RELHEIRAS DA ILHA TERCEIRA

Foi apresentada no VIII FIPED (Fórum Internacional de Pedagogia-Portugal) a comunicação: “Relheiras. uma estrada para o passado”, da autoria de Joao Luis Esquivel, Rui Brasil, Tania Rebelo, Margarida Croft, André Vieira e Félix Rodrigues.

Problema em estudo. Em Portugal são referenciados muitos monumentos como sendo “relheiras”, mas no caso do vertente estudo foi dado ênfase a algumas que existem na ilha Terceira porque estas estruturas açorianas carecem de atrativo e poderiam ser mais informadas. Assim, é possível, acrescentar mais informação sobre elas, nomeadamente, sobre os paralelismos com outras ocorrências semelhantes noutros locais, das hipóteses que se colocam sobre a sua origem e do mistério, que de momento, representam. A valorização destes monumentos contribuirá certamente para dar valor acrescentado à oferta turística e científica dos Açores com a vinda de curiosos e investigadores.
Objetivos. Pretende-se com este trabalho comparar estruturas que se encontram um pouco por todo o mundo, designadas por “cart ruts”, cuja tradução literal do termo em inglês apesar de não ter verbete nos dicionários Oxford ou Cambridge tem, na Internet, um sítio dedicado ao termo que dá uma definição mais específica: “marcas de rodado feitas na rocha com uma largura de eixo de aproximadamente 140 cm” com as designadas “relheiras” da Terceira, que significa, de acordo com vários dicionários de língua portuguesa: “sulco que as rodas de carros deixam na terra”.
Metodologia. A análise tipológica ou comparação tipológica ajuda ao entendimento da evolução tecnológica dos objetos porque tem como pressuposto que as sucessivas gerações de um mesmo objeto herdam das anteriores as características tipológicas. Assim, crê-se ser possível contextualizar os sulcos em rochas da ilha Terceira através de uma leitura da distribuição geográfica do fenómeno global dos “cart ruts”, sem deixar de considerar as explicações etnográficas locais que têm sido atribuídas ao fenómeno “relheiras”.
Resultados e Discussão. Tendo em conta a definição de “cart ruts” como sulcos com uma largura entre eixos fixa de 140 cm, as relheiras da ilha Terceira, possuem nalguns casos uma grande variabilidade de largura entre eixos, variando entre os 127 cm e os 168 cm num mesmo traçado (Passagem das Bestas) pelo que caiem na tipologia global dos “cart ruts”, mas também saem fora dela. Se compararmos cruzamentos entre sulcos de relheiras de um mesmo sistema, a sua tipologia não se afasta do conceito de “cart ruts” que tem uma distribuição geográfica mundial muito ampla. As profundidades de sulcos das relheiras da Terceira têm uma enorme variabilidade à semelhança do que ocorre com outras relheiras, como por exemplo, em Malta.
Conclusões & Recomendações. Para acrescentar outro tipo de informação à que existe sobre as relheiras da Terceira seria importante estudar que tipo de veículos e que capacidade de carga poderia aí ter passado sem que esses sulcos fossem destruídos. Como esses sulcos se encontram em vários tipos de rocha vulcânica na ilha Terceira seria útil fazer esse estudo, que será muito mais complexo do que os de Malta, porque aí os tipos de rochas existentes são sempre muito semelhantes e de natureza sedimentar.
A imagem aqui apresentada foi gentilmente pelos seus autores Paulo Pereira e TVI.

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chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL