CAMÕES INSTITUTO DE COLOCAÇÃO DE AMIGOS NO ESTRANGEIRO

Luís Aguilar shared a post.

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Maria Mendes

Se dúvidas houvesse de que o Camões, IP é uma agência de colocação de amigos no estrangeiro, as mesmas dissipar-se-iam com o que se passa em Montreal e no Canadá para já não falar noutros pontos do planeta.
Que não haja ensino de Português nesta metrópole pouco importa, se os amigos colocados pela agência por ali deambulam.
Que se tenha liquidado um programa completo de Estudos Lusófonos que se tornou no mais importante plano de estudos em todo o Canadá, não importa, se os amigos ali colocados pela agência vegetam na irrelevância.
Que se desrespeitem estudantes dos Estudos Lusófonos, impedindo-os de prosseguirem ou terminarem os seus estudos, pouco importa, se os amigos ali colocados, via agência Camões, se untem de ignorância e menosprezo pelo trabalho realizado ao longo de cerca de vinte anos.
Que as iniciativas atualmente desenvolvidas, para inglês ver, se desenrolam numa pequena sala dos Estudos Catalães pouco importa, se os intérpretes da inocuidade se mostram num covil, onde se podem arrebanhar não mais de dez pessoas.
E a clientela da agência Camões, IP é grande e diversificada.
Há um coordenador de ensino para coordenar a clientela, curiosamente aquele que em tempos definiu o Instituto Camões como uma agência de colocação de amigos no estrangeiro, ele que me inspirou a escrever esta postagem e tem usufruído do que perspetivou: hoje o coordenador de ensino (cargo que só Portugal tem), professor em Otava e leitor em Toronto. E se um coordenador não chegasse há mais uma em Montreal. Há uma cátedra ora existente, ora inexistente, conforme a coleta a arrecadar e os amigos da agência Camões, I.P. a satisfazer.
Nenhum instituto internacional de quaisquer países do mundo se pode dar ao luxo de ter este tipo de prática insólita e, nesse sentido, o nosso Camões, IP prima pela inovação inaudita cuja vocação é, repetimos, colocar amigos em vários países do planeta, ainda que haja docentes colocados sem estudantes e muitos protocolos inócuos assinados por esse Canadá fora. E no próprio Camões IP existe um batalhão de pessoas encarregadas da gestão de tricas e promoção da prática da agência.

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A CASA MEMÓRIA DE CAMÕES QUE O ESTADO IGNORA

Chrys Chrystello shared a link.
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OMIRANTE.PT
Casa dedicada ao poeta foi concluída há 12 anos mas ainda não foi inaugurada. É um edifício moderno que se desenvolve ao longo de cinco pisos pela colina acima, ocupando um quarteirão desde a margem do Tejo até à Rua da Barca.
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era dia de Camões e não se falou dele mas aqui podemos ler e ouvir

De: Álvaro José Ferreira <[email protected]>
Data: 10 de junho de 2018 21:28
Assunto: Camões recitado e cantado (IV)
Para: Provedor do Ouvinte <[email protected]>

Nota prévia:

Para ouvir os poemas de Luís de Camões (os ditos por Luís Miguel Cintra e os cantados por Cristina Branco), bem como o poema de Jorge de Sena dito pelo autor, há que aceder à página http://nossaradio.blogspot.com/2018/06/camoes-recitado-e-cantado-iv.html e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

10 JUNHO 2018

Camões recitado e cantado (IV)

Cabeça de Luís de Camões (1944), em pedra-sabão, realizada pelo escultor brasileiro, de ascendência italiana, Bruno Giorgi, para o edifício do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro.

Neste Dia de Camões, e dando continuidade à divulgação das Dez Canções, ditas por Luís Miguel Cintra, trazemos as quatro que se seguem à terceira [as três primeiras podem ser ouvidas no artigo “Camões recitado e cantado (III)“].
Relativamente a poemas musicados/cantados, apresentamos cinco espécimes, todos na voz de Cristina Branco, quatro extraídos da Lírica e um d’ “Os Lusíadas”.
À laia de prólogo, e no âmbito da evocação de Jorge de Sena nos 40 anos da sua morte, deixamos o poema “Camões Dirige-se aos Seus Contemporâneos”, dito pelo autor. O texto foi escrito a 11 de Junho de 1961 e publicado, pela primeira vez, no livro “Metamorfoses” (1963), ao lado duma fotografia da escultura executada por Bruno Giorgi (imagem do topo); ganhou nova vida em 1974 quando saiu, em fonograma (LP), na voz do próprio Jorge de Sena. Grande admirador e estudioso do nosso vate maior, Sena coloca-o a dirigir-se aos seus coevos, zurzindo ao mesmo tempo nos ladrões que quatro séculos mais tarde iam hipocritamente pôr-lhe flores no túmulo, mas os versos «E podereis depois não me citar, / suprimir-me, ignorar-me, aclamar até / outros ladrões mais felizes.» bem podem aplicar-se aos viventes de hoje que ocupam lugares de elevada responsabilidade cultural, desde planificadores de currículos escolares até directores de órgãos de comunicação social.
Neste dia em que é expectável que os diversos canais da rádio pública celebrem o Príncipe dos Poetas, nem um pedacinho da sua poesia, por mais minúsculo que fosse, logrei ouvir nas Antena 1, 2 e 3 (dei-me ao cuidado de andar a fazer ‘zapping’, mau grado o incómodo). Uma situação assaz vergonhosa e absurda, ademais havendo uma boa quantidade de registos discográficos de poesia camoniana, quer recitada quer cantada!

CAMÕES DIRIGE-SE AOS SEUS CONTEMPORÂNEOS

Poema de Jorge de Sena (in “Metamorfoses”, Lisboa: Livraria Morais Editora, 1963; “Poesia II”, org. Mécia de Sena, col. Obras de Jorge de Sena, Lisboa: Moraes Editores, 1978; 2.ª edição, Lisboa: Edições 70, 1988 – p. 95; “Poesia 1”, org. Jorge Fazenda Lourenço, Lisboa: Guimarães/Babel, 2013 – p. 329 e 331)
Dito pelo autor* (in LP “Jorge de Sena: Poemas Seleccionados e Ditos pelo Autor”, Guilda da Música/Sassetti, 1974, reed. CNM, 2011)

Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.

Assis, 11/6/1961

  • Jorge de Sena – voz
    Direcção literária – Alberto Ferreira
    Produção – Sassetti
    Gravado no Estúdio de Departamento da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara
    Sonorização – Bernardino Pontes
    Assistente musical – Mário Vieira de Carvalho

Saudade

Poema (vilancete em redondilha menor): Luís de Camões (adaptado) [texto original >> abaixo]
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Murmúrios”, MW Records/Music & Words, 1998)

[instrumental]

Ai, se de saudade
Morrerei ou não,
Meus olhos dirão
De mim a verdade.
Por eles me atrevo
A lançar nas águas
Que mostrem as mágoas
Que nesta alma levo.

Se me levam águas,
Nos olhos as levo.

As águas que em vão
Me fazem chorar,
Se elas são do mar,
Estas de amor são.
Por elas relevo
Todas minhas mágoas;
Que, se força de águas
Me leva, eu as levo.

Se me levam águas,
Nos olhos as levo.

Todas me entristecem,
Todas são salgadas;
Porém as choradas
Doces me parecem.
Correi, doces águas,
Que, se em vós me enlevo,
Não doem as mágoas
Que no peito levo!

Se me levam águas,
Nos olhos as levo.

[instrumental]

Correi, doces águas,
Que, se em vós me enlevo,
Não doem as mágoas | bis
Que no peito levo! |

  • Cristina Branco – voz
    Custódio Castelo – guitarra portuguesa
    Jorge Fernando – viola
    Marino de Freitas – viola baixo
    Arranjos e direcção musical – Custódio Castelo
    Produção em estúdio – Custódio Castelo
    Co-produção em estúdio – Fernando Nunes
    Gravado e misturado por Fernando Nunes, nos Estúdios Pé-de-Vento, Salvaterra de Magos, de Dezembro de 1997 a Março de 1998

Se me levam águas

(Luís de Camões”, in “Rimas”, org. Fernão Rodrigues Lobo Soropita, Lisboa, 1595; “Obras de Luís de Camões”, Porto: Lello & Irmão Editores, 1970 – p. 772-773)

MOTE ALHEIO

Se me levam águas,
Nos olhos as levo.

VOLTAS

Se de saudade
Morrerei ou não,
Meus olhos dirão
De mim a verdade.
Por eles me atrevo
A lançar as águas
Que mostrem as mágoas
Que nesta alma levo.

As águas que em vão
Me fazem chorar,
Se elas são do mar,
Estas de amor são.
Por elas relevo
Todas minhas mágoas;
Que, se força de águas
Me leva, eu as levo.

Todas me entristecem,
Todas são salgadas;
Porém as choradas
Doces me parecem.
Correi, doces águas,
Que, se em vós me enlevo,
Não doem as mágoas
Que no peito levo!

CANÇÃO IV

Poema de Luís de Camões (in “Rimas”, org. Fernão Rodrigues Lobo Soropita, Lisboa, 1595; “Rimas”, texto estabelecido e prefaciado por Álvaro Júlio da Costa Pimpão, Coimbra: Universidade de Coimbra, 1953; Coimbra: Livraria Almedina, 2005)
Dito por Luís Miguel Cintra* (in CD “Luís de Camões: 10 Canções ditas por Luís Miguel Cintra”, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1995, reed. Livro/CD, Presente, 2011)

Vão as serenas águas
do Mondego descendo
mansamente que até o mar não param;
por onde minhas mágoas,
pouco a pouco crecendo,
para nunca acabar se começaram.
Ali se ajuntaram
neste lugar ameno,
aonde agora mouro,
testa de neve e ouro,
riso brando, suave, olhar sereno,
um gesto delicado,
que sempre na alma me estará pintado.

Nesta florida terra,
leda, fresca e serena,
ledo e contente para mim vivia;
em paz com minha guerra,
contente com a pena
que de tão belos olhos procedia.
Um dia noutro dia
o esperar me enganava;
longo tempo passei,
co a vida folguei,
só porque em bem tamanho me empregava.
Mas que me presta já,
que tão fermosos olhos não os há?

Oh, quem me ali dissera
que de amor tão profundo
o fim pudesse ver inda algũa hora!
Oh, quem cuidar pudera
que houvesse aí no mundo
apartar-me eu de vós, minha Senhora!
para que desde agora
perdesse a esperança,
e o vão pensamento,
desfeito em um momento,
sem me poder ficar mais que a lembrança,
que sempre estará firme
até o derradeiro despedir-me.

Mas a mor alegria
que daqui levar posso,
co a qual defender-me triste espero,
é que nunca sentia
no tempo que fui vosso
quererdes-me vós quanto vos eu quero;
porque o tormento fero
de vosso apartamento
não vos dará tal pena
como a que me condena:
que mais sentirei vosso sentimento
que o que minha alma sente.
Morra eu, Senhora, e vós ficai contente!

Canção, tu estarás
aqui acompanhando
estes campos e estas claras águas,
e por mim ficarás
chorando e suspirando,
e ao mundo mostrando tantas mágoas
que, de tão larga história,
minhas lágrimas fiquem por memória.

  • Gravado no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, Lisboa, por Vasco Pimentel, em 1995
    Pós-produzido no Estúdio Grande Som, Lisboa

Memória de Meu Bem

Poema (soneto): Luís de Camões (adaptado) [texto original >> abaixo]
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Corpo Iluminado”, Universal Classics France, 2001)

[instrumental]

Memória de meu bem cortado em flores,
Por ordem de meus tristes e maus fados,
Deixai-me descansar com meus cuidados,
Nesta inquietação de meus amores.

Basta-me o mal presente e os temores
Dos sucessos que espero afortunados,
Sem que venham, de novo, bens passados
Afrontar meu repouso com suas dores.

[instrumental]

Perdi numa hora, junto, quanto em termos
Tão vagarosos e largos alcancei;
Deixai-me, pois, lembranças desta glória.

Cumpre acabar a vida nestes ermos,
Que neles com meu mal acabarei
Mil vidas, não uma só — dura a memória!
Dura a memória!

[instrumental]

Mil vidas, não uma só — dura a memória!
Dura a memória!

  • Cristina Branco – voz
    Custódio Castelo – guitarra portuguesa
    Alexandre Silva – viola
    Fernando Maia – viola baixo
    Produção e arranjos – Custódio Castelo
    Co-produção em estúdio – Fernando Nunes
    Produção executiva – Yann Ollivier / Universal Classics France
    Gravado por Fernando Nunes, nos Estúdios Pé-de-Vento, Salvaterra de Magos, em Janeiro de 2001

Memória de meu bem cortado em flores

(Luís de Camões, soneto recolhido por Luís Franco Correia, amigo do poeta, num manuscrito começado em 1557 e acabado em 1589; in “Rimas”, org. João António de Lemos Pereira de Lacerda, 2.º visconde de Juromenha, Lisboa, 1861; “Obras de Luís de Camões”, Porto: Lello & Irmão Editores, 1970 – p. 165)

Memória de meu bem cortado em flores,
Por ordem de meus tristes e maus fados,
Leixai-me descansar co meus cuidados,
Nesta inquietação de meus amores.

Basta-me o mal presente e os temores
Dos sucessos que espero infortunados,
Sem que venham, de novo, bens passados
Afrontar meu repouso com suas dores.

Perdi nũa hora quanto em termos
Tão vagarosos e largos alcancei;
Leixai-me, pois, lembranças desta glória.

Cumpre se acabe a vida nestes ermos,
Que neles com meu mal acabarei
Mil vidas, não ũa só — dura memória!

CANÇÃO V

Poema de Luís de Camões (in “Rimas”, org. Fernão Rodrigues Lobo Soropita, Lisboa, 1595; “Rimas”, texto estabelecido e prefaciado por Álvaro Júlio da Costa Pimpão, Coimbra: Universidade de Coimbra, 1953; Coimbra: Livraria Almedina, 2005)
Dito por Luís Miguel Cintra* (in CD “Luís de Camões: 10 Canções ditas por Luís Miguel Cintra”, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1995, reed. Livro/CD, Presente, 2011)

Se este meu pensamento,
como é, doce e suave,
de alma pudesse vir gritando fora,
mostrando seu tormento
cruel, áspero e grave,
diante de vós só, minha Senhora,
pudera ser que agora
o vosso peito duro
tornara manso e brando.
E eu que sempre ando
pássaro solitário, humilde, escuro,
tornado um cisne puro,
brando e sonoro pelo ar voando,
com canto manifesto,
pintara meu tormento e vosso gesto.

Pintara os olhos belos
que trazem nas meninas
o Menino que os seus neles cegou;
e os dourados cabelos
em tranças de ouro finas
a quem o Sol seus raios abaixou;
a testa que ordenou
Natura tão fermosa;
o bem proporcionado
nariz, lindo, afilado,
que a cada parte tem a fresca rosa;
a boca graciosa
— que querê-la louvar é escusado —,
enfim, é um tesouro:
os dentes, perlas; as palavras, ouro.

Vira-se claramente,
ó Dama delicada,
que em vós se esmerou a Natureza;
e eu, de gente em gente,
trouxera trasladada
em meu tormento vossa gentileza.
Somente a aspereza
de vossa condição,
Senhora, não dissera,
por que se não soubera
que em vós podia haver algum senão.
E se alguém, com razão,
«Porque morres?» dissera, respondera:
«Mouro porque é tão bela
que inda não sou pera morrer por ela».

E se pola ventura,
Dama, vos ofendesse,
escrevendo de vós o que não sento,
e vossa fermosura
tão baixo não descesse
que a alcançasse um baixo entendimento,
seria o fundamento
daquilo que cantasse
todo de puro amor,
por que vosso louvor
em figura de mágoas se mostrasse.
E onde se julgasse
a causa pelo efeito, minha dor
diria ali sem medo:
«quem me sentir verá de quem procedo».

Então amostraria
os olhos saudosos,
o suspirar que a alma traz consigo,
a fingida alegria,
os passos vagarosos,
o falar, o esquecer-me do que digo;
um pelejar comigo,
e logo desculpar-me;
um recear, ousando;
andar meu bem buscando,
e de poder achá-lo acovardar-me;
enfim, averiguar-me
que o fim de tudo quanto estou falando
são lágrimas e amores;
são vossas isenções e minhas dores.

Mas quem terá, Senhora,
palavras com que iguale
com vossa fermosura minha pena;
que em doce voz de fora
aquela glória fale
que dentro na minha alma Amor ordena?
Não pode tão pequena
força de engenho humano
com carga tão pesada,
se não for ajudada
dum piadoso olhar, dum doce engano
que, fazendo-me o dano
tão deleitoso e a dor tão moderada,
que enfim se convertesse
nos gostos dos louvores que escrevesse.

Canção, não digas mais;
e se teus versos à pena vêm pequenos,
não queiram de ti mais,
que dirás menos.

  • Gravado no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, Lisboa, por Vasco Pimentel, em 1995
    Pós-produzido no Estúdio Grande Som, Lisboa

Vai o Bem Fugindo

Poema (sentenças em redondilha menor): Luís de Camões (excerto adaptado) [texto integral >> abaixo]
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Cristina Branco in Holland”, Círculo de Cultura Portuguesa na Holanda, 1997)

[instrumental]

Vai o bem fugindo,
Cresce o mal cos anos,
Vão-se descobrindo
Co tempo os enganos.

Amor e alegria
Menos tempo dura.
Triste de quem fia
Nos bens da ventura!

Ai, ventura minha,
Como me negaste!
Um só bem que tinha, | bis
Porque mo roubaste? |

Alegre vivia;
Triste vivo agora:
Canta a alma de dia,
E de noite chora.

O campo floresça,
Murmurem as águas;
Tudo me entristeça,
Cresçam minhas mágoas.

Confesso os enganos
Do meu pensamento:
Bem de tantos anos | bis
Foi-se num momento. |

[instrumental]

Ai, ventura minha,
Como me negaste!
Um só bem que tinha, | bis
Porque mo roubaste? |

[instrumental]

Um só bem que tinha,
Porque mo roubaste?

Um só bem que tinha,
Porque mo roubaste?

[instrumental]

  • Cristina Branco – voz
    Custódio Castelo – guitarra portuguesa
    Alexandre Silva – viola
    Produção – Círculo de Cultura Portuguesa na Holanda, Amesterdão
    Gravado ao vivo na Zaal 100, Amesterdão, nos dias 25, 26 e 27 de Abril de 1997
    Engenheiro de som – Frits van der Heijden
    Misturado no Klink Sound Studio, Amesterdão, por Michel Schöpping

Vai o bem fugindo

(Luís de Camões, in “Rimas”, org. Fernão Rodrigues Lobo Soropita, Lisboa, 1595; “Obras de Luís de Camões”, Porto: Lello & Irmão Editores, 1970 – p. 797-799)

Sentenças do Autor por fim do livro

Vai o bem fugindo,
Crece o mal cos anos,
Vão-se descobrindo
Co tempo os enganos.

Amor e alegria
Menos tempo dura.
Triste de quem fia
Nos bens da ventura!

Bem sem fundamento
Tem certa a mudança,
Certo o sentimento
Na dor da lembrança.

Quem vive contente
Viva receoso:
Mal que se não sente
É mais perigoso.

Quem males sentiu
Saiba já temer;
E pelo que viu
Julgue o que há-de ser.

Alegre vivia;
Triste vivo agora:
Chora a alma de dia,
E de noite chora.

Confesso os enganos
De meu pensamento:
Bem de tantos anos
Foi-se num momento.

Meus olhos, que vistes?
Pois vos atrevestes,
Chorai, olhos tristes,
O bem que perdestes.

A luz do Sol pura
Só a vós se negue;
Seja noite escura,
Nunca a manhã chegue.

O campo floreça,
Murmurem as águas;
Tudo me entristeça,
Creçam minhas mágoas.

Quisera mostrar
O mal que padeço;
Não lhe dá lugar
Quem lhe deu começo.

Em tristes cuidados
Passo a triste vida;
Cuidados cansados,
Vida aborrecida.

Nunca pude crer
O que agora creio;
Cegou-me o prazer
Do mal que me veio.

Ah, ventura minha,
Como me negaste!
Um só bem que tinha,
Porque mo roubaste?

Triste fantasia
Quanta cousa guarda!
Quem já visse o dia
Que tanto lhe tarda!

Nesta vida cega
Nada permanece:
O que inda não chega
Já desaparece.

Qualquer esperança
Foge como o vento:
Tudo faz mudança,
Salvo meu tormento.

Amor cego e triste,
Quem o tem padece:
Mal quem lhe resiste!
Mal quem lhe obedece!

No meu mal esquivo,
Sei como Amor trata;
E pois nele vivo,
Nenhum amor mata.

CANÇÃO VI

Poema de Luís de Camões (in “Rimas”, org. Fernão Rodrigues Lobo Soropita, Lisboa, 1595; “Rimas”, texto estabelecido e prefaciado por Álvaro Júlio da Costa Pimpão, Coimbra: Universidade de Coimbra, 1953; Coimbra: Livraria Almedina, 2005)
Dito por Luís Miguel Cintra* (in CD “Luís de Camões: 10 Canções ditas por Luís Miguel Cintra”, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1995, reed. Livro/CD, Presente, 2011)

Com força desusada
aquenta o fogo eterno
ũa ilha lá nas partes do Oriente,
de estranhos habitada,
aonde o duro Inverno
os campos reverdece alegremente.
A lusitana gente,
por armas sanguinosas,
tem dela o senhorio.
Cercada está dum rio
de marítimas águas saudosas;
das ervas que aqui nascem,
os gados juntamente e os olhos pascem.

Aqui minha ventura
quis que ũa grã parte
da vida, que não tinha, se passasse,
para que a sepultura
nas mãos do fero Marte
de sangue e de lembranças matizasse.
Se Amor determinasse
que, a troco desta vida,
de mim qualquer memória
ficasse, como história
que de uns fermosos olhos fosse lida,
a vida e alegria
por tão doce memória trocaria.

Mas este fingimento,
por minha dura sorte,
com falsas esperanças me convida.
Não cuide o pensamento
que pode achar na morte
o que não pôde achar tão longa vida.
Está já tão perdida
a minha confiança
que, de desesperado
em ver meu triste estado,
também da morte perco a esperança.
Mas oh! que, se algum dia
desesperar pudesse, viveria.

De quanto tenho visto
já agora não me espanto,
que até desesperar se me defende.
Outrem foi causa disto,
que eu nunca pude tanto
que causasse este fogo que me encende.
Se cuidam que me ofende
temor de esquecimento,
oxalá meu perigo
me fora tão amigo
que algum temor deixara ao pensamento!
Quem viu tamanho enleio
que houvesse aí esperança sem receio?

Quem tem que perder possa
se pode recear.
Mas triste quem não pode já perder!
Senhora, a culpa é vossa,
que para me matar
bastara ũa hora só de vos não ver.
Pusestes-me em poder
de falsas esperanças;
e, do que mais me espanto:
que nunca vali tanto
que vivesse também com esquivanças.
Valia tão pequena
não pode merecer tão doce pena.

Houve-se Amor comigo
tão brando e pouco irado,
quanto agora em meus males se conhece;
que não há mor castigo
para quem tem errado
que negar-lhe o castigo que merece.
E bem como acontece
que, assi como ao doente
da cura despedido,
o médico sabido
tudo quanto deseja lhe consente.
assi me consentia
esperança, desejo e ousadia.

E agora venho a dar
conta do bem passado
a esta triste vida e longa ausência.
Quem pode imaginar
que pode haver pecado
que mereça tão grave penitência?
Olhai que é consciência,
por tão pequeno erro,
Senhora, tanta pena!
Não vedes que é onzena?
Mas se tão longo e mísero desterro
vos dá contentamento,
nunca se acabe nele meu tormento.

Rio fermoso e claro,
e vós, ó arvoredos,
que os justos vencedores coroais,
e ao cultor avaro,
continuamente ledos,
dum tronco só diversos frutos dais:
assi nunca sintais
do tempo injúria algũa;
que em vós achem abrigo
as mágoas que aqui digo,
enquanto der o Sol virtude à Lua;
por que de gente em gente
saibam que já não mata a vida ausente.

Canção, neste desterro viverás,
voz nua e descoberta,
até que o tempo em Eco te converta.

  • Gravado no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, Lisboa, por Vasco Pimentel, em 1995
    Pós-produzido no Estúdio Grande Som, Lisboa

Oh! Como se me Alonga de Ano em Ano

Poema (soneto): Luís de Camões (adaptado) [texto original >> abaixo]
Música: Custódio Castelo
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Ulisses”, Emarcy/Universal Music S.A.S. France, 2005)

[instrumental]

Oh! Como se me alonga de ano em ano
A peregrinação cansada minha!
Como se encurta e como ao fim caminha
Este meu breve e vão discurso humano!

Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
Perde-se-me um remédio, que inda tinha;
Se por experiência se adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.

[instrumental]

Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e na tardança,
Se os olhos ergo, a ver se inda aparece,
Da vista se me perde e da esperança.

[instrumental]

  • Cristina Branco – voz
    Custódio Castelo – guitarra portuguesa
    Alexandre Silva – viola
    Fernando Maia – viola baixo
    Ricardo J. Dias – piano
    Arranjos – Custódio Castelo e Ricardo J. Dias
    Produção – Custódio Castelo
    Co-produção e programação – Fernando Nunes
    Produção executiva – Yann Ollivier / Universal Music S.A.S. France
    Gravado e masterizado por Fernando Nunes, no Estúdio Pé-de-Vento, Salvaterra de Magos, de Junho a Setembro de 2004

Oh! Como se me alonga de ano em ano

Luís de Camões, in “Rimas”, org. Fernão Rodrigues Lobo Soropita, Lisboa, 1595; “Obras de Luís de Camões”, Porto: Lello & Irmão Editores, 1970 – p. 21)

Oh! Como se me alonga de ano em ano
A peregrinação cansada minha!
Como se encurta e como ao fim caminha
Este meu breve e vão discurso humano!

Minguando a idade vai, crescendo o dano;
Perdeu-se-me um remédio, que inda tinha;
Se por experiência se adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e na tardança,
Se os olhos ergo, a ver se inda aparece,
Da vista se me perde e da esperança.

CANÇÃO VII

Poema de Luís de Camões (in “Rimas”, org. Fernão Rodrigues Lobo Soropita, Lisboa, 1595; “Rimas”, texto estabelecido e prefaciado por Álvaro Júlio da Costa Pimpão, Coimbra: Universidade de Coimbra, 1953; Coimbra: Livraria Almedina, 2005)
Dito por Luís Miguel Cintra* (in CD “Luís de Camões: 10 Canções ditas por Luís Miguel Cintra”, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1995, reed. Livro/CD, Presente, 2011)

Manda-me Amor que cante docemente
o que ele já em minha alma tem impresso
com pressuposto de desabafar-me;
e por que com meu mal seja contente,
diz que ser de tão lindos olhos preso,
contá-lo bastaria a contentar-me.
Este excelente modo de enganar-me
tomara eu só de Amor por interesse,
se não se arrependesse,
co a pena o engenho escurecendo.
Porém, a mais me atrevo,
em virtude do gesto de que escrevo;
e se é mais o que canto que o que entendo,
invoco o lindo aspeito,
que pode mais que Amor em meu defeito.

Sem conhecer Amor viver soía,
seu arco e seus enganos desprezando,
quando vivendo deles me mantinha.
O Amor enganoso, que fingia
mil vontades alheias enganando,
me fazia zombar de quem o tinha.
No Touro entrava Febo, e Progne vinha;
o corno de Aqueloo Flora entornava,
quando o Amor soltava
os fios de ouro, as tranças encrespadas
ao doce vento esquivas,
dos olhos rutilando chamas vivas,
e as rosas antre a neve semeadas,
co riso tão galante
que um peito desfizera de diamante.

Um não sei que suave, respirando,
causava um admirado e novo espanto,
que as cousas insensíveis o sentiam.
E as gárrulas aves levantando
vozes desordenadas em seu canto,
como em meu desejo se encendiam.
As fontes cristalinas não corriam,
inflamadas na linda vista pura;
florescia a verdura
que, andando, cos divinos pés tocava;
os ramos se abaixavam,
tendo enveja das ervas que pisavam
(ou porque tudo ante ela se abaixava).
Não houve cousa, enfim,
que não pasmasse dela, e eu de mim.

Porque quando vi dar entendimento
às cousas que o não tinham, o temor
me fez cuidar que efeito em mim faria.
Conheci-me não ter conhecimento;
e nisto só o tive, porque Amor
mo deixou, por que visse o que podia.
Tanta vingança Amor de mim queria
que mudava a humana natureza:
os montes e a dureza
deles, em mim, por troca, traspassava.
Oh, que gentil partido:
trocar o ser do monte sem sentido
pelo que num juízo humano estava!
Olhai que doce engano:
tirar comum proveito de meu dano!

Assi que, indo perdendo o sentimento
a parte racional, me entristecia
vê-la a um apetite sometida;
mas dentro na alma o fim do pensamento
por tão sublime causa me dezia
que era razão ser a razão vencida.
Assi que, quando a via ser perdida,
a mesma perdição a restaurava;
e em mansa paz estava
cada um com seu contrário num sujeito.
Oh, grão concerto este!
Quem será que não julgue por celeste
a causa donde vem tamanho efeito,
que faz num coração
que venha o apetite a ser razão?

Aqui senti de Amor a mor fineza,
como foi ver sentir o insensível,
e o ver a mim de mim mesmo perder-me.
Enfim, senti negar-se a natureza;
por onde cri que tudo era possível
aos lindos olhos seus, senão querer-me.
Despois que já senti desfalecer-me,
em lugar do sentido que perdia,
não sei que me escrevia
dentro n’alma, co as letras da memória,
o mais deste processo
co claro gesto juntamente impresso
que foi a causa de tão longa história.
Se bem a declarei,
eu não a escrevo, da alma a trasladei.

Canção, se quem te ler
não crer dos olhos lindos o que dizes,
pelo que em si escondem,
os sentidos humanos lhe respondem:
bem podem dos divinos ser juízes.

  • Gravado no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, Lisboa, por Vasco Pimentel, em 1995
    Pós-produzido no Estúdio Grande Som, Lisboa

Ninfas

Poema: Luís de Camões (estrofes 82 e 83 do Canto IX d’ “Os Lusíadas”, Lisboa, 1572)
Música: Carlos Gonçalves
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Sensus”, Emarcy/Universal Classics France, 2003; 3CD “Idealist”: CD 2 – Poemas, Emarcy/Universal Music Classics & Jazz France, 2014)

Já não fugia a bela Ninfa, tanto
Por se dar cara ao triste que a seguia,
Como por ir ouvindo o doce canto,
As namoradas mágoas que dizia.
Volvendo o rosto, já sereno e santo,
Toda banhada em riso e alegria,
Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor.

Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.

Nota:
Julgá-lo – imaginá-lo

  • Cristina Branco – voz
    Custódio Castelo – guitarra portuguesa
    Alexandre Silva – viola
    Fernando Maia – viola baixo
    Produção musical e arranjos – Custódio Castelo
    Co-produção – Fernando Nunes
    Produção executiva – Yann Ollivier / Universal Classics France
    Gravado e masterizado por Fernando Nunes, nos Estúdios Pé-de-Vento, Salvaterra de Magos, de Setembro a Dezembro de 2002

Desenhos de Cícero Dias, publicados no livro “Luiz de Camões: A Ilha dos Amores” (Lisboa: Edições Ática, 1980) [capa abaixo]


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PUBLICADA POR ÁLVARO JOSÉ FERREIRA À(S) 21:00

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Raduan Nassar é o vencedor do Prémio Camões

Raduan Nassar é o vencedor do Prémio Camões
EM ATUALIZAÇÃO:

PÚBLICO

30/05/2016 – 19:05

É o 28.º autor, e o 12.o brasileiro a receber aquele que é considerado o mais importante prémio literário destinado a autores de língua portuguesa.

O Prémio Camões 2016 foi esta segunda-feira atribuído ao escritor Raduan Nassar, de 80 anos, o 12.º brasileiro a receber aquele que é considerado o mais importante prémio literário destinado a autores de língua portuguesa.

Com um valor pecuniário de cem mil euros, o prémio foi anunciado ao fim da tarde no Hotel Tivoli pelo secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, após a reunião do júri, que este ano incluiu a professora e ensaísta Paula Morão e o poeta e colunista Pedro Mexia, os professores universitários, críticos e escritores brasileiros Flora Süssekind e Sérgio Alcides do Amaral, e ainda o autor moçambicano Lourenço do Rosário, reitor da Universidade Politécnica de Maputo, e a ensaísta são-tomense Inocência Mata, actualmente radicada em Macau.

Instituído em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil, o prémio Camões é atribuído a “um autor de língua portuguesa que tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”, diz o respectivo protocolo, na sua versão revista de 1999. O acordo obriga a que o prémio seja alternadamente atribuído em território português e brasileiro, e a sua história sugere que tem também prevalecido a intenção de equilibrar o número de vencedores portugueses e brasileiros, bem como a preocupação de fazer representar as várias literaturas africanas.

Antes do prémio agora atribuído a Nassar, Portugal e Brasil estavam empatados com 11 autores de cada país. Miguel Torga foi o primeiro escritor a receber o Camões, em 1989, e o prémio voltou a ficar em Portugal mais dez vezes: Vergílio Ferreira recebeu-o em 1992, José Saramago em 1995, Eduardo Lourenço em 1996, Sophia de Mello Breyner Andresen em 1999, Eugénio de Andrade em 2001, Maria Velho da Costa em 2002, Agustina Bessa-Luís em 2004, António Lobo Antunes em 2007, Manuel António Pina em 2011 e Hélia Correia em 2015.

A lista de premiados brasileiros começa com João Cabral de Melo Neto, em 1990, e inclui Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), António Cândido (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), João Ubaldo Ribeiro (2008), Ferreira Gullar (2010), Dalton Trevisan (2012) e Alberto da Costa e Silva (2014).

O poeta moçambicano José Craveirinha foi o primeiro autor africano a receber o Camões, em 1991. Em 1997, Pepetela, então com 56 anos, tornava-se simultaneamente o primeiro angolano e o mais jovem autor de sempre – ainda o é – a ser galardoado com este prémio, que só voltaria à literatura africana em 2006 para reconhecer a obra do angolano Luandino Vieira, que recusou o galardão. Em 2009, venceu o poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, e em 2013 o escolhido foi o romancista moçambicano Mia Couto.

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/-e-o-vencedor-do-premio-camoes-1733550

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Enviado por: Mauro Moura

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Linguista garante que Camões não criou “uma Língua Portuguesa” – ( Jornal Opção

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Fonte: Linguista garante que Camões não criou “uma Língua Portuguesa” – Jornal Opção

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