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PÁGINA GLOBAL

UMA LUTA SOBRE BRASAS I – Martinho Júnior

Posted: 19 May 2019 04:24 AM PDT

HOJE JÁ É TARDE DEMAIS

Martinho Júnior, Luanda

EM SAUDAÇÃO AO 25 DE MAIO, DIA DE ÁFRICA, QUANDO HÁ 56 ANOS, EM GRANDE PARTE EM FUNÇÃO DA LUTA DE LIBERTAÇÃO, SE CRIOU A ENTÃO “OUA”, ORGANIZAÇÃO DA UNIDADE AFRICANA (https://www.officeholidays.com/countries/africa/african_unity_day.php)!

No Cunene, de há pouco mais de 100 anos a esta parte, estão-se jogando algumas das sagas mais decisivas do povo angolano e da África Austral.

Redescobrir essas sagas em nome da vida e das futuras gerações, é garantir a construção da plataforma do renascimento africano, no âmbito duma geoestratégia para um desenvolvimento sustentável que deveria ter sido justamente implementada em Angola de há pouco mais de 100 anos a esta parte, precisamente desde o momento em que ocorreu (perdendo-se tanto tempo) a conquista colonial!

Na luta contra a desertificação e a seca, foram roubados a África mais de 100 anos, pelo que na aplicação da lógica com sentido de vida torna-se premente acordar face aos atrasos que a que temos sido sujeitos em função dos processos histórico e antropológico, ganhando capacidade de consciência crítica em relação aos factores causais dos fenómenos correntes da expansão para norte dos desertos do Namibe e do Kalahári, do aquecimento de toda a região em conformidade com os parâmetros do aquecimento global, do ardente rigor da seca que está a pôr em causa a vida transfronteiriça envolvendo todo o sul de Angola e o norte da Namíbia e da premência em instalar uma geoestratégia para um desenvolvimento sustentável, garante do controlo e gestão da região central das grandes nascentes e da “rosa-dos-rios” dela derivada!

Hoje já é tarde demais, por que o possível esforço de luta contemporânea, o esforço angolano de hoje, só pôde ser realizado depois de vencido o colonialismo, depois de vencido o “apartheid”, depois de vencidas algumas de suas sequelas e ganhando consciência crítica e de vanguarda face ao capitalismo neoliberal que tem sido inculcado em África formatando mentalidades nas elites servis, quando tudo se deveria ter iniciado em tempo oportuno precisamente há pouco mais de 100 anos!

Também por esta razão tenho considerado que Angola tem apenas (sobre)vivido (?) em “séculos de solidão”!

01– A partir do momento em que a colonização portuguesa em meados do século XIX, procurava em África sair das feitorias e fortes do litoral, para dar os primeiros passos intervencionistas em direcção ao interior do continente, o poder que chegou por mar procurou dominar assenhoreando-se de espaço vital e das linhas de água interior correspondentes, sabendo que isso seria determinante para o êxito de sua própria“missão” colonizadora. (Constate-se por exemplo: http://angola-inteligente.over-blog.com/article-historia-de-angola-78297489.html).

A costa dominaram desde logo no século XV, mas no interior só começaram a penetrar na segunda metade do século XIX (https://www.academia.edu/1862040/Redes_mercantis_e_expans%C3%A3o_territorial._A_penetra%C3%A7%C3%A3o_portuguesa_no_vale_do_Zambeze_e_na_%C3%81frica_central_durante_o_s%C3%A9culo_XIX_1798_1890_._Stvdia_54_55_1996_165-210._ISSN_0870-0028)…

Foi para isso que serviram as fortalezas espalhadas ao longo do enredo atlântico angolano: garantir simultaneamente apoios a quem circulasse por mar e, apenas quatro séculos depois, a quem procurasse penetrar no mais profundo do continente africano (https://www.revistamilitar.pt/artigo/923)!

Por essa razão, enquanto lentamente se abandonavam as premissas inerentes ao “tráfico negreiro”, que haviam arregimentado sua clientela autóctone a fim de realizar continente adentro as “guerras de kwata-kwata” providenciando o fornecimento de escravos (https://roselindagonalvez.wordpress.com/o-trafico-de-escravos-em-angola/), os colonizadores começaram somente no século XIX a arriscar na expansão em direcção ao interior, combatendo com vista a subjugar todas as resistências que encontrassem pelo caminho, tomando medidas em relação à concorrência e começando a conhecer um continente que para eles era “opaco”, “exaustivo” e hostil.

Ao contrário do que fizeram na Ásia, em África os colonizadores portugueses impuseram abruptamente a partir da orla costeira a sua força dominante, avassaladoramente despótica, na conquista do espaço vital, única forma deles próprios poderem sobreviver e agarrar-se paulatinamente e de forma progressiva em direcção ao miolo do interior continental…

Na Ásia o jogo foi obrigatoriamente outro:

Na Índia começando por conquistar alguns pontos de apoio na costa e fundar algumas fortalezas, foram-se aliando aos suseranos para com eles e sob sua cobertura se instalarem sem se reocuparem muito com interior, tal como na China se aliaram aos mandarins, sempre com o comércio como principal interesse e conveniência e de forma a, tendo em conta a sua exígua força humana, ganharem campo de manobra e a cultura fluida apenas pronta para os negócios e as conexões familiares forjadas neles ou a partir deles…

Por essa razão na Índia os “bem comportados” portugueses consolidaram os “prémios” de Goa, Damão e Diu e na China o território de Macau (https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugueses_na_%C3%81sia)!

Nas ilhas do Japão a sua manobra foi contudo muito mais circunscrita e sujeita ao poder dos habitantes das ilhas que não se deixaram familiarizar: em resultado disso, nem suficiente campo de manobra conseguiram!…

Desse modo, os portugueses não foram tão “decisivos” na Ásia (apesar de serem os primeiros europeus a chegar por mar), antes iniciaram processos recíprocos de aculturação nas orlas costeiras (e nunca em direcção ao interior do subcontinente indiano, ou do sudeste asiático), mas em África tornaram-se tão “decisivos” quanto Angola ainda hoje continua a ser “planificada”, “estruturada” e “assimilada”, em termos de linhas de ocupação e de intervenção, como se Diogo Cão (http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/d15.html) desse hoje à costa de forma omnipresente com seus padrões de pedra, impedindo na superestrutura ideológica e mental que o estado angolano assuma independência geoestratégica em benefício de todo o povo angolano e dos povos da região, particularmente os do interior!

Em resultado disso o triângulo do litoral é, no quadrilátero angolano, o que concentra em termos de ocupação a esmagadora maioria dos polos de desenvolvimento económico e cerca de ¾ partes da população total, enquanto os outros três triângulos, em especial os situados a leste e a sul, sendo triângulos de intervenção, estão rarefeitos em população, estruturas e infraestruturas, com uma insignificante malha político-administrativa e praticamente sem polos de desenvolvimento e atracção humana (http://paginaglobal.blogspot.pt/2012/08/angola-demografia-identidade-nacional.html).

02- Enquanto na Ásia a fim de fazer comércio com meios humanos exíguos, os portugueses foram quase sempre servis e benquistos, em África, com a mesma exiguidade de meios humanos, começaram logo por exaurir de forma mais bárbara que lhes foi possível o manancial africano: implementaram a escravatura com vista a suprir sus actividades económicas nas Américas levando para lá, à força, mão-de-obra escrava e com isso prepararam terreno para as iniciativas da conquista do interior garantindo para seu domínio a ocupação do espaço vital e das linhas hidrográficas interiores (https://grupo02_8b.blogs.sapo.pt/4382.html).

Foi assim que todos os colonialismos europeus prepararam a Conferência de Berlim nos anos de 1884 e 1885, dividindo África entre si e como se os africanos não existissem, impondo sua exclusiva vontade e não dando tempo nem espaço ao que os africanos tivessem o que quer que fosse para dizer (https://www.todamateria.com.br/conferencia-de-berlim/)!

Em nenhum outro continente houve uma Conferência desse género e, mesmo aqueles que chegavam atrasados, como o Rei Leopoldo, compensavam em ampla malvadez e em poucos anos, o que outros já haviam feito durante séculos (https://www.wook.pt/livro/o-fantasma-do-rei-leopoldo-uma-historia-de-voracidade-terror-e-heroismo-na-africa-colonial/58223)!

Alguns dos “paladinos” da democracia de hoje procuram fazer esquecer o que antes de forma tão barbaramente empenhada levaram a cabo e seus “civilizados” afiliados em direitos humanos jamais abordam essa tão complicada questão da divisão colonial que excluiu por inteiro os povos africanos… é mais fácil e prático agarrarem-se aos oportunismos neoliberais dos nossos dias, de que se socorrem e aos seus argumentos como se nem introdução à história e à antropologia houvesse que ser!

A tradicional hipocrisia e cinismo à portuguesa teve essa forja de experiências, que alimentam ainda hoje os relacionamentos internacionais na perspectiva dos interesses da oligarquia portuguesa avassalada pela União Europeia e pela NATO: servis e sempre disponíveis em função dos interesses dos fortes (sobretudo dos interesses do quadro da hegemonia unipolar) e reitores por vezes dos mais perversos contraditórios e ambiguidades em relação aos outros, conforme se pode constatar no que toca às suas decisões de assimilação em direcção a África e no apoio ao fraccionismo de Juan Guaidó na Venezuela Bolivariana, onde existem mais de 500.000 lusodescendentes, a maior parte deles bolivarianos ou seus apoiantes! (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/o-encaixe-dos-teleguiados-guaidos-tugas.html).

Ao longo das iniciativas armadas de penetração no continente africano levadas a cabo pelo colonialismo português, esteve patente todo esse caudal de hipocrisia, de cinismo, de ambiguidade e de contraditórios e logicamente é também esse o quadro do seu comportamento na sua iniciativa colonial (e posterior) em Angola que integrou indelevelmente as ardentes sagas da região a leste do Cunene, que até 1845 era desconhecida para eles e por conseguinte dada como inexistente!

Martinho Júnior | Luanda, 13 de Maio de 2019

Imagens:

01- As rotas de Diogo Cão e a implantação de padrões e demais sinais;

02- Padrão implantado por Diogo Cão no Cabo Negro (Angola);

03- Mapas de antes e depois da Conferência de Berlim;

04- Imagem da Conferência de Berlim sob os auspícios de Bismarck;

05- O além Cunene não existia até 1845.

A NOVA ROTA DA SEDA CHINESA ESTÁ A ABRAÇAR A EUROPA

Posted: 19 May 2019 02:49 AM PDT

Octavio Serrano* | opinião

O chefe de Estado chinês, Xi Jinping, visitou recentemente a Itália; ali assinou um memorando com o governo italiano, que prevê investimento chinês, nos portos de Trieste e Génova, em infraestruturas e aquisições, de modo a que estes portos sejam concorrenciais com o de Roterdão na Holanda; já há alguns anos, os chineses tinham adquirido o porto do Pireu na Grécia, aproveitando-se da crise financeira do Estado Grego; na mesma linha foi subscrito em Portugal, um acordo de entendimento relativamente ao porto de Sines.

Como se vê, a preocupação chinesa é a de adquirir ou desenvolver infraestruturas logísticas, que forneçam suporte, à ofensiva comercial chinesa, que visa garantir ou expandir o seu controlo de mercados em todo o Mundo; a esta estratégia, designam eles, de a Nova Rota da Seda dos tempos modernos; um conjunto de canais de índole comercial, que visam garantir no futuro que os produtos manufacturados chineses, continuem a ter mercado garantido. A antiga rota da seda, de há dois mil anos, ligava a China à Europa, através da Ásia Central; foi por ela que chegavam as caríssimas sedas, que a aristocracia romana adorava; ao ponto, de o seu consumo excessivo ter contribuído para a bancarrota de Roma; e por fim para a sua queda!

Esta estratégia chinesa de expansão comercial insere-se numa luta pela sobrevivência; devido à concorrência, em termos de custo de mão-de-obra barata, por outros países do sudoeste asiático; como a India; o Bangladesh; a Indonésia; ou o Vietname; a deslocalização de indústrias para estes países, já começou há algum tempo; inevitavelmente, a mão-de-obra chinesa, tem-se vindo a encarecer, à medida que as condições de vida da população chinesa melhoram; devido à dinâmica economia interna, que provoca um acréscimo de consumo e de rendimentos; mas para que se mantenham os superavits comerciais, e a expansão do PIB da China continue a crescer a ritmos aceitáveis, os chineses têm de algum modo contrariar esta tendência de substituição.

A nova Rota da Seda visará não só garantir matérias-primas à indústria chinesa; mas também mercados, para os seus produtos; na prática trata-se de criar entrepostos comerciais, junto dos mercados que pretendem dominar, procurando a partir dai garantir, e fornecer, as redes comerciais controladas ou não por interesses chineses; ou de criar infraestruturas, que forneçam preponderância e controlo, dentro dos países que possuem matérias -primas que de algum modo sejam essenciais à máquina manufactureira chinesa; dentro deste hercúleo esforço, também se insere o reforço e modernização da rede ferroviária transiberiana, que atravessa a Rússia em direcção à Europa; para criar condições para um aumento radical do número de comboios semanais, vindos da China com destino à Europa; onde os chineses já contam com o controlo de infraestruturas logísticas, em países mais débeis economicamente da CEE, como a Estónia, a Hungria ou a Croácia, por exemplo! O controlo adicional de portos marítimos, visará reforçar essa capacidade de se impôrem no mercado europeu.

Mas esta ofensiva comercial, tem também uma vertente politica; a China sabe bem, que dentro da CE, não existe unanimismo; existem tanto interesses económicos, como interesses políticos, divergentes; é estratégia chinesa, alienar interesses políticos em seu favor; eles sabem da existência de forças que se opõem ao centralismo económico e politico alemão; e de ressentimentos profundos, que veem o investimento chinês, como um contrapoder antialemão; países, do sul da Europa, ou do leste europeu, que procuram capitalizar a sua pertença à CEE, em favor de interesses que lhes proporcionem mais-valias soberanistas económicas; ou que lhes permitam possuir trunfos de valor, com que se oponham às prerrogativas impostas pelos poderes de Bruxelas; do género, tenham cuidado com o que nos impõem, que nós também temos os nossos interesses; e os chineses, muito pragmáticos, sem duvida que se aproveitam, para estabelecer relações politicas com essas facções mais soberanistas.

E os alemães, que até há bem pouco encolhiam os ombros, estão a ficar cada vez mais preocupados; ao ponto de estarem predispostos, a impôr à Europa uma estratégia, de oposição ao progressivo imperialismo económico chinês!

Octavio Serrano-Pagina de Analise Politica | Facebook

Portugal | A Igreja Católica e as suas sugestões de voto

Posted: 19 May 2019 02:24 AM PDT

Ana Alexandra Gonçalves* | opinião

Igreja Católica Portuguesa decidiu entrar na campanha para as eleições europeias, anunciando os partidos em que os fiéis devem votar. O Patriarcado de Lisboa, com presença também nas redes sociais, porque Deus também aprecia estas coisas, publicou um gráfico com o seguinte título sugestivo: “Os partidos votam assim e eu?” O resultado? Existem três partidos que devem contar com os votos dos fiéis, isto a partir de parâmetros como a eutanásia, aborto, igualdade ou barrigas de aluguer (não, estas não se referem a partidos como o Aliança e Santana Lopes).

Assim, os fiéis devem confiar o seu voto ao CDS, Basta ou Nós, Cidadãos, e afastarem-se o máximo que puderem do PS e Bloco de Esquerda, esses filhos do Demo.

Entretanto, o mesmo Patriarcado vem mais tarde afirmar que foi imprudente fazer aquelas sugestões. Foi sem querer. A mensagem já foi passada, mas desculpem porque foi sem querer.

Na verdade, a Igreja Católica portuguesa, que se encontra ainda nos antípodas da Igreja apregoada pelo Papa Francisco, pode sugerir o que entender, mas não venha é dar a face mais hipócrita, porque honestamente já não há pachorra.

*Ana Alexandra Gonçalves | Triunfo da Razão

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Mais um chico-esperto luso, além de Berardo

Portugal | Virtù – ou atirar dinheiro sobre a ética

Posted: 19 May 2019 01:59 AM PDT

A minha querida amiga Raquel Varela escreve num post no FB a propósito dos salários dos professores e direitos associados a serem ressarcidos do que não ganharam durante os anos de crise

Carlos de Matos Gomes | opinião | Jornal Tornado

“Surpreende-me que se fale sobre tudo nestes dias e nem uma palavra sobre o essencial: há algum lugar no mundo que tenha uma boa educação sem professores bem pagos? Não. Há algum lugar no mundo onde se possa viver de forma civilizada sem boa educação? Não. Se a carreira não for reconhecida a maioria dos professores vai estar a ensinar os nossos filhos sabendo que daqui a 10, 20 anos, ou 30 anos vai estar a receber menos de 1300 euros por mês e terá uma reforma inferior a 1000 euros. Ou seja, estamos a hipotecar não só o futuro dos professores mas de todas as gerações que entram na escola e que não vão ter à sua frente pessoas motivadas, empenhadas, desejosas de ensinar, mas o contrário.” – Raquel Varela

Ao contrário do que o texto de Raquel Varela pode fazer crer Portugal faz parte dos países da OCDE com maior percentagem de despesas em educação pública em percentagem do PIB.

Veja-se o relatório da OCDE de 2019 – Public spending on education

Portugal integra o grupo de países com despesas em educação pública entre os 3% e os 3,5% de que fazem parte, entre os europeus: Áustria, Holanda, Suíça, Letónia e França. As despesas em educação de Portugal são percentualmente superiores às da Alemanha, Espanha, Grécia e Itália, todos abaixo dos 3%. São idênticas à de países com economias muito desenvolvidas como o Canadá e a Coreia.

 

Dados da Pordata sobre o número médio de professores/aluno no ensino básico, 1º e 2º ciclos em 2016:

Portugal – 12,8;

Alemanha – 12,1;

Espanha – 13;

França – 18,7;

Holanda -11,7;

Inglaterra -15,1;

Suécia – 12,4.

Em resumo, Portugal tem uma percentagem do PIB em despesa em educação pública ao nível de países europeus mais desenvolvidos e nalguns casos maior. Tem um rácio professor-aluno idêntica aos seus parceiros europeus, ou melhor. Os salários dos professores portugueses são dos mais altos quando comparados com o salário médio nacional. Apesar destas condições Portugal não tem uma “boa educação”. As causas dos resultados medíocres do sistema educativo, medidos em capacidade de inovação e de valor acrescentado dos produtos portugueses, não se devem pois a falta de despesa e de investimento, nem aos baixos salários dos professores, nem à sua quantidade.

A tese da Raquel Varela parte do princípio de que o dinheiro gera qualidade e riqueza. Basta ir a Mafra para concluir que não. O ouro do Brasil transformado naquele imenso calhau não tornou Portugal um Estado onde os cidadãos passaram a saber mais, a estarem motivados a fazer melhor, a criar mais riqueza, a preparar um futuro mais risonho. Pelo contrário, fortaleceu a ignorância e a crendice, levando os portugueses a acreditar que aquela edificação construída à custa de trabalho escravo aqui e no Brasil produziu o efeito miraculoso de emprenhar a rainha da altura, de dar um herdeiro ao rei da época e de enclausurar, bem comidos e bem bebidos, entre rezas e cânticos, como monges, umas centenas ou milhares de portugueses aptos para o trabalho, mas mais motivados à lazeirice conventual do espírito e do corpo.

A tese do dinheiro para resolver incapacidades e impotências é desmentida pela História e pela natureza. O que produz qualidade é o esforço, o talento para superar dificuldades, a organização, o reconhecimento da importância de uma dada actividade pela sociedade.

Dois dos mais caros sistemas de educação do mundo moderno, o americano e o inglês, têm produzido resultados de baixíssima qualidade. Vejam-se as suas elites políticas nos últimos 50 anos. Se o melhor que o sistema de educação dos caríssimos colégios e universidades americanas e inglesas gerou é o que tem passado pelo Capitólio de Washington, ou por Westminster, o que podemos dizer é que foi dinheiro deitado à rua, tal como o de Mafra.

No mundo desenvolvido actual, os profissionais mais bem pagos são os administradores das grandes empresas financeiras, bancos e seguradoras. Os grandes desastres, as grandes crises, incluindo a que levou o governo português a congelar salários e tempos de serviço aos seus funcionários, incluindo os professores, a quem Raquel Varela acredita que o dinheiro lhes melhorará o desempenho, foram causados por esses funcionários com carreiras sempre descongeladas e muito bem remuneradas.

Atirar dinheiro aos carreiristas não parece garantir qualidade. Os conselhos de administração do BANIF, do BPN, do BES eram muito bem pagos, até retroactivamente. O mesmo para os administradores do Lehaman Brothers, ou da seguradora AIG, cobertos de dinheiro da cabeça aos pés.

O desempenho profissional é, antes de tudo, uma questão ética. Fazer bem, cumprir horários, preparar-se, melhorar são questões éticas. Atirar dinheiro para cima de problemas éticos é alimentar a corrupção dos aproveitadores. É delapidar recursos. Se a sociedade reconhecer o desempenho dos seus professores, o desempenho dos seus funcionários em geral, estará disponível para os recompensar e não para se sentir extorquida. Deixará de sentir que está a pagar bofe por bife, como julgo ser o sentimento mais comum hoje perante esta ópera bufa do 942.

A questão da melhoria de um sistema de formação e desempenho humano é sempre, antes de técnica e financeira, uma questão ética.

Aumentar os salários dos músicos de uma orquestra pode permitir melhores férias aos músicos, mudança de carro, mas não melhora a orquestra, nem contribui para a educação musical da sociedade.

Os trabalhadores das várias artes e ofícios têm, obviamente, direito a uma remuneração que lhes permita uma vida digna. Mas não é disto que se trata nesta treta da “recuperação de direitos”, mas sim em receber o que, em determinadas circunstâncias, o “patrão” não esteve em condições de pagar num momento passado.

A reivindicação do 942 não é em si injusta – é sim ofensiva da ética que cimenta a vida em sociedade e, a prazo, conduz à derrota de quem aceita pagar para se libertar da ira dos reclamantes.

A reivindicação dos 942, como outras reivindicações por mais dinheiro das novas tropas sindicais pode ser apreciada pelo que sobre os mercenários escreveu Maquiavel:

“As forças mercenárias são perigosas. São ambiciosas, sem disciplina, infiéis, insolentes para com os amigos, mas acovardam-se diante dos inimigos, (…) e o príncipe apenas retarda a própria ruína na medida em que retarda enfrentá-las. Deste modo, o Estado é espoliado por elas na paz, e durante a guerra pelos inimigos. (Os mercenários) querem unicamente manter as suas vidas e receber os seus salários.”

Atirar mais dinheiro a soldados que se preocupam antes de tudo com o dinheiro não melhora nenhum exército.

Existe uma outra palavra que, antes do 942 dos professores ou da greve cirúrgica dos enfermeiros, antes do dinheiro, devia ser considerada pelos seus chefes sindicais e respectivos apoiantes, também de Maquiavel: Virtù. Que pode ser definida como a condição assumida ou imposta, necessária para que, dentro de um Estado (ou sociedade organizada), alguns dos seus elementos não sejam o lobo dos outros, Lupus est homo homini lupus. Para que na sociedade não impere a lei da selva.

Foto: Lusa

Trabalho de artistas africanos em destaque em duas exposições em Lisboa

Posted: 19 May 2019 01:51 AM PDT

ATÉ 25 DE MAIO

O trabalho de artistas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe estão em destaque, a partir de hoje, em duas exposições patentes no espaço NOT A MUSEUM, em Lisboa, no âmbito da ARCOlisboa 2019.

‘África Diversidade Comum’, com curadoria de Manuel Dias dos Santos, junta obras de quase trinta artistas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, e “Fronteiras Invisíveis” é uma exposição individual do artista luso-angolano Francisco Vidal.

A exposição coletiva pretende, “acima de tudo, conjugar trabalhos de artistas de gerações diferentes”, explicou o curador da mostra, Manuel Dias dos Santos, em declarações à agência Lusa, referindo que “África Diversidade Comum” integra artistas nascidos nas décadas de 1940, 50, 60, 70 e 80.

Entre os artistas há cinco a quem Manuel Dias dos Santos chama “mestres” – Malangatana, Viteix, Eleutério Sanches, Kiki Lima e Paulo Kapela -, cujo trabalho “tem influenciado a grande maioria dos autores que vão estar presentes na exposição”.

Os artistas angolanos estão, “naturalmente, em maior número, porque são os que têm um número mais expressivo em termos de presença nas coleções e nas galerias portuguesas”. Além disso, “também são aqueles que, em termos globais, têm estado a expandir o seu trabalho pelos espaços de arte mais mediáticos, de Abu Dhabi, a Nova Iorque, a Veneza”, afirmou o curador.

Os trabalhos expostos, de acordo com Manuel Dias dos Santos, “reforçam uma ideia da produção de um pensamento contemporâneo africano naquilo que eles produzem”, e que “exige uma leitura atenta, que não é uma leitura meramente estética ou meramente da utilização dos materiais”.

A visita à exposição vai “exigir um olhar que permita perceber como eles [os artistas] todos os dias trabalham sobre modernidade, sobre as várias variações que a ideia de tradição sofre por não ser imutável, a forma como se apropriam de conceitos, de visões, de uma chamada arte contemporânea ocidental, mas que, no fundo, é mais uma arte contemporânea humana”.

“África Diversidade Comum” inclui pintura, escultura, fotografia e instalação, de artistas como Abdel Queta Tavares, Cristiano Mangovo, Gonçalo Mabunda, Januário Jano, Kiluanji Kia henda, Maura Faria, Mumpasi Meso, Nelo Teixeira, Nú Barreto, René Tavares, Rómulo de Santa Rita e Yonamine.

A mostra coletiva divide-se entre o segundo e o terceiro pisos do espaço NOT A MUSEUM, cujo primeiro piso será ocupado pela exposição individual de Francisco Vidal.

“Fronteiras Invisíveis”, de acordo com o texto de apresentação, assinado pela curadora NAM, “pretende invocar a Utopia, como um médium e uma técnica, que permite partilhar pensamento e estimular o diálogo, através de composições visuais que convidam a deambular por flores de algodão pintadas a óleo sobre catanas, ou desvendar rostos familiares por entre retratos de ilustres (des)conhecidos que, através de quem são e do que fazem, contribuem para a concretização de uma ‘Revolução Industrial Africana’, numa ‘LUUanda’ inspirada na obra seminal de José Luandino Vieira que, em si, semeia a raiz e os valores de uma ‘Utopia Luanda Machine’, em coreografia com ‘Kiekelela’ (entrega em Kimbundu)”.

Francisco Vidal, através do desenho, escultura e instalação, “debruça-se sobre temas que debatem a diáspora africana e a sua herança, no presente e no futuro, desenvolvendo exercícios e estudos, de ética e estética, que servem de bússola para uma leitura deste espaço de partilha de pensamento contemporâneo africano, que acontece muito além das suas latitudes geográficas”.

As duas exposições foram inauguradas em 16 de maio à noite, e estarão patentes até 25 de maio.

A ARCOlisboa – Feira Internacional de Arte Contemporânea de Lisboa abre hoje ao público, com 71 galerias portuguesas e estrangeiras.

Coorganizado pela Feira de Madrid (IFEMA) e pela Câmara Municipal de Lisboa, o certame apresentará galerias de 17 países na Cordoaria Nacional, com a presença especial de galerias africanas, assim como uma secção dedicada às publicações de arte contemporânea.

A nova secção especial África em Foco contará com seis galerias, a Afriart (Kampala, Uganda), Arte de Gema (Maputo, Moçambique), Jahmek (Luanda, Angola), Momo (Cidade do Cabo, África do Sul), Movart (Luanda, Angola) e This is not a White Cube (Luanda, Angola).

Notícias ao Minuto | Lusa | Foto: Facebook / ARCOlisboa | Atualizado por PG

BENFICA CAMPEÃO | “Chegámos justamente ao título, é mais do que merecido”

Posted: 19 May 2019 12:35 AM PDT

“Chegámos justamente ao título, é mais do que merecido. Que este título, que estava perdido, seja também a forma de dar mérito a quem ganha. Quando os adversários ganharem, temos de lhes dar mérito. Só assim eles nos darão mérito a nós”, disse Bruno Lage, perante centenas de milhares de adeptos, na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa.

O técnico, de 43 anos, pediu também aos adeptos a mesma exigência que apresentam à equipa da Luz em outros assuntos da sociedade, de forma a “reconquistar os valores de Portugal”.

“Há coisas mais importantes do que o futebol, se vocês tiverem esta mesma exigência noutros temas da sociedade portuguesa, o nosso país vai ser melhor. Vamos reconquistar os valores de Portugal”, pediu.

Bruno Lage agradeceu também aos adeptos e ao presidente dos ‘encarnados’, Luís Filipe Vieira, pela “oportunidade de ser treinador” da equipa principal do Benfica, mas sobretudo aos jogadores, em especial Jonas, que foi “um exemplo”.

“Este título vem da aliança entre adeptos e jogadores. Obrigado ao presidente por me dar a oportunidade de ser treinador desta equipa e sobretudo ao trabalho que estes jogadores tiveram. O Jonas, com 35 anos, foi um exemplo para os mais novos e a base para esta equipa ser campeã”, expressou.

O Benfica assegurou no sábado o seu 37.º título de campeão português de futebol, ao golear em casa o Santa Clara por 4-1, em jogo da 34.ª e última jornada da competição, que terminou com 87 pontos, mais dois do que o FC Porto.

Notícias ao Minuto | Lusa | Foto: Global Imagens

Negociações na Noruega podem significar uma reviravolta do conflito na Venezuela

Posted: 19 May 2019 12:04 AM PDT

A Noruega se absteve de reconhecer Guaidó como presidente interino, uma posição que já havia sido interpretada como uma demonstração da disposição do país em mediar o conflito entre os partidos rivais da Venezuela

O rumor soava há vários dias e o primeiro a mencioná-lo em público foi o jornalista Vladimir Villegas, apresentador de um programa de televisão: partidos de oposição, entre eles o Voluntad Popular (de centro-esquerda) estavam negociando com o Governo de Nicolas Maduro, em busca de uma saída grave conflito político que o país atravessa.

No dia seguinte, Trump disse que a Venezuela está “no limiar de um evento histórico”.

Finalmente, foi confirmado pela Reuters que representantes do governo da Venezuela e da oposição estão na Noruega, no que poderia ser o prelúdio de uma negociação ou de seus estágios iniciais.

 

O ministro das Comunicações, Jorge Rodríguez, chefia a delegação do governo, acompanhado pelo governador do estado de Miranda, Héctor Rodríguez. Segundo relatos, pela oposição estavam Stalin González, Gerardo Blyde e Fernando Martínez.

Na quarta-feira, Maduro disse na TV estatal que Rodriguez estava “completando uma missão muito importante” no exterior.

Embora a Reuters diga que ainda não houve contato entre as partes, a AFP disse que no rádio e na televisão norueguesas foi relatado que os delegados já se encontram reunidos há dias.

“Cookie duro”

Depois de meses em que um setor da oposição, incentivado pelo presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, estava convencido de que os EUA derrubaria o governo venezuelano através de uma intervenção militar, a notícia surpreendeu.

De fato, após vários dias de uma escalada de tensão entre a Venezuela e os Estados Unidos – que incluiu a tomada da embaixada da Venezuela em Washington, a invasão de navios estadunidenses em águas venezuelanas, a interrupção de voos entre Venezuela e Estados Unidos e as ameaças habituais – muitos foram surpreendidos com a notícia.

Talvez não tanto nos EUA, onde a mídia como o Washington Post publicaram relatórios sobre o inconformismo de Trump com a situação da Venezuela, incluindo seu descontentamento com Bolton.

Ele teria dito em privado, de acordo com o Post, que Maduro é um cookie duro de roer, ou como se diz em português um osso duro de roer.

Como no caso do Irã, alguns afirmam que a estratégia de “pressão máxima”, buscando não apenas enfraquecer os governos como levar o povo a se rebelar contra eles, e assim forçá-los a negociar. No caso do Irã, um novo acordo nuclear e, no caso da Venezuela, a permanência do chavismo no poder.

O fato é que é comum nessas situações combinar pressões com aberturas e concessões para mostrar força. Não em vão Pompeo e Lavrov, o chanceler russo, se reuniram, embora não parecessem chegar a acordos sobre Síria, Irã e Venezuela.

Conspiranoia

A Noruega se absteve de reconhecer Guaidó como presidente interino, uma posição que já havia sido interpretada como uma demonstração da disposição do país em mediar o conflito entre os partidos rivais da Venezuela.

Desde janeiro, o ministro das Relações Exteriores, Ine Eriksen Soreide, disse que a Noruega está “pronta para contribuir, desde que as partes assim o desejassem”.

O país escandinavo, governado por socialistas democráticos durante grande parte do século XX, tem servido como um mediador em vários processos de paz, como na Guatemala, no Afeganistão, em Myanmar, nas Filipinas e entre o Sudão do Sul e do Norte. Embora os seguidores de Maria Corina Machado no Twitter apontassem para o fracasso das negociações de paz entre israelenses e palestinos em Oslo.

O fanatismo no calor da polarização tem sido uma das maiores dificuldades nesta iniciativa, especialmente depois de meses que partes interessadas interna e externamente deram o Governo como já em queda.

O analista Andre Serbin Point, conservadora e hostil à orientação do governo venezuelano, mostrou sua decepção com um gif, revelando os adversários mais radicais do chavismo pensavam que a Noruega estava mediando as negociações para que a produção de petróleo venezuelana continuou baixa.

A Noruega, que produz petróleo cru extra-leve e está se aposentando do negócio, não é concorrente da Venezuela.

Nos dias anteriores, outros usuários do Twitter começaram a falar que a Cruz Vermelha seria também uma “entidade de esquerda”.

Sob fogo

Neste clima, os argumentos de Juan Guaidó, cuja liderança já estava comprometido após a tentativa de golpe de 30 de Abril e o fracasso de 23 de Fevereiro, mudaram e muitos se perguntavam o que tinha acontecido à sua agenda do “fim da usurpação, Governo de transição, eleições livres”, sobretudo a respeito do pedido de” cooperação militar dos Estados Unidos.

“Não há nenhum tipo de negociação. É um esforço da Noruega para a mediação, que leva meses. Este foi o segundo convite feito por Oslo. Tudo o mais é especulação “, disse Guaidó à imprensa.

Porém, Guaidó teve que confirmar que os líderes Stalin González, Gerardo Blyde e Fernando Martínez Motola viajaram para a nação escandinava.

Ele fez questão de igualar a ação com as iniciativas do Grupo de Contato, formado por países da Europa e da América Latina, e as do Grupo de Lima, com a intervenção norueguesa.

“Não há diferença entre este encontro na Noruega e outros. É a intenção de um país, assim como o Grupo de Contato, o Grupo Lima, o Canadá e outros países, de mediarem a crise. É uma iniciativa mais de um país que quer colaborar”, minimizou.

Outras circunstâncias

“Diálogo” ou “negociação”, não é a primeira vez que se fala em fazer com que o governo se sente à mesa com seus oponentes. Uma rodada larga em Santo Domingo em 2017, não deu frutos.

Para os seguidores de ambos, essas iniciativas criam a suspeita de que estão negociando pelas suas costas e o cidadão comum não vê utilidade prática.

E embora seja verdade que ambos os lados os usaram como uma distração tática atrasada, existem algumas diferenças em relação ao passado:

1. Acordos específicos já foram feitos: a entrada da Cruz Vermelha na Venezuela, ferozmente criticada pela oposição mais radical, é um exemplo de uma negociação concreta que valeu a pena.

2. A situação é muito fluida: o que é um eufemismo para dizer que está ficando pior. O efeito das sanções à PDVSA começa a ser sentido e o país parece ir em um pântano sem muitas alternativas por causa da situação dos serviços público. E essa situação não sofre apenas sob o chavismo.

3. Ambos os lados estão perdendo: Guaidó deixou de ser uma espécie de rockstar da política venezuelana – com comparações a Chávez em 1998 – e passou a ser repudiado pelos opositores de mais radicais, além de perder a atenção dos venezuelanos comuns. De janeiro até o presente, todas as iniciativas da oposição para derrubar o governo falharam, algumas ridiculamente. Mas o governo está enfraquecido pelas sanções que têm agravado a crise que já é séria. Se a situação no final do ano passado era delicada, depois de sanções à PDVSA, embargos e apagões nacionais é difícil imaginar um novo mandato presidencial do atual governo nestas condições.

Quid pro quo

Entretanto, se a negociação não é uma tática ou manobra de atraso de qualquer lado, então espere que os noruegueses não deem nada na Colômbia ou no Oriente Médio.

O que está em jogo é o próprio poder político e a orientação internacional da Venezuela: o governo Maduro reiterou repetidamente que venceu legitimamente as eleições do ano passado e é isso que Lavrov repetiu a Pompeo recentemente. Mas a oposição e o governo dos EUA o chamam de usurpador.

É difícil para Maduro renunciar e dar lugar a um governo de transição e para Guaidó aceitar a legitimidade do líder chavista. No nível geopolítico é igualmente complicado: Trump tem que mostrar um resultado em seus eleitores anti-Castro da Flórida, e Putin fez um ponto de honra que um governo não pode mudar só porque os EUA diz isso.

Deveria haver não um, mas vários processos eleitorais. Talvez um referendo como o proposto por alguns chavistas dissidentes, com credibilidade de ambas as partes, para renovar as autoridades eleitorais e talvez outros poderes, o que implica em negociações muito complexas.

Se a negociação ocorrer, ambos os lados terão que ceder a coisas preciosas gerando enorme descontentamento entre suas fileiras.

Além disso, exigiria uma grande aceitação entre a população que não se alinha com nenhum dos lados ou está farta do conflito e que pode muito bem ser a maioria, na medida em que as sanções afetam a população como um todo. Sem outras alternativas à vista, é provável que isso não chegue a lugar nenhum, sem ser revelada uma luz fim do túnel.

Fabio Zuluaga, tradução da Fórum

Direita venezuelana acusa Guaidó de conspirar com Maduro

Posted: 18 May 2019 11:17 PM PDT

A direita venezuelana acusou o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, de encenação com o regime a troco de espaços de sobrevivência, ao aceitar negociar com o Governo do Presidente Nicolás Maduro.

Guaidó está sob o escrutínio da direita venezuelana, por, aparentemente, aceitar negociar com Maduro.

“Já vivemos este episódio várias vezes, de traições, de manipulação, de que pensamos que são opositores, que estão contra o regime mas que às escondidas fazem negociações com o regime, a troco de espaços de subsistência”, disse o diretor do Movimento da Direita Liberal Autonomista da Venezuela, Marcos Polesel.

O dirigente de direita falava à Agência Lusa em Caracas, durante uma concentração nas proximidades da embaixada da Rússia na Venezuela, para pedir que aquele país deixe de apoiar e dar assessoria ao Governo de Nicolas Maduro.

Representantes do Governo e da oposição venezuelana viajaram até à Noruega na última quinta-feira para participarem em conversas exploratórias sobre uma solução para a crise política no país, uma informação confirmada pelo Governo norueguês e também por Juan Guiado.

 

“Uns 80% dos venezuelanos estamos fartos, cansados destas manipulações, porque duram há muitos anos”, frisou.

Polesel, que também é criador da Frente Nacional das Direitas Unidas na Venezuela sustentou que atualmente o Governo venezuelano e o seguidores de Juan Guaidó “são duas minorias, dois setores mínimos que estão em pugna e que apenas os militantes vão às manifestações”.

“Mas 80% dos venezuelanos não está aí, milhões de venezuelanos que deixaram o país e outros milhões de venezuelanos não vão a essas manifestações. É uma militância que está a favor de um ou do outro”, frisou.

Por outro lado explicou que “ontem” a aliança opositora Mesa de Unidade Democrática dizia que era possível uma mudança de regime se os venezuelanos votassem “em massa, quando isso não era verdade”.

“A festa eleitoral terminou. Agora há que inventar outros mecanismos para que esse pacto de colaboracionistas funcione. Elegeram uma nova figura que ninguém conhecia como (Juan) Guaidó, mas detrás (apoiando) estão os mesmos políticos que simpatizam com este regime e por isso este regime tem durado mais de vinte anos”, explicou.

Marcos Polesel frisou ainda que “na Europa diziam que havia eleições” [na Venezuela], o que considera não ser verdade, e afirmou que o que se passa é o “agora eu chego a um acordo contigo para enganar a um terceiro, que é o povo” e assim poderem “conviver e partilhar a riqueza do país”.

Para a direita, a Assembleia Nacional, dirigida por Juan Guaidó, “é tão ilegítima como o regime” porque foi eleita com o mesmo Conselho Nacional Eleitoral, nas legislativas de dezembro de 2015.

“Tudo isto é uma armação imoral, centrada numa manipulação. Eles não têm moral para reclamar nada porque foram eleitos por um organismo eleitoral controlado pelo mesmo regime”, frisou.

Por outro lado, alertou que “se não ocorrer uma intervenção militar internacional, o país passará a ser uma Cuba, uma Síria, uma Coreia do Norte para toda a vida, e se perderá definitivamente”.

“Nós não temos poder para dizer ao Presidente dos Estados Unidos (Donald Trump) que intervenha. Guaidó tem o Presidente dos EUA à disposição e não lhe diz que intervenha. Algo há de estranho aí”, sublinhou, insistindo que “os venezuelanos sabem que não há uma saída interna nem eleitoral”.

“Por detrás do regime está Cuba, a Rússia e a China, que sabem bem como matar as pessoas à fome. Um exemplo [disso] é a Ucrânia. A única maneira de controlar um povo violento foi matando-o à fome”, disse.

No protesto, que reuniu pouco mais de uma centena de pessoas, esteve também Nelson Ramírez Zabala, porta-voz do Movimento Nacionalista Ordem, organismo que tem como objetivo, disse, “consciencializar a Venezuela e o mundo, as organizações internacionais como a ONU e a Organização de Estados Americanos sobre as farsas destas nações que apoiam o regime”.

“E também exercer o direito de reclamar a nossa soberania, porque a Rússia, entre outras nações, não apenas está a levar o petróleo, mas também carregamentos de ouro que pertence à nação venezuelana, a troco de dar assessoria ao regime”, acusou, sem deixar de lembrar que “a Venezuela quer ordem”.

TSF com Lusa | Foto: Rayner Pena/EPA

Cristina Kirchner anuncia candidatura a vice-presidente da Argentina

Posted: 18 May 2019 11:02 PM PDT

Ex-líder descarta voltar à presidência e será vice na chapa de Alberto Fernández, seu ex-chefe de gabinete. Anúncio encerra meses de especulações sobre futuro político da senadora, vista como ameaça à reeleição de Macri.

A senadora e ex-presidente da Argentina Cristina Fernández de Kirchner anunciou neste sábado (18/05) que será candidata a vice-presidente nas eleições deste ano, e não líder da chapa, como era cotada. Seu ex-chefe de gabinete, Alberto Fernández, concorrerá à presidência.

“Pedi a Alberto Fernández que chefie a chapa que vamos integrar: ele como candidato a presidente e eu como candidata a vice nas próximas eleições primárias abertas, simultâneas e obrigatórias”, disse ela em vídeo de 12 minutos publicado no Twitter.

“Estou convencida de que esta chapa que propomos é a que melhor expressa o que neste momento a Argentina necessita para convocar os mais amplos setores sociais e políticos e económicos também, não só para ganhar uma eleição, mas para governar.”

Kirchner anunciou sua decisão, que vem como um passo surpreendente, dizendo estar convencida de que “a expectativa e a ambição pessoal têm de estar subordinadas ao interesse geral”.

 

O anúncio encerra meses de especulações no âmbito político e na imprensa sobre o futuro político de Kirchner e direciona o foco sobre Alberto Fernández – que também foi chefe de gabinete de seu marido, o falecido ex-presidente Néstor Kirchner, entre 2003 e 2008.

Fernández e Cristina Kirchner participarão juntos das chamadas primárias abertas, simultâneas e obrigatórias (Paso), que acontecerão em 11 de agosto. Nesse momento, os cidadãos definirão qual de todos os aspirantes a um mesmo cargo apresentados por cada partido será o candidato a participar dos pleitos gerais de outubro.

O pré-candidato a presidente, que passou anos distanciado de Cristina Kirchner, foi seu chefe de gabinete por apenas poucos meses. Em julho de 2008, apresentou sua renúncia após a polémica rejeição no Senado de um projeto governista que buscava aplicar um novo sistema tributário ao comércio da soja.

Nas últimas semanas, os dois foram vistos novamente em harmonia. A senadora chegou a declarar que foi Alberto Fernández quem a encorajou a escrever sua bem-sucedida autobiografia, Sinceramente.

“Alberto, a quem conheço já há mais de 20 anos e com quem tive também diferenças, foi chefe de gabinete de Néstor durante toda sua presidência e o vi, junto a ele, decidir, organizar, concordar e buscar a maior amplitude possível do governo”, afirma Kirchner no vídeo divulgado neste sábado, editado com imagens históricas.

A ex-presidente lembra ainda o momento da posse de seu marido, em 2003, como “tempos muito difíceis” na Argentina, com os efeitos da grave crise de 2001 ainda latentes.

“Mas estes [tempos] que estamos vivendo, os argentinos e as argentinas, são realmente dramáticos. Nunca tivemos tantos e tantas dormindo na rua, nunca tantos e tantas com problemas de comida, de trabalho, nunca tantos e tantas desesperados chorando diante de uma conta impagável.”

“É fundamental, então, evitar somar à frustração atual, produto da fraude eleitoral que facilitou a chegada de Mauricio Macri ao poder, uma nova frustração que submergiria a Argentina no pior dos infernos”, completou Kirchner.

A ex-presidente era vista como principal ameaça à reeleição do presidente Macri, cuja popularidade vem despencando há meses nas pesquisas devido à crise económica. Sondagens recentes chegaram a mostrar Kirchner à frente do atual líder nas projeções para as eleições deste ano.

Na terça-feira passada, a ex-presidente participou de uma reunião da comissão executiva do Partido Justicialista, histórica legenda peronista. O evento gerou forte expectativa já que ela, líder do setor kirchnerista do peronismo, não participava há anos de um conclave do partido, fundado pelo ex-presidente Juan Domingo Perón em meados da década de 1940.

A imagem de Cristina Kirchner, no entanto, gera rejeição em parte do peronismo que ela integra, como, por exemplo, entre o chefe do Bloco Justicialista no Senado, Miguel Ángel Pichetto; o governador de Salta, Juan Manuel Urtubey; e o ex-chefe de gabinete Sergio Massa – eles já anunciaram sua intenção de concorrer nas primárias pela corrente Alternativa Federal.

O retorno de Kirchner, esquerdista investigada em uma série de casos de corrupção, à presidência da Argentina, cargo que ocupou entre 2007 e 2015, era visto com receio também por parte dos argentinos, bem como por líderes estrangeiros direitistas, como o presidente Jair Bolsonaro.

Em discurso nos Estados Unidos nesta semana, o brasileiro mencionou a possível volta da ex-presidente ao poder como uma ameaça, criticando-a como “amiga do PT do Brasil […] e de outros que tinham mais que o sonho de roubar nosso país”.

Crise na Argentina

Mauricio Macri é um dos principais críticos da política económica adotada por Cristina Kirchner, especialmente pelo afastamento da diplomacia kirchnerista dos Estados Unidos, pelas proibições de compra de moedas estrangeiras e pelo aumento do histórico déficit fiscal.

Mas o presidente enfrenta há um ano uma grave crise que reduziu praticamente a zero uma sequência de cinco trimestres consecutivos de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Toda essa incerteza tem impacto direto na inflação, que em abril subiu 3,4% em relação a março e, na comparação com abril de 2018, chegou a 55,8%. Nos quatro primeiros meses de 2019, a alta da inflação chegou a 15,6%.

A desvalorização da moeda – com ciclos abruptos de quedas, que o Executivo combate com altas taxas de juros e leilões de dólares –, somada à forte seca que afetou o campo, levou o governo a solicitar em maio do ano passado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo por três anos de cerca de 57 biliões de dólares.

EK/afp/ap/efe/rtr | Deutsche Welle

Brasil | Bolsonaro alimenta rumores de renúncia ao partilhar texto a aliados

Posted: 18 May 2019 10:50 PM PDT

Presidente brasileiro fala em país “ingovernável” e que “a hipótese mais provável é uma ruptura institucional irreversível com desfecho imprevisível”. Analistas dividem-se na interpretação do texto.

Um texto partilhado por Jair Bolsonaro num grupo de aliados no aplicativo Whatsapp a que o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso está a levantar rumores no Brasil. Rumores até de uma eventual renúncia do presidente da República.

No texto, que Bolsonaro diz ser de um autor anónimo mas que sites atribuem a um analista financeiro, o presidente chama o país de “ingovernável”. Fala em “conchavos”, diz que “o presidente não serve para nada”, que “a hipótese mais provável é o governo morrer de inanição” e que pode vir aí “uma rutura institucional irreversível com desfecho imprevisível”.

Primeiro nas redes sociais e depois nos jornais, o texto foi comparado à renúncia do presidente Jânio Quadros, que em agosto de 1961 abdicou do cargo apenas sete meses depois de tomar posse.

 

Para o cientista político Alberto Carlos Almeida, “é sim uma carta de renúncia”. “Mas vinda de Bolsonaro pode ser qualquer coisa. Ele é muito burro: não conhece a língua portuguesa, não sabe utilizar símbolos, não entende dos detalhes da política. Assim, para ele, essa carta pode ser qualquer coisa”.

Reinaldo Azevedo, colunista do jornal Folha de S. Paulo e de outros veículos, disse que depois da carta “só sobram dois caminhos a Bolsonaro: a renúncia ou o suicídio”. “Eu sugiro o primeiro”.

No entanto, outros cientistas políticos ouvidos pelo jornal O Globo entendem a carta como uma ameaça de renúncia e não como uma renúncia. Diz o cientista político Oswaldo Amaral que “parece um balão de ensaio para ver quantas pessoas vai arregimentar com esse tipo de discurso. Está a colocar a figura dele contra as instituições democráticas e quer o apoio do povo para isso, o que é típico do populismo”.

Major Olímpio, líder parlamentar do partido de Bolsonaro no Senado, também entendeu o desabafo como “um grito de alerta”.

Bolsonaro vem enfrentando dificuldades, com a aprovação ao seu governo a diminuir de sondagem para sondagem. A sua agenda vem sendo contrariada no Congresso Nacional. E nas últimas horas o preço do dólar subiu a valores equivalentes aos de antes da eleição e analistas já preveem encolhimento do PIB em 2019.

João Almeida Moreira, São Paulo | Diário de Notícias | Foto: Reuters/Adriano Machado

Com Bolsonaro, Brasil perde ainda mais influência mundial

Posted: 18 May 2019 10:40 PM PDT

Presidente não era bem-vindo em Nova York e teve que buscar prêmio na província americana. Sequer uma personalidade de destaque foi à cerimônia. Isso deve ocorrer mais vezes, pois país perde importância.

Deveria ser uma cerimónia de premiação do presidente brasileiro nos EUA como Personalidade do Ano – e acabou sendo uma suja batalha política. A Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos queria homenagear nesta semana o presidente Jair Bolsonaro no Museu Americano de História Natural, em Nova York, junto com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo. O evento de gala anual, generosamente patrocinado por empresas brasileiras e americanas, é uma festa de rotina em que investidores e empresários comparecem buscando o acesso exclusivo aos premiados.

Mas desta vez tudo deu errado. Primeiro os patrocinadores do museu pressionaram e exigiram o cancelamento do jantar – devido ao conteúdo populista de direita e misantropo das opiniões de Bolsonaro. Quando a cerimónia de premiação foi transferida para um hotel, os primeiros patrocinadores retiraram o apoio. Aí o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, entrou na discussão: o presidente brasileiro não era bem-vindo “por causa de seus pontos de vista homofóbicos e racistas”.

Por causa da resistência, os diplomatas de Bolsonaro transferiram o evento para Dallas, no Texas, onde a visita de 24 horas do presidente brasileiro quase não chamou a atenção. De Blasio ironizou, afirmando que Bolsonaro é covarde demais para aparecer em Nova York.

A atitude do prefeito de Nova York pode ser explicada principalmente pelo ângulo da política interna. Como membro do Partido Democrata, ele quer polir sua reputação como um verdadeiro ativista dos direitos humanos. O fato de não hesitar em insultar o presidente democraticamente eleito do Brasil mostra, acima de tudo, como o Brasil perdeu força no exterior. Pois não se sabe de protestos de De Blasio contra a presença em Nova York de ditadores economicamente influentes do Extremo Oriente e do Oriente Médio.

Mas também nenhum defensor conservador de Bolsonaro nos EUA veio a público para se solidarizar com ele. Como um cão escorraçado, o presidente brasileiro teve que pegar seu prêmio na província americana. Nenhum representante político e de negócios de alto nível dos EUA conseguiu ser persuadido a comparecer à reunião no Texas.

O Brasil está perdendo rapidamente importância na política mundial. Embora isso não tenha começado com a posse de Bolsonaro, sua presidência está acelerando esse processo. A influência internacional do Brasil começou a diminuir há cerca de cinco anos, juntamente com o declínio da economia brasileira. Até então, o Brasil se valia de sua soft power para conseguir alcançar suas metas em política externa – em contraste com o hard power da Rússia, dos EUA ou da China.

Joseph Nye, um especialista americano em relações internacionais, cunhou os termos: segundo ele, um país trabalha com hard power quando impõe sua liderança global sobretudo através de sua força económica, financeira e militar. Os diplomatas do Brasil tradicionalmente trabalham com soft power – nos anos 2000, reforçado por sua forte presença como a oitava maior potência econômica e provedora de alimentos para o mundo, como um importante fornecedor de matérias-primas industriais e energia.

O Brasil convencia seus parceiros de negócio com a credibilidade de seus diplomatas, com sua imagem positiva de uma cultura tropical multiétnica capaz de superar contrastes – entre negros e brancos, pobres e ricos, desenvolvidos e subdesenvolvidos. No debate climático e no comércio mundial, o Brasil alcançou surpreendentes êxitos diplomáticos porque seus diplomatas conseguiram forjar alianças – através dos continentes e entre países industrializados, emergentes e em desenvolvimento.

Mas o soft power do Brasil vem desacelerando há algum tempo: por um lado, porque o país se tornou, no auge de seu sucesso económico, há dez anos, cada vez mais um concorrente dos países industrializados nos setores agrícola, de energia e de matérias-primas – potência econômica não combina bem com soft power tropical. Com o declínio económico, o poder de persuasão do Brasil perdeu ainda mais força: um soft power sem dinâmica económica também não é convincente.

Agora, a perda de imagem do Brasil se acelerou: o presidente Bolsonaro continua, na sua política interna e externa, a polarização que prometeu na campanha eleitoral – e por causa da qual muitos brasileiros votaram nele. Com a sua clara opção por um esquema amigo-inimigo na política externa, nenhuma aliança global surpreendente pode mais ser forjada. Os brasileiros terão que se conformar com o fato de que não mais serão, como no passado, recebidos em todos os lugares de braços abertos.

Alexander Busch (md) | Deutsche Welle

Na foto: Protesto contra Bolsonaro diante de hotel em Nova York que ia sediar premiação do presidente brasileiro

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Publicado por

chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL