NÃO À EXPLORAÇÃO MINERAL DO MAR DOS AÇORES, ATÉ AS BALEIAS ESTÃO CONTRA

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Pierre Sousa Lima to Açores Global

Baleias que cruzam o Atlântico podem fugir da rota migratória dos Açores

O habitual circuito migratório das baleias que anualmente cruzam o Atlântico e passam a sul do Pico pode ser afetado caso seja autorizada a exploração de minérios no mar profundo em águas açorianos ou internacionais próximo da região.
Segundo os ambientalistas o barulho que essa mineração provoca e os métodos utilizados recorrendo a técnicas de arrastamento já proibidas na pesca podem afetar os mamíferos, constituindo igualmente uma ameaça séria aos ecossistemas e habitats que abundam à volta dos campos hidrotermais, alvo das empresas de mineração, onde residem espécies endémicas.
A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, que regula o acesso aos recursos, estabeleceu até ao momento 27 contratos de exploração a nível mundial, embora nenhum se encontre em vigor.
No caso particular dos Açores há interesse na exploração da mineração de cinco zonas a sul da ilha das Flores, não existindo para já qualquer concessão ativa. No entanto, houve demonstração de interesse por parte de uma empresa canadiana em mineralizar e a Polónia tem uma concessão próxima das águas territoriais açorianas.
O alerta para as consequências da exploração mineira no mar profundo foi deixado no passado dia 5 por Margarida Mendes do ‘Oceano Livre’ numa conferência realizada no Espaço Talassa, na vila baleeira das Lajes. O movimento ambientalista contra a mineração em mar profundo está extremamente preocupado com a possibilidade de Portugal e especificamente os Açores abrirem as portas à mineração, assumindo que as consequências podem ser dramáticas: “Sendo os Açores um polo migratório de muitas espécies, qualquer toque no ecossistema vai reverter essa corrente de migração. As baleias alimentam-se ao largo destas ilhas devido aos montes submarinos e se fizermos ruído industrial no mar vamos estar a desestabilizar esses animais. Vamos ter ninhadas que se vão perder e mães que se vão separar dos filhos. Além disso os animais podem sofrer hemorragias e problemas nos tímpanos”.
Uma situação que a acontecer pode num futuro não muito longínquo, segundo Margarida Mendes, ter consequências diretas no turismo ligado ao mar: “Com a mineração uma das principais atrações turísticas dos Açores, a observação de cetáceos, pode ser abalada porque vai impactar a observação de baleias e a imagem idílica que os Açores querem passar de intocável”.
“A mineração vai afetar o turismo e as pescas em larga escala. As baleias dependem do som e da vibração para se encontrarem e comunicar. O ruído vai desestabilizar de certeza a vivência destes animais. Tendo em conta o que está estudado sobre os impactos da mineração e sabendo que o som viaja quatro vezes mais rápido no mar do que no ar, tenho a certeza que haverá um impacto nos canais de navegação dos cetáceos. A sua migração e a sua aproximação ao arquipélago vai mudar”, sustentou.
A ambientalista defende por isso que é preciso evitar a qualquer custo a mineração em mar profundo, colocando como alternativa a aposta numa economia circular com um design ecológico onde a reutilização, a reparação, a partilha da reciclagem deve ser o centro da estratégia, com novos modelos que de negócio que respeitem o bem comum e de consumidores.

(In jornal Ilha Maior de 13/07/2018)

Comments
Judite Jorge É preciso criar um poderoso movimento de cidadania. Exploração de minérios no mar dos Açores, NÃO!!!

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