Da identidade dos Macaenses e de outros portugueses do Oriente – Hoje Macau

Reflectindo quanto baste, parece poder concluir-se que: Não rendem votos aos partidos políticos portugueses, nem remessas de divisas, como as

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MACAU QUANDO A DISTÂNCIA É UMA METÁFORA

A minha modesta homenagem a António Aresta, que foi professor em Macau e é notável investigador das cousas de Macau.
Felizmente há Instituições como o IIM Instituto Internacional de Macau 澳門國際研究所, o Albergue que editam, e outras instituições de raíz portuguesa como a Fundação Rui Cunha 官樂怡基金會 que acolhem toda a diversidade de saberes e conhecimentos.
António Aresta tem já, hoje, a mesma importância de outros nomes do passado como Manuel da Silva Mendes ou Luis Gonzaga Gomes.
É necessário dar-lhes reconhecimento enquanto estão vivos. Saúde!!!

 

JTM.COM.MO

QUANDO A DISTÂNCIA É UMA METÁFORA

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COMENTÁRIO

António Conceição Júnior*

ESPECIAL PARA O JTM

Vai o Instituto Internacional de Macau, no próximo dia 21 de Maio, lançar a obra “Figuras de Jade” de António Aresta, autor que muito estimo pelo quanto se tem dedicado a Macau, minha terra-berço.

Não posso deixar passar esta oportunidade para, apesar das circunstâncias particulares que de momento atravesso, expressar publicamente a minha admiração pelo trabalho desenvolvido por António Aresta.

Neste jornal “Tribuna de Macau”, já histórico, que ocupa fisicamente o espaço que já foi o do velho “Notícias de Macau”, cuja memória me é tão querida, António Aresta tem escrito tantos e tão sapientes artigos sobre esta cidade e sobre figuras que aqui deixaram marca.

Tem Macau o condão de, pelo afecto, tornar seus cidadãos mesmo aqueles que aqui não nasceram, como é o caso deste professor e investigador da presença portuguesa neste Oriente Extremo, autor de valiosa e substantiva obra de investigação, como “Educação Cívico-Política em Macau” de 1989, “A inovação curricular do ensino da filosofia em Macau” de 1993, “Macau Histórico e Cultural” de 2016, “O Pensamento Moral de Leôncio Ferreira” de 2017, ou preciosa colaboração na publicação da obra completa de Manuel da Silva Mendes, coordenada por Rogério Beltrão Coelho.

São 30 anos de dedicação a uma causa que anuncia o sortilégio que esta cidade, velha de quinhentos anos, exerce sobre alguns, fazendo da distância geográfica apenas uma metáfora, por saberem escutar os sussurros da história.

Nos dias de hoje, onde o instantâneo substitui, no geral, o labor cuidado e perseverante, será talvez mais difícil compreender a dedicação a tantos e tão variados temas sobre Macau com que o autor nos tem brindado.

António Aresta pertence, por mérito exclusivo, ao raro grupo de investigadores e historiadores portugueses que têm o Oriente, em geral, e Macau, em particular, como um dos seus principais objectos de estudo.

Ler António Aresta constitui um dever, uma verdadeira necessidade para a compreensão do fascínio da história deste lugar tão singular, sobretudo para quem, vindo do Ocidente, queira resistir a outros fascínios bem mais fáceis, mas igualmente bem mais pobres.

São tantas as circunstâncias e os nomes de homens que desembarcaram em Macau para aqui permanecerem por pouco tempo mas que acabaram ficando! É impossível lembrá-los todos, do mais humilde soldado e embarcadiço ao bacharel e doutor. Todos eles foram consolidando uma matriz e contribuíram para a criação de identidade única e singular.

Destes, torna-se assim inevitável recordar nomes como Camilo Pessanha, Manuel da Silva Mendes, ou Montalto de Jesus, Jack Braga, Luis Gonzaga Gomes, o Pe. Manuel Teixeira, Benjamim Videira Pires S.J., José Silveira Machado, bem como missionários de diversas nacionalidades que, com a dedicação à causa do Ensino e Solidariedade, tiveram o desejo de se aproximarem do Outro, com ele conviverem. Esta a essência de Macau e, muito provavelmente, o seu apelo, a chamada para a diferença.

António Aresta inscreve-se, pois, neste raro grupo de personalidades que, no decurso da já longa história de Macau, se destacaram pela qualidade da sua obra, mas igualmente pelo amor dedicado à singularidade deste lugar.

Como cidadão de Macau agradeço a António Aresta, investigador que se enquadra na tradição de uma plêiade de figuras de vulto que criaram um corpo de saber e contribuíram para a edificação da Memória de Macau.

Saúdo igualmente o Instituto Internacional de Macau pela edição de mais esta importante obra, na senda das que tem vindo a publicar para enriquecimento da vida cultural e perpetuação da importância histórica desta cidade, quando se acercam novos tempos e novas vocações para o seu futuro.

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uma sugestão do 13º colóquio da lusofonia 2011 Macau vai acontecer: Novo mestrado em Macau vai ensinar patuá, crioulo português perto da extinção

Macau, China, 05 mai 2019 (Lusa) — O patuá, crioulo português de Macau, vai ser “estudado e falado” no futuro mestrado em estudos lusófonos da Universidade de São José (USJ), numa tentativa de preservar esta língua a um passo da extinção, disse um dos coordenadores.

Source: Novo mestrado em Macau vai ensinar patuá, crioulo português perto da extinção

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MACAU VÍDEO “Falar Macau, falar Português”

Vídeo a concurso (no IPOR), sobre o tema “Falar Macau, falar Português”, de uma aluna minha, do nível B1. Tem legendas em português e em cantonês; e é falado em português, claro! Obrigada! E bom feriado, amanhã!

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macau na 2ª gg e o contrabando

Arroz, ópio, ouro, armas, caridade e ódio — tudo se contrabandeou em Macau nos anos de 1937 a 1945. O tempo da Guerra do Pacífico assusta pela dimensão da tragédia nesta terra que, no fio da navalha, escapou à ocupação japonesa.

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  • João Barradas Identificação correcta:
    José Carlos Seabra Pereira
    Professor Universidade de Coimbra
    Obra referenciada: “O Delta Literário de Macau”, Instituto Politécnico de Macau, Macau 2015
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AS FILOSOFIAS E A CHINA – UMA CONVERSA COM ANA CRISTINA ALVES

Todas estas conversas sabem a pouco, mas é com pouco que se faz muito. Fica assim cumprida a promessa da entrevista de uma das nossas raríssimas sinólogas, sem exclusão de género.
E porque acredito na inclusão, agradeço a colaboração da Ana Cristina Alves e farei também uma versão em Inglês, para que seja mais extensiva a sua leitura.
NOTA: Esta entrevista não apareceu do nada. É resultado do esforço e disponibilidade da Ana Cristina Alves . Como tal, e por Respeito, não é um produto que se partilhe sem uma palavra. Somos aquilo que fazemos. Respeito os direitos autorais.

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MACAU URBANIDADES DE ANTº CONCEIÇÃO JNR

URBANIDADES


A VERMELHA RUA DA FELICIDADE

Posted: 04 Apr 2019 04:00 PM PDT

Só o uso preserva o edifício da ruína, tanto quanto a palavra sustenta a linguagem.
Imagino o que seria aquilo que diversos autores chamavam de cidade chinesa, ou cidade pagã, por vezes também confundida com o bazar, tal era a densidade das habitações, quando ainda não tinha sido rasgada a importante via que iria ligar a Avenida da Praia Grande ao Porto Interior.
Seria um emaranhado de ruas estreitas, interiores, vielas, travessas, cuja estrutura ainda hoje se pode sentir dos dois lados divididos pela San Ma Lou (新馬路,a nova avenida), a que chamamos de Almeida Ribeiro.
Pela sua importância, associo aqui a excelente crónica de Manuel V. Basílio que historia a construção desta Avenida de uma forma exaustiva e com documentação fotográfica importante.
No Bazar, coração da cidade chinesa, jogava-se o Fantan no Pátio da Caldeira e em outros similares.
origem: Jon Doo
Fantan jogado na Praça da Caldeira
origem: Jon Doo
A Rua da Felicidade em 1905
Rua da Felicidade 1960s (de notar a diferença de um piso comparada à foto anterior)
O histórico distrito do prazer situava-se bem próximo do Largo do Senado. Por lá, nos kou lau, comia-se e bebia-se mau tai (aguardente de arroz) enquanto as cortesãs, muitas adolescentes, aprendidos os ademanes da profissão, cuidavam dos convivas, preparando-os para a conversa.
Pinterest
Adolescentes tocando música séc. XIX
As casas tipicamente chinesas desta zona não eram grandes. Talvez umas se destinassem a lautos jantares, bebida e ópio, e outras às conversas que a raparigas teriam com os seus clientes.
Como distrito vermelho, cor chinesa da Felicidade, não seria por acaso que a rua e o beco tivessem esse mesmo nome.
Há dias deambulei por essa zona e, nas fotografias que publico, pode ver-se o novo ciclo de decadência, trazendo-me à memória o que escrevi nos idos anos da década de 1990.
O vermelho ainda está presente
Porém o abandono desfia a madeira e o vermelho
Recentemente a imprensa noticiou que a Rua da Felicidade será classificada como uma das “novas maravilhas de Macau”. Será que a ideia de pintar de verde as portadas deste “novo” lugar único se mantém?
O que estará por trás da aplicação do verde? Será preconceito ou ignorância?
Desde sempre me recordo de ver ou de uma cor desmaiada a roçar o castanho sangue-seco, ou então num vermelho-quase-vermelhão, fazendo as janelas do piso superior ressaltar, compostas por delicado trabalho de hexágonos de madeira com madrepérola translúcida a substituir o vidro, com as portas a explodirem de cor contrastando com o branco das paredes.
Vermelho, uma questão de memória
Lembro-me de ter pedido a revitalização da Rua da Felicidade e ter usado a velha máxima de que “mais vale ensinar a pescar do que dar um peixe”.
Definir toda a rua como Património não era novidade. Era evidente. Mas já nessa altura entendia que para haver preservação era necessário dar uso cuidado às casas daquela e de todas as ruas com história.
Pintaram-se as fachadas, mas, por razões que desconheço, pouco mais se fez. Os restaurantes que serviam iguarias esquisitas, como águias e escamudos rastejantes, fecharam. Em seu lugar surgiram exteriores “ruidosos” e interiores em que, o duvidoso mau gosto (ou ignorância) dão a impressão de que, a qualquer momento, poderá aparecer alguém a arrastar chinelas sobre o chão de quadrados cerâmicos fabricados ontem.
Ingenuamente, imaginei então a criação de um grupo de trabalho que iria reunir com os proprietários, oferecendo informação não apenas sobre renovação e preservação, mas também de modelos de negócio que integrassem a zona: restaurantes cuidadosamente preservados, hotéis de charme ou hospedarias chinesas (como vi em Ping Yiao), restituindo dignidade à história dessa rua.
O fecho de uma alfaiataria ou a queda dos artesãos.
O que constatei agora, passados quase trinta anos, foi o abandono do vermelho, o fecho de uma alfaiataria que outrora deve ter feito cabaias tradicionais infelizmente caídas em desuso, e o surgimento de restaurantes desenquadrados na vocação e tipologia.
Sobre o grupo de trabalho, possíveis empréstimos sem juros ou com eles bonificados, para reconversão, não sei se existe, pois nunca ouvi falar de um para este fim.
Nesta zona, entre outras, poderia assistir-se ao regresso, sem muito esforço, da autenticidade que não o pastiche em moda, do recurso a modelos de negócio adaptados à vocação (que não à história) do lugar.
Lembrando-me que nos anos de 1940, mais afastado do início da rua, o restaurante Fat Siu Lao, famoso pelo pombo assado, era escolha predilecta de tantos, entre os quais Hermman Machado Monteiro, que deixou na ementa o “bife à Monteiro”.
A preservação do Património requer rigor, como a proibição de poluição visual nas fachadas e montras, exigência quanto ao tratamento dos interiores que implica verdadeiro restauro, isto é, respeito, para que não se repitam os descuidos das fachadas Largo do Senado. Veja-se a fachada do prédio onde durante décadas funcionou o “Long Kei” e outros negócios, hoje decorada por aço inox espelhado ou a poluição visual da sua envolvência, incompatível com qualquer preservação patrimonial.
Note-se que a consciência da necessidade de preservação dos lugares faz parte do conjunto de valores que integram a noção de cidadão, de cidadania e de cultura.
Quase trinta anos depois, regresso ao mesmo assunto. Por mim dou agora por encerrada a minha militância.

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HENRIQUE DE SENNA FERNANDES

O “Rastro Literário” deixado pelo “Guardião da Memória de Macau”.

As obras de Henrique de Senna Fernandes dão ênfase à voz do personagem macaense, demarcam a sua identidade e espelham os “contrastes sócio-histórico-culturais que determinaram os rumos do povo de Macau”.

Bruno Tateishi é o autor de uma tese em que dá como provado o contributo do espólio literário de Senna Fernandes que ainda hoje ajuda a delinear os “principais contornos da identidade étnica macaense”

Analisar a forma como o romance de Henrique de Senna Fernandes “orquestra a diversidade social de linguagens representadas artisticamente, recuperando memórias para forjar uma identidade macaense”, foi o objectivo a que se propôs Bruno Tateishi, autor de uma tese de doutoramento em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

“Assim, só poderemos fazer uma leitura precisa dos romances se os deslocarmos no tempo, visto que no seu tempo de publicação o projecto étnico macaense já havia se enfraquecido e a comunidade macaense já encontrara outros meios de sustentar a sua identidade”, sublinha Bruno Tateishi, no documento consultado pela TRIBUNA DE MACAU.

Henrique de Senna Fernandes é descrito pelo doutorando como um “guardião da memória de Macau”.

Nascido em 1923, no seio de uma das “mais ilustres e tradicionais famílias macaenses”, o filho de Edmundo José e Maria Luíza ingressou no curso de Direito da Universidade de Coimbra onde terminou os estudos em 1952.

Regressou a Macau para exercer advocacia e teve escritório próprio.

Destacou-se também à docência, sendo professor e director da Escola Comercial Pedro Nolasco.

Viria a falecer aos 86 anos, em Outubro de 2010, em Macau.

Senna Fernandes testemunhou “momentos de vital importância para a história de Macau”, como o impacto da Guerra do Pacífico na sociedade local e o período de transição, que culminaria na transferência de administração para a China.

“Desse modo, acompanhou as mutações pelas quais passou o projecto étnico macaense, que aos poucos começava a se distanciar do ‘capital da portugalidade’”, observa o autor.

Assim, “tendo observado as metamorfoses identitárias sofridas pela sua comunidade, Senna Fernandes empenhou-se numa produção literária que retratasse o macaense”.

Aliás, acrescenta, foi produtor de obra que “promovia o macaense de personagem secundário ao protagonista da acção discursiva”.

“Neste sentido, o autor macaense, actuando como uma espécie de guardião da memória de Macau oferece um rastro literário cheio de cumplicidades e demarcações para a preservação e identificação da cultura macaense”, refere, citando Mónica Simas.

Do vasto espólio literário que deixou constam os romances “Amor e dedinhos de pé” (1986), “A trança feiticeira” (1993), “Os Dores” (2012) – este deixado incompleto -, e as colectâneas “Nam Van” (1978) e Mong-Há (1998) através dos quais “procura realizar uma intervenção que traga visibilidade ao macaense, nos seus processos de interculturalidade, tomando-o nuclearmente presente nos processos de significação que a literatura encerra”, acrescenta.

Colocando o foco nas duas primeiras obras, rapidamente se percebe que foram publicadas num espaço de tempo em que a administração de Macau estava prestes a ser assumida pela China.

Os dois livros retratam períodos anteriores à época em que foram escritos pelo que “só poderemos fazer uma leitura precisa dos romances se os deslocarmos no tempo, visto que no seu tempo de publicação o projecto étnico macaense já se tinha enfraquecido e a comunidade macaense já tinha encontrado outros meios de sustentar a sua identidade”, observa o autor da tese.

Ademais, a “localização do macaense como protagonista da acção narrativa foi um dos factores decisivos” para ter seleccionado a “prosa literária de Henrique de Senna Fernandes para o estudo desta tese, podendo delinear, por meio dos discursos que emanam das obras, os principais contornos da identidade étnica macaense”.

Além disso, “podemos vislumbrar, através da sua escrita, todas as particularidades da sociedade que circunda os personagens”, muito embora esta exploração exaustiva da imagem do macaense não seja evidente no primeiro conto de Senna Fernandes, “A-chan, a tancareira” – vencedor do prémio Fialho de Almeida, dos Jogos Florais da Queima das Fitas de 1950, da UC.

“O conto retrata […] os encontros e desencontros que se desenrolavam numa Macau imersa num complexo fluxo de culturas que surgia por meio dos movimentos de diáspora ocasionados em decorrência da eclosão da Guerra do Pacífico”, analisa Bruno Tateishi.

A história de “Amor e dedinhos de pé”

Falar da escrita de Henrique de Senna Fernandes, é também recordar a história de Chico Frontaria e Vitorina Vidal, em “Amor e dedinhos de pé” – que foi também adaptado para filme.

Como explica o doutorando, apesar de ter sido escrita na década de 80, a obra está “ambientada na primeira metade do século XX, em 1905” e representa um “período da história de Macau em que a administração portuguesa ainda mantinha controlo sobre o território e a geração declinante empenhava-se na manutenção de uma capital de ‘portugalidade’, que lhe garantia um forte laço com o governo luso e, consequentemente, maiores oportunidades de ascensão social”.

A obra narra a história das duas personagens principais cujas trajectórias coincidem, a todo o momento, com a vida social existente em Macau.

“O romance está estruturado em quatro partes, contando com dois pequenos textos escritos pelo autor, situados respectivamente antes e depois da narrativa”, refere.

Mas, realça Bruno Tateishi, o primeiro ponto a ser considerado nesta análise é o prefácio de Senna Fernandes: “Para ser mais conforme com o ambiente, eu devia, em certos diálogos, redigi-los em patuá, isto é, no dialecto local, hoje em vias de total desaparecimento. Não o fiz, porque escrevendo sobretudo para o leitor lusófono em geral, não familiarizado com o dialecto, a sua leitura tornar-se-ia difícil e exaustiva para a compreensão, além de dispersar e fatigar o interesse sobre a trama”.

Em todo o caso, “é bem certo que o patuá – uma maravilha linguística – é mais doce e sugestivo ouvido do que lido, dada a impossibilidade de traduzir, em linguagem escrita, todas as nuances e inflexões de sotaque, em pronúncia e entonação, de tão surpreendentes efeitos. […] No entanto, aqui e ali, cedi à atracção, repetindo frases em patuá e noutras introduzi construção gramatical do português falado pelo macaense”, acrescentou o escritor.

Para Bruno Tateishi, ao ter sido seguido esta opção linguística, Senna Fernandes “deixa implícita a existência de outras línguas, como o chinês, e outras variedades linguísticas, como o português de Macau, e outros dialectos, como o patuá.

O patuá, dessa forma, pode ser visto de forma mínima, em algumas situações informais”, aponta.

“A nosso ver, este procedimento de apagamento acaba remetendo, ainda que essa não seja a intenção do autor, ao pensamento característico do macaense da época. Nesta perspectiva, o domínio da Língua Portuguesa era factor imprescindível para sustentar o projecto étnico macaense”, vinca.

Aliás, sendo um lugar que “se encontrava sob administração portuguesa, possuir o domínio da Língua Portuguesa atribuía status social e profissional”, acrescenta o autor.

No documento, é ainda analisado o romance “A trança feiticeira” que “aborda justamente a complicada relação de chineses e macaenses em Macau durante o período da administração portuguesa, por meio da união do personagem macaense, Adozindo, e a personagem chinesa, A-Leng”.

De um modo geral, vinca, “Henrique de Senna Fernandes orienta o seu romance, bem como as vozes sociais orquestradas por ele, para forjar uma identidade macaense que ainda possuía como sustentáculo um projecto étnico calcado no ‘capital da portugalidade’”.

“As memórias de Senna Fernandes acabam por se coadunar com o retrato histórico da sociedade de Macau na composição dos romances, recuperando as suas vivências como macaense que presenciou eventos importantes que se reflectiram na história do território […], bem como no percurso da identidade étnica macaense”, acrescenta.

Assim, “poderemos tomar os romances de Henrique de Senna Fernandes como um importante registo de traços culturais que permitiram estabelecer um diálogo entre Macau e outras localidades da chamada ‘rede lusófona’”.

“Por meio da leitura e análise dos romances pudemos reafirmar a hipótese sustentada ao longo da nossa tese, asseverando que Henrique de Senna Fernandes faz jus ao seu título de ‘guardião da memória de Macau’, retratando, através da sua escrita, os contrastes sócio-histórico-culturais que determinaram os rumos do povo de Macau e, particularmente, dando ‘voz’ ao personagem macaense e demarcando a sua identidade”, remata.

https://jtm.com.mo/…/rastro-literario-deixado-pelo-guardia…/

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Português lança dicionário de crioulo de Macau ameaçado de extinção

O investigador português Raul Leal Gaião lança hoje o dicionário do crioulo de Macau, o patuá, que está “gravemente ameaçado de extinção”, segundo a Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Source: Português lança dicionário de crioulo de Macau ameaçado de extinção

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“Macau simboliza o desejo de descobrir e percorrer o mundo até suas últimas distâncias”

Foi numa viagem de avião para Macau que Sophia de Mello Breyner Andresen começou a escrever “Navegações”. Sophia esteve uma única vez em Macau, em 1977, a propósito das comemorações do Dia de Camõe…

Source: “Macau simboliza o desejo de descobrir e percorrer o mundo até suas últimas distâncias”

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[VÍDEO] Portugal: Salvador Sobral faz furor em Macau… a cantar em cantonês – ESC PORTUGAL | A Eurovisão em Português

Cultura, Espetáculos, Música, Eurovisão, Festival da Canção, Portugal, Eurovision Song Contest, ESC, Parque das Nações, 2018

Source: [VÍDEO] Portugal: Salvador Sobral faz furor em Macau… a cantar em cantonês – ESC PORTUGAL | A Eurovisão em Português

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