Carlos Melo Bento · Jogos

Carlos Melo Bento
45 mins ·
Jogos

Mota Amaral num daqueles rasgos que fizeram a sua intervenção política vital para os Açores, proclamou aqui há dias que “autonomia é dinamismo”. Para uns ela foi progressiva, para outros tranquila e vem merecendo tantos adjetivos que se lhes perde a conta. Mas não há dúvida que dinamismo é exatamente a qualidade que merece consenso. Uma autonomia conformada consigo própria, sem energia, não é autonomia, é um arranjo. Se o centralismo não existisse, se tivesse desaparecido, se não constituísse um perigo eminente, talvez que a autonomia nem necessitasse de adjetivação. Só que o centralismo não é só dinâmico, é também ambicioso sem escrúpulos, é ousado sem receios e é tudo menos ingênuo. Ingênuos temos sido nós e em várias frentes. Ora, dinamismo exige iniciativa e dinamismo autonómico implica que os autónomos não só não recuem um passo que seja nas áreas que lhe estão entregues como aumentem essas áreas sempre que isso for necessário e todas as vezes que isso for possível. Quem estiver atento ao discurso do Presidente Vasco Cordeiro percebe-lhe a vigilância sistemática e constante que mantem sobre os dois temas que se analisam aqui: autonomia e centralismo. Mas, sejamos discretos, o dinamismo não pode ser apenas presidencial. Todos somos poucos para conter as teias da ala radical do centralismo. Os políticos nossos adversários não são fanáticos da sinceridade. Sabem dissimular, entre sorrisos e vénias, vão levando a água ao seu moinho. Ocupam lugares, compram empresas, aproveitam leis que alegadamente a Europa despeja sobre nós e que miraculosamente lhes servem como luvas. E nós continuamos a emigrar mesmo depois de alcançarmos graus universitários de excelência. A oposição distraída com os jogos de poder nem se apercebe que pode estar a fazer o jogo do centralismo ou apercebe-se e nada faz. Dinamismo precisa-se. De todos.

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