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Pierre Sousa Lima to Açores Global

Um estudo assustador

A Assembleia Regional dos Açores acaba de receber um estudo, que mandou efectuar, sobre o fenómeno da abstenção na nossa região.
É um documento da autoria do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade dos Açores, com coordenação do sociólogo Álvaro Borralho, que analisa a abstenção eleitoral nas votações realizados entre 1975 e 2017.
Num inquérito a 750 açorianos, com base numa amostragem representativa das ilhas, os resultados podem não ser novidade para muita gente, mas são surpreendentes pela clareza com que os eleitores apontam o dedo aos culpados pelas elevadas taxas de abstenção nos Açores.
Mais de 88% atribui as culpas ao governo, aos deputados e aos partidos.
Assim mesmo, sem hesitações.
Estes resultados, só por si, deviam fazer tocar todas as campainhas de alarme no governo, no parlamento e nas sedes dos partidos, mas o mais certo é que se irá tratar de mais papel para engavetar nos enormes arquivos da classe política desta terra.
Há muito que se sabe que a política perdeu credibilidade nesta região, tal como apontam os inquiridos no referido estudo, criticando mesmo os políticos que “estão interessados em si mesmos” e não na vida dos cidadãos.
Aos anos que vimos alertando para este afastamento, a olhos vistos, dos políticos face aos cidadãos, de que são exemplos os inúmeros ‘casos’ que vão ocorrendo na nossa administração regional, sob a complacência – e até uma certa arrogância – por parte dos governantes, deputados e políticos em geral.
Nos Açores deixou-se de ouvir os cidadãos há muito tempo, funcionando os poderes em capelinhas fechadas, entre tráfico de influências nos gabinetes da oligarquia partidária e sem qualquer sinal de promoção da cidadania.
Os processos de escolha dos candidatos a deputados ao Parlamento Europeu, no PSD e no PS, foram o mais recente exemplo, em que a força dos aparelhos partidários se sobrepôs ao bom senso das vozes da cidadania.
O “reforça dos laços de confiança entre cidadãos e protagonistas”, apontado no referido estudo pelos açorianos, é uma das condições para que se restabeleça uma relação mais próxima dos eleitores junto das instituições e das urnas, mas, para isso, os partidos têm que deixar à porta das sedes esta obstinação que é querer dominar tudo, controlar tudo e impor tudo à sua maneira.
O mesmo se diga do governo e parlamento, cujo poder absoluto tem revelado sinais de enorme autismo e um cada vez maior afastamento das populações.
Felizmente que os populismos e radicalismos ainda não chegaram cá, mas por este caminho não faltará muito que um qualquer cómico ou cidadão com discurso de “pôr ordem nisto”, alcance o sucesso que os seus semelhantes estão a alcançar noutros países.
O estudo da Universidade dos Açores é um forte aviso.
Os políticos que não se queixem, porque já foram avisados há muito tempo.

Osvaldo Cabral

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chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL