tomás quental: a calheta

Tomás Quental shared a post.

10 mins

A Calheta Pêro de Teive, em Ponta Delgada, está assim neste momento, como mostram estas fotografias do meu amigo José Silva. Há aproximadamente doze anos que este empreendimento imobiliário não concluído e abandonado – esta construção, aliás, é um processo de atropelos à legalidade – envergonha a cidade de Ponta Delgada, constituindo um “cemitério” de betão e ferro, com lixo, ervas e ratos à mistura. Até um cadáver humano já foi aqui encontrado. As promessas de solução têm sido muitas e os projectos de requalificação deste espaço público concessionado a um privado também têm sido vários, mas “tudo continua na mesma como a lesma”. Quando se aproximam eleições, a Calheta é sempre “bandeira” de campanha partidária, para depois tudo se arrastar no segredo dos gabinetes políticos, sob os mais diversos argumentos. Antigamente o povo fazia revoltas quando faltavam milho e trigo para o pão de cada dia. Actualmente, apesar de várias dificuldades, estão todos mais ou menos no conforto das suas vidas. E, portanto, mais ou menos ruínas na Calheta pouco importa. Temos, afinal, o que merecemos!

Image may contain: plant, sky and outdoor
Image may contain: plant, outdoor and nature
Image may contain: house and outdoor
José Silva

A Calheta Pêro de Teve, está virada em lixeira, e com cheiro a podre..

OSVALDO CABRAL, O CONGRESSO HELENE E A MINI-REMODELAÇÃO

Image may contain: Osvaldo José Vieira Cabral, smiling, text
Pierre Sousa Lima to Açores Global

O Congresso Helene

O Congresso do PS foi uma espécie de Conselho de Governo alargado.
Uma cópia das visitas estatutárias às ilhas, onde nem faltou o anúncio da distribuição de… ambulâncias!
Foi um evento muito bem organizado, todo certinho, rigoroso na passadeira, cumpridor no desfile de oradores, mas, caramba!, nem uma voz crítica à actividade do PS no governo?
Percebeu-se a preocupação em deixar todo o palco para Vasco Cordeiro. E o líder cumpriu, com o tradicional discurso de uma lista de medidas que podiam ser incluídas num qualquer Conselho do Governo, algumas delas obviamente inexequíveis neste mandato.
Faltou consciência crítica neste congresso.
Varreu-se para longe do olho do furacão a quantidade de casos desastrosos neste mandato governamental, que ainda não foram superados.
O caso da SATA, cujo desastre é transversal, cá dentro e lá fora, com a péssima imagem que está a deixar dos Açores, é sintomático da incapacidade de enfrentar corajosamente os problemas mais presentes dos açorianos, já para não falar da desgraça que vai no sector da saúde.
Um governo que não consegue governar a SATA, como é que pode ter talento para governar uma região inteira?
O congresso até recebeu com aplausos a adesão ao partido de um dos principais responsáveis pela ruína da companhia aérea. Isto diz tudo da fraqueza de um partido, que dá sinais de esgotamento, nas ideias e nas pessoas, como se prova pela mini-remodelação governamental anunciada a seguir ao congresso.
Exactamente a meio do mandato, este congresso foi o ponto de partida para o novo ciclo eleitoral que vamos assistir até Outubro de 2020.
As medidas anunciadas são o exemplo do piscar de olho às três principais franjas do eleitorado açoriano, que estarão a fugir nas sondagens que vão chegando ao Palácio de Santana: os jovens, com a taxa de desemprego mais alta do país; as famílias da classe média, que não sabem onde colocar ou manter as crianças na creche; e os idosos, os tais que andam aos caídos nos lares ou que morrem à espera de uma cirurgia no nosso desmoronado Serviço Regional de Saúde.
Novidades foram as anunciadas por Vasco Cordeiro no célebre discurso do Dia dos Açores nas Lajes das Flores e que agora recuperou, mais uma vez, na sua moção.
Mas já lá vão três anos.
Recordam-se? Logo a seguir foi um autêntico frenesim de reuniões hoteleiras em Ponta Delgada com todos os partidos, para alterar tanta coisa óbvia no nosso sistema político.
Três anos depois, tudo na mesma.
Foi um congresso com muita coisa desadequada. Mesmo aquela homenagem a Mário Soares, apesar de justa, pareceu deslocada.
Se era para agradar a António Costa, agora que Vasco Cordeiro se rendeu à ‘geringonça’, a ausência do líder nacional foi muito significativa.
O PS deveria ter homenageado os seus fundadores nos Açores, sobretudo os falecidos, estes sim, os heróis de uma época em que ser socialista nos Açores era um acto de coragem.
Em resumo, o congresso foi bonito, mas em dia de furacão, comportou-se como o Helene: chegou cheio de expectativas, e acabou por se desvanecer no imenso Atlântico…

****
A MINI-REMODELAÇÃO – Vasco Cordeiro é previsível nas suas remodelações.

A meio do mandato, substitui governantes que não mostram serviço.
Fê-lo no seu primeiro mandato, exactamente a meio, em 2014, só que em Julho, substituindo Secretários Regionais e “afinando” a estrutura governativa com novos departamentos.
Desta vez foi em Setembro, guardado cautelosamente para depois do Congresso do PS, mexendo apenas em Directores Regionais, que praticamente não existiam, e responsáveis por empresas públicas, alguns envolvidos em casos embaraçosos.
O problema desta remodelação está exactamente aí: é que haverá secretários regionais que se ‘machucaram’ nalguns destes casos, como o da Saúde, que está descredibilizado, ou outros que se apagaram, à semelhança dos seus Directores Regionais.
Vasco Cordeiro deveria ter procedido a uma remodelação mais profunda.
Com a equipa que dispõe, não vai conseguir dar a volta nesta segunda metade do mandato, porque na primeira metade alguns deles já demonstraram que são uma carta fora do baralho.
A não ser que a capacidade de recrutamento se tenha esgotado, o que é muito provável, a julgar pelo que se vai dizendo em surdina no interior do próprio partido.
Ficando-se apenas pelos ‘ajudantes’, esta remodelação é praticamente irrelevante.
O governo mantém-se como estava. Com pouca frescura.

(Diário dos Açores de 19/09/2018)

Faial crónica de Antº Bulcão

O Redondo da Liberdade
Há algumas semanas escrevi sobre a Doca do Faial. Da tristeza que é os faialenses já não poderem passear ou pescar no cais.
Dediquei, no entanto, pouco tempo ao Redondo da Doca.
O Redondo da Doca, que acaba o cais, é uma instituição que merece mais linhas. Para mim, foi uma das escolas que tive na vida.
No Redondo apanhava-se, geralmente, peixe maior que no cais. Besugos, sargos, cavalas, bicudas, anchovas… Era rara a noite em que não havia nenhum pescador a lançar no Redondo da Doca. Era preciso estar temporal bravo…
Mas a maior parte das noites o Redondo estava cheio de gente. Os que pescavam, por vezes ombro com ombro, os que apenas observavam em silêncio e, ainda, uma outra classe que cognominei como os “talvez fosse melhor de outra maneira”. Estes eram uns chatos. Não pescavam nem deixavam pescar. Para eles, a maneira em que estavam a pensar era sempre melhor que a maneira que quem pescava escolhera. Fosse estrovar um anzol, fosse meter a isca, fosse lançar o aparelho, fosse trabalhar o peixe, se este era maior qualquer coisa, “puxa pra dentro, dá-lhe linha…”, aquelas almas do “talvez fosse melhor” nunca estavam de acordo com o que o pescador fazia.
Quando estava a dar peixe, pousava no Redondo um silêncio apenas cortado pela cantoria dos carretos e pelos conselhos dos chatos. Mas quando ainda não estava a dar ou, definitivamente, não era noite que prestasse, muito se conversava naquele lugar.
A isca variava. Pesquei com ressol de bonito, que ia buscar à Fábrica do Peixe no Pasteleiro, com carne de baleia que me davam na Fábrica da mesma no Porto-Pim, ou com saltão, que apanhava nas areias desta praia, ou com minhoca apanhada na maré-baixa. Lulas e camarão só muitos anos depois apareceram.
O ressol de bonito tinha de ser tratado para dar isca que preste. Era metido num caixote de madeira com fundo ralo, às camadas separadas com sal, para ir revendo até ficar capaz de se aguentar no anzol. Dizia quem sabia que era uma forma de manter a baía da Horta engodada todo o ano, pescar com ressol.
Esburaquei a praia toda de Porto-Pim de nascente a poente à cata de saltão, até ao dia em que novamente quem sabe me ensinou que bastava deixar à tarde uns papo secos na linha em que a areia está seca e logo depois molhada e voltar à noite. “É só meter para dentro do balde, que eles enxameiam no pão”.
Um dia o José Amorim apanhou uma anchova que não havia fita métrica que lhe chegasse nem balança que tivesse números para a pesar em condições. Tal pena nesse dia eu não ter ido…
Outro dia vi cavala atrás de chicharro, depois anchova atrás de cavala e por fim toninha atrás de anchova. O bicho maior come realmente o mais pequeno, e foi apenas uma das lições aprendidas no Redondo.
Tudo isto desapareceu. É proibido. E eu que sempre pensei que se a Autonomia não serve para vivermos melhor nestas ilhas, então não serve para nada.
Como a Assembleia Legislativa Regional, se não servir para adaptar as leis que fazem sentido noutros portos grandes da Europa mas não fazem sentido nenhum nestes calhaus em que vivemos, também não serve para nada.
Quando escrevi sobre a Doca da Liberdade, recebi dezenas de mails e comentários no facebook, sobretudo de faialenses, que manifestavam o seu acordo com o que escrevi e a sua tristeza por a doca ter sido fechada. Mas não fazem nada. Nem uma simples petição. Quem manda, manda, e o povo obedece e fica caladinho.
Vamos fazer todos os possíveis para reabrir a doca e o redondo da mesma ao povo? Claro que apenas nos dias em que não houver movimento de barcos que o impeça… Mas vamos tentar? Se assim quiserem, têm-me ao vosso dispor. Para estudar a questão em termos jurídicos, para elaborar o texto de uma petição à ALRAA, para chatear os partidos…
Devolvam-nos o que é nosso e nos dá tanto prazer. Temos esse direito.
António Bulcão
(publicado hoje no Diário Insular)

Comments
Tomaz Vieira Como sempre desenterras na minha memória coisas lindas de muitos anos..

Manage

LikeShow more reactions

Reply34m

as autarquias andam a demonizar os cientistas, por que será???

Partilha-se artigo de opinião do doutor Paulo Estêvão, líder do PPM, publicada no jornal Diário Insular, com o título: “O Torquemadazinha da Praia”.
Não teço qualquer comentário sobre ele, nem o ilustro com qualquer imagem”. Também não o disponibilizo para partilha, por várias razões.

“Tibério Dinis, Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, decidiu processar o Professor Félix Rodrigues devido às denúncias que o mesmo tem vindo a realizar no âmbito da contaminação dos aquíferos da ilha Terceira. Como o ridículo não mata alguns personagens devido à total ausência de autoconsciência que os caracteriza, Tibério Dinis justifica a sua atitude de censura pura e dura com a existência de uma tentacular trama russa que lançou amarras na Praia da Vitória.
Trata-se de uma coisa perfeitamente delirante, só possível de engendrar por um ego que se imagina sentado, lado a lado, com Putin, Donald Trump ou o Xi Jinping. A Praia da Vitória é demasiado pequena para um personagem com uma visão geopolítica tão trepidante e entusiasmante.
Para abordar este assunto com um mínimo de seriedade, o melhor mesmo é retirar Tibério Dinis do manicómio virtual em que se instalou e colocá-lo em frente a um espelho, no sentido de lhe proporcionar um banho de realidade. Frente ao espelho, o que se vê é alguém que quer calar e intimidar o Professor Félix Rodrigues.
A razão é simples. Trata-se de uma voz incómoda para o Sr. Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, para o Governo da República, para o Governo Regional socialista e para os interesses norte-americanos. O Professor Félix Rodrigues foi, durante muitos anos, uma das poucas vozes que denunciou a contaminação dos aquíferos da ilha Terceira devido à atividade da Base das Lajes. O Governo Regional socialista e também os socialistas da Praia da Vitória começaram por negar a existência de uma zona contaminada e a gravidade do passivo ambiental que resultou da utilização militar da Base das Lajes.
Confrontado com cada vez mais provas, o Governo Regional socialista acabou por admitir a existência da contaminação. Depois de todos estes anos, os governos norte-americano e português continuam a não assumir as suas responsabilidades e Vasco Cordeiro demonstrou que não tem capacidade política para conseguir obter para os Açores, da parte dos governos referidos, as reparações e compensações que se impõem.
Nestas circunstâncias, os socialistas acham que o melhor é calar as vozes críticas e mais informadas. Tibério Dinis é apenas o polícia político do regime mais à mão e mais disponível para realizar o trabalho sujo da censura.
Vasco Cordeiro gosta de encenar estas coisas e mandou integrar Tibério Dinis na comitiva do PS que foi ao beija-mão no palácio governamental. É o prémio que o líder máximo reserva para o serviço encomendado. No entanto, como diria Galileu, a contaminação dos aquíferos na Terceira continua a estar bem presente. A realidade nunca cede aos torquemadas de serviço.”.

Osvaldo Cabral da prisão ao alojamento local

Image may contain: Osvaldo José Vieira Cabral, smiling, text
Pierre Sousa Lima to Açores Global

Atirar cascalho para os olhos

O Director-Geral dos Serviços Prisionais, Celso Manata, veio aos Açores, mais uma vez, preencher papelada, como vem sendo costume nos últimos dois anos.
Nunca traz consigo aquilo que realmente interessa a todos nós: afinal, para quando a construção da nova cadeia de Ponta Delgada?
O governante justifica o atraso com o facto do Governo Regional ainda não ter transferido para a República o terreno para construir a nova obra.
Ou seja, já tínhamos o atraso do governo de António Costa, que nunca calendarizou nem orçamentou o projecto, juntando-se agora à festa o próprio governo de Vasco Cordeiro, provavelmente em solidariedade para com a burocracia do Terreiro do Paço…
Esta história da cedência do terreno é do arco da velha.
Primeiro foi a dificuldade em encontrar o terreno, depois foi a dificuldade em analisar a bagacina do terreno, e depois foi ainda uma troca de uma palavra que durou 8 meses!
De facto, o Governo dos Açores publicou uma resolução, há quase um ano, anunciando que a região cedia o tal terreno ao Estado.
Em Junho deste ano o texto da resolução tinha que ser alterado, passando a palavra “Estado”, para “Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos de Justiça”.
Mais de 8 meses para substituir uma palavra!
Este desleixo cascalhoso não fica por aqui.
A Ministra da Justiça já anunciou, pela milésima vez, com a sua tradicional sofreguidão, que havia dinheiro para a obra e que ela iria arrancar.
César Manata veio agora repetir a lenga-lenga, mas com a novidade de que estavam orçamentados 45 milhões de euros para a obra.
Só não disse, como a Ministra, quando é que a verba está disponível, qual a data
do início da construção e se será como muitas outras verbas anunciadas por este governo, que é perito a prometer milhões, mas depois ficam cativados pelo super-Centeno…
Isto só nesta terra.
E, mais uma vez, a região sem voz.

A euforia do Alojamento Local

Os números que publicamos na página 3 deste jornal, revelados ontem pelo INE, de que os Açores bateram o recorde nacional, neste segundo trimestre, em licenciamentos para a requalificação de edifícios, só têm uma explicação: há muita gente a requalificar moradias para Alojamento Local.
Percebe-se o fenómeno, a olhos vistos, sobretudo por quem percorre as várias ilhas, só não sabíamos a dimensão do fenómeno.
É um bom sinal. Sinal de vitalidade da economia, do turismo e das famílias que estão a investir numa segunda fonte de riqueza.
Mas é bom que esta euforia seja controlada, com boas regras, muito esclarecimento e seguida com muita atenção e rigor pelas autoridades regionais.
Já todos percebemos que há uma grande procura pelo Alojamento Local e Turismo Rural, enquanto a Hotelaria Tradicional está em queda, mesmo neste Verão, o que é, de certo modo, surpreendente, porque o forte crescimento dos fluxos turísticos, na Hotelaria Tradicional, durou pouco tempo.
Há que entender, seriamente, as causas, os efeitos e o que é preciso fazer para que a hemorragia seja estancada, não afectando as outras modalidades de alojamento. É costume, na nossa terra, chegarmos sempre atrasados às novas tendências e
soluções. O turismo é um bom exemplo, em que ainda nos estamos a preparar para o crescimento que se adivinhava no sector, e já estamos confrontados com preocupantes descidas na época alta.
Vamos chegar, outra vez, atrasados a este debate?

(Diário dos Açores de 16/09/2018)

Top Azores: 15 vocábulos e expressões micaelenses que precisa conhecer (parte 1) – Agenda dos Açores

Não são só as belas paisagens verdejantes e os vestígios vulcanológicos que traçam a particularidade

Source: Top Azores: 15 vocábulos e expressões micaelenses que precisa conhecer (parte 1) – Agenda dos Açores

crónica de Antº Bulcão

A República de Ferro
Nos meus tempos de menino, a palavra República só tinha três sentidos.
O primeiro, era o Largo. O Largo da República ficava a escassos metros da minha casa. Mas só dizia Largo da República porque era esse o seu nome. Queria lá saber da República, do que tal pudesse ser. Interessava-me apenas o Largo.
O Largo onde volteei centenas de vezes com a bicicleta. Onde fiz corridas com a mesma, perdendo quase sempre para o Gustavo ou para o Luis. Onde esfolei joelhos, derrapado o pneu traseiro na brita. Onde me deixei ficar horas a olhar os cisnes que nadavam no lago, com os seus longos pescoços, em bailados indecifráveis que juravam amores eternos e monogamias de penas.
Ainda no Largo, não me lembro do nome da árvore nem dos seus frutos. Mas sei que estes eram longos e, depois de descascados, davam uma coisa parecida com um cigarro. Castanho. Alguns chamavam-lhes charutos. Fumei bastante daquilo, e quase juro que fui adulto às escondidas a cada baforada.
O segundo sentido era o feriado. O dia da implantação da República. Neste caso, nem sabia o significado de implantação, devia ser uma plantação complicada, até porque não é todos os dias que se planta uma República, fosse isso o que fosse para além do Largo.
Mas sabia tão bem não ir à escola nesse dia em que a tal da República se teria implantado.
O terceiro sentido foi no dia da inauguração do aeroporto do Faial.
Eu detestava o aeroporto. Tinha-me levado uma boa parte das terras de meu avô materno, onde eu corria como doido até não ter mais suor, e, sobretudo, a casa da costa, que eu adorava. Ainda hoje me deito nas cadeiras de lona, debaixo dos salgueiros e bebo água do poço na casa da costa. Só que acordo logo a seguir.
Mas no dia da inauguração tinha de ir toda a gente para o aeroporto. Afundei-me no assento de trás do Morris e nem ousei refilar.
Mau pai disse-me que aquele senhor que saía pela porta do Boing 727 era o Presidente da República. Lembro-me de ter pensado intimamente que o velhote franzino não mereceria ser sequer presidente do Largo. Meu pai acrescentou que era almirante. O que me levou à conclusão, novamente íntima, de que, se Vasco da Gama tivesse aquela estatura, não teríamos saído de Lisboa.
Claro que, depois, com a idade a avançar, soube o que era a República, o Governo da mesma, o Ministro da República e o Representante da dita, os serviços da República, Finanças, PSP e mais uns quantos.
Hoje, quando ouço Ferro Rodrigues falar em “ética republicana” fico sempre num tremor.
Onde terei falhado, na minha meninice? Deveria ter beijado cada canteiro do Largo em vez de fumar cigarros que não o eram?
Deveria ter sentido um remorso imenso por gostar do feriado, em vez de ir à escola aprender que, para além de reis de todas as dinastias, havia Presidentes da República?
Deveria ter invertido o cérebro quando, mesmo que intimamente, desrespeitei Américo Tomás?
Ah, como anseio as memórias escritas de Ferro Rodrigues. Para tentar entender em que falhei, quando menino, para ferir em termos tão sangrentos a ética da República…
António Bulcão
(publicado hoje no Diário Insular)

OSVALDO CABRAL A oportunidade soberana de Vasco Cordeiro

Image may contain: Osvaldo José Vieira Cabral, smiling, text
Pierre Sousa Lima to Açores Global

A oportunidade soberana de Vasco Cordeiro

Pode um habilidoso truque semântico branquear um caso de abuso de poder nos Açores?
“Eu não interferi, eu tive uma intervenção” – é assim que a Presidente do Hospital de Angra justifica a sua intromissão no caso do helicóptero “desviado” para evacuar um seu familiar na ilha de S. Jorge.
Se isto não é para rir, então estamos perante um regime piedosamente inimputável.
Aliás, pelo que se foi ouvindo na comissão parlamentar, toda a gente envolvida nos seus respectivos cargos de nomeação fizeram declarações curiosas, num jogo declarado para tentar “limpar” a atitude da Presidente do Hospital de Angra.
Comecemos pelo Presidente da Protecção Civil, o tal que enviou o pedido para abertura de um inquérito, mas depois calou-se, em total desrespeito para com os médicos responsáveis pelas evacuações.
Disse ele, perante os deputados, que se contentou com uma série de reuniões depois do incidente para “evitar constrangimentos”!
O que é “evitar constrangimentos”? Evitar a abertura de um inquérito, como fez o Secretário da Saúde? Evitar consequências para com a Presidente do Hospital? Evitar que o caso viesse a público?
A denúncia, gravíssima, das médicas responsáveis pela evacuação naquele dia, era mais do que suficiente para que não houvesse “evitar de consequências” num caso escandaloso como este.
Aliás, nem era preciso nenhum inquérito. Bastava confirmar com as médicas o que aconteceu e as “consequências” seriam imediatas e nunca “evitáveis”.
Percebe-se o incómodo de toda a gente.
Até o Secretário da Saúde, imagine-se, recusa-se a falar na comissão parlamentar, “por respeito pelo inquérito que está a decorrer”.
Ou seja, o governante escuda-se num inquérito que ele próprio nunca quis que houvesse!
Completamente fragilizado, sem a noção de que perdeu toda a credibilidade, o Secretário Regional da Saúde não tem palavras para se defender, porque sabe que há quem o defenderá, em última instância, dentro da rede de interesses partidários que grassa numa determinada elite protegida pelo Vice-Presidente.
O Secretário da Saúde teve como principal colaboradora na sua equipa, quando era Presidente do Hospital de Angra, exactamente a actual Presidente do Hospital, tem como seu principal Adjunto um filho da Presidente do Hospital e tem um conhecido Chefe de Gabinete que dizem ser quem manda.
Este cenário é suficiente para se perceber a protecção que foi dada a este caso, nunca deixando que houvesse “consequências”.
Quando a Presidente do Hospital confessa que já interveio noutros casos e que antigos Secretários Regionais também o fizeram, então estamos no auge do apocalipse político.
Governantes a intrometerem-se em decisões médicas para evacuações? Quem são?
Como agem, por exemplo? Mandar vir um Falcon para evacuar algum familiar de governante ou autarca, é “interferência” ou “intervenção”?
Ora, aqui sim, excelente motivo para abrir um inquérito e averiguar que “intervenções” são estas.
Já todos percebemos que estamos perante um caso perdido.
E muita gente já pensa que isto não vai dar em nada, como aconteceu com outros casos.
É por isso que Vasco Cordeiro tem nas mãos uma oportunidade soberana para mostrar quem ainda manda no governo e no partido.
Não pode haver gente inimputável na administração pública regional nem nos partidos políticos.
É com estes exemplos que o governo e o PS estão a dar sinais de fim de estação.
Se Vasco Cordeiro quer reafirmar a sua liderança no próximo fim de semana e dar um sinal de esperança, com credibilidade renovada, tem aqui uma oportunidade que lhe caiu de mão beijada.

(Diário dos Açores de 12/09/2018)

crónica de OSVALDO CABRAL e nós não somos portugueses?

Image may contain: Osvaldo José Vieira Cabral, smiling, text
Pierre Sousa Lima to Açores Global

Bom trabalho da PSP

Numa altura em que a Justiça no nosso país anda pelas ruas da amargura, com as maiores baixas de popularidade e confiança, é justo sublinhar o papel de enorme competência com que um dos ramos da autoridade nesta região actuou face ao ataque bárbaro da claque do Boavista no restaurante de S. Vicente Ferreira.
A PSP, sem grandes alardes, actuou de imediato, identificando alguns dos suspeitos e amenizando alguns populares que, depois do jogo no Estádio de S. Miguel, pretendiam confrontar-se com alguns adeptos do Boavista.
Ao mesmo tempo, numa operação de sucesso, a PSP conseguiu deter o líder da claque na ilha Terceira, para onde tinha seguido sob anonimato, a fim de sair dos Açores fugindo ao controlo das autoridades em S. Miguel.
Todos os detidos já estão entregues à justiça e agora cabe a esta o respectivo julgamento.
Para trás fica o triste espectáculo que esta gente veio cá fazer, sem esquecer os enormes prejuízos, físicos e materiais, que causaram em S. Vicente.
Haja mão pesada para servir de exemplo.

E nós, não somos portugueses?

Por estes dias discute-se, fervorosamente, no rectângulo português, o pagamento pelo Estado de mais de 100 milhões de euros do orçamento nacional para fazer baixar os preços dos tarifários em todos os transportes públicos do país.
Um governo de mãos largas, em véspera de ano de eleições, é para desconfiar.
Apesar de tudo, a sociedade agradece que os transportes públicos sejam mais baratos. Agora, entre nós, o problema é outro.
Então há 100 milhões para baixar tarifas, há milhares de milhões já anunciados para a CP, mais alguns milhões prometidos para a Transtejo, e não há dinheiro para o mesmo governo abrir um concurso de jeito para o cargueiro aéreo dos Açores?
Prometem o cargueiro à luz das obrigações do serviço público, dizem que é para servir todas as ilhas, já lançaram não sei quantos concursos que ficaram às moscas (porque 9 milhões não são atraentes para nenhum operador) e os milhões vão para os operadoras continentais?
É preciso vir um operador privado da Madeira para envergonhar o Estado e o Governo Regional, que deixa tudo isso passar sem levantar a voz como fazia com o governo anterior?
Pois assim seja, mas nós aqui, nos Açores, também somos cidadãos portugueses.
Ou não?

(Diário dos Açores de 09/09/2018)

NÓS …. “ATLANTES” um desafio José Ventura

NÓS …. “ATLANTES” um desafio José Ventura

“ATLÂNTIDA” … muitos acreditam não passar a mesma de uma lenda inventada há muitos séculos, mas que, entretanto, outros dedicam suas vidas em busca da “Cidade Perdida”. Do lugar, em muitos anos avançados, conta-se uma tecnologia, e organização social exemplares. Através dos séculos, inúmeros escritores, historiadores, cientistas e exploradores têm debatido sobre o facto de Atlântida ter existido, e se, onde teria sido.

Ao querermos acreditar que a lenda se torne uma realidade, muita gente é apologista que os Açores são a “fénix” de uma das maiores civilizações cantadas por muitos filósofos, historiadores, cientistas, estudiosos da “coisa”.

. Essas seriam uma das características de Atlântida, cuja a localização exata é apresentada sem uma exatidão, mas que fontes de diversos lugares levam os estudiosos a crerem que o lugar realmente existiu no Oceano Atlântico entre a Europa e a América. A lenda atribuída a Platão, aponta a própria Atlântida rodeada pelo oceano Atlântico, estava mais adiantada do que outras partes do mundo. Seus habitantes chamados de “atlantes” eram senhores de uma invejável civilização, considerada perfeita e rica. Povo exemplar no seu comportamento, não se deixavam corromper nem pelo vício nem pelo luxo. Porém, não descuidavam a pratica e o treino das artes de guerra, visto a tentativa de invasão de vários povos, que movidos pela inveja da vida atlante tentavam invadir a sua terra. Os sucessos dos combates de defesa, levaram-nos ao orgulho e à ambição de alargar os domínios da então tão bem-sucedida “Atlântida”. Conquistaram parte do mundo de então. Dominaram povos e várias ilhas, terras da Europa e norte de África

Assim o poderoso exército atlante preparou-se para a guerra e aos poucos foi conquistando grande parte do mundo conhecido de então, dominando vários povos e várias ilhas em seu redor, uma grande parte da Europa Atlântica e parte do Norte de África. E só não teriam conquistado mais territórios porque os gregos de Atenas teriam resistido. Os seus corações até ali puros foram endurecendo com as suas armas. Nasceu nos seus governantes o orgulho, a vaidade, o luxo desnecessário, a corrupção e o desrespeito para com os deuses.

Diante tal cenário foi convocado um concílio dos deuses para frear s tais exageros. No mesmo, foi decidido aplicar aos “atlantes” um castigo exemplar. Aí, comeram todos pela mesma medida pagou todo o povo Atlante. As consequências das decisões divinas foram demais… grandes movimentos tectónicos, acompanhados de enormes tremores de terra. Atlântida tremeu violentamente, o céu enegreceu fazendo-se noite, o fogo expelido das crateras, queimou florestas e campos de cultivo. O mar galgou a terra e ondas gigantes engoliram aldeias e cidades.

Num estalar dos dedos “Atlântida” desapareceu na imensidão do Oceano passou a mito passou a ser a “Cidade Perdida”. Mas… o nosso tal, “mas” …Atlântida fora possuidora de grandes e altas montanhas cujos cumes ficaram acima da superfície do mar originando as nove ilhas dos Açores.

Consta ainda que, alguns dos habitantes da Atlântida teriam sobrevivido à catástrofe, fugindo para vários locais do mundo, onde deixaram descendentes.

Será possível que sejamos descendentes dessa raça que de conformidade com a lenda, tinham capacidades mentais e físicas bem mais desenvolvidas do que nós os atuais habitantes da “Cidade Desaparecida” agora denominada “Arquipélago dos Açores”?

A resposta, a tal “Fénix” que mencionamos atrás no texto, estará no montar do quadro de um puzzle, com a descoberta de que os Açores já foram habitados antes de os portugueses terem cá chegado?

Pelo que lemos em revistas e documentos da especialidade, parece estarmos a caminho de uma resposta, através do esforço e do empenho de muitos pesquisadores da matéria e complementando com as descobertas de hoje em dia, podemos começar a acreditar que somos atlantes de raça

. Georges Diaz-Montexano, Consultor Histórico-Científico de Atlantologia da National Geographic, Presidente Emérito da Sociedade Internacional de Atlantologia Científica (SAIS), Membro Aceito da Sociedade Epigráfica., refere numa entrevista publicada na ZAP Noticias em fevº. 2017, …“chegamos até aos Açores e lá consultamos o maior especialista em possíveis construções pré-portuguesas, o professor Félix Rodrigues, que estuda, há anos, uma série de interessantes descobertas que podem remontar a tempos do Neolítico ou do Calcolítico e que podem também, estar relacionadas com a mesma civilização ou cultura marítima atlântica que se descreve nos textos de Platão e da qual acreditamos ter descoberto provas no sudoeste de Ibéria e nas costas atlânticas próximas”

Uma coisa é certa, vamos a caminho de demonstrar aos portugueses que antes dos mesmos se assenhorarem dos Açores e do Mar que lhes pertence, estas nove ilhas já tinham sido habitadas. De um simples “atlante” Obrigado ao Professor, pelo seu trabalho em prol do conhecimento das nossas raízes e da prova que se aproxima de que os Açores já foram habitados desmistificando assim, o eterno sentimento de submissão e colonialismo de um Povo.

Um “Desafio” ao Governo dos Açores, nomeadamente às Secretaria da Educação e Cultura e Secretaria do Mar, Ciência e Tecnologia, a apoiarem a descoberta do “quem somos e de onde vimos”, enriquecendo assim a nossa História que tarda em fazer parte do conhecimento dos nossos jovens e até de alguns menos jovens.

“Imagine uma nova história para sua vida e acredite nela”

Paulo Coelho

José Ventura

Ribeira Seca – RGR – 2018-09-06

Top Azores: 15 PINTORES açorianos que tem mesmo de conhecer – Agenda dos Açores

Os Açores são conhecidos pela sua paisagem deslumbrante, pela proximidade do mar e da natureza, e são também conhecidos pela qualidade dos seus produtos. Aqui e ali são notícia por causa de um vend…

Source: Top Azores: 15 PINTORES açorianos que tem mesmo de conhecer – Agenda dos Açores

CRÓNICA DE JOÃO BENDITO

Publiée par Joao Bendito sur Vendredi 17 août 2018