Manuel Jacinto Andrade 11 janeiro 1999 – 11 janeiro 2019

Manuel Jacinto Andrade
11 janeiro 1999 – 11 janeiro 2019
Já passaram 20 anos!

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  • Tomás Quental Conheceu-me desde tenra idade, quando morei com os meus pais e irmãos na Rua de Sant´Ana, em casa da minha avó paterna, mesmo ao lado de baixo da casa onde no rés-do-chão funcionava o então jornal “Açores” e nos andares superiores viviam o director, o senhor Cícero de Medeiros, a esposa, a filha, a senhora dona Ana Maria, e o marido, precisamente o professor Manuel Jacinto de Andrade, então recém-casados. Uma boa família, sem dúvida! Pessoas educadas e simpáticas! O professor Manuel Jacinto, que sempre me dispensou amizade, até porque mais tarde nos reencontrámos na profissão de jornalista, era um mestre: dominava a língua portuguesa como poucos, em resultado da sua formação de professor da então designada Instrução Primária e em resultado também das suas leituras, porque era, de facto, muito interessado em assuntos de Literatura e de História, nomeadamente dos Açores. Os seus artigos eram um primor de escrita. Muitos desses textos, compilados e selecionados, dariam um valioso livro sobre a vida açoriana, porque referem acontecimentos, tradições e pessoas que se destacaram. Estou grato ao professor Manuel Jacinto pela sua amizade e associo-me com o maior gosto a esta evocação da sua memória. Um abraço para toda a família, com sinceras amizade e consideração.
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A “revelação literária” Carolina Andrade Constância nas Distinções de 2018 do jornal “Correio dos Açores”

A “revelação literária” Carolina Andrade Constância nas Distinções de 2018 do jornal “Correio dos Açores” 🙂

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O GOLFINHO FEIO, ANTº BULCÃO

O golfinho feio
Há uns meses li que é perigoso nadar em mar alto com golfinhos.
Aconselha-se a quem gosta desse tipo de sensação a fazê-lo em ambiente controlado, na presença de quem o bicho respeite. E isto por duas razões.
A primeira é que os seres humanos gostam de afagar o animal. Não se limitam a vê-lo, a apreciar a sua beleza. Têm necessidade de lhe passar a mão pelo corpo. Ora, tratando-se de um mamífero, o golfinho fica excitado com as carícias. E depois quer mais, o que é perfeitamente compreensível. Uma espécie de “ajoelhou, vai ter de rezar, vens para aqui com preliminares explícitos e depois queres ir embora, abandonar-me com as hormonas aos saltos? Nã, nã, nã, agora vais ao castigo como um lindo”.
Pronto, fica o caldo entornado. A boca do inteligente animal agarra um pé, uma perna, puxa para baixo, dizendo na sua linguagem “anda lá, não te faças difícil, vais levar uma golfinhada como nunca levaste”. Se todo este drama se passa numa piscina, com o domador ao lado, de cavalo-marinho em riste, ainda há salvação. Se for em mar alto, pode ser morte certa.
A segunda razão é mais assustadora. Há sempre no grupo um golfinho que é vítima dos outros. O elo mais fraco. Uma espécie de bullying marínho. Por razões que os cientistas desconhecem, este golfinho é, geralmente, o bombo da festa. Uma dentada aqui, uma chapada de cauda mais além, e o desgraçado vai penando oceano adiante, acumulando cicatrizes e traumas de golfinho feio, por vezes desejando ser patinho, mesmo feio continuasse.
Ora quando este apanha um ser humano à barbatana, não pensa noutra coisa que não seja vingar-se. Assume interiormente que os outros golfinhos são mais fortes que ele, ok, mas este desgraçado humanoide que me apareceu como por milagre não tem hipótese nenhuma aqui dentro de água. Vai penar o que eu tenho penado.
Por mais fraco seja o golfinho e mais forte seja o homem, este não consegue livrar-se das investidas rápidas e ágeis do inteligente dito irracional e acaba por afogar-se.
Desligado o National Geographic Magazine, pus-me a pensar em possíveis transposições.
Imaginemos um rapazinho baixinho, gordinho, feinho, sem grandes motivos de interesse e que nem sabe contar anedotas.
Pontapés no cu na escola primária e nunca é escolhido para jogar futebol.
Uma adolescência para esquecer, com as raparigas a rirem dele, tapando a boca com a mão.
Uma juventude cheia de frustrações sexuais, parecendo invisível nas discotecas, os altos loiros e com olhos azuis soterrados de gajas e ele para ali sozinho num canto, apesar da roupa de marca e do perfume afrodisíaco, perdendo-se em bebedeiras de esquecimento.
Uma universidade de mais do mesmo, estudos até altas horas, pestanas a arder madrugada fora, mas com o telemóvel silencioso, escuro, sem o ecrã se iluminar uma única vez com o nome de uma ninfa que apreciasse os seus dotes intelectuais.
Imaginemos que, por razões que nem o National Geographic vislumbraria, este génio solitário e frustrado entra na política e o seu partido ganha eleições e forma governo.
De repente, a sua vida muda. Com um grama de poder, quer conquistar um quilo do mesmo, depois uma tonelada. Com poder, tem a atenção e o carinho que sempre desejou. Pronto, não é pelo que é, é sim pelo que faz, mas sabe tão bem… Falta o amor? Não o pode ter apenas porque é governante? Pois paciência, no problema, o amor compra-se a não há mais conversa.
Transformou-se num golfinho? Fará ou não tudo o que for possível para não perder o que nunca tivera e não voltará a ter se voltar ao estatuto do baixinho, gordinho e feinho a quem ninguém liga?
A Natureza, na sua simplicidade, explica tantas coisas…
António Bulcão
(publicada hoje, no Diário Insular)

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POETA INFELIZMENTE ESQUECIDO

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Maria Das Mercês Coelho to Açores-poetas mortos,esquecidos

A pesada porta

A casa tinha uma porta

que dava para a América

No Verão

antes do cinema

A casa tinha um grande bengaleiro

gatos no quintal ao pé da roseira

dois andares

uma torre sobre o canal mais S. Jorge ao fundo

Em baixo

no sombrio saguão de azulejo quebrado e velho

em noites com Estrela Polar

Ursa Maior e Cassiopeia sem vento

a pesada porta dava para a América.

Mário Machado Fraião, nasceu na cidade da Horta, ilha do Faial, em 1952, e faleceu a 8 de novembro de 2010 em Lisboa.

LEIA O CADERNO DE ESTUDOS QUE A AICL LHE DEDICOU https://www.lusofonias.net/arquivos/426/Cadernos-(e-suplementos)-de-Estudos-Acorianos/862/caderno-8-mario-machado-fraiao-CADERNOS-DE-ESTUDOS-ACORIANOS.pdf
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“Um Perigoso Leitor de Jornais” de Carlos Tomé, em 2ª Edição

“Um Perigoso Leitor de Jornais” de Carlos Tomé,
em 2ª Edição a partir de amanhã, numa reedição da Artes e Letras.

Um Perigoso Leitor de Jornais é um romance escrito com sabedoria e arte; ainda que em sua essência esteja uma memória concreta da ditadura, trata-se de uma obra que nos seduz como autêntica e autónoma literatura; é testemunho, mas também é construção de uma narrativa em que nada sobra, nada falta, e na qual a palavra situa-se na frase como se ali estivesse desde sempre. O leitor terá inúmeros momentos de autêntico prazer estético e, ao mesmo tempo, conhecerá um episódio real, desses que não temos o direito de esquecer, especialmente em tempos de ascensão de ideologias que podem desembocar em amargas recorrências.
LuizAntônio de Assis Brasil

leia o caderno de estudos açorianos da AICL a ele dedicado em https://www.lusofonias.net/arquivos/426/Cadernos-(e-suplementos)-de-Estudos-Acorianos/881/caderno-28-carlos-tome-CADERNOS-DE-ESTUDOS-ACORIANOS.pdf

 

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“Arquipélago de Escritores”:

  • Escritores convidados (nacionais):
    Afonso Cruz | Álamo Oliveira | Ana Cássia Rebelo | Ângela de Almeida | Carlos Alberto Machado | Carlos Bessa | Carlos Tomé | Clara Macedo Cabral | Daniel Gonçalves | Diogo Madre Deus | David Machado | Filipa Martins | Gonçalo M. Tavares | Isabel Lucas | João de Melo | João Pedro Porto | João Pereira Coutinho | João Tordo | Joel Neto | Isabel Rio Novo | Leonardo Sousa | Leonor Sampaio da Silva | Luís Osório | Onésimo Teotónio Almeida | Paula de Sousa Lima | Pedro Mexia | Renata Correia Botelho | Sandro William Junqueira | Urbano Bettencourt | Vamberto Freitas | Vasco Rosa

    Escritores convidados (internacionais):
    Anthony Marra | Diana Marcum | Nathan Hill (EUA) Lélia Nunes (Brasil)

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…. um certo “festival” literário em Novembro nos vai colocar no mapa do país

Boa tarde.
Para os “gurus” açorianos que nos últimos anos trazem de Lisboa na “pasta”, meio vazia. Já estávamos aqui há muitos anos. Se não fosse a minha geração vocês eram os mais ilustres desconhecidos, tanto nos Açores como Continente. Entenderam? Sim, ando furioso quando dizem, como disseram hoje no Açoriano Oriental, que um certo “festival” literário em Novembro nos vai colocar no mapa do país. E do “mundo”? Espero que seja o Quénia, porque mais nada resta.
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Chrys Chrystello vou já cancelar os colóquios que estes agora vão fazer isso e ainda mais…descobriram a roda e a pólvora e os indígenas agradecem o isqueiro pata substituir o sílex.. é um insulto ao Vamberto, Urbano, aos colóquios da lusofonia desde 2005 e a todos os que organizaram eventos desde 1989 na Maia…
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PEDRO PAULO CÂMARA novo conto

Convido-vos à leitura do meu mais recente conto. E, se gosterem, façam gosto. Aguardo pelos vossos comentários.

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ROBERTO MESQUITA Luiz Fagundes Duarte

ROBERTO DE MESQUITA (Ilha das Flores, 1871-1923), sem quase nunca ter saído da sua ilha natal, é um dos mais importantes poetas simbolistas portugueses. A sua poesia encontra-se reunida no livro póstumo «Almas Cativas e Poemas Dispersos» (1931) — onde podemos ler este soneto em alexandrinos:

Às grades da prisão, olhos extasiados
Vêem descer o Sol sobre o mar de metal.
Na tarde de âmbar há murmúrios espalhados
Como preces da Terra à estrela vesperal…

No horizonte rutilante, a toda a vela
Passa um navio; é todo de oiro e de rubis…
Onde vais, onde vais, brilhante caravela
Do rei poeta dum quimérico país?

É triste o alcácer, com salões frios e anosos,
Como as igrejas cheios de ecos cavernosos,
Com grossas portas de mosteiro medieval.

Mas desse interior taciturno, afastado,
Duma estreita janela, olhos extasiados
Vêem descer o sol sobre o mar de metal…

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