. Se alguém quiser investigar um pouco o que dizem estes linguistas, pode começar pelo nome mais famoso: Daniel L. Everett (por exemplo, no seu livro Language: The Cultural Tool).

Outros linguistas sublinham o carácter biológico da linguagem: temos aparelhos fonadores e cérebros adaptados ao uso da linguagem — basta pensar que as nossas gargantas seriam muito diferentes se não fosse a necessidade de falar. Afinal, nós temos a infeliz capacidade de nos engasgarmos (ao contrário dos outros símios) porque as gargantas estão feitas para falar. Quando alguém morre com um pedaço de pão na garganta, está a pagar com a vida o preço de poder falar. Isto, claro, não significa que as línguas não sejam artefactos culturais — mas usam um mecanismo biológico (o aparelho fonador e uma peculiar arquitectura do cérebro) partilhado por todos os humanos. Um dos linguistas que propõem esta perspectiva é Steven Pinker (por exemplo, no seu livro The Language Instinct).

O debate é muito interessante — e não vale a pena fingir que posso dar aqui uma imagem minimamente realista dos argumentos de uns e outros. Mas posso apontar para um outro livro, chamado The Evolution of Everything, de Matt Ridley. Num dos capítulos, o autor traça uma imagem que junta estas duas perspectivas e me parece muito razoável. Tal como no caso da invenção do controlo do fogo, a invenção da linguagem teve implicações biológicas. Como passámos a cozinhar, as nossas mandíbulas tornaram-se diferentes das dos outros símios. Ora, uma vez inventada a linguagem, os nossos corpos e os nossos cérebros começaram a mudar.

Seja como for, não há povo que não tenha uma ou mais línguas. E, como aconteceu há poucas décadas com a língua gestual nicaraguense, se um grupo de pessoas vive em conjunto sem que alguém lhes ensine uma língua, começam a desenvolver uma língua própria.

Sem pretender resolver um debate que irá continuar por muitas e boas décadas, a linguagem humana parece ser um facto cultural e biológico. Pelo menos, parece que os diferentes idiomas são transmitidos culturalmente, mas todos os seres humanos têm cérebros e bocas biologicamente preparados para falar.

*

3. É possível aprender o sentinelês

Ora, tendo em conta o que disse acima, temos outro facto sobre a tal língua desconhecida. Teoricamente, uma qualquer criança humana que fosse exposta ao idioma desde a nascença (viesse donde viesse) iria aprendê-la tão bem como um sentinelês.

Ou seja, teoricamente, podemos aprender aquela língua como podemos aprender qualquer língua do mundo — na prática, não é possível: porque ninguém consegue conversar com os seus falantes.

Não há muito a fazer: não sejamos tão loucos como o morto. Que fariam aquelas pessoas se aparecêssemos por lá aos gritos: «Ensinem-nos a vossa língua!»?

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4. É uma língua complexa

As culturas são diferentes. Esta declaração não me parece muito difícil de aceitar… Podemos também dizer, sem grande medo de errar, que há culturas com instituições mais complexas do que outras.

No caso das línguas, não conhecemos o sentinelês, mas conhecemos as línguas de tribos isoladas noutros locais no mundo (ou mesmo nas ilhas vizinhas). E, ao contrário do que muitos pensam, essas línguas não são necessariamente mais simples do que as nossas línguas europeias, com séculos de escrita às costas.

Há línguas faladas por tribos isoladas com gramáticas que nos deixam de boca aberta: conjugações verbais ainda mais complicadas do que a nossa, subtilezas espantosas, distinções que nos parecem inacreditáveis.

Além disso, todas as línguas permitem criar um número infinito de frases. Todas as línguas têm uma gramática própria. Todas as línguas têm um vocabulário adaptado o seu uso — e a possibilidade de o expandir, se houver necessidade.

Por isso, não sabemos quase nada, mas sabemos que a língua dos Sentineleses tem uma gramática complexa (como todas as línguas), uma gramática que permite criar um sem-número de frases. Uma gramática que permite conversar, insultar, amar, divertir, aborrecer…

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5. Aprender a língua não chega

Imaginemos que alguém se aproximava da ilha sabendo (por um estranho milagre) a língua daquela tribo. Diria palavras como «venho em paz» ou «por favor, não me matem já».

Será que sobreviveria?

Talvez ajudasse — mas nada garante. Afinal, saber a língua do outro não é receita certa para a paz.

Os problemas dos seres humanos não existem porque falamos línguas diferentes. Há tantas e tantas guerras entre gente que fala a mesma língua… E, da última vez que fui ver, a actividade dos tradutores (espécie na qual me incluo) parece não ter impedido a existência de guerras ao longo da História — e tradutores há desde sempre…

Diria até que, em certos casos, perceber o que outro diz pode ser uma emenda pior do que o soneto do contacto sem palavras. Se os Sentineleses tivessem compreendido que o senhor vinha para convencê-los a mudar de religião — e, já agora, a usar roupa, que aquilo de andar nu não está de acordo com os bons preceitos bíblicos —, talvez a seta que o matou tivesse sido atirada uns segundos mais cedo. Nunca se sabe.

Enfim: quando tentamos aprender a língua do outro, damos um bom passo. Mas é só um passo. As grandes barreiras que separam povos diferentes ou pessoas que vivem no mesmo prédio — às vezes na mesma casa — são outras: ideias diferentes, religiões diferentes, visões do mundo diferentes, ou talvez uma desconfiança ancestral ou um mal-entendido momentâneo. A própria vontade de espalhar as nossas ideias pode ser uma causa de conflito: afinal, aquela morte teve muito que ver com a vontade de espalhar as crenças próprias entre quem deseja viver em paz na ilha onde sempre esteve.

Enfim, a verdade é que sou humano e, como tal curioso. Não me atrevo a lá ir, mas não resisto a imaginar: como será a língua dos Sentineleses?