Crónica 199, A Redescoberta da Atlântida de Almeida Maia e “no pasa nada” 23 de junho 2018

Crónica 199, A Redescoberta da Atlântida de Almeida Maia e “no pasa nada” 23 de junho 2018

O professor universitário Paolo Benevoli, que lidera uma secreta investigação da localização da Atlântida, é assassinado, tal como o seu assistente, logo após ser encontrada uma lápide com uma mensagem extremista no átrio do Palácio de Sant’Ana. A seita FLA, Free the Landscape of Atlantis ameaça…. Assim se resume Capítulo 41: A Redescoberta da Atlântida de Almeida Maia, autor que desconhecia até há semanas apesar dos extensos encómios a uma sua obra anterior “Bom tempo no Canal, a conspiração da Energia.”

Por simpatia o autor veio a minha casa oferecer-me um exemplar que li avidamente em dois ou três dias seguidos tão emocionante era a trama deste romance ficcionalizado. Sem entrar em detalhes quero dizer-vos que as fontes citadas no campo da descoberta dos Açores são ainda mais completas do que as que constam dos meus volumes de ChrónicAçores e bem fundamentadas para darem contexto histórico ao tema. Enquanto a arqueologia e outras ciências não provam de forma insofismável aquilo em que muitos creem, este livro ficcionaliza o que a curto ou longo trecho se provará.

Sim, porque este arquipélago já teve outros habitantes, como foi revelado em 2017 por um Estudo internacional dos sedimentos da Lagoa Azul, nas Sete Cidades, que conclui que a maior ilha dos Açores, hoje com 125 mil habitantes, já era povoada em 1287. O estudo de pólenes e esporos, combinado com a análise do carvão e de fósseis de vários microrganismos, nos sedimentos acumulados no fundo da Lagoa Azul, na caldeira das Sete Cidades, em São Miguel, revelam que esta ilha dos Açores já era habitada por volta de 1287, cerca de 150 anos antes da data oficial do seu povoamento, logo a seguir à última erupção vulcânica conhecida.

A datação foi feita por Carbono 14 e o estudo acaba de ser publicado na revista científica internacional “Quaternary Sicence Reviews” por uma equipa que reúne investigadores do polo do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) na Universidade dos Açores; do Instituto Dom Luiz na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; das universidades da Corunha, Barcelona e Autónoma de Barcelona e de dois institutos de investigação da mesma cidade; e das universidades Edith Cowan (Austrália) e da Austrália Ocidental.

Como recorda o estudo, “a data mais consensual da colonização humana dos Açores é 1432, quando Gonçalo Velho Cabral chegou à ilha de Santa Maria” (grupo oriental). O mesmo navegador descobriu depois São Miguel, a outra ilha do grupo oriental. A data oficial do início da colonização do arquipélago é 1449, mas há historiadores que defendem que os Açores já eram conhecidos antes, baseados em mapas de 1339 onde as ilhas do Corvo e de São Miguel já estão assinaladas, embora com nomes diferentes (Corvinaris e Caprara, respetivamente).

Reconstruir o desenvolvimento da vegetação. O objetivo da equipa internacional de investigadores com o estudo agora publicado foi reconstruir a dinâmica da vegetação na região da caldeira das Sete Cidades e no arquipélago dos Açores em geral ao longo dos últimos 1000 anos. E definir os principais fatores de mudança na ecologia das ilhas, “com destaque para as alterações climáticas e para o ‘timing’ da ocupação humana inicial e das suas consequências posteriores”, explica o artigo da revista “Quaternary Sicence Reviews”. No fundo, os cientistas pretendiam compreender como foram modeladas as atuais paisagens e comunidades agrícolas dos Açores.

Os pólenes, esporos, carvões e outros materiais orgânicos analisados pelos investigadores serviram assim para reconstruir o desenvolvimento da vegetação da ilha de S. Miguel antes e depois do povoamento pelos primeiros europeus. Mas adicionalmente, a equipa internacional usou também pólenes de algas e plantas aquáticas da Lagoa Azul.

Do ponto de vista ecológico, referem os cientistas, “os Açores podem ser vistos como o lugar de uma experiência não intencional em larga escala, onde plantas introduzidas pelos seres humanos de origens geográficas e ecológicas díspares substituíram a vegetação original e desenvolveram novas comunidades, cuja composição e funcionamento ecológico não tinha precedentes”. (extraído de notícia do Expresso)

Enquanto esta nota serve apenas para vos alertar para um livro interesante o mundo lá fora e cá dentro continuado obcecado por futebol, uns no Mundial da bola outros na saga autofágica sportinguista, na greve dos professores (que -imaginem! queriam que não lhes fossem descontados quase dez anos de tempo de serviço, que desfaçatez!), no desmaio do senhor Presidente Marcelo II em Braga, no atentado para matar o primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, nas crianças separadas dos pais pelo senhor Trump, os sempre animados festejos das Sanjoaninas e outras bagatelas sem importância nenhuma.

O sempre criticamente lúcido editor do Jornal dos Açores, Osvaldo Cabral, em editorial falava do escândalo das listas de espera nos 3 hospitais da região, que nunca parou de aumentar apesar dos milhões e milhões creditados à saúde e a vários planos de redução das listas de espera….é isto as listas aumentam, as consultas pedidas e tratamentos por privados deixaram de ser atendidos se não forem prescritos pelo SRS… o recurso dos doentes tem de ser feito em muitos casos no privado, para quem pode e quer ter alguma saúde…os internados nos hospitais são, muitas vezes, obrigados a calarem-se quando são corridos pela regra não-escrita, não-admitida nem declarada mas real dos seis dias como limite médio dos internamentos, os doentes das ilhas “menores”sem hospitais têm tratamento de 3^classe, os médicos do Faial ganham créditos à custa dos colegas do Pico, e sei lá que mais que me apetece contar…

Dito isto admiram-se do absentismo eleitoral, do divórcio total da população e políticos ou vão continuar a assobiar para o lado e a comprar votos com subsídios, festarolas e quejandos? Eu até sei como vou votar, quando me baterem aqui à porta…

Chrys Chrystello, Jornalista [MEEA/AJA (Australian Journalists’ Association – Membro Honorário Vitalício, 1983-2018)]

 

já em https://www.lusofonias.net/arquivos/413/ChronicAcores/1039/Cronica-199,-A-Redescoberta-da-Atlantida-de-Almeida-Maia–e-%E2%80%9Cno-pasa-nada%E2%80%9D-.pdf

as restantes podem ser lidas em

https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html