COISAS QUE TODO O PROFESSOR PRECISA SABER

uarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Coisas que todo professor de português precisa saber

O ensino de português tem sido o alvo de reflexões, debates e críticas ao longo das últimas cinco décadas. Desde os anos 1960, tem-se discutido a prática docente e o fracasso, ou o pouco sucesso, dos estudantes brasileiros quando se trata de leitura e de produção de textos. Fatores diferentes já foram apontados como responsáveis, ou corresponsáveis, por tal situação: o suposto déficit cultural das minorias e das camadas pobres da população, a falta de estrutura adequada nas escolas, o despreparo teórico dos professores.

 

O domínio da leitura e o domínio da escrita são competências essenciais para a maioria das atividades profissionais no mundo contemporâneo. Por isso a tarefa de ensinar alguém a se tornar um usuário mais competente do português é das mais sérias e delicadas. Delicada porque, se realizada sem sensibilidade às diferenças culturais, sociais e linguísticas que constituem o universo de uma sala de aula, jovens podem ser negativamente afetados, comprometendo o desenvolvimento de sua capacidade de uso e sua autoestima linguística e cultural. Séria por ser um instrumento político e ideológico em potencial: os textos lidos e as discussões travadas em sala contribuem para a formação dos indivíduos, ajudando os alunos a se tornarem cidadãos críticos ou indivíduos alienados.

 

Se os professores que costumam enfocar, quase exclusivamente, a gramática normativa e que costumam abordar apenas um gênero textual – a redação – no ensino da escrita, refletissem mais sobre a língua e sobre o ensino à luz da concepção interacionista, perceberiam a necessidade de mudar sua prática e algumas de suas crenças teóricas. Isso teria um impacto significativo na atitude dos estudantes em relação ao estudo de português, aumentando nossas esperanças de resultados mais positivos oriundos do binômio ensino-aprendizagem, apesar dos sérios problemas que se encontram fora do domínio da linguística, como a questão da falta de estrutura das escolas e a questão da exclusão social.

 

Enquanto os professores não adotarem a perspectiva pragmática de língua, o ensino de português se manterá, em muitas escolas brasileiras, no nível das sentenças isoladas, descontextualizadas, sem que se levem em conta os usos que os brasileiros fazem da língua. E se não se levam em conta os usos linguísticos, que se materializam em forma de textos, os fenômenos textuais acabam sendo negligenciados.

(Orelhas do livro)

 

(http://joaojorgereis.blogspot.com.br/2013/01/coisas-que-todo-professor-de-portugues.html)
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Publicado por

chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL