Sol deve chegar aos Açores provavelmente só em agosto – Açoriano Oriental

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Fique a par da atualidade nos Açores com o jornal mais antigo de Portugal.

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quintal viçoso à espera de corte

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nem um mês se passou e o quintal já tem este mato desta altura à espera de roçar…o jardineiro não tem andado disponível por estas bandas, vou ter de aguardar…

.a ameixoeira já deu 2 dúzias de ameixas vermelhas e contém mais umas tantas. Os novelões como aqui chamam às hortênsias, hidranjas) começam a florir, os azuis são de terra ferrosa, os outros ainda não aprendi… a primeira imagem o dragoeiro mais antigo já mal se vê apesar de ter já atingido um metro de altura nestes 5 anos (chegou do Pico a 17 maio de 2021 para os 20 anos dos colóquios)

Porque baixamos o volume do rádio para vermos melhor a conduzir?

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O nosso instinto de baixar o som para ver melhor pode parecer não ter qualquer relação, mas a ciência já demonstrou que ajuda a reduzir a carga mental e a melhorar a concentração na condução. Muitos condutores baixam instintivamente o volume da música quando conduzem em condições meteorológicas adversas, em estradas desconhecidas ou quando estão a estacionar num espaço apertado. Embora o hábito possa parecer irracional à primeira vista, a investigação científica sugere que reflete o esforço natural do cérebro para gerir os seus recursos cognitivos limitados. A música é uma parte comum da experiência de condução, com estudos a

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Não mude de via. A matemática dos engarrafamentos nas férias – ZAP Notícias

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Milhões de pessoas vão fazer-se à estrada nesta época de férias, apenas para acabarem por passar horas frustrantes presas em engarrafamentos. O congestionamento custa tempo, combustível e paciência, além de aumentar a poluição e exercer uma enorme pressão sobre as redes de transportes. Quem já deu por si a olhar com inveja para a via de rodagem ao lado, convencido de que está a avançar mais depressa, não está sozinho. A maioria de nós acredita instintivamente que mudar de via nos permitirá chegar mais cedo a casa. Mas a matemática indica que esta intuição comum está normalmente errada, explica Randa

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400 anos depois, França e Países Baixos fixam a fronteira na ilha onde os aviões rasam a praia – ZAP Notícias

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Quase quatro séculos depois de franceses e neerlandeses terem acordado a sua divisão, a França aprovou esta quinta-feira legislação que consagra a fronteira da ilha de Saint-Martin, famosa pelos arrepiantes low-pass dos aviões sobre a praia de Maho, ao aterrar noAeroporto de Juliana. Após décadas de divergências em torno de uma lagoa disputada, uma fronteira invisível nas Caraíbas tem finalmente coordenadas jurídicas. Esta quinta-feira, os deputados da Assembleia Nacional francesa aprovaram um projeto de lei que autoriza a ratificação do acordo de 2023 “relativo à delimitação da fronteira entre França (Saint-Martin) e os Países Baixos (Sint Maarten)”. O tratado confere

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ISLÃO VEIO PARA DOMINAR, CONVERTER E NÃO ACEITAR OUTROS

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Polícias, ladrões e ministros – João Paulo Batalha – SÁBADO

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Polícias, ladrões e ministros Leia a revista Em versão ePaper Ler agora Edição de 14 a 20 de julho Luís Neves, o ministro que foi uma boa surpresa por não ser político, deu-nos agora a má surpresa: foi sempre político. Há uma espécie de contaminação cruzada entre polícias e ladrões, um intercâmbio regular de vícios e virtudes entre pessoas que estão essencialmente no mesmo ramo de atividade, mas em lados diferentes (nem sempre, necessariamente, “opostos”). A boa literatura vive muito disto: o remorso íntimo do criminoso que se apercebe do dano humano provocado pelos seus crimes, o atalho do inspetor ardiloso, que sempre vai aprendendo uns truques com os malandros que persegue. Adotarem as manhas uns dos outros, além de inevitavelmente humano, é uma espécie de cortesia profissional, de parte a parte. Tal como um consultor de políticas de combate à corrupção não consegue deixar de respeitar um bom circuito de lavagem de dinheiro, montado por bons profissionais, quando o reconhece. Como dizia a velha rábula, “é pá e tal, sim senhor”. A amizade de Luís Neves com um empreiteiro de Barcelos, seja na componente de construção civil, seja na de construção de relações, não tem nada desta sofisticação admirável do grande crime organizado – o crime que “é pá e tal, sim senhor”. Tem, pelo contrário, daquela cultura de informalidade e amiguismo que é bastante mais corriqueira e bastante menos inspiradora, mais franca, mais visível, mas igualmente oleosa. Precisamente porque tem pouco de verdadeiramente chocante, a conversa rapidamente resvala para questões formais de legalidade administrativa, seja sobre os concursos da Judiciária que afinal foram ajustes diretos ou consultas em circuito mais fechado, seja sobre a diferença jurídica entre um “tanque” e uma “piscina” – sendo que diferença substantiva é que, enquanto a piscina serve para banhos, o tanque serve para banhadas. A discussão sobre as minudências administrativas do licenciamento de pequenas obras particulares é a que mais interessa ao ministro e ao Governo, porque é a que melhor permite distrair do escrutínio verdadeiramente relevante. O ministro da Administração Interna, enquanto foi diretor nacional da Polícia Judiciária, transportou para a esfera privada uma relação de negócio que iniciou na esfera pública. Um empreiteiro que tinha como cliente público a Polícia Judiciária ganha como cliente privado o seu diretor nacional. É óbvio que isto devia ter sido evitado, porque levanta uma dúvida imediata (mesmo que se venha a revelar infundada) sobre a defesa do interesse público, a partir do momento em que se soma a essa relação um interesse particular. Em inglês há uma palavra para isto, que aponta as más práticas sem se prender na distinção do que é ilegal ou tecnicamente legal mas pouco ético: “wrongdoing” é a palavra que descreve a ideia de “não fazer o que está correto”. Em português, o mais aproximado seria “malfeitoria”, palavra antiquada, usada por umas raras almas hipersensíveis e que, portanto, soa pouco certeira neste contexto. Não estamos aqui perante um grande complot criminal. Estamos “só” perante os vícios reconhecíveis do nacional-porreirismo, com os quais os portugueses até contemporizam – a menos que reconheçam no jeitinho e no amiguismo concreto um catálogo de vantagens que não está ao alcance de todos, mas é privilégio exclusivo de uns poucos, bem relacionados. Neste caso, agravado pela incapacidade do ministro em documentar uma relação de negócio que nasceu e vive na informalidade, é óbvio que, mesmo nos seus aspetos tragicamente corriqueiros, o episódio mancha Luís Neves e mancha o Governo. O então diretor nacional da PJ foi uma boa surpresa quando foi chamado para o Ministério da Administração Interna precisamente porque não era um político: era um servidor público com décadas de carreira na Polícia Judiciária e uma boa imagem de alguém que resolveu problemas, em vez de os criar. Na verdade, muito do sucesso de Luís Neves na PJ veio ironicamente da sua capacidade política para forçar dos vários Governos capacidade orçamental para reforçar meios, renovar instalações, apetrechar a polícia. Esse mérito é dele e é indiscutível. É o mérito de alguém que trouxe peso político para a função. Afinal, percebemos agora, político também ele era noutro tipo de vícios, tão regularmente alvo da atenção da Judiciária. O vício da informalidade, para começar, que entrega a um empreiteiro amigo uma obra particular, sem contrato escrito, sem orçamento acordado, a pagar o que calha quando calha, sem autos de medição de obra, com alusão vaga a umas faturas que ninguém viu e que ele não mostra – nem faturas nem, muito menos, comprovativos de pagamento. Neste vício da informalidade amigável, em que um almoço entre gajos porreiros serve de contrato, Luís Neves adotou o velho hábito de ir além do que a lei permite e ficar aquém do que a ética exige. Que isto tenha acontecido quando o agora ministro era diretor nacional da Polícia Judiciária mancha, infelizmente, a própria PJ. De governantes (constatação deprimente) já todos esperamos alguma história sobre favorzito, dado ou recebido. De um polícia esperamos melhor. Talvez seja altura de adotarmos o bom discurso que Luís Neves sempre teve, nos seus tempos da PJ, quando algum dos seus inspetores era apanhado no lado errado desse velho intercâmbio entre polícias e ladrões: vamos atrás de todos, até dos nossos. Porque, de facto, além da imprudência, da informalidade e do jeitinho-com-falta-de-jeito, adensam-se indícios de potenciais violações da lei. Não só no licenciamento ou comunicação prévia das obras (deixo para mentes superiores a distinção jurídica entre “tanque” e “piscina”), mas em planos mais sérios. Em primeiro lugar, está na cara que o então diretor nacional da PJ violou o seu dever de exclusividade ao manter na sua esfera familiar a Alcampos, empresa de alojamento local dona da obra em Odemira. É verdade que a empresa não é “dele”, mas da esposa (com quem está casado em comunhão de adquiridos). Isso pode colocá-lo numa posição de legalidade formal mas, entretanto, já todos percebemos que quem toma as decisões é Luís Neves – é ele quem escolhe o empreiteiro, é ele quem manda fazer as obras, é ele quem toma as decisões de gestão. O resto é o potencial recebimento indevido de vantagem, que pode existir se o empreiteiro não estiver verdadeiramente a cobrar os serviços, ou estiver a cobrá-los a preço de amigo, ou em condições especiais de pagamento, quanto a prazos ou prestações. Para preencher esta específica tipologia penal, basta provar que o ministro está a receber condições “amigáveis” incompatíveis com as condições normais de mercado, e que está a receber essas benesses em função da posição que ocupava como diretor da PJ, ou da posição que ocupa hoje, como ministro. Basta ouvir o empresário João Santos Carvalho, na conversa gravada pelo Nascer do Sol, a gabar-se publicamente da sua relação de proximidade com o ministro para perceber a motivação desta “amizade” por parte do empreiteiro. Aqui chegados, já não há forma de Luís Neves sair bem deste filme. Descarregar uma listagem de mais de 100 faturas, como Luís Neves fez ontem ao Observador (sem verdadeiramente publicar os documentos propriamente ditos e os comprovativos de pagamento) é uma tentativa mal-amanhada de reclamar uma transparência que continua a não aparecer. Servirá para o primeiro-ministro clamar hoje no debate do Estado da Nação – como certamente fará – que está tudo esclarecido e que o ministro até publicou mais de 100 faturas (quando o que na verdade publicou, mais uma vez, foi uma listagem, não os documentos propriamente ditos, com indicação detalhada de serviços prestados) e comprovativos de pagamento. O que Luís Montenegro devia mesmo fazer era anunciar uma auditoria da Inspeção-Geral de Finanças a todos os contratos entre o universo empresarial da Construbarcelos e a Polícia Judiciária. Isso permitiria assegurar que, sejam quais forem os desenvolvimentos na vertente da obra particular de Luís Neves, o Governo agira para assegurar a defesa do interesse público. A segunda coisa a fazer é ouvir o primeiro-ministro sobre o que ele acha do critério ético do seu ministro da Administração Interna. Mas nesse ponto, enfim, a Spinumviva responde facilmente por Luís Montenegro. Polícias, ladrões e ministros + 1 de 0

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Polícias, ladrões e ministros Leia a revista Em versão ePaper Ler agora Edição de 14 a 20 de julho Luís Neves, o ministro que foi uma boa surpresa por não ser político, deu-nos agora a má surpresa: foi sempre político. Há uma espécie de contaminação cruzada entre polícias e ladrões, um intercâmbio regular de vícios e virtudes entre pessoas que estão essencialmente no mesmo ramo de atividade, mas em lados diferentes (nem sempre, necessariamente, “opostos”). A boa literatura vive muito disto: o remorso íntimo do criminoso que se apercebe do dano humano provocado pelos seus crimes, o atalho do inspetor ardiloso, que sempre vai aprendendo uns truques com os malandros que persegue. Adotarem as manhas uns dos outros, além de inevitavelmente humano, é uma espécie de cortesia profissional, de parte a parte. Tal como um consultor de políticas de combate à corrupção não consegue deixar de respeitar um bom circuito de lavagem de dinheiro, montado por bons profissionais, quando o reconhece. Como dizia a velha rábula, “é pá e tal, sim senhor”. A amizade de Luís Neves com um empreiteiro de Barcelos, seja na componente de construção civil, seja na de construção de relações, não tem nada desta sofisticação admirável do grande crime organizado – o crime que “é pá e tal, sim senhor”. Tem, pelo contrário, daquela cultura de informalidade e amiguismo que é bastante mais corriqueira e bastante menos inspiradora, mais franca, mais visível, mas igualmente oleosa. Precisamente porque tem pouco de verdadeiramente chocante, a conversa rapidamente resvala para questões formais de legalidade administrativa, seja sobre os concursos da Judiciária que afinal foram ajustes diretos ou consultas em circuito mais fechado, seja sobre a diferença jurídica entre um “tanque” e uma “piscina” – sendo que diferença substantiva é que, enquanto a piscina serve para banhos, o tanque serve para banhadas. A discussão sobre as minudências administrativas do licenciamento de pequenas obras particulares é a que mais interessa ao ministro e ao Governo, porque é a que melhor permite distrair do escrutínio verdadeiramente relevante. O ministro da Administração Interna, enquanto foi diretor nacional da Polícia Judiciária, transportou para a esfera privada uma relação de negócio que iniciou na esfera pública. Um empreiteiro que tinha como cliente público a Polícia Judiciária ganha como cliente privado o seu diretor nacional. É óbvio que isto devia ter sido evitado, porque levanta uma dúvida imediata (mesmo que se venha a revelar infundada) sobre a defesa do interesse público, a partir do momento em que se soma a essa relação um interesse particular. Em inglês há uma palavra para isto, que aponta as más práticas sem se prender na distinção do que é ilegal ou tecnicamente legal mas pouco ético: “wrongdoing” é a palavra que descreve a ideia de “não fazer o que está correto”. Em português, o mais aproximado seria “malfeitoria”, palavra antiquada, usada por umas raras almas hipersensíveis e que, portanto, soa pouco certeira neste contexto. Não estamos aqui perante um grande complot criminal. Estamos “só” perante os vícios reconhecíveis do nacional-porreirismo, com os quais os portugueses até contemporizam – a menos que reconheçam no jeitinho e no amiguismo concreto um catálogo de vantagens que não está ao alcance de todos, mas é privilégio exclusivo de uns poucos, bem relacionados. Neste caso, agravado pela incapacidade do ministro em documentar uma relação de negócio que nasceu e vive na informalidade, é óbvio que, mesmo nos seus aspetos tragicamente corriqueiros, o episódio mancha Luís Neves e mancha o Governo. O então diretor nacional da PJ foi uma boa surpresa quando foi chamado para o Ministério da Administração Interna precisamente porque não era um político: era um servidor público com décadas de carreira na Polícia Judiciária e uma boa imagem de alguém que resolveu problemas, em vez de os criar. Na verdade, muito do sucesso de Luís Neves na PJ veio ironicamente da sua capacidade política para forçar dos vários Governos capacidade orçamental para reforçar meios, renovar instalações, apetrechar a polícia. Esse mérito é dele e é indiscutível. É o mérito de alguém que trouxe peso político para a função. Afinal, percebemos agora, político também ele era noutro tipo de vícios, tão regularmente alvo da atenção da Judiciária. O vício da informalidade, para começar, que entrega a um empreiteiro amigo uma obra particular, sem contrato escrito, sem orçamento acordado, a pagar o que calha quando calha, sem autos de medição de obra, com alusão vaga a umas faturas que ninguém viu e que ele não mostra – nem faturas nem, muito menos, comprovativos de pagamento. Neste vício da informalidade amigável, em que um almoço entre gajos porreiros serve de contrato, Luís Neves adotou o velho hábito de ir além do que a lei permite e ficar aquém do que a ética exige. Que isto tenha acontecido quando o agora ministro era diretor nacional da Polícia Judiciária mancha, infelizmente, a própria PJ. De governantes (constatação deprimente) já todos esperamos alguma história sobre favorzito, dado ou recebido. De um polícia esperamos melhor. Talvez seja altura de adotarmos o bom discurso que Luís Neves sempre teve, nos seus tempos da PJ, quando algum dos seus inspetores era apanhado no lado errado desse velho intercâmbio entre polícias e ladrões: vamos atrás de todos, até dos nossos. Porque, de facto, além da imprudência, da informalidade e do jeitinho-com-falta-de-jeito, adensam-se indícios de potenciais violações da lei. Não só no licenciamento ou comunicação prévia das obras (deixo para mentes superiores a distinção jurídica entre “tanque” e “piscina”), mas em planos mais sérios. Em primeiro lugar, está na cara que o então diretor nacional da PJ violou o seu dever de exclusividade ao manter na sua esfera familiar a Alcampos, empresa de alojamento local dona da obra em Odemira. É verdade que a empresa não é “dele”, mas da esposa (com quem está casado em comunhão de adquiridos). Isso pode colocá-lo numa posição de legalidade formal mas, entretanto, já todos percebemos que quem toma as decisões é Luís Neves – é ele quem escolhe o empreiteiro, é ele quem manda fazer as obras, é ele quem toma as decisões de gestão. O resto é o potencial recebimento indevido de vantagem, que pode existir se o empreiteiro não estiver verdadeiramente a cobrar os serviços, ou estiver a cobrá-los a preço de amigo, ou em condições especiais de pagamento, quanto a prazos ou prestações. Para preencher esta específica tipologia penal, basta provar que o ministro está a receber condições “amigáveis” incompatíveis com as condições normais de mercado, e que está a receber essas benesses em função da posição que ocupava como diretor da PJ, ou da posição que ocupa hoje, como ministro. Basta ouvir o empresário João Santos Carvalho, na conversa gravada pelo Nascer do Sol, a gabar-se publicamente da sua relação de proximidade com o ministro para perceber a motivação desta “amizade” por parte do empreiteiro. Aqui chegados, já não há forma de Luís Neves sair bem deste filme. Descarregar uma listagem de mais de 100 faturas, como Luís Neves fez ontem ao Observador (sem verdadeiramente publicar os documentos propriamente ditos e os comprovativos de pagamento) é uma tentativa mal-amanhada de reclamar uma transparência que continua a não aparecer. Servirá para o primeiro-ministro clamar hoje no debate do Estado da Nação – como certamente fará – que está tudo esclarecido e que o ministro até publicou mais de 100 faturas (quando o que na verdade publicou, mais uma vez, foi uma listagem, não os documentos propriamente ditos, com indicação detalhada de serviços prestados) e comprovativos de pagamento. O que Luís Montenegro devia mesmo fazer era anunciar uma auditoria da Inspeção-Geral de Finanças a todos os contratos entre o universo empresarial da Construbarcelos e a Polícia Judiciária. Isso permitiria assegurar que, sejam quais forem os desenvolvimentos na vertente da obra particular de Luís Neves, o Governo agira para assegurar a defesa do interesse público. A segunda coisa a fazer é ouvir o primeiro-ministro sobre o que ele acha do critério ético do seu ministro da Administração Interna. Mas nesse ponto, enfim, a Spinumviva responde facilmente por Luís Montenegro. Polícias, ladrões e ministros + 1 de 0

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A FALÁCIA DA TÁTICA DE OPOR ESPIRITUALIDADE A RELIGIÃO

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A FALÁCIA DA TÁTICA DE OPOR ESPIRITUALIDADE A RELIGIÃO

 

Vivemos um tempo em que se tornou quase um sinal de distinção afirmar que se é espiritual, mas não religioso. A frase, repetida até à exaustão, parece oferecer uma síntese elegante da sensibilidade contemporânea. A espiritualidade surge como experiência livre e autêntica e a religião, como sinónimo de instituição, norma e poder. Esta oposição, porém, mais do que descrever a realidade, revela uma construção ideológica que empobrece ambas e revela segundas intenções.

É verdade que a dimensão espiritual não depende necessariamente da pertença a uma religião (e além disso também dentro da religião há diferentes nuances de espiritualidade). Muitos experimentam transcendência na natureza, na arte ou no amor, sem se identificarem com qualquer tradição. Contudo, reconhecer esta evidência não implica transformar espiritualidade e religião em conceitos rivais.

A cultura contemporânea favorece uma espiritualidade à la carte, moldada segundo preferências individuais, como se o indivíduo pudesse construir sozinho todo o sentido da sua existência. O ser humano, porém, nunca existe isoladamente. Somos constituídos pelo Eu, pelo Tu e pelo Nós. A nossa identidade nasce do encontro e amadurece na pertença. Nenhuma comunidade perdura sem instituições vivas que lhe deem continuidade, memória e estabilidade.

Apresentar a espiritualidade como algo exclusivamente inato e independente de qualquer aprendizagem constitui uma simplificação antropológica errónea. A disposição para a transcendência pode ser constitutiva, mas toda a potencialidade necessita de desenvolvimento. Também a linguagem é inata, mas ninguém nasce a falar; aprende-se no diálogo. O mesmo acontece com a espiritualidade: cresce através da educação, da cultura, da reflexão e, para muitos, da vida religiosa. Facto é que o inato e o adquirido completam-se.

As grandes tradições religiosas representam este património acumulado de sabedoria. Os seus símbolos, ritos e narrativas não são convenções exteriores porque constituem linguagens que ajudaram milhões a interpretar a existência, a enfrentar o sofrimento e a abrir-se ao mistério. Sem estas mediações, a experiência espiritual corre o risco de perder profundidade histórica e ficar prisioneira do instante; sem as instituições já teriam desaparecido.

A antiga máxima latina, “haec oportuit facere et illa non omittere”, exprime este equilíbrio. Não se trata de escolher entre espiritualidade e religião, mas de reconhecer que ambas se enriquecem mutuamente. A espiritualidade oferece à religião a vivência mística interior que impede o formalismo e, por seu lado, a religião oferece à espiritualidade uma memória viva, uma ética e uma comunidade que a preservam do subjetivismo absoluto.

É importante resistir à tentação das falsas alternativas ao serviço de segundas intenões para criarem um mundo caótico favorável ao relativismo que tudo justifica, como se observa no wokismo. Espiritualidade e religião não são inimigas naturais, como pretendem os seus predadores. Quando permanecem unidas, uma alimenta a interioridade e a outra preserva a comunhão e a responsabilidade ética. Separadas artificialmente, ambas empobrecem, pois a espiritualidade dissolve-se num individualismo sem raízes, e a religião degenera num formalismo sem alma.

Ultrapassar esta oposição é reconhecer que o ser humano vive sempre entre a mesmidade e a alteridade, entre a liberdade pessoal e a pertença comunitária. É nessa tensão fecunda que amadurece uma espiritualidade verdadeiramente humana que se torna suficientemente livre para procurar a verdade e suficientemente humilde para reconhecer que ninguém percorre sozinho o caminho do mistério.

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11168

 

 

BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA

 

A ameaça pairou sobre os canais de Veneza como uma névoa salobra, indiferente à beleza dos palácios e ao murmúrio das gôndolas remadas. Dois milhões de euros, ninharia para os cofres opulentos de Bruxelas, mas cifra vital para a alma de uma Bienal que sempre se quis universal, ficaram suspensos por um capricho geopolítico. A senhora comissária, Henna Virknen, brande o seu telemóvel como outrora se brandia uma espada, anunciando na efémera praça digital que a cultura deve pagar o preço da desobediência. Eis o primeiro sintoma da bílis de que fala o povo: a razão turva-se quando o poder resolve vestir a farda do moralismo.

Ora, independentemente do xadrez económico e político que se joga na Ucrânia, essa pobre terra transformada em cavalo de Troia dos grandes estrategas globais, uma coisa se nos afigura cristalina. A Europa, velha de séculos mas surpreendentemente imatura na sua gerontocracia, julga rejuvenescer apostando apenas nas suas qualidades guerreiras. É um equívoco trágico e profundamente irónico: um continente que inventou a universidade, a sinfonia e a declaração dos direitos do homem reduz-se agora à retórica do bombardeiro e ao gesto do diplomata que só conhece a provocação como forma de diálogo. O poder, nessa Bruxelas asfixiante, parece ter esquecido todas as línguas, excepto a do dinheiro e a da sanção. Impõem-se “valores subversivos” contra “valores sagrados”, mas ninguém se dá ao trabalho de definir quais são uns e outros, porque, neste conflito surdo contra o povo europeu e contra o povo russo, parece reger o argumento cínico do tudo vale.

Escutemos, com atenção, os hinos do fanatismo contemporâneo. Lá longe, do outro lado do Atlântico, ouvimos o eco gutural de “América acima de tudo”. Aqui, no velho continente, respondemos com o timbre melífluo, mas igualmente vazio de “Valores democráticos da Europa acima de tudo”. É a mesma moeda, cunhada em lados diferentes, servindo o mesmo espírito do globalismo que sopra das torres de marfim financeiras para as planícies do sofrimento real. Cada vez se tem mais a impressão, e o senso comum, esse bem raro, teima em confirmá-lo, de que a grandeza das potências tem como condição necessária a humilhação metódica do cidadão comum. A dissidência, nessa Europa embriagada de si mesma, é simplesmente pensar de forma diferente; a heresia, hoje, é querer a paz sem submeter a alma ao dogma.

É preciso, pois, que o povo desperte. Não o povo abstracto dos discursos oficiais, mas a carne e o osso que pagam impostos e criam os filhos. Bruxelas estende-se como um polvo de braços tecnocráticos, avassalando até os sagrados espaços da cultura, transformando a arte num campo de batalha rasteiro. A Bienal de Veneza, que devia ser um oásis de contemplação, arrisca-se a tornar-se um museu da censura. E esta é a maior tragédia: quando os burocratas se arrogam o direito de definir o que é ou não “democrático” na paleta de um pintor ou na música de um compositor, estamos a trocar a utopia pela polícia.

O humanismo, esse velho amigo esquecido, dita que a cultura não é instrumento de guerra, mas trégua. A cultura não é arma de arremesso, mas ponte. Se a Europa quer verdadeiramente rejuvenescer, que olhe para os seus filhos, não para os seus generais; que se inspire nos seus filósofos e teólogos, não nos seus comissários. Que guarde o cinismo para a política, que é, afinal, a sua matéria-prima e a generosidade para a arte. Caso contrário, a Bienal de Veneza não será a única a afogar-se nas suas águas turvas; afogar-se-á a própria ideia de Europa, vítima da sua própria bílis, sufocada pelo polvo que criou para a defender.

E quando isso acontecer, não digam que o povo não avisou.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11163

 

O NEGÓCIO DO ROSTO

Leviandade, a dos que gritam «é livre»
quando o punho do clã lhe cerra a nuca.
Leviandade, a dos que bramam «é estrangeira»
quando o que odeiam é a fêmea em si.

Ambos a usam como bandeira de conveniência,
nenhum lhe pergunta se o véu pesa mais
que o peso da alma que lhe calaram.

Ela é o negócio da religião,
a moeda de troca entre o céu e a terra,
a prova de que o homem é senhor
quando a mulher é só silêncio andante.

Não conseguem ver?
A pressão é mais fina que a seda,
entranha-se-lhe nos ossos
como prece íntima:

«Cobre-te,
que a tua face é pecado;
descobre-te,
que a tua face é escândalo;
sê nenhuma (ninguém),
que assim serás de todos.»

Mas quem defenderá o direito
de ela ser
a autora do seu próprio eclipse
ou da sua própria aurora?

Quem lhe devolverá a tinta do rosto
para que ela pinte o dia
conforme o seu próprio gosto?

Ah, deixai-a rasgar a cortina do templo,
não para ofender deuses,
porque esses são mudos,
mas para que a mulher, enfim,
seja perigo apenas pela sua inteligência,
e não pela covardia do homem
que a esconde.

Que a praça a receba
como rio que ela é:
sem margens,
sem dono,
sem burca.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo©: https://antonio-justo.eu/?p=11154

 

Palavras de lótus #14 Palavras de Lotus Dora Gago e Anabela Freitas – Rádio Freguesia de Belém

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Palavras de Lótus, um programa do Centro Científico e Cultural de Macau apresentado por Ana Cristina Alves

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O que o seu telemóvel sabe sobre si e que nunca lhe contou – ZAP Notícias

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O telemóvel não se limita a guardar o que lhe damos. A partir de sinais banais do uso diário, e do cruzamento entre eles, deduz onde vivemos, como dormimos, o nosso estado de saúde, crenças ou orientação política — sem que nos apercebamos do retrato que está a ser construído a nosso respeito. Há uma diferença entre os dados que fornecemos ao telemóvel e as informações que aplicações, plataformas e outros sistemas podem inferir a partir deles. Os primeiros são evidentes: o nome, os contactos, as fotografias ou as mensagens. Os segundos resultam da recolha e do cruzamento contínuos de

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Ministro da Educação garante que estão já “99% das provas corrigidas” – Notícias ao Minuto

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Foi prolongado até quarta-feira o prazo para classificar os exames nacionais que não estejam concluídos. O ministro da Educação garante que há já 99% dos exames corrigidos e nega veementemente que a vice-presidente do Eduqa esteja de férias.

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EUCÍSIA: Arqueólogos descobrem sóis com seis mil anos gravados em rocha em Alfândega da Fé | PÚBLICO

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Incisões “soliformes” vêm juntar-se a ferraduras já descobertas anteriormente. Trata-se de um “calendário solar”, diz arqueóloga da Universidade do Minho, que fará parte de um santuário religioso.

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“BE acabou”. 60 militantes de saída (incluindo Mário Tomé e Pedro Soares) – Notícias ao Minuto

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Um grupo de 60 bloquistas, entre os quais o histórico da UDP Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares, anunciaram hoje a saída do BE por considerarem que o seu partido acabou e criticando o rumo dos últimos anos.

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