ROBERTO MESQUITA Luiz Fagundes Duarte

ROBERTO DE MESQUITA (Ilha das Flores, 1871-1923), sem quase nunca ter saído da sua ilha natal, é um dos mais importantes poetas simbolistas portugueses. A sua poesia encontra-se reunida no livro póstumo «Almas Cativas e Poemas Dispersos» (1931) — onde podemos ler este soneto em alexandrinos:

Às grades da prisão, olhos extasiados
Vêem descer o Sol sobre o mar de metal.
Na tarde de âmbar há murmúrios espalhados
Como preces da Terra à estrela vesperal…

No horizonte rutilante, a toda a vela
Passa um navio; é todo de oiro e de rubis…
Onde vais, onde vais, brilhante caravela
Do rei poeta dum quimérico país?

É triste o alcácer, com salões frios e anosos,
Como as igrejas cheios de ecos cavernosos,
Com grossas portas de mosteiro medieval.

Mas desse interior taciturno, afastado,
Duma estreita janela, olhos extasiados
Vêem descer o sol sobre o mar de metal…

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