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Brasil | O rastro de sangue que encurrala o clã Bolsonaro

Posted: 18 May 2019 11:14 AM PDT

Quebra de sigilo bancário do filho Flávio revelou envolvimento de 95 no esquema de “rachadinha”. Basta menos da metade abrir a boca para investigação ligar os pontos entre família do presidente, milícias e morte de Marielle

Gil Alessi, no El País Brasil | Outras Palavras

Pouco mais de cinco meses após o nome do motorista Fabrício Queiroz vir à tona em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras citado por movimentações atípicas, o primogénito do clã Bolsonaro, o senador Flávio, que até o final do ano passado o empregava em seu gabinete na Assembleia do Rio, começou a sofrer uma profunda devassa em suas contas bancárias. O Ministério Público do Estado pediu a quebra do sigilo bancário do parlamentar por um período de dez anos (entre janeiro de 2007 e dezembro de 2018), alegando haver indícios de lavagem de dinheiro e da operação de uma organização criminosa em seu gabinete — no total, 95 pessoas terão suas contas reviradas, sendo que ao menos nove delas também atuaram em algum momento com funcionários do atual presidente, segundo informações do jornal O Globo, e duas delas são ligadas ao miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, buscado pela polícia sob acusação de ser o chefe do grupo Escritório do Crime, suspeito de ter ligação com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

A expectativa dos investigadores é de que, pressionados pela devassa fiscal, alguns alvos da investigação decidam colaborar com seus depoimentos, como ocorreu na Operação Lava Jato, abrindo um flanco ainda maior de possibilidades de denúncias contra a família Bolsonaro. Após um hiato, agora a cada dia um novo capítulo se revela. Na quarta-feira, a Veja publicou reportagem em que afirmava que entre 2010 e 2017, quando ainda era deputado estadual, Flávio investiu 9,425 milhões de reais na compra de 19 imóveis, entre salas e apartamentos, e lucrou 3,089 milhões nessas transações imobiliárias —indícios, segundo o MP, de lavagem de dinheiro. Na quinta-feira, nova reportagem de O Globo destacou que policiais militares nomeados para o gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual, repassavam até dois terços de seus salários para Queiroz, em troca de “férias permanentes”: ou seja, recebiam para não trabalhar.

A quebra do sigilo do filho do presidente tem alto potencial para respingar no palácio do Planalto —já fragilizado pelos protestos de estudantes e professores e com uma base no Congresso que se mostra fraca para aprovar seu principal projeto, a reforma da Previdência, tido como boia de salvação para a cambaleante economia. E torna-se algo especialmente grave para um capitão reformado do Exército que se elegeu com um forte discurso contra a corrupção e tem o juiz da Lava Jato como principal troféu de seu Governo. Ter o nome de Flávio envolvido em algum esquema da chamada “velha política”, tanto criticada pelo clã, pode dificultar ainda mais a aprovação de projetos e a governabilidade e diminuir seu apoio nas ruas, que já é o menor nos primeiros cem dias dentre todos os presidentes brasileiros eleitos.

Bolsonaro afirma que as investigações contra seu filho são uma perseguição contra ele. “Estão fazendo esculacho em cima do meu filho. Querem me atingir? Venham pra cima de mim”, disse o presidente em Dallas, no Texas, para onde viajou para receber uma homenagem. “Não vão me pegar!”, ressaltou. Flávio também usou o canal de comunicação preferido de sua família, o seu Twitter pessoal, para se defender. Disse que os valores publicados pela Veja são “absolutamente falsos”. “Sempre declarei todo meu patrimônio à receita Federal e tudo é compatível com a minha renda.

Morte de Marielle

Uma análise mais conservadora aponta para a possibilidade de que se comprove a participação de Flávio em um esquema de “rachadinha”, prática proibida, mas comum nos legislativos do país, na qual funcionários devolvem parte de seus salários para os parlamentares. Esta possibilidade já havia sido ventilada desde dezembro passado e foi confirmada por Queiroz ao depor por escrito ao Ministério Público. Em fevereiro ele informou que pegava parte do dinheiro dos demais servidores do gabinete e “com a remuneração de apenas um assessor parlamentar conseguia designar alguns outros para exercer a mesma função, expandindo a atuação do deputado”. Flávio sempre negou que a prática ocorresse em seu gabinete, e essa contradição entre os dois ainda não foi esclarecida —tendo em vista que o senador faltou a um depoimento e não remarcou mais a data.

Mas, para além da “rachadinha”, as investigações tem potencial para colocar o clã Bolsonaro em uma situação mais complicada. Os laços da família Bolsonaro com milicianos e seus parentes (e a simpatia do clã pelos grupos paramilitares comandados por policiais e ex-policiais) podem desaguar em em desdobramentos delicados, especialmente porque no gabinete de Flávio estavam lotadas Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, respectivamente irmã e mãe o miliciano do apontado como chefe do Escritório do Crime. Trata-se de uma organização miliciana ligada ao assassinato da vereadora Marielle Franco, de acordo com o que já foi divulgado da apuração que tem ainda uma ponta federal: a Polícia Federal investiga se alguém nas polícias do Rio trabalhou para sabotar os trabalhos de elucidação do crime. Ambas tiveram o sigilo bancário quebrado, e o Coaf já tinha apontado repasses delas para Queiroz, amigo de Nóbrega.

Onde está Queiroz?

Com relação às investigações, que correm em segredo de Justiça, também se acumulam dúvidas. Queiroz foi intimado a depor por duas vezes, em 19 e 21 de dezembro de 2018. Faltou nas duas ocasiões, e justificou a ausência por conta de problemas de saúde —que não o impediram, no entanto, de conceder entrevista ao SBT. A reportagem indagou o Ministério Público do Rio se houve nova convocatória para que o ex-motorista desse sua versão dos fatos e se o seu paradeiro é conhecido. A resposta foi lacónica: “Em razão do sigilo legal decretado, o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção do Ministério Público (GAECC/MPRJ) não vai se pronunciar”. Em outros casos no passado, os procuradores e promotores, por exemplo, lançaram mão de um mecanismo chamado condução coerciva, na qual a pessoa é levada para depor pelas autoridades — mas o mecanismo usado à exaustão pela Operação Lava Jato, foi proibido pelo Supremo Tribunal Federal. Se julgasse necessário, o MP poderia pedir a prisão preventiva de Queiroz, mas isso não foi feito.

A defesa do ex-motorista divulgou nota dizendo que “família recebe a notícia [da quebra do sigilo] com tranquilidade, uma vez que seu sigilo bancário já havia sido quebrado e exposto por todos os meios de comunicação”. O ex-motorista ainda deve explicações sobre a origem — e o destino — de 1,2 milhão de reais que passaram por sua conta corrente. Na entrevista ao SBT, ele alegou se tratar de dinheiro de compra e venda de veículos usados, e se autodenominou como “um cara de negócios”. Mas, segundo O Globo informou no início do mês, os promotores não encontraram evidências de que a movimentação atípica do ex-motorista tenha ligação com este tipo de negócio. De acordo com a reportagem apenas dois carros antigos foram encontrados em nome de Queiroz: um Ford Del Rey Belina ano 86, e um Volkswagem Voyage modelo 2009. O valor de ambos somado é inferior a 30.000 reais. Resta saber como o ex-motorista transforma carros velhos em um milhão.

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A estratégia do caos encaminhado

Posted: 18 May 2019 10:42 AM PDT

Manlio Dinucci*

Tudo contra todos: é a imagem mediática do caos que se alarga à mancha de petróleo na costa sul do Mediterrâneo, da Líbia à Síria. Uma situação perante a qual até Washington parece impotente. Na realidade, Washington não é um aprendiz de feiticeiro incapaz de controlar as forças postas em movimento. É o centro motor de uma estratégia – a do caos – que, ao demolir Estados inteiros, provoca uma reação em cadeia de conflitos a serem utilizados de acordo com o critério antigo – “dividir para reinar”.

Tendo saído vitoriosos da Guerra Fria, em 1991, os USA autoproclamaram-se “o único Estado com uma força, uma escala e uma influência, em todas as dimensões – política, económica e militar – verdadeiramente global”, propondo-se “impedir que qualquer poder hostil domine uma região – Europa Ocidental, Ásia Oriental, o território da antiga União Soviética e o Sudoeste Asiático (Médio Oriente) – cujos recursos seriam suficientes para criar uma potência global”. Desde então, os EUA e a NATO sob o seu comando, fragmentaram ou demoliram com a guerra, um após outro, os Estados considerados obstáculos ao plano de domínio global – Iraque, Jugoslávia, Afeganistão, Líbia, Síria e outros – enquanto mais alguns (entre os quais o Irão e a Venezuela) ainda estão na sua mira.

Nessa mesma estratégia está incluído o golpe de Estado na Ucrânia, sob direcção USA/NATO, com o fim de provocar na Europa, uma nova Guerra Fria, a fim de isolar a Rússia e fortalecer a influência dos Estados Unidos na Europa.

Enquanto a atenção político-mediática se concentra no conflito na Líbia, deixa-se na sombra o cenário cada vez mais ameaçador da escalada da NATO contra a Rússia. A reunião dos 29 Ministros dos Negócios Estrangeiros, convocada em 4 de Abril, em Washington, para celebrar o 70º aniversário da NATO, reiterou, sem qualquer prova, que “a Rússia viola o Tratado INF, instalando, na Europa, novos mísseis com capacidades nucleares”.

Uma semana depois, em 11 de Abril, a NATO anunciou que neste verão haverá uma “actualização” do sistema USA Aegis de “defesa antimíssil”, instalado em Deveselu, na Roménia, assegurando que a mesma actualização “não oferece nenhuma capacidade ofensiva ao sistema”. Este sistema, instalado na Roménia e na Polónia e a bordo de navios, pode lançar não só mísseis interceptores, como também mísseis nucleares.

Moscovo advertiu que, se os EUA instalarem mísseis nucleares na Europa, a Rússia distribuirá no seu território, mísseis idênticos apontados para as bases europeias. Consequentemente, aumentam as despesas para a “defesa” da NATO: os orçamentos militares dos aliados europeus e do Canadá, aumentarão até 2020, para 100 biliões de dólares.

Os Ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, reunidos em Washington, em 4 de Abril, comprometeram-se em particular, a “enfrentar as acções agressivas da Rússia na região do Mar Negro”, estabelecendo “novas medidas de apoio aos nossos parceiros chegados, a Geórgia e a Ucrânia”. No dia seguinte, dezenas de navios e caça bombardeiros dos Estados Unidos, Canadá, Grécia, Holanda, Turquia, Roménia e Bulgária iniciaram um exercício de guerra naval da NATO, perto das águas territoriais russas, usando os portos de Odessa (Ucrânia) e Poti (Geórgia).

Ao mesmo tempo, mais de 50 caça bombardeiros dos Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Holanda, decolando de um aeroporto holandês e reabastecidos em voo, exercitavam-se em “missões aéreas ofensivas atacando alvos em terra ou no mar”. Por sua vez, bombardeiros italianos Eurofighter serão enviados pela NATO, para patrulhar novamente a região do Báltico contra a “ameaça” dos aviões russos.

A corda está cada vez mais tensa e pode quebrar-se (ou ser quebrada) a qualquer momento, arrastando-nos para um caos muito mais perigoso do que o da Líbia.

Il manifesto, 15 de Abril de 2019

No War no NATO | Tradução Luísa Vasconcelos

Era nuclear: A humanidade está a namoriscar com a extinção

Posted: 18 May 2019 10:24 AM PDT

A verdade mais impressionante e assustadora sobre a era nuclear é a seguinte: as armas nucleares são capazes de destruir a civilização e a vida mais complexa do planeta, mas quase nada está a ser feito a este respeito.

David Krieger* | opinião

A Humanidade está a namoriscar com a extinção e está a sentir a “agonia das rãs”. É como se a espécie humana tivesse sido colocada num caldeirão de água morna – metaforicamente em relação aos perigos nucleares e literalmente no que diz respeito à mudança climática – e parecesse estar calma dentro da água, enquanto a temperatura sobe em direcção ao ponto de ebulição. Neste artigo, concentro a minha atenção no caldeirão metafórico de aquecimento da água, a caminho da fervura, representando os perigos nucleares crescentes que são confrontados por toda a Humanidade.

Por mais perturbador que seja, não há virtualmente nenhuma vontade política da parte das nações que possuem arsenais nucleares de alterar esta situação perigosa; e, apesar das obrigações legais de negociar de boa fé, o fim da corrida armamentista nuclear e o desarmamento nuclear, não há grande esforço entre os países detentores de armas nucleares e os países sob o guarda-chuva nuclear (países da NATO) para atingir o zero nuclear. Enquanto os países sem armas nucleares negociaram o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPNW) e estão a diligenciar estabelecer a entrada em vigor deste Tratado, os países que possuem armas e aqueles que se abrigam sob a sua protecção nuclear, não apoiaram o novo Tratado.

 

Os nove países com armas nucleares boicotaram, na totalidade, as negociações internacionais sobre a proibição e eliminação das armas nucleares. Além do mais, cada um desses países está a modernizar o seu arsenal nuclear, desperdiçando recursos valiosos em armas que nunca deverão ser usadas e fazem-no enquanto as necessidades básicas de biliões de pessoas em todo o mundo, não são tidas em consideração nem cumpridas. Apesar desta situação injusta e deplorável, a maioria dos 7 biliões de pessoas no planeta,tem uma atitude tolerante e acomodada, em relação às armas nucleares, o que só adiciona combustível ao fogo sob o caldeirão das rãs.

Na era nuclear, a Humanidade é desafiada como nunca jamais aconteceu. A nossa tecnologia e, especialmente, as nossas armas nucleares, podem destruir-nos, bem como todos que nos são queridos. Mas antes de podermos responder a estes perigos gigantescos, devemos primeiro despertar a consciência para os mesmos. A complacência está enraizada na apatia, na conformidade, na ignorância e na negação – uma receita para o desastre. Se quisermos prevalecer sobre as nossas tecnologias, devemos passar da apatia à empatia; da conformidade ao pensamento crítico; da ignorância à sabedoria; e da negação ao reconhecimento do perigo. Mas como vamos fazê-lo?

A solução é a educação – uma educação que promova a participação; uma educação que force os indivíduos e as nações a enfrentar a verdade sobre os perigos da era nuclear. Precisamos de uma educação que leve à acção que permita à Humanidade sair do caldeirão metafórico com a água a aquecer, antes que seja tarde demais.

A educação pode apresentar-se de muitas formas, mas deve começar por uma análise sólida dos perigos actuais e pelas críticas à falta de progresso na contenção dos perigos da era nuclear.

– Precisamos de uma educação que esteja enraizada no bem comum.

– Precisamos de uma educação que forneça uma plataforma para as vozes dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki.

– Precisamos de uma educação que torne clara a instabilidade e a natureza perigosa da dissuasão nuclear.

– Precisamos de uma educação que desafie a arrogância suprema dos dirigentes que acreditam que o ‘status quo’ nuclear global pode sobreviver indefinidamente, em face da maldade e da falibilidade humana.

Temos necessidade de uma educação que possa romper os laços da insanidade nuclear e levar o mundo à acção. Se quisermos saltar do caldeirão de água sempre a aquecer, evitar o desastre e alcançar o porto seguro do zero nuclear,temos de nos esforçar para que as pessoas falem e exijam muito mais dos seus dirigentes.

*David Krieger | No War no NATO | Tradutora: Maia Luísa de Vasconcellos

*David Krieger é um dos fundadores da Nuclear Age Peace Foundation, e preside à mesma, desde 1982. É o autor e editor de muitos livros sobre os perigos nucleares, incluindo “ZERO: The Case for Nuclear Weapons Abolition = ZERO: O caso da Abolição das Armas Nucleares”.

Monsanto está virando o coveiro da Bayer

Posted: 18 May 2019 10:12 AM PDT

As notícias ruins não param desde que a empresa alemã adquiriu a fabricante americana de pesticidas. É hora de reconhecer o erro e agir, afirma o jornalista Henrik Böhme.

Basta pegar a calculadora: se cada processo envolvendo o glifosato que ainda aguarda julgamento – são 13.400 nos EUA – receber a mesma compensação por câncer que o casal Paar Alva e Alberta Pilliod – 1 bilhão de dólares para cada um – a conta total é de inacreditáveis 13 trilhões de dólares.

Uma coisa está clara desde o início: nunca a Bayer conseguirá pagar tudo isso. Seria o fim da empresa, depois de 156 anos de história e tradição.

Os coveiros têm residência no Missouri, nas proximidades de St. Louis. Até ser incorporada pela Bayer, a Monsanto era uma empresa independente, com ações negociadas em bolsa de valores. Era também uma empresa com uma fama dúbia e uma imagem péssima. Nada disso impediu Werner Baumann, que há três anos senta na cadeira de presidente na central de Leverkusen, de comprar esse abacaxi. Pela exorbitância de 59 bilhões de euros. Hoje a Bayer, na bolsa, incluindo a Monsanto, não vale mais nem 54 bilhões.

Tudo isso já havia tirado do sério os acionistas da Bayer, que, três semanas atrás, negaram à direção da empresa a aprovação de suas ações – foi a primeira vez que isso aconteceu a uma empresa do Dax, o índice que reúne as 30 maiores empresas da Bolsa de Frankfurt.

Só que as notícias ruins não param: no fim de semana, a imprensa francesa publicou que a Monsanto criou fichas secretas de políticos, cientistas e jornalistas, com nomes, telefones, endereços privados e até hobbys, num flagrante caso de desrespeito à privacidade de dados na França. As fichas deveriam servir para informar o quão “influenciáveis” seriam essas pessoas. Essa prática também teria ocorrido em outros países. A Bayer afirmou que não sabia de nada.

E certamente virão novas surpresas. Como resumiu o advogado do casal Pilliod, ao adquirir a Monsanto, a Bayer comprou “cem anos de corrupção e fraude científica”.

A empresa alemã deveria reconhecer o seu erro. Na prática, isso significa: chegar o quanto antes a acordos judiciais que a empresa esteja em condições de pagar. É uma tarefa difícil, pois a Bayer já precisa arcar com os custos da aquisição da Monsanto. Mas não há outra saída. Do contrário, a Monsanto será, de fato, o coveiro de uma multinacional alemã.

Henrik Böhme (as) | opinião | Deutsche Welle

Se a França cair

Posted: 18 May 2019 09:38 AM PDT

A revolta francesa nasce sobretudo numa “pequena classe média” branca, que se viu afectada pelas consequências sociais da globalização.

Teresa de Sousa | Público | opinião

1. É um clássico: os franceses não fazem reformas, apenas revoluções. É também um exagero, que serve apenas para descrever a particular identidade de um país com uma História que olha como gloriosa, que se vê, em momentos de euforia, como sendo ainda o centro do universo. Que alterna cada vez mais com uma profunda “malaise”, sempre pronta a explodir numa fúria incontida que normalmente derruba governos, desfaz reformas, mas raramente despede o ocupante do Palácio do Eliseu. É esta a história da V República, moldada pela personalidade do General De Gaulle e pela sua visão do poder – “La France c’est moi” -, onde a figura do Presidente da República Francesa funciona com o centro da vida política da França em redor do qual se organiza o poder, reservando ao primeiro-ministro o custo e a impopularidade da governação, um lugar secundário que pode ser sacrificado em caso de crise económica e social. Jaques Chirac, apesar do seu estilo caloroso e afável, ainda cumpriu este figurino. Alain Juppé, o seu primeiro-ministro, foi sacrificado quando a reforma das pensões levou milhões de franceses às ruas. Lionel Jospin, primeiro-ministro socialista que governou com Chirac em coabitação, tentou enfrentá-lo sem grande resultado. Quando resolveu desafiá-lo nas presidenciais de 2002, sofreu a tremenda humilhação de não passar à segunda volta, abrindo espaço a um confronto dramático entre o Presidente e o líder da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen. O resultado mostrou ainda uma França firme perante o desafio do nacionalismo e do extremismo. A disciplina republicana funcionou em pleno dando a Chirac uma vitória de 82% dos votos e anulando qualquer ambiguidade perante a ascensão da Frente Nacional.

2. Nicolas Sarkozy quis quebrar o molde, com uma presidência combativa e irreverente e um estilo que se afastava da figura que tinha o dever de encarnar a grandeza da França. Foi um Presidente de um só mandato. Acabou derrotado por um candidato socialista sem brilho e sem carisma, que chegou ao Eliseu com o propósito expresso de ser um “Presidente normal”. Mudou o estilo, mudaram os rituais, não mudou a sorte. François Hollande cumpriu apenas um mandato, com alguns actos simbólicos para agradar à esquerda mas de muito pouca substância. Não conseguiu reequilibrar a aliança franco-alemã, que está na base da integração europeia. Não conseguiu reformar. O seu “ministro-prodígio” haveria de impedir a sua recandidatura, fundar um partido a partir do zero, avançar para o Eliseu prometendo um “centrismo radical”, sem qualquer cedência à extrema-direita de Marine Le Pen ou à extrema-esquerda de Jean-Luc Mélenchon, destruindo pelo caminho o Partido Socialista e abanando fortemente a direita de Os Republicanos. Tudo em menos de um ano. Macron foi eleito numa onda de euforia. Prometeu uma revolução em França e uma refundação da Europa. Animou os governos europeístas da União Europeia. Berlim saudou-o como a oportunidade de ter finalmente o parceiro que tanto desejava: reformista, aberto e europeu. A boa e velha Europa, amarfanhada pela ascensão dos populismos e dos nacionalismos, dividida pela crise do euro e sobre o seu destino, rejubilou. Emmanuel Macron, 40 anos, intelectual brilhante, Júpiter de regresso ao Eliseu para restaurar o prestígio da França, acaba de descer à Terra. A esperança durou um ano. Não há a menor razão para regozijo. Quando Paris se incendeia, a Europa sofre um abalo profundo. Um desastre político e social em França seria, porventura, um golpe mortal.

3. O alcance europeu da crise francesa é evidente. Macron é o inimigo jurado dos movimentos e dos governos populistas, de Viktor Orbán a Matteo Salvini. Aliás, o próprio nunca enjeitou esse papel. “Macron deixou de ser meu adversário. Deixou de ser um problema meu. É um problema para os franceses”, disse Salvini. A popularidade do líder da Liga e vice-primeiro-ministro de Roma está em alta. A do Presidente francês em queda. Há um ano, a sua juventude e o seu dinamismo eram saudados por banhos de multidão na Europa. Trump é, ele próprio, a voz dos populistas, incluindo de muitos “coletes amarelos”. Disse ele: “Os contribuintes americanos [ao contrário dos franceses] não têm de pagar para limpar a poluição dos outros.” Antes tinha tweetado que o seu “amigo Macron” já tinha percebido “as razões pelas quais ele se tinha oposto ao Acordo de Paris [sobre o clima].” De Moscovo e de Ancara, suprema ironia, chegam os apelos para que a França “se abstenha de qualquer tipo de recurso excessivo à força”.

4. A revolta francesa não vem, como em 2005, dos banlieues das grandes cidades onde vivem várias gerações de imigrantes, muitos de origem magrebina. Não é a revolta dos excluídos ou dos desempregados, como diz o historiador francês Pierre Ronsavallon ao Le Monde. É a dos assalariados de salários modestos, pequenos empreendedores, artesãos e pequenos comerciantes. E de muitas mulheres. Nasce sobretudo numa “pequena classe média” branca, que se viu afectada pelas consequências sociais da globalização, que não vê a imigração com bom olhos, não por uma razão étnica ou religiosa, mas porque teme que ela a substitua nos empregos da indústria, do comércio ou de proximidade. Coincide, em boa parte, com os movimentos populistas que emergiram por quase toda a Europa. São os que ficam para trás, mesmo que vivam razoavelmente, que têm medo do futuro que já tiveram por certo e que hoje têm por incerto.

Sarkozy prometeu melhorar o nível de vida dos “franceses que trabalham”. Hollande prometeu a penalização dos ricos para uma melhor distribuição da riqueza. O imposto sobre as fortunas que decretou não enchia os cofres do Estado, mas tinha um efeito psicológico. Macron aboliu-o, justamente porque era apenas simbólico e afastava o investimento. Não basta dizer que o Presidente francês é arrogante, distante das pessoas, indiferente à realidade em que vivem. A arrogância pode alimentar momentaneamente a cólera e unificar os protestos. Mas há uma diferença: os manifestantes exigem a sua demissão. No primeiro ano de mandato, Macron fez aprovar todas as reformas que prometeu, depois de as negociar com patrões e com sindicatos. A sua ideia era libertar a economia e a sociedade francesa de espartilhos que cerceavam o crescimento e mantinham o desemprego elevado. A contestação nas ruas foi menor do que a que enfrentaram alguns dos seus antecessores quando quiseram mudar alguma coisa. Mas as percepções passaram a contar cada vez mais. De repente, o que muitos franceses viram foi um Presidente que “governa para os ricos”. As redes sociais desempenham o seu papel: dispensam a comunicação social, os partidos políticos, os sindicatos, o poder local, as organizações sociais. “Hoje é a palavra directa que se impõe como forma democrática; mas é, ao mesmo tempo, uma expressão confusa, que dificilmente se unifica e que é extraordinariamente vulnerável às teorias do complot e às fake news”, diz Rosanvallon. Um vídeo de disseminação veloz no Facebook diz que o Pacto Global para as Migrações, que a França se prepara para subscrever, visa “abolir as fronteiras para os imigrantes e promover a mistura racial em proveito de um supergoverno mundial”. “Macron prepara-se para vender a França à ONU e para aceitar a vinda de 480 milhões de imigrantes para a Europa.” Outros falam de um “governo paralelo” que ninguém vê, ou reivindicam a VI República (uma ideia de Mélenchon), uma democracia directa (como o 5 Estrelas de Di Maio). Outros ainda querem “uma mão de ferro para governar a França”. De novo Rosanvallon: “O termo ‘desigualdade’ não chega para traduzir este enorme passivo social e moral. (…) Esta revolta obriga-nos a olhar para a sociedade com um novo olhar. Precisamos de indicadores de dignidade e de desprezo, de guetização e de afastamento social, de apreensão dos medos e dos fantasmas, para apreender a realidade.” A heterogeneidade é tanto sociológica como ideológica. Há os activistas e os que os seguem. Mas há também “a câmara de eco e uma câmara de escuta”, muito mais ampla – a que permite que 70% dos franceses apoiem, em maior ou menor grau, esta revolta. O que vem a seguir ninguém sabe.

5. Entretanto, a elite europeia parece anestesiada. Em Bruxelas, os eurocratas preocupam-se com uma situação de excepção que leve Paris a não cumprir as regras do Pacto de Estabilidade. Um amigo contou-me que participou há três dias numa conferência em Bruxelas sobre a “autonomia estratégica” da Europa. O que se passa em Paris não constou de nenhuma das intervenções.

Futebol à portuguesa | Não há precedentes históricos que dêem esperança ao Porto

Posted: 18 May 2019 06:33 AM PDT

Última jornada

Jogam-se este sábado os encontros decisivos para a atribuição do título nacional: o Benfica entra na última jornada do campeonato com tudo a seu favor – está a apenas um ponto do título, defrontando em casa um descansado Santa Clara, e os números e a história estão claramente do seu lado, enquanto ao Porto somente um milagre na Luz e uma vitória caseira sobre o Sporting pode valer o bicampeonato.

Para os encarnados perderem o título seria necessário fazerem aquilo que ainda não fizeram desde a chegada de Bruno Lage ao comando técnico da equipa: sofrerem uma derrota no campeonato. Somam 17 vitórias em 18 jogos (a exceção foi o 2-2 caseiro com o Belenenses na Luz), um percurso quase limpo que permitiu uma recuperação que pouca gente esperava.

Ora, nunca na história da liga portuguesa (iniciada em 1934) um líder à entrada da última jornada perdeu o campeonato por causa de uma derrota na derradeira ronda da prova.

 

A única situação em que se deu uma troca de posições entre primeiro e segundo classificados na última jornada aconteceu em 1955, quando o líder Belenenses empatou em casa com o Sporting (e esteve a vencer até aos 86 minutos de jogo) e perdeu o campeonato para o Benfica, que nessa ronda venceu na Luz o Atlético, por 3-0).

Recorde-se que na situação atual o Benfica, além de não receber um grande (que ainda por cima era então tetracampeão), até pode empatar neste último jogo.

Campeão em caso de empate

Fomos procurar na história casos em que o líder entrava na última jornada sabendo que até podia empatar em casa para ser campeão. A derradeira ocasião em que tal sucedeu foi em 2009/10, quando o Benfica recebeu e bateu o Rio Ave, com dois golos de paraguaio Cardozo (que lhe valeram a Bola de Prata após disputa com o portista Falcão). À mesma hora o Braga, que matematicamente ainda podia chegar ao título se o Benfica perdesse, não conseguiu melhor do que empatar (1-1) em casa do Nacional de Madeira.

A situação anterior nestas condições teve lugar mais de trinta anos antes, em 1978/79: após uma intensa luta com o Benfica, o Porto precisava somente do empate na última jornada nas Antas, perante o Barreirense, e venceu por 4-1, garantindo o bicampeonato (após os tais 19 anos sem vencer o título). Cenário semelhante viveu o Benfica em 1968, goleando (8-0) o Varzim na Luz, quando o empate lhe bastava, com seis golos de Eusébio, que assim conquistou a primeira Bota de Ouro da história, batendo a concorrência do também famoso goleador alemão Gerd Muller.

Os dois outros casos parecidos aconteceram na longínqua década de trinta: em 1939, o Porto empatou a três golos no seu campo da Constituição com o Benfica, resultado que lhe garantiu o título mesmo à tangente, e em 1937 os encarnados até podiam empatar em casa na última ronda mas não fizeram por menos e golearam (6-0) os portistas.

Ou seja, em cinco casos do mesmo tipo nunca a equipa da casa, sendo líder do campeonato, desperdiçou a vantagem de poder empatar na derradeira ronda para chegar ao título. E quase sempre venceu por números claros.

Aliás, não costuma mesmo haver grandes dramas para os líderes na última jornada: em 30 casos de disputa até ao derradeiro jogo, 29 foram favoráveis aos líderes. A exceção é mesmo o Belenenses de 1955, como vimos atrás.

O teste final para o Benfica de Lage

À história juntam-se outros números para que que quase ninguém acredite realmente que o Benfica possa perder o campeonato na última ronda, perante o seu público, face a uma equipa descansada na tabela.

Fomos dar uma espreitadela às casas de apostas e, num apanhado geral, estas calculam em 4% as probabilidades do Benfica perder em casa com o Santa Clara. E convém lembrar que a estas probabilidades há ainda que juntar a necessidade do Porto vencer o Sporting para ser campeão, em caso de derrota dos encarnados.

Independentemente do que acontecer este sábado, esta foi uma longa luta a dois: recorde-se que à jornada 22, com a derrota do Braga em Alvalade, Porto e Benfica ficaram claramente isolados na frente da Liga: o Porto com 54 pontos e o Benfica com 53.

Depois disso, foram 11 jornadas em que as duas equipas ganharam quase sempre. Os encarnados somaram 10 triunfos e os portistas nove. Como acontecera na época anterior, o campeonato terá ficado decidido no jogo entre os dois conjuntos, com a derrota da equipa que ia à frente na sua própria casa perante o rival direto (desta vez à 24ª jornada, no Dragão; na época passada fora à jornada 30, na Luz).

Agora, perante o Santa Clara, no jogo da verdade, os encarnados apenas têm que manter o seu desempenho na prova (sem derrotas), desde a chegada de Bruno Lage, para serem campeões, podendo mesmo chegar ao golo 100. Têm nesta altura 99, mais 27 do que o Porto e 28 do que o Sporting). Não se confirma assim a ideia de que os ataques ganham jogos mas as defesas vencem campeonatos (o Benfica tem 30 golos sofridos contra 19 do Porto)

Note-se que, com Lage, o Benfica marcou 68 golos em 18 jogos (3,8 por encontro), contra 31 golos nos primeiros 15 jogos (exatamente o mesmo número do Porto). Nesse sentido, o Porto manteve mais ou menos a média de dois golos por jogo desde aí, enquanto o Benfica quase a duplicou.

Curiosamente, em todo o campeonato o Benfica tem sofrido a maioria dos golos em casa (16 contra 14), marcando também mais em casa (59 do total de 99). Isto dá um resultado médio caseiro de quase 4-1.

Mas convém perceber que nem tudo poderão ser facilidades na derradeira partida na Luz. O Santa Clara é uma das únicas seis equipas com saldo de golos positivo no campeonato, a par dos quatro primeiros e do Vitória de Guimarães, e como tal poderá não ser o convidado mais agradável para a “festa”. Isto também porque:

– O Santa Clara é a sexta equipa do campeonato com melhor desempenho fora de casa, logo a seguir aos cinco primeiros, com seis vitórias, quatro empates e seis derrotas

– Os açorianos têm a terceira melhor defesa fora de casa, com somente 15 golos sofridos (contra 18 do Sporting, 14 do Benfica e 11 do Porto)

– Apenas perderam três vezes por dois golos de diferença e nunca por três ou mais.

– No Dragão, em Alvalade e em Braga perderam sempre por 1-0.

– É uma das quatro equipas (juntamente com os três grandes) que tem apenas uma derrota nos últimos seis jogos – nos quais curiosamente somente venceu um, empatando quatro.

– É a melhor equipa da liga fora do círculo dos três grandes em termos de golos obtidos na sequência de bolas paradas (sem contar penáltis).

Apesar de tudo isto, o histórico de confrontos entre Benfica e Santa Clara é claramente favorável aos encarnados: em oito jogos, sete vitórias do Benfica e um empate, com 13 golos marcados e dois sofridos. Em casa das águias, estas conseguiram o pleno: quatro jogos, quatro vitórias (somente um golo concedido).

Finalmente, deve dizer-se que no jogo da Luz há ainda essa luta particular de Seferovic para ser o melhor marcador do campeonato: tem neste momento 21 golos, mais um do que Bruno Fernandes. Mas até poderá muito bem acontecer que Bruno Fernandes não vá a jogo no Dragão, por estar em risco de exclusão da final da Taça se vir um cartão amarelo perante o Porto.

Nota: Este foi o tema central do programa Números Redondos desta semana (na antena da TSF, às sextas-feiras, às 20.30) – que pode ouvir aqui, na íntegra – no qual abordamos ainda a “final” da luta pela manutenção entre Tondela e Chaves e destacamos os números do treinador bicampeão inglês Pep Guardiola.

TSF

Futebol à portuguesa | Entre Águia e Dragão quem será o campeão?

Posted: 18 May 2019 03:59 AM PDT

HOJE: Santa Clara na Luz não pode ficar às escuras, a não ser que o Benfica o apague. Porto recebe o Sporting, no estádio do dragão o leão vai ficar à solta ou será caçado pelos homens do norte? Respostas só depois das 8 horas da noite se ambos os confrontos tiverem inicio pontualmente à hora prevista, 6.30 da tarde. É certo que Benfica ou Porto podem almejar justamente o título de campeão. E consegui-lo. Hoje pode ficar definido. Certezas, talvez só no final de ambos os jogos. A ver vamos. (PG)

Para uma ‘Reconquista’ Santa, a águia terá que ser… Clara

Benfica recebe o Santa Clara, este sábado, a partir das 18h30, num jogo que poderá valer o título.

Quando no passado dia 3 de janeiro Bruno Lage foi anunciado como sucessor de Rui Vitória no cargo de treinador da equipa principal do Benfica, grande parte dos adeptos já não acreditavam no título. Os encarnados ocupavam o quarto lugar, a sete pontos do líder FC Porto e a derrota em Portimão tinha confirmado o pior cenário: uma destroçada, incapaz, sem ideias e, sobretudo, descrente.

No entanto, quatro meses e meio depois, a transformação é total. O clube da Luz respira confiança, encanta com um futebol de classe e magia e está a um passo de conquistar o 37.º título da sua história, precisando apenas de um ponto na receção ao Santa Clara para voltar a ‘pintar’ o Marquês de vermelho.

 

O mérito, como tem sido sublinhado por inúmeras ocasiões ao longo deste período, é repartido por jogadores, equipa técnica, estrutura e, claro, adeptos. No entanto, há um nome que tem que ser enaltecido: Bruno Lage.

A desconfiança inicial que gerou nos adeptos após a sua oficialização rapidamente deu lugar a um sentimento de crença, entusiasmo e orgulho. O antigo líder da equipa B provou ser o homem certo e, jogo após jogo, conduziu o Benfica a este dia que poderá ser histórico. Sempre com os pés na terra, tranquilo e focado apenas no trabalho diário, o treinador de 43 anos devolveu a esperança à nação encarnada e agora, na antevisão da partida com os açorianos, voltou a pedir a união entre todos.

O pontapé de saída está agendado para as 18h30 deste sábado, num Estádio da Luz lotado, com mais de 60 mil espetadores na bancadas. Jorge Sousa, da AF Porto, será o juiz encarregue de dirigir a partida que poderá voltar a colocar as águias no topo do futebol português.

As palavras dos treinadores

Bruno Lage:

– “Vamos encontrar um adversário muito competente, que fez um campeonato muito bom, com uma manutenção histórica acima dos 40 pontos e com prestações muito interessantes frente a Sporting, FC Porto e Sp. Braga. É um adversário que sabe fechar os caminhos da sua baliza, mas que quando tem bola também sabe o que fazer. Gosta de sair curto, de jogar para atrair e criar oportunidades de perigo. Perspetivamos um jogo difícil e como tal precisamos de estar no nosso melhor para vencer esta última ‘final’.”

– “Eu acho que não me foi pedido nada [no dia da oficialização enquanto treinador do Benfica]… Na situação em que nós estávamos, tínhamos que preparar e fazer o possível. A questão tinha que ser por fases. A primeira era começar a jogar bom futebol e a vencer jogos para reconquistar os adeptos. Eu penso que a partir do quarto, quinto ou sexto jogo passámos a sentir isso. As pessoas iam ver o tipo de Benfica que se ia apresentar num futuro próximo. E ali em determinada altura as coisas começaram a ligar-se. Começou a notar-se mais uma apoio enorme em casa, fora de casa, às chegadas ao hotel e nós fomos sentido isso. Depois, foi agir com naturalidade e as coisas foram acontecendo. Fomos vivendo o dia a dia, jogando jogo a jogo, até chegarmos a esta situação.”

– “Prepara-se tudo da mesma maneira. Nós desde que chegámos que sabíamos que não podíamos perder mais pontos, não podíamos falhar. E todos os jogos tem sido nessa intenção. Olhamos um pouco para o nosso adversário, preparamos a nossa estratégia e entramos no jogo assim. Todos os jogos têm sido nesse sentido. Não há espaço para perder pontos e isso só se consegue se tivermos concentrados no nosso trabalho. Tem sido a nossa maneira de estar, com a maior naturalidade e equilíbrio.”

João Henriques:

– “Queremos fechar esta época da melhor forma, apresentando o que foi a imagem de marca do Santa Clara esta época: boa qualidade de jogo, uma equipa com personalidade, organizada, à procura do resultado.”

– “Este é um jogo que todos querem jogar, os jogadores sabem que olhos de milhões de pessoas estão neste jogo, e tudo o que façam de bem feito é sobrevalorizado.”

“O Benfica tem goleado os adversários. Precisamos de ter um desempenho de todo e de estar com os índices de concentração e foco no máximo.”

Notícias ao Minuto | Foto: Global Imagens

Dragão e Leão jogam Clássico com um olho na Luz… e outro no Jamor

Pontapé de saída está agendado para as 18h30 deste sábado no Estádio do Dragão.

FC Porto e Sporting defrontam-se este sábado em jogo da 34.ª e última jornada da I Liga. Dragões e leões têm aspirações diferentes no campeonato, mas há algo que os une: voltarão a defrontar-se precisamente daqui a uma semana, na final da Taça de Portugal.

No jogo desta tarde, o FC Porto vai entrar em campo com hipóteses matemáticas de chegar ao título. No entanto, para que tal aconteça o Benfica terá de perder, à mesma hora, na receção ao Santa Clara que decorrerá no Estádio da Luz.

Por seu turno, o Sporting já não irá além do terceiro lugar em que está e Marcel Keizer admitiu que o jogo mais importante acontecerá no Jamor, na final da Taça de Portugal.

Um Clássico é sempre um Clássico, mas, justiça seja feita, este será um dos menos importantes na história do Sporting. Por seu turno, o FC Porto precisa de vencer e esperar um valente deslize do Benfica na Luz. Porém, já se sabe que no futebol tudo pode acontecer.

O apito inicial desta partida será dado por Fábio Veríssimo às 18h30.

Sérgio Conceição em discurso direto

Jogo com o Sporting: “É um Clássico. Esperamos nestes tipo de partidas bons jogos, dentro daquilo que são duas equipas competitivas. Espere que possamos no final do jogo estar contentes no sentido de ganharmos os três pontos e percebermos que o rival tenha perdido três pontos. Temos de ganhar o nosso jogo e depois vemos o que acontece.”

Possibilidades do Benfica perder: “Sabemos que é difícil que isso aconteça, mas há uma coisa que lhe digo: Não atiramos a toalha ao chão. No FC Porto ninguém desiste. Ninguém vai para o jogo a pensar que já acabou. Há dois títulos em disputa e matematicamente no campeonato ainda há possibilidade de ganhar. É isso que temos estar focados. Fazer o nosso trabalho e o nosso jogo. E premiar os adeptos com uma vitória e uma boa exibição. Esse foi o nosso foco durante a semana. A partir daí já não podemos saber o que vai acontecer.”

Final de época (como gostava de ser recordado): “Acho que o mais importante, independentemente de ganhar ou não, era que o vencedor fosse um justo vencedor. Isto não é mais uma frase dita. Acho que sobre isso o nosso presidente já falou. Aqui fala-se a uma só voz. Ele falou e eu assino por baixo.”

Marcel Keizer em discurso direto

FC Porto – mudança face à Taça da Liga: “Penso que são uma equipa muito organizada, muito fortes fisicamente, jogaram a Champions e ainda estão a lutar pelo título. São uma equipa muito forte contra quem vamos jogar dois jogos.”

Último jogo antes da final: “Não, porque se estivessemos à espera deste jogo para afinar a estratégia estávamos mal. Não é um jogo importante para os pontos, mas para o prestígio. O jogo da próxima semana é mais importante para nós.”

Sporting com uma palavra no título: “Os dois clubes estão a lutar pelo título, mas o Sporting tem de fazer o seu jogo. Temos de jogar para os nossos adeptos e estamos só preocupados com o nosso jogo e performance.”

Os 11 da frente na classificação

Notícias ao Minuto | Foto: Global Imagens

Portugal | Mais do que o «lapso», importava a responsabilidade do CDS-PP

Posted: 18 May 2019 02:16 AM PDT

A notícia não devia ser o lapso de Nuno Melo quanto à fundação de Joe Berardo, mas antes que os «berardos» desta vida não existem desligados de interesses pelos quais os centristas dão a cara.

AbrilAbril | editorial

Em tempo de campanha eleitoral, quase tudo o que (alguns) candidatos afirmam se torna viral. Ontem, foi a vez do já conhecido «lapso» do cabeça-de-lista do CDS-PP, Nuno Melo, que trocou o nome à fundação de Joe Berardo onde foram parar mais de 350 milhões de euros do banco público para comprar títulos do BCP.

Uma semana depois do circo mediático do madeirense na Assembleia da República, que fez corar de raiva quem diariamente luta pela sobrevivência, o assunto ainda mexe. «É natural», dirão os leitores. Pois é! Mas aproveitá-lo para branquear responsabilidades e fazer de conta que os «berardos» desta vida existem desligados de interesses pelos quais os centristas dão a cara, isso sim, devia merecer escrutínio.

A indignação de Nuno Melo e toda a discussão em torno das comendas atribuídas ao empresário, que (agora todos parecem estar de acordo) lhe deveriam ser retiradas, não é mais do que uma tentativa de branquear o passado.

 

Da mesma forma que, em tempos, o País estendeu a passadeira a Joe Berardo, também o CDS-PP teve gente sua nas cadeiras de administração do banco público, de onde partiram muitos dos desmandos que levaram ao buraco financeiro. Por outro lado, convém não esquecer os planos dos centristas para privatizar a CGD, no último governo com o PSD.

Num ano marcado pelo debate sobre a divulgação de notícias falsas vs. a necessidade de mais rigor por parte dos órgãos de comunicação, e quando os populismos avançam em nome do «desinteresse» dos cidadãos pela política, seria bom aproveitar a oportunidade dos actos eleitorais para esmiúçar o historial dos candidatos e respectivos partidos.

Primeiro, para se perceber que não são todos iguais e, não menos importante, para avaliar quem realmente está interessado em servir o interesse nacional.

Foto: Nuno Veiga / Agência LUSA

Portugal | Vilões e sistema parasita

Posted: 17 May 2019 09:31 PM PDT

Manuel Carvalho da Silva* | Jornal de Notícias | opinião

O significativo debate público e o comentário político sobre a “descomendarização” de Joe Berardo necessitam de alguma arrumação para nos focarmos no que é fundamental.

Berardo é um indivíduo um pouco tosco e não é filho de “boas famílias”. Essa condição propicia à Direita uma oportunidade única de se mostrar indignada com vilões e malandros e de, com essa atitude, procurar esconder o que é sistémico e deve ser resolvido. Enquanto vilão que é, este senhor terá de ser punido, obrigado a pagar as dívidas e ainda ser penalizado por obrigações que não cumpriu. Mas, ele é apenas um de muitos oportunistas que ao longo de décadas se aproveitaram das práticas promíscuas e de leis feitas à medida pelo centrão de interesses que nos tem governado.

É preciso uma identificação dos negócios desastrosos e das promiscuidades entre interesses públicos e privados: quais as suas causas e consequências e de quem foram os seus responsáveis, numa perspetiva sistémica e não num exercício de tiro ao alvo. Não podem passar impunes os banqueiros pilha-galinhas, os seus amigos credores privilegiados, os falsos “empresários de sucesso” (andam por aí discretos mas não desativados) tão vergonhosamente incensados em atos políticos e na Comunicação Social.

 

Não podemos permitir o parasitismo que tem tolhido o país e agravado as injustiças. Reparemos no que se passa com a Banca. Depois de receber mais de 20 mil milhões de euros de dinheiro público continua, com todo o à-vontade, a parasitar a sociedade portuguesa. Agora, que os bancos se gabam de estar a voltar aos lucros, seria de esperar práticas mais justas, mas não. O que está a acontecer é que todos, incluindo o banco público gerido como se fosse privado, se lembraram, de forma concertada ou não, de aumentar as comissões – as taxas e taxinhas – sobre toda a qualidade de transações.

Num sistema em que os cidadãos são dependentes dos serviços bancários, nem que seja pelo facto de serem obrigados a receber os ordenados, os vencimentos e as pensões por transferência, aumenta a comissão sobre um simples levantamento de numerário ao balcão, sobre a atualização de uma caderneta da CGD, sobre um pagamento por transferência e ainda, como cereja em cima do bolo, a “taxação” dos levantamentos nos multibancos. Apanham o povo prisioneiro deste parasitismo e teimam na missão de o ensinar a viver com menos rendimentos.

É tempo de se concluir que há algo de muito errado com a Banca. Algo que não pode ser corrigido com mais regulação, sobretudo quando os reguladores são intérpretes daqueles cambalachos e gente que veio da própria Banca, ou a ela tenciona regressar, no final dos seus mandatos. Os bancos são entidades que prestam um serviço público, são de missão pública por natureza. São os cidadãos que pagam a fatura quando as coisas correm mal, se bem que não seja o público que recebe quando as coisas correm bem. O que está então fundamentalmente errado? É a “concessão” dos serviços bancários a entidades privadas, que os gerem a seu belo prazer, apenas com o intuito de maximizar os lucros dos seus acionistas.

No que à retirada de comendas diz respeito, se for constituída uma comissão com essa missão ela vai ter um trabalho muito prolongado.

*Investigador e professor universitário

Chelsea Manning de novo na prisão por “entrave à Justiça”

Posted: 17 May 2019 09:01 PM PDT

Chelsea Manning esteve presa durante sete anos por ter transmitido à Wikileaks em 2010 mais de 750 mil documentos diplomáticos e militares. Tinha sido libertada há uma semana.

Um juiz federal norte-americano ordenou o regresso à prisão da antiga analista militar Chelsea Manning, por “entrave à boa marcha da justiça” ao recusar responder a perguntas num inquérito à actividade da Wikileaks, de Julian Assange.

Manning, que já passou sete anos atrás das grades por ter transmitido uma quantidade colossal de informações militares e diplomáticas à Wikileaks em 2010, foi detida à saída de uma audiência num tribunal de Alexandria (Virginia).

O juiz Anthony Trenga disse que Manning incorre numa multa diária de 500 dólares se continuar a recusar cooperar ao fim de 30 dias de detenção, e de mil dólares por dia depois de 60 dias de detenção.

 

Chelsea Manning já passou sete anos detida por ter transmitido à Wikileaks em 2010 mais de 750 mil documentos diplomáticos e militares, cuja publicação colocou os EUA em situações embaraçosas.

Permanecerá detida até aceitar falar ou até ao até que o júri do inquérito em curso termine o seu mandato de 18 meses, diz o jornal The Washington Post.

Manning já tinha sido detida a 8 de Março pelo mesmo motivo – a ex-militar considera o processo “opaco” e pouco democrático – e foi libertada porque o mandato do chamado Grande Júri (usado nos casos penais mais graves ou para conduzir uma investigação confidencial) tinha expirado; foi constituído um novo.

“Não vou abdicar dos meus princípios. Prefiro, literalmente, morrer de fome do que mudar de opinião”, disse na quinta-feira, antes de ser reenviada para a cadeia.

Público | Lusa | Foto: Chelsea Manning esteve presa durante 7 anos / Lusa-Shawn Thew

Austrália pode fazer pisca à esquerda nas eleições mais renhidas da última década

Posted: 17 May 2019 08:49 PM PDT

Bill Shorten

As sondagens dão uma pequena vantagem ao Partido Trabalhista, mas é possível que nenhum partido alcance a maioria. Numa Austrália cada vez menos dividida em apenas dois campos ideológicos, os pequenos grupos populistas e de extrema-direita vão ganhando apoio.

Alexandre Martins | Público

Ao fim de seis anos de uma governação de centro-direita na Austrália, marcada por divisões internas no Partido Liberal, uma economia em passo lento e políticas de imigração cada vez mais restritivas, os eleitores australianos parecem dispostos a devolver o poder ao centro-esquerda nas eleições legislativas deste sábado.

Pelo menos é essa a tendência das sondagens, ainda que a distância entre os dois maiores partidos seja tão curta que ninguém arrisca fazer apostas no jogo das certezas absolutas.

O cenário de grande incerteza pode também levar a um beco sem saída quando as previsões iniciais forem anunciadas, a partir das 20h de sábado (hora local, 11h da manhã em Portugal continental): é possível que tudo acabe num parlamento sem nenhuma maioria e com pouca vontade de fazer acordos.

E se isso acontecer, será apenas a terceira vez que em quase 120 anos que a Câmara dos Representantes australiana arranca sem uma maioria – ou do Partido Trabalhista (centro-esquerda) ou da velha coligação entre o Partido Liberal e o Partido Nacional Australiano (centro-direita).

 

Surpresas de última hora

Nos últimos dias da campanha eleitoral, a discussão sobre os grandes temas deu lugar a dois casos que podem ter influência na hora do voto, e que servem para ilustrar o actual ambiente conturbado na política australiana.

Num momento em que se discutia as propostas fiscais muito distintas dos dois maiores partidos – o corte de impostos do centro-direita contra o aumento dos gastos sociais do centro-esquerda –, o Partido Trabalhista viu-se no centro de uma campanha de desinformação amplificada pela extrema-direita. Nas redes sociais multiplicaram-se as acusações de que um governo trabalhista iria aplicar uma taxa de 40% sobre as heranças – uma proposta que não está no programa dos trabalhistas e a que o partido chamou “fake news”.

Mas é impossível saber que impacto terá este caso nas eleições, como salientou a editora de política australiana no jornal Guardian, Katharine Murphy: “Esta fake news está a circular muito pelo Facebook, aparentemente de forma orgânica, por isso não há muito a fazer. Se a refutam, estão a falar dela. Se não a refutam, ficam à mercê da invenção.”

Do outro lado, o Partido Liberal viu-se no meio de um escândalo que abala a credibilidade do primeiro-ministro, Scott Morrison, perante o seu eleitorado anti-imigração.

Como ministro da Imigração e do Controlo das Fronteiras, entre 2013 e 2014, Morrison proibiu a entrada de barcos com requerentes de asilo em águas australianas e reforçou o plano de transferência dos que conseguem chegar a terra para centros de detenção em ilhas no Pacífico – uma política muito criticada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. No seu gabinete de primeiro-ministro, Scott Morrison tem um pequeno modelo de um barco de transporte de migrantes – com a inscrição “Eu parei estes”.

Mas na quinta-feira, o site norte-americano Politico revelou que o governo australiano fez um acordo secreto com os EUA, em 2016, que pôs o actual primeiro-ministro na defensiva nas últimas horas de campanha. Nesse acordo, a Austrália aceitou receber no país, como “imigrantes humanitários”, dois ruandeses acusados do assassínio de oito turistas no Ruanda, em 1999, incluindo dois cidadãos norte-americanos – o processo nos EUA chegou a um impasse quando um juiz norte-americano deliberou que os dois suspeitos, antigos membros de um grupo armado da maioria hutu, foram torturados no seu país.

O acordo foi feito pelo então primeiro-ministro, Michael Turnbull, mas o seu sucessor, Scott Morrison, viu-se obrigado a explicar que os dois ruandeses foram investigados de forma exaustiva antes de terem sido aceites – ao mesmo tempo que o seu governo se opõe à transferência de refugiados doentes dos centros de detenção no Pacífico para hospitais na Austrália, mediante uma avaliação de dois médicos aprovada por um painel de outros cinco médicos.

Eleitores de costas voltadas

Seja qual for o resultado das eleições de sábado, o maior problema político do país não vai desaparecer tão cedo. A desconfiança e a desilusão dos eleitores com os dois principais partidos, que tem aberto caminho ao aparecimento de pequenas formações e candidatos populistas, nunca foram tão vincadas desde o fim da II Guerra Mundial.

Numa sondagem feita antes das últimas eleições legislativas, em 2016, 40% dos quase 3000 inquiridos disseram que estão descontentes com a democracia australiana; 56% disseram que o governo do país apenas responde a um punhado de grandes interesses; e 74% disseram que os políticos no governo “só querem cuidar de eles próprios”.

A desilusão de muitos eleitores, num sistema que garante uma grande afluência às urnas porque o voto é obrigatório sob pena de multa, agravou-se na última década.

Em 2010, os trabalhistas só conseguiram maioria com o apoio de independentes e dos Verdes, uma solução de recurso que nunca tinha acontecido nos 70 anos anteriores, desde 1940.

E depois disso, o cenário ficou ainda mais complicado para o histórico bipartidarismo australiano. Desde 2010, o país já teve cinco primeiros-ministros, incluindo uma troca de chefes de governo na coligação de centro-direita, em Agosto do ano passado, quando Scott Morrison substituiu Malcolm Turnbull no auge de uma luta interna pela liderança do Partido Liberal.

No sábado, as atenções vão estar centradas na Câmara dos Representantes, onde a coligação de centro-direita agarrou a maioria à tangente em 2016, com os 76 lugares necessários para se governar sozinho na Austrália.

As sondagens indicam que o governo do primeiro-ministro Scott Morrison está em risco, e que os trabalhistas de Bill Shorten podem recuperar sete deputados e garantir os mágicos 76. Mas os analistas aconselham muita cautela.

“Há coisas que só podemos perceber na noite de sábado”, disse o director da empresa de sondagens Essential, Peter Lewis, num artigo publicado no jornalGuardian. “Ainda que os progressistas [trabalhistas] devam pôr o champanhe no gelo, também devem ter à mão algum whisky, à cautela.”

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Publicado por

chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL