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Brasil «estranha» revisão de Acordo Ortográfico

Linguista brasileiro que negociou acordo comenta posição de Francisco José Viegas

Por: tvi24 / CLC  |  29- 2- 2012  21: 44

O linguista brasileiro Godofredo de Oliveira Neto, que participou na Comissão responsável pelas negociações do Novo Acordo Ortográfico, considerou hoje «estranho» que o secretário de Estado da Cultura do governo português pense em rever as normas.

«É estranho. O período de adaptação vai até dezembro deste ano e Portugal já passou por todos os trâmites jurídicos e políticos. Uma coisa é a concordância, porque há discordâncias também no Brasil, mas outra coisa seria querer rever as regras», afirmou o investigador à Agência Lusa, por telefone.

À agência Lusa, a secretaria de Estado sustentou hoje que «é possível efetuar ajustamentos em alguns casos, relacionados com as palavras de dupla grafia e as sequências consonânticas», até 2015, quando termina o período de transição do Acordo Ortográfico.

Na terça-feira à noite, o secretário de Estado de Cultura, Francisco José Viegas, mencionara, em entrevista à TVI24, a «possibilidade» de algumas normas do Acordo Ortográfico serem modificadas até 2015.

«Temos essa possibilidade e eu acho que vamos usá-la. Temos de aperfeiçoar aquilo que há para aperfeiçoar», disse o secretário de Estado da Cultura no programa «Política Mesmo», admitindo que não gostava de algumas regras.

Em conversa com a Lusa, o linguista brasileiro Oliveira Neto recordou que cada país é soberano nas suas decisões e que uma mudança não seria impossível, lembrando no entanto que, para as alterar, na prática, seria necessário um longo trâmite.

«Cada país é obviamente soberano e pode romper com tudo. Mas também [o comentário] pode ter sido mais para acalmar um pouco os ânimos, porque isso [o Acordo] teria de voltar para a Assembleia», ressaltou, acrescentando que a Comissão não recebeu nenhuma notificação oficial, da parte de Portugal, a manifestar qualquer desagrado com o Acordo.

O linguista considerou ainda que, no Brasil, as regras já foram «completamente» incorporadas e que não há volta atrás.

Godofredo Oliveira Neto faz parte Comissão de Língua Portuguesa do Ministério da Educação do Brasil e do Conselho Científico do Instituto Internacional de Língua Portuguesa da CPLP – entidades responsáveis pela aplicação do Novo Acordo Ortográfico nos países lusófonos.

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chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL

3 comentários em “>Brasil «estranha» revisão de Acordo Ortográfico”

  1. >Subject:
    Re: [LUSOFONIA-AICL] [AICL] Novo comentário sobre Governo admite rever Acordo Ortográfico.
    From:
    Alexandre Banhos Campo
    Date:
    01-Mar-2012 12H43m
    To:
    [email protected], info , pro-aglp

    O pior de tudo é a imagem de país pouco sério e pouco fiável que assim projeta Portugal, e amais está a fazê-lo com os parceiros lusófonos, com quem mais cuidado, carinho e fraternidade há que ter em tudo o que se faz.
    Os acordos, os tratados, são para se cumprir como o AO, tratado que livremente assinou o País -o estado- e que se fez de acordo a todas as normas legais e constitucionais; ou será que Portugal só vai aceitar tratados e acordos nos casos em que lhe são impostos pela força e nesse caso cala…Olivença essa vergonha -que ainda não esteja devolvida essa terra portuguesa!, o da Troika,
    Por contra nos tratados nos que age com liberdade. vai resultar o País como se fosse uma criança sem critério?
    Será por isso que Portugal foi o único estado que trasacordou quando a entrada como observador na CPLP da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa -bem reconhecida pelas academias parceiras- para a admiração dos outros seis estados da CPLP. Chegou que o primeiro ministro espanhol fez umas solicitudes ao Passos Coelho torcendo-lhe o bico e vindo com exigências indecentes entre presuntos estados "amigos"…, e ante isso, essas pressões rapidamente o critério do país mudou, para admiração e pasmo de todos os outros membros da CPL, o dia 6 de agosto do ano passado em Luanda. Foram preessionados pela Espanha todos os estados lusófonos mas só Portugal mudou o voto..

    Os portugueses tem que entender que numa língua de 250.000.000 de falantes, 11.000.000 não são já mais os proprietários exclusivos da língua, são para grande alegria condóminos mas nesse no condominio, todos tem voz e voto.

    alexandre banhos

  2. >E renato epifânio do mil acrescenta:

    Em 01/03/12, Margarida Castro enviou:

    Divergências ou nacionalismo?Porque é o Acordo Ortográfico tão impopular?

    Sem Acordo, o que vai acontecer é que se vai consagrar a diferença entre a "língua portuguesa" e a "língua brasileira", tornando-se esta, (a brasileira) cada vez mais, a língua lusófona por excelência.

    Todos os outros países lusófonos adoptarão a grafia brasileira.

    1. Não me surpreende o relativo sucesso da petição lançada contra o Acordo Ortográfico. Já afirmei publicamente que, se o Acordo fosse sujeito a referendo, o resultado seria um expressivo não. Digo-o apesar de ser um
    apoiante do Acordo, e (o segundo) subscritor da petição lançada pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono, em prol de uma mais rápida implementação do mesmo.
    Mas as coisas são como são: as razões para apoiar este Acordo derivam sobretudo de uma "visão estratégica" que procura promover a maior unidade possível da Lusofonia. Ora, a maior parte das pessoas é pouco sensível a
    essa "visão estratégica", preocupando-se apenas com a "língua portuguesa" em
    particular – não com a Lusofonia como um todo. E por isso são indiferentes ao facto, totalmente absurdo, de, actualmente, nos fóruns
    internacionais, como na ONU, os documentos terem que ser traduzidos para "duas línguas": "a portuguesa" e "a brasileira".

    2. Decerto, muitos daqueles que estão contra o Acordo Ortográfico, a começar pelo insigne poeta Vasco Graça Moura, amam, de facto, a língua portuguesa.
    Não é, pois, esse, o ponto. O ponto é que o Acordo não tem a ver apenas com a língua portuguesa mas com a Lusofonia, na sua acepção mais vasta. Ou seja, não apenas portuguesa.
    Em 1911, Portugal, com a reforma ortográfica que fez, cindiu, unilateralmente, a unidade da língua. Daí decorreu um afastamento cada vez
    maior entre o "português" e o "brasileiro".
    Com este Acordo, há uma real possibilidade de reunificação – não é a perfeita, mas é a possível (obviamente, um prato recolado nunca fica tão perfeito como um prato não partido). Sem Acordo, o que vai acontecer é que se vai
    consagrar a diferença entre a "língua portuguesa" e a "língua brasileira", tornando-se esta, cada vez mais, a língua lusófona por excelência.

    3. É óbvio que, como bradam muitos dos opositores ao Acordo, este configura
    uma "violência" sobre a língua portuguesa e que não há razões endógenas para
    o fazer. A língua, por si só, não o pede. Por isso, todo o debate sobre o
    Acordo centrado em razões linguísticas está condenado ao fracasso. Ainda que
    o espantalho do abastardamento da etimologia seja apenas isso, um
    espantalho: apenas para dar três exemplos, de acordo com a etimologia,
    "erva" deveria escrever-se "herva"; "contrato" deveria ser grafado
    "contracto" e "prático" deveria ser "práctico". Se os opositores do Acordo
    insistem neste argumento, deviam pois propor o regresso à "orthographia"
    utilizada antes de 1911.

    4. Há também aqueles que estão contra o Acordo porque acham que ele não vai
    suficientemente longe. Não tenhamos ilusões: se este Acordo naufragar, não haverá, no espaço de 20 anos, nenhuma outra proposta de Acordo. E aí já será tarde: nessa altura, já todos os outros países lusófonos adoptarão a grafia
    brasileira.

    5. Finalmente, há uma razão ainda mais prosaica para a maior parte das
    pessoas estar relutante em relação ao Acordo: quando este for finalmente
    implementado, as pessoas vão ter que "reciclar" o seu modo de escrever. Ora,
    isso dá trabalho. É muito mais "convincente" defender que tudo deve ficar na
    mesma…Renato Epifânio
    falaportugues.blogs.sapo.pt/11028.html

  3. >O ESCRITOR d'SILVAS FILHO ESCREVE:
    Envolvido na elaboração da 6.ª edição do meu «Prontuário» e atualização para o novo
    AO, não tenho tido agora tempo para ler as diversas opiniões que vão surgindo.

    D' Silvas Filho

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