PARABÉNS AO ESTADO DE ISRAEL, JOSÉ SAN-BENTO

PARABÉNS AO ESTADO DE ISRAEL, A FORTALEZA SITIADA POR INIMIGOS
A religião judaica afirma que o território no qual Israel foi fundado é a terra prometida por Deus ao primeiro patriarca, Abraão. Esta região foi sempre um foco de guerras e disputas territoriais, tendo sido conquistada por Assírios, Babilónios, Persas, Macedónios e Romanos. Os Romanos designaram a região como Palestina e na década de setenta do primeiro Século d.C. expulsaram os judeus da sua pátria.
Com o surgimento do Islão, no Século VII d.C., a Palestina foi ocupada por tribos árabes sendo posteriormente conquistada pelas cruzadas europeias. Em 1516, estabeleceu-se o domínio Otomano que durou 400 anos, até ao final da Primeira Guerra Mundial.
Sempre existiram judeus na Palestina, mesmo durante os quatro Séculos sob o jugo do Império Otomano, entre 1517 e 1917.
Na primeira metade do século XIX a imigração de judeus para a Palestina foi a maior em 2000 anos de História, contados a partir do grande êxodo. Em 1844 a maioria da população de Jerusalém era já judaica.
O fim da Primeira Guerra Mundial marcou o desaparecimento de quatro dos cinco Impérios que se envolveram nessa conflagração. Em finais de 1918 tinham desaparecido os Impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo, e Otomano. Só o Império Britânico prevalecia, o que ocorreu por pouco mais de três décadas.
A desagregação do Império Otomano levou ao surgimento da Turquia moderna, sob a liderança de Mustafá Kemal Atatürk. O fim desse Império levou à redefinição do mapa do Médio Oriente.
Face a essas circunstâncias, a Sociedade das Nações criou a figura jurídica do Mandato. Este instrumento jurídico atribuía às potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial a administração de territórios pertencentes aos antigos Impérios derrotados, por estes não possuírem condições para se afirmarem como Estados Independentes.
Nessa altura, a França obteve um Mandato da Liga das Nações para administrar o Líbano e a Síria. A Grã-Bretanha ficou com mandato para administrar a antiga província otomana da Palestina e do Iraque.
Ainda antes do fim do conflito, em 1917, os Britânicos tinham assumido, na Declaração de Balfour, o compromisso de ajudar a fundar um Estado judaico na Palestina, com a salvaguarda deste novo país não comprometer os direitos das populações não judaicas.
Os desenvolvimentos internacionais após 1918 inviabilizaram a fundação do novo Estado judaico. Só depois do final da Segunda Guerra Mundial, após 1945, é que se verificaram as circunstâncias que permitiram a fundação do moderno Estado de Israel. Nomeadamente, o conhecimento internacional dos crimes hediondos do Holocausto. A perseguição e o massacre de mais de seis milhões de judeus, por parte da máquina de guerra e de repressão Nazi, gerou um ambiente de profunda consternação internacional que impos a necessidade de ser criada uma Pátria para os Judeus na Palestina.
A reorganização do mapa do Médio Oriente, pós 1945, permitiu o surgimento de vários novos Estados. O Líbano e a Síria obtiveram a sua independência da administração francesa. Pela Resolução 181 das Nações Unidas, o território da Palestina sob domínio britânico foi dividido num Estado árabe, para os palestinianos, e no Estado de Israel, para os judeus – este Estado era o único território não árabe da região do Médio Oriente. A Jordânia manteve no essencial a configuração territorial que foi estabelecida pelos ingleses em 1922, altura em que criaram o então chamado Emirado da Tranjordânia que era regido por um Príncipe hachemita. Em 1950 este Emirado viria a ser rebatizado como Reino Hachemita da Jordânia – designação que se mantém até aos nossos dias.
A Comissão Especial das Nações Unidas para a Palestina consagrou no seu relatório à Assembleia Geral, a 3 de setembro de 1947, o estabelecimento do Estado judaico com base “em fontes bíblicas e históricas” e na Declaração de Balfour de 1917.
A 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou o plano de partilha da Palestina, que previa a criação de um Estado judaico e de um Estado árabe independente, prevendo ainda um regime especial para Jerusalém – a cidade é um santuário para as três grandes religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. O plano em causa foi aceite pelos israelitas mas rejeitado pelos palestinianos, por essa razão nunca foi implementado em pleno.
Assim, às 15:00 do dia 14 de Maio de 1948 (5 de Iyar de 5708 no calendário hebraico), David Ben Gurion assinou a Declaração de Independência de Israel.
O novo Estado judaico, cercado por inimigos árabes em todas as suas fronteiras, foi prontamente reconhecido pelos Estados Unidos da América e pela União Soviética – actualmente 134 países dos 193 membros da Organização das Nações Unidas reconhecem o Estado israelita, o que representa mais de dois terços dos países filiados nessa Organização.
Porém, esse reconhecimento não evitou um ataque dos países da Liga Árabe no próprio dia da independência de Israel. A Guerra da Independência durou cerca de um ano e terminaria com a vitória de Israel e com a assinatura de vários acordos de paz em 1949.