Camilo Mortágua terrorista? Só um ignorante me pode achar isso – Portugal – SÁBADO

Pirateou um barco, desviou um avião e assaltou, faz 52 anos a 17 de maio, um banco na Figueira da Foz: sempre sem ter disparado um tiro. Nas redes sociais, as intervenções das filhas Mariana e Joana, do BE, geram críticas… ao pai. Há quem o classifique de terrorista. Ele responde: “Só um ignorante me pode achar isso”. Esta é a sua extraordinária história. – Portugal , Sábado.

Source: Camilo Mortágua terrorista? Só um ignorante me pode achar isso – Portugal – SÁBADO

Please follow and like us:
error

Ainda abril. De um sonho de liberdade à instalação e à normalização da impunidade – Correio do Minho

Vemos hoje aproximarem-se da boca de cena da história líderes populistas, seguidos por multidões, que agitam as bandeiras do nacionalismo e do patriotismo, e que nalgumas paragens lhes acrescentam hossanas à fé cristã ou a Alá.

A comunidade humana faz hoje uma travessia por tumultuadas águas, com a ameaça crescente do racismo, da xenofobia e da intolerância, a ponto de o sonho de liberdade, ainda tão próximo, parecer afinal um sonho longínquo.

Passaram apenas 45 anos sobre “o dia inicial inteiro e limpo” (Sophia de Mello Beyner). Mas não basta olhar para este vento ruim, que hoje sopra na Europa e um pouco por todo o lado.

Há que fazer, também, o escrutínio da nossa vida democrática e combater a peçonha que a empesta e envenena, uma praga de portas giratórias entre a política e os negócios, e entre reguladores e regulados.

Enfim, há que combater a normalização da impunidade, que se instalou no seio da comunidade.

É este o sentido do artigo que acabo de publicar no Correio do Minho.

Please follow and like us:
error

Pedro Gomes · LIBERDADE

LIBERDADE

1. Celebramos quarenta e cinco anos sobre a data da reconquista da liberdade pelo povo português, num tempo de consolidação da democracia e da autonomia constitucional dos Açores e da Madeira, que permitiu a adopção de uma solução de autogoverno para ilhas, ousada para o tempo, dando satisfação às legítimas aspirações do povo açoriano e madeirense.
Para as novas gerações que já nasceram em liberdade ou cresceram em liberdade, a comemoração do 25 de Abril de 1974, sob o signo da liberdade, pode parecer anacrónica ou destituída de significado, pois para estas gerações a liberdade está adquirida. Porém, evocar o fim da ditadura e a conquista da liberdade convoca, de modo imediato, a fragilidade da liberdade e da democracia.
A revolução portuguesa foi classificada por Samuel Huntington como o momento político que marcaria uma “terceira vaga de democratização”, querendo significar que o processo de generalização da democracia por todo o mundo seria inevitável, após o 25 de Abril. Alguns anos mais tarde, em 1992, Francis Fukuyama proclamava o “fim da história”, anunciando a democratização à escala global, derrotando os regimes não-democráticos.
2. A história encarregou-se de desmentir a ciência política, pois a democracia do tipo liberal não se afirmou como solução política de governação à escala planetária, bastando para confirmar isso mesmo um simples olhar de relance sobre o mapa político. A implantação da democracia sofreu o recrudescimento dos regimes autoritários puros, dos regimes autoritários mitigados, dos designados regimes “democráticos iliberais”, em que a democracia é apenas formal ou da pujança do regime teocrático islâmico, apostado em derrubar o regime democrático, mesmo com recurso ao terrorismo islâmico, assente numa interpretação deturpada do Corão.
As próprias circunstâncias da vida dos povos, com especial destaque para os problemas económicos gerados pelo fracasso do capitalismo global, geradores de pobreza, crise económica, desemprego generalizado, colocaram as democracias liberais debaixo de fogo de um novo inimigo – o moderno populismo.
3. O discurso populista – da Europa à América Latina – procura demonstrar o falhanço da democracia, atacando a sua incapacidade de resposta aos problemas económicas e aos novos desejos de representação na vida política. O discurso populista é fácil, sedutor, prometendo soluções imediatas para problemas complexos, com base numa alegada nova forma de participação dos cidadãos nas decisões políticas, com recurso à democracia electrónica, sem que a alternativa de regime seja apresentada.
A melhor forma dos regimes democráticos reagirem contra a lógica do discurso populista, que visa destruir o regime democrático, é aumentar a transparência nos processos de decisão, tornar a administração pública numa administração “open file”, adoptar um discurso de verdade e de rigor na decisão pública. Mas, acima de tudo, os políticos devem estar próximos das pessoas e serem exemplares na sua conduta política.
Celebrar a liberdade em democracia tem de significar a possibilidade de esconjurar os riscos do populismo e do autoritarismo, que se lhe segue inevitavelmente, compreendendo que este novo fenómeno não acontece apenas noutros países, mas que já tem manifestações em Portugal.
(Publicado a 24 de Abril de 2019, no Açoriano Oriental)

Continuar a ler Pedro Gomes · LIBERDADE

Please follow and like us:
error

25 de abril e credibilidade Osvaldo Cabral

45 anos depois da Revolução dos Cravos, que nos restituiu a liberdade, há uma outra palavra que nos tem sido cara ao longo deste quase meio século de democracia: credibilidade!
O que se conquistou no 25 de Abril de 1974 – que foi um mundo novo – vem sendo posto em causa nestes últimos anos com a falta de credibilidade de políticas, de políticos, dos poderes que se instituíram e até na esfera da comunicação pública, praticamente engolida pelo fenómeno global das redes sociais.
Não é fácil na sociedade de hoje manter viva esta chama da liberdade, muito menos com credibilidade.
Os cidadãos deixaram de acreditar em muita coisa da vida pública, especialmente a dos poderes do nosso sistema, onde em muitos deles já não impera o bem público, mas o interesse pessoal, de grupo ou de família.
É este sentimento que se reflecte no desânimo geral no nosso país e na nossa região, mas também por esta Europa fora, também ela com líderes medíocres e objectivos sem credibilidade.
Um exemplo claro é o que aí vem nas eleições para o Parlamento Europeu, onde se prevê uma forte abstenção e um crescimento de movimentos populistas radicais, que vão captando, em vários países, o voto de protesto do descontentamento popular com toda esta falta de credibilidade, transversal à política dos nossos tempos.
Vamos ouvir, na noite das eleições, mais uma jornada de lamentações e mais promessas de combate a tudo isso, para, pouco tempo depois, voltar tudo à indiferença do costume.
Isto é tudo o contrário do 25 de Abril.
A liberdade ainda se vai mantendo, embora já não tão genuína como inicialmente, mas criaram-se dois mundos na nossa sociedade: o das desigualdades, injustiças, pobreza e o das elites, da corrupção, do clientelismo e da ganância.
O descrédito das populações é cada vez maior, numa sociedade altamente dependente da esmola do poder público e onde o exercício do escrutínio é cada vez mais difícil perante tanta irresponsabilidade pública.
E quando o poder político é eleito por uma minoria de cidadãos é sinal de que o sistema está muito doente.
Não foi para isso que se fez o 25 de Abril.
Só quando restituirmos a credibilidade nas nossas vidas é que poderemos, então, invocar a fórmula sonhadora do 25 de Abril.
Que o sonho nunca morra!
Abril 2019
Osvaldo Cabral

Image may contain: Osvaldo José Vieira Cabral, smiling, text
Please follow and like us:
error

Como era a vida em Portugal nos tempos da ditadura?

  • Para poderem viajar, as mulheres precisavam da autorização do marido. Entre outros atropelos a dignidade humana. Entre prisão e tortura de quem fosse contra o regime. Entre guerra no Ultramar, onde tantos jovens faleceram. Fico perplexa com vozes a defenderem o antigo regime. Será falta de memória?

Please follow and like us:
error

25 abril em Macau

25 de Abril.
O dia em que o MFA reuniu com a população no Colégio Santa Rosa de Lima.

Uma gravação áudio inédita, à qual o HM teve acesso, recorda a sessão de esclarecimento que o Movimento das Forças Armadas realizou no Colégio Santa Rosa de Lima em Junho de 1974, meses depois da Revolução dos Cravos.

O papel político da associação Centro Democrático de Macau, a continuação da figura do Governador e o estabelecimento das relações diplomáticas com a China eram as questões que mais preocupavam após a queda do Estado Novo.

Em Junho de 1974, dois oficiais do Movimento das Forças Armadas (MFA), o já falecido major Rebelo Gonçalves e o general Garcia Leandro, que mais tarde viria a ser nomeado Governador de Macau, deslocaram-se ao território com o objectivo de explicar à população os propósitos do 25 de Abril e qual futuro reservado a Macau depois da queda do Estado Novo.

O encontro teve lugar no Colégio Santa Rosa de Lima e dele ficou apenas um registo áudio, gravado ainda em cassete, ao qual o HM teve acesso.

Confrontado com a gravação inédita, descoberta num espaço público em Lisboa de troca de livros, o general Garcia Leandro mostrou-se surpreendido.

“Fiquei satisfeito por isso existir e por passados estes anos todos poder ser mostrado”, confessou ao HM.

Da reunião não restou nenhum documento oficial, apenas “dois relatórios curtos sobre a situação em Macau e Timor” lavrados por Garcia Leandro.

Estes documentos viriam, mais tarde, a ser entregues em Lisboa.

Graças ao apoio de Garcia Leandro conseguimos desvendar as vozes encarregues de explicar a queda do regime do Estado Novo.

Depois dos aplausos iniciais, coube ao major Rebelo Gonçalves contar aos presentes o que tinha acontecido em Lisboa na madrugada de 24 para 25 de Abril de 1974.

Na altura, os jornais eram poucos e as notícias chegavam a conta-gotas.

“Dedico estas palmas aos meus camaradas que, na madrugada do 25 de Abril, conseguiram derrubar o Governo. De forma nenhuma posso considerar que sejam para nós”, começou por dizer, argumentando que “as Forças Armadas têm de ser uma arma imparcial”.

Logo à partida Rebelo Gonçalves deixou bem claro que se mantinha a figura do Governador (até então era Nobre de Carvalho que ocupava o cargo, e que viria a ser substituído por Garcia Leandro em Setembro de 1974).

“O senhor Governador de Macau tem o aval das Forças Armadas, do Governo provisório e da Junta de Salvação Nacional. Não admito qualquer discussão sobre este aspecto, e enquanto este aval se mantiver, o Governador de Macau é-o de cabeça erguida.”

Sobre este ponto, Garcia Leandro afirma, 45 anos depois, que “não há ali posições das quais nos possamos arrepender”.

“É natural que as pessoas tivessem dúvidas sobre o futuro. Uma coisa era a Revolução, outra era o futuro, mas o futuro foi resolvido por mim, quando criámos tudo para Macau na altura em que fui nomeado Governador”, recorda.

À época, era fundamental colocar um ponto final na Lei Orgânica do Ultramar e criar para Macau um novo diploma de ordem constitucional.

“Tudo aquilo acabou e foi então que se fez o Estatuto Orgânico de Macau.”

Este iria vigorar no território até 20 de Dezembro de 1999, data em que o território passou oficialmente para a China e se implementou a Lei Básica da RAEM.

Durante a reunião de Junho de 1974, Garcia Leandro recordou as dificuldades com que se deparou Nobre de Carvalho no território, nomeadamente durante o período quente da crise do “1-2-3”.

“Todos sabemos o que tem sido a vida do Governador desde que aqui desembarcou, em Novembro de 1966, e como tem sido difícil administrar esta província. Conhecemos a sua competência profissional e moral, o seu espírito de sacrifício e pergunto muito comovido quem está aqui em Macau que possa criticar a figura do senhor governador? Há alguém que possa criticar? Julgo que não”, adiantou.

“OS OPORTUNISTAS” E O CDM

Depois de assegurar a continuidade da figura do Governador como autoridade máxima do poder político no território, Rebelo Gonçalves alertou os presentes para o facto de “ser preciso estarmos todos acautelados para os oportunistas”.

“É muito fácil ser-se democrata no dia 26 de Abril, era extraordinariamente difícil sê-lo antes do dia 25, ou no dia 24. A pessoa que era de uma determinada cor respeito-a se ela se mantiver da mesma cor. Se um indivíduo que é de extrema-direita se mantiver da extrema-direita, respeito-o muito mais do que aquele indivíduo que é da extrema-direita e no outro dia é da extrema-esquerda”, frisou.

Depressa a sessão de esclarecimento se focou no estabelecimento de uma associação de cariz político, que surgiu a 30 de Abril de 1974, chamada Centro Democrático de Macau (CDM), e que era conotada com a esquerda comunista.

No mesmo ano foi também fundada a Associação da Defesa dos Interesses dos Macaenses (ADIM), conotada mais com a ala conservadora, que defendia a continuidade do Governador.

“O CDM faz uma aflição enorme a toda a gente”, começou por dizer.

“O CDM tem, neste momento, a aceitação de todos os delegados da Junta de Salvação Nacional, como tem do senhor Governador. Nós temos é de distinguir, dentro do CDM, as pessoas que, na realidade, são democratas sob todos os aspectos, as válidas e aquelas que não interessam. Compete ao CDM separar o trigo do joio e não se deixar ligar a determinadas pessoas que não oferecem as garantias necessárias.”

Rebelo Gonçalves alertava também para o facto de o “problema de Macau não ser necessariamente igual ao de Angola, Guiné, Moçambique ou Timor”.

“Justifica-se uma associação do centro democrático que, passo a passo, vai procurando arranjar elementos que os ajudem, ajudando também outros elementos a se consciencializar e educando outras massas que estão por educar politicamente.”

ADMINISTRAÇÃO “FRACA E CORRUPTA”

Garcia Leandro explicou aos presentes que o Governador Nobre de Carvalho aceitava a existência do CDM, apesar de recair sobre alguns membros a acusação de terem mudado de facção política após a Revolução.

“Não se aceitam indivíduos corruptos que, depois do 25 de Abril, aparecem extraordinariamente curvos e democratas. A posição do senhor Governador em relação ao CDM é absolutamente definida: aceita-os. É preciso que não se confundam essas críticas com as críticas que possam vir do CDM, pois as suas intenções e declaração de ideias estão definidas.”

Aliás, o próprio Nobre Carvalho disse ao seu futuro sucessor que “estava à disposição do CDM” para diálogos conjuntos.

“Com certeza que o CDM irá fazer críticas, é óbvio. A nossa Administração é fraca, é corrupta, está cheia de falhas, porque temos tanto medo de críticas? Não devemos atacar pessoas que no meio de tantas dificuldades agiram do modo que melhor puderam”, explicou Garcia Leandro ao público.

RELAÇÕES COM A CHINA

Garcia Leandro acabaria por introduzir o tópico do estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a China comunista, algo que aconteceria em 1979.

“O Governo português, dentro de uma base de abertura a todos os países, irá travar um conjunto de conversações com a China para levar ao estabelecimento das relações diplomáticas”, disse o ainda oficial do MFA, referindo a importância que tal teria para o futuro de Macau.

“Não tenho dúvidas de que, depois dessas relações diplomáticas encontrarem efectividade, o futuro de Macau será muito mais aberto, com horizontes mais largos.”

Garcia Leandro recordou também perante a plateia que “a China popular definiu a sua posição face a Macau, e não temos dúvidas de que, se estamos em Macau, é porque a China nos aceita.
Não custa nada reconhecer publicamente isto. Não temos dúvidas de que somos minoritários e que estamos aqui porque interessa a ambos. A partir do momento em que um Governo que não aceitava as orientações comunistas é substituído por outro que está aberto a todas as orientações, não tenho dúvidas de que o futuro de Macau será muito mais risonho depois destas relações diplomáticas.”

A implantação de um regime comunista em Portugal foi também outra das questões levantadas na sessão de esclarecimento.

“É do conhecimento geral que o MFA pretende que seja implantado e cumprido aquilo a que nós chamamos de democracia. Dentro desses princípios, será dada liberdade a todos os partidos, incluindo a extrema-esquerda e o comunismo? Quanto ao Partido Comunista Português tem havido apreensão por parte de muitas pessoas”, opinou um membro não identificado do público.

Neste aspecto, o major Rebelo Gonçalves fez questão de sublinhar que durante as eleições legislativas de 1976 todas as facções políticas seriam tidas em conta.

“Discordo das suas ideias, porque o senhor fez a definição total do que não é uma democracia. O perigo que existe para todos os partidos. Se o país quiser o PCP democraticamente eleito teremos de o admitir, não há outra hipótese”, esclareceu o militar.

CHINESES QUERIAM “ESTABILIDADE”

A passagem do MFA por Macau incluiu não apenas sessões de esclarecimento com a população, mas também reuniões com membros do próprio CDM e associações representativas da comunidade chinesa, tal como a Associação Comercial de Macau, a Associação Industrial de Macau e entidades ligadas a empresas de exportação, construtores civis.

Foram também ouvidos os membros das Forças Armadas em serviço no território, professores de liceu e funcionários públicos.

Garcia Leandro recorda que a comunidade chinesa estava, sobretudo, interessada na estabilidade e que os propósitos da Revolução dos Cravos eram tidos como algo secundário.

“Os chineses estavam um bocadinho à parte, mas preocupados com o futuro. O que eles queriam era estabilidade, saber quem mandava para manterem os seus negócios com tranquilidade.”

Andreia Sofia Silva.
Jornal Hoje Macau, 25 de Abril de 2019.

https://hojemacau.com.mo/…/25-de-abril-o-dia-em-que-o-mfa-…/

Image may contain: 1 person, glasses
Please follow and like us:
error
error

Enjoy this blog? Please spread the word :)

%d bloggers like this: