MONTMARTRE 1973 E AGORA

 

A propósito das imagens abaixo lembro a minha paragem em Montmartre em setº 1973 rumo a Timor….

leia aqui toda a crónica 95 montmartre 1973

Montmartre in autumn

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Paris sera toujours Paris

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Montmartre in autumn

o fascínio das nuvens out 2008

59.5. FUNCHAL – PORTO 31 outubro 2008

 

59.5. FUNCHAL – PORTO 31 outubro 2008

Sempre me fascinaram as nuvens vistas do ar como castelos de neve, como montanhas de gelo em movimentos perpétuos, como flocos de açúcar como algodão doce daquele que se vendia nas feiras de antigamente. Fico sempre ensimesmado, fascino-me a observar as nuvens, de dentro do avião como se estivessem imóveis para toda a eternidade, tal como antigamente se comportavam os gelos eternos e a neve no Kilimanjaro. Noutros casos, voam em direção oposta como se quisessem fugir ao seu volátil destino. Há-as de todos os tamanhos, cores e feitios e nunca sei como resistir ao desejo incontido de abrir a porta do avião e agarrá-las, apertá-las, esfarelá-las e, por fim, espalhá-las aos quatro ventos do mundo. Ainda hoje senti uma vontade irreprimível de ir fazer surf nelas, naquele imenso oceano de nuvens que separava o Funchal do Porto. Mas nos céus havia outras, muitas outras, mais altas e misteriosas, quase invisíveis e essas eram etéreas, pareciam farrapos de nada arrancados à vida. Sombras quase invisíveis, talvez espíritos, quem sabe? Eram fugazes como o tempo sem deixar rastos nem assinaturas.

Um dia, eu sei, irei com elas, mas hoje ainda não posso, tenho uma viagem por acabar. Mas não irei sem aqui vos falar deste fascínio antigo que persigo sempre que estou a bordo dum avião. As que vi hoje eram um encanto, acumulavam-se como se fossem uma enorme família de milhões e milhões de nuvens de todos os formatos, ora crescendo-se ora reduzindo-se a fiapos, ora engrossando como enormes planícies de melancolia esbranquiçada que davam lugar a montes e montanhas.

Eu vi-as e elas fugiam-me sempre. Tinham medo de serem agarradas, até fugiam do meu olhar com medo de serem aprisionadas, ou devoradas por este monstro tonitruante de metal que as violava, perfurando-as como a espada de São Jorge trespassara o Dragão. Ficavam para trás, todas doridas, descompostas, sem a dignidade com que as vira apenas uns segundos antes. Mas cedo se recompunham e recomeçavam novo ciclo de vida através da água que a sua presença, quase sempre, augura. Se alguém as apanhar, antes de mim, pode quebrar este ciclo vital. Elas podem, subitamente, deixar de acumular o orvalho da terra para converter em chuvas que regam montanhas e fazem jorrar os rios. Sem elas não haveria vida na terra e não podemos interromper essa etapa, mesmo quando somos caçadores de nuvens frustrados como alguns que bem conheço. (imagens no anexo59.5. FUNCHAL – PORTO 31 outubro 2008)

Cirros – vem de cirrus, cacho de cabelo, franja – como a penugem de aves – são as nuvens mais comuns, altas, delicadas, brancas, fibrosas, geralmente esbranquiçadas, com aspeto de penas ou flocos de lã. Pairam à altura média de 9 km. São finas e compridas e formam-se no topo da troposfera. Formam estruturas alongadas e permitem inferir a direção do vento àquela altitude (geralmente de Oeste). A sua presença é normalmente indicadora de bom tempo.
Cirros-cúmulos – aparecem sob forma de bolinhas muito pequenas e brancas, ordenadas em bancos ou campos de nuvens. São também constituídas por cristais de gelo, mas aparecem raramente. São menos vistas do que os cirros. Aparecem como pequenos puffs, redondos e brancos. Podem surgir individualmente ou em longas fileiras. Normalmente ocupam uma grande porção de céu.
Cirro-estratos – mostram-se como véu esbranquiçado, fibroso ou liso, mais espesso que os cirros, constituído predominantemente por cristais de gelo. São as nuvens finas que cobrem a totalidade do céu. Como a luz atravessa os cristais de gelo que as constituem, dá-se refração, dando origem a halos. Na aproximação de uma forte tempestade, estas nuvens surgem muito frequentemente e, portanto, dão uma pista para a previsão de chuva ou neve em 12 – 24h.
Altos-cúmulos – são as nuvens denominadas vulgarmente de “carneirinhos”, como que novelos, formadas por gotas de água líquida, com os bordos claros e zonas sombreadas no interior, reunidas em faixas alongadas. São nuvens médias que são compostas na sua maioria por gotículas de água e quase nunca ultrapassam o 1 km de espessura. Têm a forma de pequenos tufos de algodão e distinguem-se dos cirros-cúmulos porque normalmente apresentam um dos lados da nuvem mais escuro que o outro. O aparecimento destas nuvens numa manhã quente de Verão pode ser um sinal para o aparecimento de nuvens de trovoada ao final da tarde.
Alto-estratos – são, na maior parte das ocorrências, nuvens em forma de véu uniforme, cinzento-azulado, raramente fibroso, através das quais o Sol e a Lua surgem enfraquecidos na sua luminosidade, como se os víssemos por um vidro fumado. Os altos-estratos contêm gotículas de água e cristais de gelo, além de flocos de neve e gotas de chuva. São muito semelhantes aos cirrostratos, sendo muito mais espessas e com a base numa altitude mais baixa. Cobrem em geral a totalidade do céu quando estão presentes. O Sol fica muito ténue e não se formam halos como nos cirrostratos. Uma outra forma de os distinguir é olhar para o chão e procurar por sombras. Se existirem, então as nuvens não podem ser alto-estrato porque a luz que as consegue atravessar não é suficiente para produzir sombras.
Nimbo-estratos – espessas camadas de nuvens baixas, cinzentas-escuras, cuja base inferior é reforçada por nuvens esfarrapadas, que dão chuva ou neve contínuas. A precipitação pode não atingir o solo, por se evaporar antes. Os nimbos-estratos compõem-se, de gotas de água em temperaturas mais baixas que aquela em que ocorre a solidificação, gotas de chuva, flocos e cristais de neve, ou mistura de formas sólidas e líquidas. Estão associados aos períodos de chuva contínua (de intensidade fraca a moderada). Podem ser confundidos com alto-estrato mais grossos, mas os nimbo-estratos são em geral de um cinzento mais escuro e normalmente nunca se vê o Sol através deles.
Estratocúmulos – nuvens brancas ou cinzentas, arredondadas, dispersas ou reunidas em bancos, distribuídas por uma camada horizontal pouco espessa. Contêm partículas de gelo misturadas com gotas líquidas. Nuvens baixas em filas ou agrupadas noutras formas. Normalmente consegue ver-se céu azul nos espaços entre elas. Produzem-se frequentemente a partir de cúmulos por altura do pôr-do-sol. Diferem dos altos-cúmulos porque a sua base é muito mais baixa e são bastante maiores. Raramente provocam precipitação, mas podem provocar aguaceiros no Inverno se se desenvolverem verticalmente em nuvens maiores e os topos atingirem uma temperatura de -5ºC.
Estratos – vem de stratus, são nuvens típicas dos crepúsculos, baixas, alongadas e horizontais, em camadas uniformes, sem estrutura visível. São constituídas por gotas de água ou, se a temperatura for muito baixa, por partículas de gelo; a precipitação caraterística é o chuvisco. Habitualmente cobrem todo o céu e lembram um nevoeiro que não chega a tocar no chão. Normalmente não originam precipitação, que, a ocorrer, o faz sob a forma de chuvisco.
Cúmulos – vem de cumulus, que quer dizer, montão de nuvens) são arredondadas no topo, majestosas, com o aspeto de montanhas de algodão, de base plana e quase horizontal. Indicam bom tempo e distam 1 a 2 km do solo. Surgem bastante isoladas, distinguindo-se assim dos estratocúmulos. Além disso, os cúmulos têm um topo mais arredondado. Estas nuvens são normalmente chamadas cúmulos de bom tempo, porque surgem associadas a dias soalheiros.
Cúmulos-nimbos – Quando na parte superior dos cúmulos muito desenvolvidos se forma a bigorna, constituída por granizo, neve ou gelo, obtém-se um novo tipo de nuvem, o Cúmulo-nimbo. São as nuvens mais vulgares de todas e aparecem com uma grande variedade de formas, sendo a mais vulgar a de um bocado de algodão. A base pode ir desde o branco até ao cinzento claro. São nuvens de tempestade, onde os fenómenos atmosféricos mais interessantes têm lugar (trovoadas, aguaceiros, granizo e até tornados). Estendem-se desde os 600 m até à tropopausa (12 000 m).

CRÓNICA 210 HAVERÁ FUTURO? 13.9.18

CRÓNICA 210 HAVERÁ FUTURO? 13.9.18 (as restantes estão em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html)

O dia está belo sem nuvens e estão a caminho dois furacões, a Hélène e Joyce que talvez cheguem no fim de semana como tempestade tropical. Há mais meia dúzia deles no Pacífico a ameaçar Hawaii e Macau, e outros nos EUA num total de 8 ou 9 em simultâneo, o que só vem servir de arma de arremesso aos que acreditam na manipulação do clima.

Martins Goulart[1], o engenheiro e homem do PS nos primeiros anos da autonomia veio a público falar da ausência e deturpação da mesma nestas 9 ilhas (creio que há 20 anos se mantinha silenciosa politicamente) e não é só ele, muitos se interrogam (mas são ainda poucos) sobre o rumo que as políticas dos dois partidos no poder imprimiram aos Açores em 43 anos de autonomia.

A economia a crescer artificialmente inflacionada por um turismo que já começa a escalavrar as belezas naturais das ilhas veio dar otimismo desenfreado, em especial na ilha de S Miguel, privilegiada com a maioria dos turistas. A crescer também o número de beneficiários do RIS rendimento de inserção social, ou qualquer que seja o nome atual dessa bela ideia que atualmente é usada e abusada até ao limite. O desemprego a baixar, artificialmente alimentado por milhares de jovens em programas Estagiar qualquer coisa que poucas garantias de emprego estável darão…acabam uns estagiários e outros virão…

Na agropecuária os subsídios sucedem-se, uns atrás de outros na pedinchice a Bruxelas para manter artificialmente as ilhas das vacas felizes sem se saber por que razão a associação d setor não usa os milhões que tem a render na banca e que bem podiam ajudar o setor e os associados, mas eles lá saberão …

A maioria das pessoas demasiado ocupadas com os seus umbigos nem pensa em política nem autonomia, desde que o prato de lentilhas lhe seja servido todos os dias, com mais umas migalhas atiradas de 4 em 4 anos aquando dos atos eleitorais de promessas mil. Há, alguns que se queixam da autocensura a que se obrigam para não perderem os míseros tostões que a administração distribui por mil e uma entidades e poucos são os que dão voz ao descontentamento. Até poderíamos ser levados a pensar que tudo corria bem neste reino da Dinamarca, não fossem as sistemáticas teimosias de empresas públicas, semipúblicas ou coisa que o valha, que diariamente são notícia nos jornais pelo acumular de prejuízos de milhões e dentre elas, a SATA do nosso descontentamento em gestão autofágica dividida por executivo, sindicatos e outros interessados no bolo, sem privilegiar os milhões de passageiros que a sustentam e penam para receberem indemnizações pelos atrasos, cancelamentos e outros desvarios aqui levados ao extremo na cauda da avaliação de pontualidade de voos e outros critérios semelhantes. O pior é que eu, que até prefiro voar na SATA do que na concorrência, sei que a alternativa é ainda pior. Mas algo terá de ser feito, desfazer a companhia e começar de novo com o serviço público deficitário interilhas, alugar o serviço de outras companhias numa fase de transição e acabar com este aumento diário da sua dívida pública.

Em Santa Maria os ânimos andam excitados com a ida ou não, de um spaceport, que ninguém sabe ainda bem o que será, para o lançamento de foguetes na Malbusca. Uns a favor em nome do “progresso” sempre prometido àquela esquecida ilha, mas nunca concretizado, outros mais ambientalistas defendem a preservação da pureza natural pois os quos superam os prós, mas pouco se sabe de concreto ainda para ser possível definir posições.

No PSD local os dois candidatos a líder esgrimem argumentos após 5 derrotas eleitorais consecutivas sem fama nem proveito, mas como dizia, há dias, o colega Tomás Quental, sem garantir apoios à agropecuária e a continuação dos rendimentos mínimos a vastos setores da população o novo líder não ganha. Um tem a máquina partidária, o outro busca as massas. Pode ser que daqui nasça uma verdadeira oposição que bem necessária é para o equilíbrio democrático, e que tem sido mais apanágio dos pequenos partidos BE, PCP E CDS do que do PSD.

Dito isto, quando falo com jovens a auferirem pouco mais de 500 euros e vejo estampado no rosto o desânimo por nunca mais poderem constituir família ou se tornarem independentes economicamente pergunto “Haverá futuro?”, trabalho escravo na restauração haverá sempre e os sonhos ficarão adiados até um dia mas será isto que queremos para os açorianos?

Chrys Chrystello, Jornalista

[MEEA/AJA (Australian Journalists’ Association

Membro Honorário Vitalício nº 2977131, 1983-2018) carteira profissional AU3804]

[1] é um engenheiro eletrotécnico e professor da Universidade dos Açores (aposentado), doutorado em Matemática pela Universidade da Califórnia, e político açoriano. Entre outras funções, foi membro da Junta Regional dos Açores (1975-1976), deputado e líder do Partido Socialista nos Açores (1987-1993). ouvir aqui

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CRONICA 208 CHATICE DE SILLY SEASON 23.8.18 (esta e outras em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html)

Isto é uma chatice, o fogo de Monchique acabou e os outros não deram grande luta, ainda não foi desta que se acabou com o Costa, não morreu ninguém e nem o ministro se demitiu.

Que chatice sem nada a ameaçar o fim do mundo.

Descobriu-se o esquema de compadrio nos fogos de Pedrógão em que alegadamente gente da Câmara mandou mudar moradas fiscais para renovarem 2ª casa, 3ª casa, etc. e recuperar as mesmas enquanto as casas de primeira habitação ainda nem todas estão prontas. O chico-espertismo habitual dos tugas quando veem dinheiro.

Entretanto não se virão a revelar as mordomias que os políticos auferem porque isso podia comprometer a estabilidade governamental…

Pelos Açores a calmaria é ainda maior, atrasos da SATA e cancelamentos habituais, já ninguém fala dos maus tratos na Misericórdia, do desvio do helicóptero e nem deu para surgirem novos escândalos, pelo que o nosso primeiro Vasco se mantém em regime de férias.

Para não falarem mais dos maus tratos na Misericórdia convidaram familiares de alguns asilados para dizerem bem da instituição e os que diziam mal nem sequer foram ouvidos. Depois o senhor secretário da saúde, já anteriormente desautorizado pelo presidente do governo regional mandou instaurar um inquérito aos cuidados continuados e a quem denunciou os maus tratos na Misericórdia. Uma guerra interna a ver se se salva o tacho…

Aqui, como é costume, as manchetes de jornal estão esquecidas ao fim de 3 dias que a atenção das pessoas não dura mais do que isso.

Depois houve a cena escabrosa do presidente da câmara das lajes do pico com comentários homofóbicos e exclusão de participação de uma associação que muito tem feito com cultura alternativa para dinamizar o Pico e outra cilhas nestes últimos seis ou sete anos. Mas o que fica da cena é o silêncio generalizado, exceção feita ao PAN e a um deputado do PS e depois, tardiamente, veio o PSD criticar….mas demitirem o autarca, credo, isso nunca… somos apenas uma meia dúzia de pessoas nas redes sociais a mostrarem-se indignadas com o ataque homofóbico e a pedir a demissão do autarca…

Tudo isto para concluir que este país e esta região autónoma me causam um certo asco, ou náusea, repugnância, repulsa, pesar, tristeza, pela forma como tratam os seus concidadãos, como se de mentecaptos se tratasse. Continua a imperar o medo, de falar, de denunciar, de criticar porque quem o faz arrisca-se a perder benesses, apoios, subsídios e outras mordomias que os senhores feudais atiram como dantes se atiravam migalhas aos servos da gleba, do alto das ameias.

Chrys Chrystello, Jornalista [MEEA/AJA (Australian Journalists’ Association – Membro Honorário Vitalício nº 2977131, 1983-2018) carteira profissional AU3804]