SANTA MARIA E FOGUETÕES arautos de um falso progresso

Foguetões VS Santa Maria
Sinto-me um privilegiado por ter nascido neste fantástico arquipélago, um oásis no meio de um mundo cada vez mais caótico. Como tal, sinto que devo defender as nossas ilhas de toda e qualquer ameaça e tenho a obrigação de me informar e contribuir para desenhar o melhor caminho para o Futuro dos Açores.

Um amigo de Santa Maria escreveu-me a perguntar a minha opinião sobre a construção de uma Base Espacial na ilha de Santa Maria nos Açores.

Gostaria de perceber se o Governo dos Açores é motivado pela oportunidade ou pela necessidade? Li algures que os foguetes poderão atingir os 17m de altura e transportar até 200Kg de carga para o espaço. Qual o impacte (ambiental) deste tipo de lançamentos? É uma oportunidade? Porquê? É uma necessidade? Para quem? Qual o retorno?

Será que uma plataforma de lançamento de foguetes faz sentido em ilhas tão frágeis como as nossas? Entendo que poderá constituir uma oportunidade para Santa Maria, mas será mesmo? Estou certo que para esta actividade a localização no meio do Atlântico poderá ser preferencial por questões de segurança e eventualmente de trajectória, mas será que a população açoriana irá beneficiar com este projeto? O que ganha? O que perde?

Efetivamente não dispomos de dados concretos sobre o nº de lançamentos previstos anualmente nem sobre o impacte de cada lançamento para podermos formular uma opinião consistente. Por esse motivo devemos ter cautela com os deslumbramentos e não esquecer que há “presentes” envenenados, veja-se o caso da Base das Lajes.

Não podemos olhar para os Açores como um lugar qualquer onde tudo cabe e pode ser feito. Temos de estar conscientes do que temos, do que queremos, do que podemos perder e do caminho que devemos percorrer. Bom ambiente é sinónimo de bem estar e saúde. Ter um bom ambiente é uma condição cada vez mais cobiçada. Há quem pague muito dinheiro por ele (ambiente), no nosso caso, só temos de o poupar apesar de estarmos expostos aos problemas de outras sociedades que nos chegam através do mar e do ar. Temos um futuro risonho que se começa a desenhar no sector energético através dos investimentos em renováveis, isto sim coloca-nos num patamar concreto de evolução. Com os foguetões, vamos perder ou ganhar?

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Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL
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