Fui ao gourmet e tramei-me! –

Descobrir PORTUGAL
45 mins

“(…) não podia deixar de entrar num restaurante gourmet da moda. Vesti um Armani que comprei num saldo dos chineses, calcei umas sapatilhas com uma virgula estampada que regateei ao ciganito da feira e esvaziei, pelo pescoço abaixo, meio(…)”
• Imperdível o texto de Francisco Gouveia!

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Fui ao gourmet e tramei-me!

Gourmet? Nunca mais lá volto. Sabem que mais? Porque se quero comer aperitivos, como bolinhos de bacalhau e tremoços, que são muito mais saudáveis e baratos.

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Fui ao gourmet e tramei-me!

Gourmet? Nunca mais lá volto. Sabem que mais? Se quero comer aperitivos… como bolinhos de bacalhau e tremoços, que são muito mais saudáveis e baratos.

Sou um tipo moderno. E chique. Muito chique. Por isso não podia deixar de entrar num restaurante gourmet da moda. Vesti um Armani que comprei num saldo dos chineses, calcei umas sapatilhas com uma vírgula estampada que regateei ao ciganito da feira e esvaziei, pelo pescoço abaixo, meio frasco de Chanel dos marroquinos.

Fui ao gourmet e tramei-me!
Fui ao gourmet e tramei-me!

E foi assim, cheio de cagança, como mandam as regras do pelintra luso, que fui jantar ao tal restaurante, gerido por um “chef” reputado com categoria internacional e olímpica.

Tramei-me! Antes tivesse ido ao tasco da esquina aviar uma bifana! Confesso que já levei muita tanga, mas como esta, nunca! Passei fome, fui gozado e fui roubado!

Fui ao gourmet e tramei-me!
Fui ao gourmet e tramei-me!

Sempre achei que cozinhar era uma ato de descontração, de partilha, de alegria, de afeto. E eu devia desconfiar, porque aqueles concursos gastronómicos das TVs transformaram uma atividade social sadia, numa agressão stressante, provocadora de lágrimas e depressões.

Já para não falar das parvoíces dos mestres cozinheiros da moda, cujos pratos estapafúrdios e minimalistas se apelidam agora de “criatividade culinária”.

Fui ao gourmet e tramei-me!
Fui ao gourmet e tramei-me!

Colocaram-me um prato à frente que é mais difícil de decifrar que as palavras cruzadas do JN ao domingo.

Um prato que exibe 5 cm2 de um pobre robalo que pereceu inutilmente só para lhe extraírem um pedacito do cachaço, meia batata engalanada com um pé de salsa, e 2 ervilhas a nadarem numa colher de chá de um azeitado molho de escabeche, bem disfarçado com um nome afrancesado que nem vem nos dicionários.

Para remate, três riscos de uma substância pastosa, estilo Miró, para preencher os restantes 90% do prato vazio.

Fui ao gourmet e tramei-me!
Fui ao gourmet e tramei-me!

E o bruto do português, habituado à sua travessa de cozido e ao panelão de feijoada, olha para aquilo com uma cara de parvo capaz de partir todos os espelhos lá de casa.

Esboça-se um sorriso amarelo, engole-se em seco, diz-se que está tudo ótimo ao empregado de mesa que mais parece uma melga à nossa volta, e enfiam-se dois Xanaxs quando nos metem a conta à frente. E, a muito custo, cala-se o berro de duas peixeiradas à nortenha que nos vai na alma.

Fui ao gourmet e tramei-me!
Fui ao gourmet e tramei-me!

Nunca mais lá volto. E sabem que mais?

Porque se quero comer aperitivos, como bolinhos de bacalhau e tremoços, que são muito mais saudáveis e baratos.

Porque para ver pintura abstrata, vou a uma exposição.

Fui ao gourmet e tramei-me!
Fui ao gourmet e tramei-me!

Porque detesto jantar uma comida onde toda a gente meteu as mãos.

Porque para ser roubado bastava ir à Autoridade Tributária, vulgo Finanças.

E, acima de tudo, porque desconfio de um cozinheiro que vive e trabalha com a ambição obsessiva de ser medalhado por uma companhia de pneus.

Autor: Francisco Gouveia

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na ribeira grande ainda há restaurantes que deviam estar fechados

Dentro do âmbito profissional, acabei de tentar fazer uma reserva num restaurante do concelho da Ribeira Grande para 16 pessoas que se deslocam em cadeiras de rodas + 16 pessoas que caminham. Recebi como resposta: “Não vou encher a sala do rés-do-chão de cadeiras de rodas! E os nossos clientes?! Olha, afinal a sala está reservada.”. Desculpem-me, mas não consigo “digerir” isso!

Comments
  • Paulo Mimoso Obrigatorio denunciar o restaurante e fazer um boicote
  • Francisco Eduardo Sousa Ferreira Por estas e por outras que continuará a ser o concelho micaelense com mais pobreza econômica e de espírito.
  • João Bagnari Sem o nome do restaurante, recuso-me a acreditar. Pelos comentários que li, EXIGE-SE O NOMO DO RESTAURANTE!!!
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O ECOCÍDIO CAUSADO PELOS VEGETARIANOS

Paulo Leite
14 hrs

Tá tudo lixado… Daqui a pouco nem vegetais…

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SEMPREQUESTIONE.COM|BY CONSPIRAÇÃO GLOBAL
Elas fazem isso usando sinais semelhantes aos animais em perigo. Os biólogos continuam estudando o mistério de como as plantas são capazes de se comunicar umas às outras.
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só para gulosas…

-2:33

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Bolos irresistíveis sendo cortados vão te hipnotizar
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Satisfação Visual

A verdadeira definição de comer com os olhos! 😱

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Eating an Egg a Day RAISES Your Risk of a Heart Attack or Stroke •

A new study claims eating an egg a day dramatically raises your risk of a heart attack or a stroke. Many leading cardiologists say the study, which reignites a fierce and controversial debate over eggs, is the most rigorous ever published. Assessing data on 30,000 people, the researchers found that people with dangerously high cholesterol […]

Source: Eating an Egg a Day RAISES Your Risk of a Heart Attack or Stroke •

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A IGNORÂNCIA NÃO PAGA IMPOSTO

O chefe Hélio Loureiro (Praça da Alegria) é um imbecil. Diz que “comeu um excelente Pato à Pequim, em Hong Kong” (?), mas quando Jorge Gabriel lhe perguntou pelo “arroz chao chao”, e se este “existe na China”, o chefe respondeu que “não, que isso é uma coisa de cá” (de Portugal). Até aqui muito bem, mas como se não bastasse, acrescentou que “se pedirmos arroz chao chao na China, trazem-nos arroz com cão”…wtf? Pois, porque “Chow chow é um cão da China!”. Ahhhhh!!! Ia morrendo 😵

É assim. Continua-se a perpetuar o mito de que comer cão na China é uma coisa normal, e que se pedirmos arroz chao chao na China, vem para a mesa arroz com um cão em cima. Tá bem, ó melga 🙄

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OS TEMPOS MUDAM COMO NÃO SE COMIA NO NATAL HÁ 100 ANOS

Está a ver aquela posta alta e deliciosa de bacalhau cozido com couves, cenouras, batatas e muito azeite por cima? No início do século XX, isso era coisa que só existia no Norte do país. Do Porto para baixo, a véspera de Natal era passada no mais rígido e rigoroso jejum. A partir do início do Advento, as famílias faziam jejum de carne e, na véspera de Natal, no Sul do país, era jejum total até à Missa do Galo.

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Está a ver aquela posta alta e deliciosa de bacalhau cozido com couves, cenouras, batatas e muito azeite por cima? No início do século XX, isso era coisa que só existia no Norte do país. Do Porto para baixo, a véspera de Natal era passada no mais rígido…
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NOVO COZIDO À PORTUGUESA MICHELIN 2**

Maria Sá shared a post.

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O País Do Mete NOJO

19 hrs

CURIOSIDADES

Este é o cozido à portuguesa que servem em Lisboa num restaurante de 2 estrelas Michelin.

Esta dose custa 125 euros…

Acham que é um preço justo ou exagerado?

Será assim que angariamos mais turistas?

Crónica de Gustavo Rosa

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