o grande falhanço da autonomia Osvaldo Cabral

O grande falhanço da Autonomia

Os números são aterradores: os Açores têm 89 mil pessoas na situação de pobreza ou exclusão social, 77 mil em risco de pobreza e o dobro da média nacional em situação de privação material severa.
O estudo foi efectuado pelo Instituto Nacional de Estatística, de que já demos conta na edição de quarta-feira, mas que merece nesta edição, nas páginas 6 e 7, um maior desenvolvimento e com mais gráficos explicativos.
Temos a maior taxa de risco de pobreza do país (31,6%), quando a média nacional é de 17,3%.
Temos o rendimento médio mais baixo de todas as regiões (7.517 euros anuais), menos 1.829 euros em relação ao valor nacional.
As proporções de pessoas com menos de 60 anos que viviam em situação de intensidade laboral per capita muito reduzida são mais elevadas nos Açores (11,8%), quando a média nacional é 7,2%.
Ou seja, o número de pessoas com menos de 60 anos, que vivem em agregados com intensidade per capita muito reduzida, é de 23 mil nos Açores.
A taxa de privação material severa nos Açores é de 12% (29 mil pessoas), exactamente o dobro da média nacional.
A privação material, como explica o INE, é a impossibilidade de acesso a um conjunto de necessidades económicas e bens duráveis, constituindo também um factor potenciador do risco de exclusão social.
Ou seja, como se pode verificar nos três indicadores de base – pobreza, privação material e intensidade laboral reduzida –, o risco de pobreza ou exclusão social é muito mais elevado nos Açores (36,4%) e aumentou em relação ao ano anterior.
Tudo isso dá que pensar e deveria merecer uma profunda reflexão por parte de todas as instituições responsáveis desta região, em vez de andarem entretidos no parlamento com sacos de plástico e palhinhas.
É por viverem fora da realidade das nossas ilhas, que esta região está sempre na cauda de tudo.
Estes números comprovam que a nossa região falhou, em toda a linha, nestes mais de 40 anos de Autonomia.
Derramamos milhões e milhões de euros por estas ilhas, umas mais do que outras, e os índices de pobreza mantêm-se elevados e as desigualdades são cada vez maiores, como demonstra o relatório do INE.
Como é que os cidadãos hão-de acreditar nas instituições e nos agentes políticos, que promoveram os modelos e as estratégias de desenvolvimento, sem atinarem com o sucesso social das populações?
Criou-se uma região de subsidiodependência que não gera riqueza nenhuma e promove ainda mais desigualdades e pobreza.
É triste chegar a este ponto, mas a realidade há muito que não desmentia: falhámos todos e estes números trágicos do INE só vêm comprovar que a Autonomia Regional falhou.

Diário dos Açores 12-05-2019

Image may contain: Osvaldo José Vieira Cabral, smiling, text

Comments
Write a comment…
Please follow and like us:
error

Publicado por

chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL