insanidade espacial para a ilha de santa maria

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Carlos De Bulhão Pato Sempre me imaginei cosmo/astronauta.
A ideia de viajar no espaço fascina-me. Sou subscritor da posição da ISS ou EEI e sempre que posso ou é possível, vou para o exterior vê-la passar e aceno-lhes. O nosso futuro como espécie é emigrar, disso não tenho dúvida.
Cabe-nos entretanto, viver bem, numa casa limpinha, tal como alguns de nós aprenderam.
Esta é a minha declaração de interesses.
Lançamento de satélites em Santa Maria, por favor, a toda a força: Lançamentos horizontais, por avião, uma tecnologia mais que explorada e com sucesso. Vantagens: são só aviões que Santa Maria já conhece, reabilitação da pista e instalações adjacentes e necessárias, vinda de uma nova geração que tudo terá a aprender com a sua vivência na ilha e que muito boa energia de certeza deixará. Tudo a ganhar.
Lançamento vertical através de rampa de lançamento: Portas da Cidade, em Ponta Delgada, um pouco mais complicado, por causa das escadas, Portas do Mar. Também pode ser na Praça Velha, em Angra, ou mesmo na Marina da Horta, sem despeitar os desejos dos restantes ilhéus que o querem ao pé da porta. A coisa é mesmo segura. “Não tejas medo” como diz o Bruno Nogueira.
Malbusca é um pouco as Sete Cidades de S. Miguel, pela beleza e recato.
Os 6 milhões de investimento na ilha previstos no programa de lançamento de foguetões, só podem ser para uma via rápida por cima da Praia Formosa. De outra forma os foguetões não chegarão a Malbusca, nem subindo a estrada da Praia, nem atravessando a ilha toda para vir pelo caminho de Santo Espírito. São cerca de 17 metros, em cima de uma plataforma, rebocada por um camião, a passar em caminhos locais (curvas e contracurvas). Quem já andou de autocarro em Santa Maria sabe das paragens e recuos para deixar passar o outro. Imagina-se a bizarma e as restrições, se é que passava sem nada ser alterado na rede viária. Um porto oceânico na Maia, recuperando o porto baleeiro e com ligação por teleférico a Malbusca. É só dar ideias.
Não chegam a Malbusca sem mexer muito (!!!) na rede viária.
Nos últimos anos consolidou-se na ilha o acolhimento turístico assente no património natural, construído e cultural. Muita da atividade da ilha está para aí virada e muita gente se tem fixado, locais e forasteiros, devido a essa valia. A agricultura reapareceu com orgulho e muitas outras atividades, sobretudo nos serviços ganharam espaço. Digamos que a economia está bem encaminhada.
Santa Maria acolhe três festivais de música, um dos quais, a Maré, é o mais antigo de todos, mesmo a nível global. É muita Maré.
Santa Maria tem o Espaço em Cena, um grupo de teatro que já surpreendeu a ilha toda e S. Miguel. Há muita coisa a andar.
O valioso património construído, sobretudo na Vila, está quase todo reabilitado e em funções.
Santa Maria é procurada por ser única e nada melhor que os fósseis para a caracterizar. O resto são cinco séculos de história, os primórdios do povoamento dos Açores. Fico-me por aqui.

Há outras questões.
Numa entrevista que publiquei aqui no FB, o responsável pelo projecto de foguetões da Escócia, dizia, mais coisa, menos coisa, o seguinte: o lançamento de um foguetão é uma explosão controlada e nós só queremos que corra bem, mas às vezes não corre, por isso definimos uma área de exclusão de 10 km.
Despovoa-se Santa Maria ou alteram-se os padrões de segurança? Na Escócia são 10km, em Santa Maria já ouvi falar de 500m. Qual a seriedade destes critérios, um e outro?
Do que tenho lido, e acreditem que quase me especializei na matéria, o sucesso de uma base é estar disponível para o maior número de lançamentos possível. Se eu estivesse no negócio queria lançar o máximo possível. São muitos por ano/mês/semana. Só assim dá lucro. É preciso frisar que este é um negócio novo, sem histórico.
Os consumos de água são muito relevantes, ou melhor muitíssimo relevantes: aquela maquineta tem de ser arrefecida e insonorizada com água. Um grande foguetão leva um milhão de litros na base, na altura da descolagem (14 seg.) Não conheço as proporções mas não é uma caneca de água que resolve a coisa, acho eu.
Uma das alavancas do pessoal das roqueiras é que o turismo de foguetões é que vai dar.
Entendo que muitos empresários e não só, queiram ganhos financeiros rápidos, mas não vendam a mãe que mãe só há uma.

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Reply8h

Paulo Ramalho Nem sei o que dizer Carlos. Tiraste-me da boca as palavras que ás vezes já nem tenho forças para pôr cá fora e colocaste-as no sítio certo: em frente ao olhos e sobretudo à consciência de todos nós, que amamos esta ilha. Bem hajas por isso.

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Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL
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