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Relação entre Brasil e Portugal em debate na XVI Feira Pan-Amazônica do Livro

Da Redação, com agência
25/09/2012 02:00
O historiador português Jorge Couto analisou a relação entre os dois países, destacando os ambientes de tensão que diminuiram apenas após a Constituição brasileira de 1988.

Belém – A XVI Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém, capital do Pará, região norte do Brasil, iniciou segunda-feira (24), o “Seminário do País Homenageado”, que reúne uma série de palestras e conferências realizadas por convidados portugueses e brasileiros.

No primeiro dia de encontro, os historiadores Jorge Couto e Maria Angela Dominguez foram responsáveis por traçar um panorama geral, avaliar a presença e a contribuição dos portugueses no Brasil entre os séculos XVI e os dias atuais.

O historiador português Jorge Couto apresentou o tema: “Relações luso-brasileiras: da independência à atualidade”, no qual fez uma análise geral desta convivência, desde a Independência do Brasil passando por fases importantes como República, Estado Novo, Ditadura Militar até 2012, fazendo sempre um paralelo entre as nações.

Jorge Couto explicou que a relação entre os dois países foi marcada mais por climas de tensão do que de calmaria durante toda sua existência, mas que desde 1988, quando o Brasil aprovou a Constituição, pós golpe militar, a convivência entre as nações passou a ser pacífica, de respeito e de interesse mútuo.

“Quando o Brasil anuncia a independência as relações entre o reino de Portugal e a elite econômica brasileira, que já indicava alguns desgastes, foi completamente comprometida, e assim foi, com os dois países sempre em dissonância, até o final do século XX, quando ambas as nações já viviam estados democráticos de direito e puderam dialogar com igualdade”, explicou Jorge Couto.

A também historiadora Maria Ângela Dominguez tratou de um período menos extenso e de uma relação mais específica, a do intermediário do reino Portugal e sua ação no sertão brasileiro, usando como exemplo os Bandeirantes paulistas e os missionários que agiram na Amazônia. O tema da palestra foi: “Esquecido de Deus e a viver entre as feras: intermediários e poderosos do sertão na Amazônia de meados de setecentos”.

A política de ocupação e aculturação dos povos tradicionais da América portuguesa se intensifica no período proposto pela historiadora. Além disso, o agente dos intermediários no território português foi responsável pela demarcação das fronteiras do império luso na américa. “O trabalho dos Bandeirantes foi importante na definição da fronteira Sul e Oeste do território, definindo américa portuguesa e brasileira”, disse Maria Ângela.

Na Amazônia o objetivo principal, além da ocupação, era a aculturação dos indígenas. Ensinar português e a religião oficial do reino era um dos métodos para lograr êxito neste processo, no entanto, o decorrer do século XVIII, alguns intermediários começaram a atuar em próprio benefício, que segundo a historiadora: “causou uma cisão de interesses entre a Coroa portuguesa e os agentes do sertão”, avalia. Países irmãos que tiveram uma história recheada de conflitos assim foi a relação entre Brasil e Portugal. As informações são da agência Pará.

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