“Faço parte daquele grupo que não dá conta que existe a CPLP” – Mia Couto

O escritor moçambicano fala sobre o desenvolvimento no seu país, a importância da língua portuguesa e o papel que os escritores podem ter nesses assuntos. Mia Couto junta a sua voz à de líderes de várias áreas nos esforços globais para o sucesso da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.

Source: “Faço parte daquele grupo que não dá conta que existe a CPLP” – Mia Couto

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MIA COUTO E AGUALUSA MENSAGEM PARA O BRASIL

Uma mensagem para os brasileiros, minha e de Mia Couto, neste momento assustador que o país atravessa. Não ao ódio, sim à democracia!

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MIA COUTO meter os miudos a ler

“Mia Couto diz que é pela oralidade que os pais vão conseguir levar as crianças até aos livros. Com mais uma obra infantil a chegar às livrarias, o escritor explica-nos como cria histórias.”

SABADO.PT
Mia Couto diz que é pela oralidade que os pais vão conseguir levar as crianças até aos livros. Com mais uma obra infantil a chegar às livrarias, o
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MIA COUTO o falhanço da educação dos filhos

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Emrc Mondim

UM DIA ISTO TINHA QUE ACONTECER (por Mia Couto)

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, … A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer “não”. É um “não” que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos – e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas – ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Continuar a ler MIA COUTO o falhanço da educação dos filhos

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MIA COUTO

 

Humanistas pela Paz
“Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos, mas não há hoje, no mundo um muro, que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente. ”
@Mia Couto

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Gungunhana (sentado, à esquerda) e os seus familiares na Terceira, Abril de 1899.

de diálogos lusófonos retira-se

Esse grupo de ex-reis e régulos africanos foi aprisionado em África e, depois de batizados, enviados para o Castelo São João Batista, em Angra, onde ficaram até morrer. Deixaram descendência misciginada (os Zixaxa) nos Açores.

Roberto Francisco Zixaxa nasceu( 2/10/1911)e morreu (3/6/1967)em Angra. Era filho natural de Zixaxa e de Maria Augusta ( filha de João de Sousa e da espanhola Francisca Vila D”Amigo). Recebeu o nome de Roberto Francisco da Rocha, pois sua mãe à época era casada com Antonio Francisco da Rocha. Foi muito estimado e reconhecido jogador de futebol açoriano. Casou com D. Jacinta Aguiar Gomes em 1951 com geração.

Reinaldo Frederico Gungunhana era neto do famoso general zulu, Manicusse ( Soshangane) , fundador do Império de Gaza ( Moçambique), que nas suas conquistas derrotou e chacinou os portugueses e o governador ( Dionísio Antonio Ribeiro) da fortaleza , em Lourenço Marquez . No ano seguinte, em 1834, foi a vez de tomar Inhambane quando derrotou e matou 280 moradores.

Gungunhana foi o ultimo rei da dinastia fundada pelo seu avô (Manicussi). Depois de lutas cruentas pela posse de Moçambique, estimuladas por governos europeus, foi aprisionado em 1895 pelos portugueses e exilado nos Açores junto com familiares e outros régulos africanos. Morreu , como os outros em Angra, Ilha da Terceira.

Dados compilados do livro Genealogias Ilha da Terceira e internet.

Eduarda

De: [email protected] [mailto:[email protected]]
Enviada em: quarta-feira, 20 de setembro de 2017 20:10
Assunto: [dialogos_lusofonos] Gungunhana (sentado, à esquerda) e os seus familiares na Terceira, Abril de 1899.

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Gungunhana (sentado, à esquerda) e os seus familiares na Terceira, Abril de 1899. Zixaxa de pé, à direita, Godide de pé logo atrás do Pai e Molungo sentado ao lado.

Um curiosidade sobre o forte de S. João Baptista, na Ilha Terceira, onde Gungunhana e os seus familiares viveram, é o de ter sido o mesmo onde, dois séculos antes, esteve efectivamente detido, entre 1669 e 1674, o rei português D. Afonso VI, cuja vida daria um verdadeiro filme de terror em Hollywood.

Em 2005, viviam na Terceira Roberto Zixaxa (IV), Berta Zixaxa e Bianca Zixaxa, descendentes directos de Zixaxa. Que, para variar, por causa das misturas, são praticamente brancos. E açoreanos. Mas cientes do passado familiar.

Um curiosidade sobre o forte de S. João Baptista, na Ilha Terceira, onde Gungunhana e os seus familiares viveram, é o de ter sido o mesmo onde, dois séculos antes, esteve efectivamente detido, entre 1669 e 1674, o rei português D. Afonso VI, cuja vida daria um verdadeiro filme de terror em Hollywood.

Em 2005, viviam na Terceira Roberto Zixaxa (IV), Berta Zixaxa e Bianca Zixaxa, descendentes directos de Zixaxa. Que, para variar, por causa das misturas, são praticamente brancos. E açoreanos. Mas cientes do passado familiar.

ZIXAXA E GUNGUNHANA NA ILHA TERCEIRA, AÇORES, INÍCIO DO SÉC.XX

ZIXAXA E GUNGUNHANA NA ILHA TERCEIRA, AÇORES, INÍCIO DO SÉC.XX

Roberto Zixaxa foi um dos apoiantes de Gungunhana (nota: outros registos indicam-no como sobrinho ou mesmo filho…

Leitura adicional: Maria da Conceição Vilhena, Quatro Prisioneiros Africanos nos Açores

Leitura adicional: Maria da Conceição Vilhena, Quatro Prisioneiros Africanos nos Açores

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Enviado por: “Maria Eduarda”

nota do editor do blogue: não percam a trilogia sobre Gugunhana de Mia Couto (2 volumes já saíram e são um espanto)

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Mia Couto – “Não há tentativa de branquear a história ou de menorizar o que foi criminoso”

Desmistificar a figura que fica para a história de Gungunhana é o objetivo da trilogia que o mais importante escritor moçambicano está a escrever. Um romance em parte epistolar e que revela as confissões íntimas dos militares portugueses, numa réplica da guerra colonial de 1961-1974.

Fonte: Mia Couto – “Não há tentativa de branquear a história ou de menorizar o que foi criminoso”

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Mia Couto finalista Prémio..

Mia Couto está entre os 20 finalistas do Prémio São Paulo de Literatura, promovido pelo Estado de São Paulo, do Brasil.

Escrito por Zita Ferreira Braga

Mia Couto concorre com o romance “Mulheres de Cinzas – As Areias do Imperador”, na categoria Melhor Livro do Ano e é o primeiro autor estrangeiro a ser destacado na final do certame, segundo anunciou a organização.

Além de Mia Couto, outros nove escritores disputam o prémio de 200 mil reais (54,6 mil euros): Beatriz Bracher, João Almino, Julián Fúks, Marcelo Rubens Paiva, Nei Lopes, Noemi Jaffe, Paula Fábrio, Raimundo Carrero e Santana Filho.

O prémio também seleccionou três obras que concorrem na categoria Melhor Livro de Romance do Ano, para autor estreante com mais de 40 anos, e outros sete na categoria Melhor Livro de Romance do Ano para autor estreante com menos de 40 anos.

Todos os livros seleccionados foram publicados pela primeira vez em 2015, com primeira edição em língua portuguesa.

Criado em 2008, o Prémio São Paulo de Literatura tem como principal objectivo incentivar a produção literária e nele já participaram de mais de 1.200 livros, tendo sido premiados 19 romances.

Os vencedores da edição de 2016 serão anunciados em outubro, em data a ser divulgada pela organização.

[Fonte: www.hardmusica.pt]
Mia+Couto+-+pr%C3%A9mio+SP

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Mia Couto – a voz desanoitecida | Urbano Bettencourt

Mia Couto, a resposta está dada pelo autor numa entrevista já não recente, quando interrogado sobre a lusofonia: “Lusofonia não, lusofonias. Cada um de nós tem a sua e tem que ser capaz de a inventar e de a alimentar a seu modo. Poderia dizer que a minha pátria é a poesia. E a língua portuguesa. Mas exactamente na sua capacidade de deixar de ser “portuguesa”. Isto é: a língua portuguesa enquanto espaço onde me reinvento, onde me  torno único. Assim, encontro pátria na minha língua portuguesa” (Público, 03

Fonte: Mia Couto – a voz desanoitecida | Urbano Bettencourt

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