1 comentário a “nova educação por Chrys Chrystello Diário dos Açores

  1. Parabéns pela coragem que sempre te caracterizou.

    Este teu companheiro pensa do mesmo modo mas nem sempre tem tempo, nem engenho, nem preparação, nem cultura, talvez nem coragem para tomar uma posição tão clara, tão singela, tão generosa como a que acabas de tomar. Eu, que já vivi nos corredores do ministério da educação, quando pensava ser possível realizar um verdadeiro trabalho em nome dos interesses da nossa comunidade emigrante (também eu o fui do início dos anos sessenta até à revolução, quando decidi, por paixão, voltar a viver no país que obrigara os meus pais a abandonar a sua pátria, fechando os olhos às evidências). Voltei porque considerava que as condições estavam reunidas para construir um pais moderno e democrático, culto e justo. Encontrei um pais confuso onde se ocupavam casas sem a perceção do crime, onde se saneavam mestres sem a mínima noção de humildade e sabedoria, onde se ofereciam empregos, cargos e funções políticas sem a perceção da leviandade, responsabilidade e promiscuidade. Os mecanismos de formação da elite intelectual e política foram descurados desde o seu recrutamento até ao seu reconhecimento. Grupos organizados degladiavam-se, em nome de um poder que pensavam merecer, em nome dos pais que haviam sido presos, dos avós republicanos que haviam sido encarcerados, dos azuis , que não podiam tingir o sangue de vermelho, dos vermelhos que não se podiam tingir de azul, mas que nunca se coibiram de abraçar os verdes, obrigando os democratas a ser laranjas e os socialistas a tornarem-se cor-de-rosa, com tal legitimidade que nem o acordo ortográfico de 1990 teve a veleidade de os questionar no pequeno pormenor de hifenização.

    Amigo,

    Portugal, adia-se, por uma mão-cheia de tremoços, uma taça de plástico, um apartamento com vista para o mar, um emprego para a prima, uma reforma para a tia, uma transfusão de sangue limpo, uma cirurgia providencial, um ingresso no ensino público gratuito mais que merecido…

    Chegou a altura dos que exigem a democracia dos graus abaixo de zero. O caminho mais curto para os sistemas totalitários do caos, ninguém lhes falou do fascismos, da ignorância, da pobreza e da miséria.

    Julgam que uma nação se constrói com a pulverização das vontades, com o restabelecimento dos despotismos regionais em que as minorias são puramente esmagadas ou expulsas. A educação e o ensino tornam-se questão municipal. Uns terão privilégios imperiais, outros votar-se-ão à condição de escravos por terem tido a ousadia de dizer não.

    Amigo, que ninguém confunda as obrigações, os direitos e as regalias individuais, de cada comunidade e de cada povo, com os mais legítimos anseios de igualdade, fraternidade e solidariedade. Sem as mesmas oportunidades, não existe povo culto, nem povo sábio. Sem povo sábio, não existe povo livre, sem povo livre, não existe nação e sem nação não existe pais.

    Amigo, viva Portugal!

    Luciano Pereira

    Professor Coordenador

    Departamento de Ciências da Comunicação e da Linguagem

    Escola Superior de Educação

    Instituto politécnico de Setúbal

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