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A DISPUTA DOS ATORES INTERNACIONAIS NA BALANÇA DO PODER
CUIDADO COM OS CÃES DE GUERRA | ESTARÁ O IMPÉRIO AMERICANO À BEIRA DO COLAPSO?
A GUILHOTINA DA EUROPA
TRÊS MORTOS EM TIROTEIO EM PARIS
Portugal. JORNALISTAS JUSTICEIROS!
ESTARÁ À VISTA O FIM DO MUNDO?

A DISPUTA DOS ATORES INTERNACIONAIS NA BALANÇA DO PODER

Posted: 20 Apr 2017 03:04 PM PDT

Roger Rafael Soares* | Manatuto, Timor-Leste | opinião

Os últimos acontecimentos referentes ao conflito sírio fizeram despoletar as divergências dos EUA com a Rússia, alimentadas pelo conflito de interesses entre as duas grandes potências mundiais, que de certa forma fazem relembrar o período da Guerra Fria, pelo facto de medirem forças e influências não só no território sírio, mas, também, na arena internacional.

Se, com a eleição de Donald Trump, pairava no ar a ideia de “amizade” entre os dois líderes, norte-americano e russo, com o ataque preconizado pelos EUA sobre a base militar de Assad, essa ideia desvaneceu por completo.

O alegado ataque químico supostamente cometido pelo regime Assad causou uma mudança no discurso político do líder norte-americano, Donald Trump, sobre a questão síria, levando os EUA a reagirem com um ataque contra uma base militar de Assad, o que se traduz no agravamento e complexidade do conflito, assumindo-se como um problema político e económico de grandes proporções e de difícil predisposição de resolução, em virtude da disputa de interesses políticos, geoestratégicos e geopolíticos, quer das potências mundiais, quer das potências regionais de apoio ou contra o regime Assad. Isto é, o “que mais preocupa os defensores da hegemonia norte-americana é que os EUA tenham perdido a capacidade para gerir unilateralmente a ordem e a estabilidade nessa região [Médio Oriente], e que tenha que partilhar essa tarefa com a Rússia, o Irão e, em menor medida, com a China” (Rafael Parra, 2015). Por seu lado, a Rússia usa a base Naval de Tartus, bem como a Síria importa muito armamento da Rússia, pelo que a “política russa para a Síria se circunscreve numa visão de ordem multipolar onde a Rússia possa gerir os seus interesses ou converter-se num ator com poder influente e, ao mesmo tempo, promover a implantação de normas internacionais diferentes às que promovem os aliados ocidentais” (Rafael Parra). A posição estratégica que o Médio Oriente detém na geopolítica internacional é objeto de grandes disputas pelos atores externos, sendo de realçar a Síria, um território estrategicamente colocado no Médio Oriente.

E, portanto, a resolução do conflito sírio e das consequências que lhe são inerentes, como a crise humanitária, está longe, dado que os Estados-membros permanentes que compõem o Conselho de Segurança divergem sobre o regime.

*Rojer Rafael T. Soares, Ailili, Manatuto, Timor-Leste

PARCERIA COM TIMOR AGORA

CUIDADO COM OS CÃES DE GUERRA | ESTARÁ O IMPÉRIO AMERICANO À BEIRA DO COLAPSO?

Posted: 20 Apr 2017 02:42 PM PDT

John W. Whitehead [*]

De todos os inimigos das liberdades públicas a guerra é, talvez, o mais temível porque inclui e desenvolve o germe de todos os outros. A guerra é o pai de exércitos; destes originam-se dívidas e impostos… instrumentos conhecidos para submeter os muitos à dominação dos poucos… Nenhuma nação poderia preservar sua liberdade em meio à guerra contínua. – James Madison

Travar guerras sem fim no estrangeiro (no Iraque, Afeganistão, Paquistão e agora Síria) não torna a América – ou o resto do mundo – mais seguros, certamente não está a fazer a América grande outra vez e está inegavelmente a afundar os EUA ainda mais profundamente na dívida.

De facto, é admirável que a economia ainda não tenha entrado em colapso.

Na verdade, mesmo se puséssemos fim a toda intrusão dos militares e trouxéssemos hoje todas as tropas de volta para casa, levaria décadas para pagar o preço destas guerras e afastar os credores do governo das nossas costas. Mesmo assim, os gastos do governo teriam de ser cortados dramaticamente e os impostos agravados.

Faça as contas.

O governo tem US$19 milhões de milhões (trillion) de dívida: Os gastos de guerra aumentaram a dívida do país. A dívida agora excedeu uns estarrecedores 19 milhões de milhões e está a crescer a uma taxa alarmante de US$35 milhões/hora e US$2 mil milhões a cada 24 horas . Mas enquanto os empreiteiros da defesa estão a ficar mais ricosdo que nos seus sonhos mais loucos, nós estamos empenhados a países estrangeiros tais como o Japão e a China(nossos dois maiores credores estrangeiros em US$1,13 e US$1,13 milhões de milhões, respectivamente).

O orçamento anual do Pentágono consome quase 100% da receita do imposto sobre o rendimento individual . Se há qualquer regra absoluta pela qual o governo federal parece operar é de que o contribuinte americano sempre é espoliado, especialmente quando chega o momento de pagar a conta da tentativas da América de policiar o mundo. Tendo sido cooptados pela cobiça dos empreiteiros da defesa, de políticos corruptos e de responsáveis incompetentes do governo, a expansão militar do império americano está a sangrar o país a uma taxa de mais de US$57 milhões por hora.

O governo gastou US$4,8 milhões de milhões em guerras no exterior desde o 11/Set, com US$7,9 milhões de milhões em juros: Trata-se de uma carga fiscal de mais de US$16 mil por americano. Quase um quarto dessa dívida foi incorrido em consequência das guerras no Iraque, Afeganistão, Paquistão e Síria. Durante os últimos 16 anos, estas guerras têm sido pagas quase inteiramente pela contracção de empréstimos junto a países estrangeiros e ao Tesouro dos EUA. Como destaca o Atlantic, estamos a combater o terrorismo com um cartão de crédito . Segundo o Watson Institute for Public Affairs da Brown University, os pagamentos de juros sobre o que já tomámos emprestado para estas guerras fracassadas podiam totalizar mais de US$7,9 milhões de milhões em 2053 .

O governo perdeu mais de US$160 mil milhões devido ao desperdício e à fraude por parte dos militares e empreiteiros da defesa: Com empreiteiros pagos frequentemente superando em número as tropas alistadas para combate, o esforço de guerra americano alcunhado como “coligação da vontade” evoluiu rapidamente para a “coligação da facturação”, com contribuintes americanos forçados a pagar milhares de milhões de dólares para subornos em cash, bases de luxo, uma auto-estrada para lugar nenhum, equipamento defeituoso, salários para os chamados “soldados fantasmas” e sobrepreços em tudo e mais alguma coisa associada ao esforço de guerra, incluindo um assento de vaso sanitário de US$640 e uma máquina de café de US$7600 .

Contribuintes estão a ser forçados a pagar US$1,4 milhão por hora para fornecer armas estado-unidenses a países que não podem arcar com a despesa de adquiri-las. Como informa a Mother Jones, o programa de Financiamento Militar Estrangeiro do Pentágono “abre o caminho para o governo dos EUA pagar por armas para outros países – só para”promover a paz mundial”, naturalmente – utilizando os seus dólares fiscais, os quais são então reciclados para as mãos das corporações do complexo militar-industrial.

O governo dos EUA gasta mais em guerras (e ocupações militares) no estrangeiro a cada ano do que todos os 50 estados somados gastam em saúde, educação, bem-estar e segurança. De facto, os EUA gastam mais com os seus militares do que os oito países com mais altos gastos de defesa somados . O alcance do império militar da América inclui cerca de 800 bases em até 160 países , operadas a um custo de anual de mais de US$156 mil milhões. O jornalista de investigação David Vine relata: “Mesmo resorts e áreas recreativas em lugares como os Alpes Bávaros e Seul, Coreia do Sul, são bases do mesmo tipo. A nível mundial, os militares dirigem mais de 170 campos de golfe .

Agora o presidente Trump quer aumentar o gasto militar em US$54 mil milhões. Prometendo “um aumento histórico no gasto de defesa para reconstruir os esgotados militares dos Estados Unidos”, Trump deixou claro onde estão suas prioridade – e não são os contribuintes americanos. Como informa The Nation, “Num planeta onde os americanos representam 4,34 por cento da população, os gastos militares são responsáveis por 37 por cento do total global .

Acrescente-se o custo de travar a guerra na Síria (com ou sem aprovação do Congresso) e o fardo sobre os contribuintes subirá a mais de US$11,5 milhões por dia . Ironicamente, enquanto candidato presidencial Trump opôs-se veementemente a que os EUA utilizassem força na Síria , bem como a abrigar refugiados sírios dentro dos EUA. Mas ele não teve problemas em retaliar contra o presidente sírio Bashar al-Assad em nome de crianças síriasmortas num ataque químico. O custo do lançamento dos 59 mísseis Tomahawk contra a Síria? Estima-se que só os mísseis custam US$60 milhões. Veja bem, este é o mesmo homem que, enquanto fazia campanha para a presidência, advertia que combater a Síria assinalaria o arranque da III Guerra Mundial contra uma unidade síria, russa e iraniana. Os preços do petróleo já começaram a subir pois os investidores antecipam uma extensão do conflito.

Claramente, a guerra tornou-se uma enorme máquina de fazer dinheiro e o governo dos EUA, com o seu vasto império, é um dos seus melhores compradores e vendedores.

Mas o que a maior parte dos americanos – com os cérebros lavados e acreditando que patriotismo significa apoiar a máquina de guerra – deixa de reconhecer que estas guerras em curso têm pouco a ver com a manutenção da segurança do país e tudo a ver com o enriquecimento do complexo militar-industrial a expensas do contribuinte.

A argumentação pode continuar a mudar para explicar porque forças militares americanas estão no Afeganistão, Iraque, Paquistão e agora Síria. Contudo, o que permanece constante é que quem dirige o governo – incluindo o actual presidente – está a alimentar o apetite do complexo militar-industrial e a engordar as contas bancárias dos seus investidores.

Um bom exemplo: o presidente Trump planeia “reforçar” gastos militares enquanto corta fundos para o ambiente, protecções de direitos civis, artes, negócios possuídos por minorias, emissoras públicas de rádio e TV, a Amtrak (ferrovia), aeroportos rurais e rodovias inter-estaduais .

Por outras palavras: a fim de financiar este florescente império militar que policia o globo, o governo estado-unidense está preparado para levar a nação à bancarrota, sacrificar nossos soldados, aumentar as probabilidade de terrorismo e de ricochetes internos – e de empurrar o país muito mais para perto de um colapso final.

Claramente, nossas prioridades nacionais estão numa necessidade desesperada de revisão geral .

Como pergunta o repórter Steve Lopez do Los Angeles Times:

Por que lançar dinheiro na defesa quando tudo está em derrocada em torno de nós? Precisamos nós gastar mais dinheiro com nossos militar (cerca de US$600 mil milhões este ano) do que os sete países seguintes somados? Preciamos nós de 1,4 milhão de pessoal militar activo e 850 mil reservas quando o número de inimigos no momento – ISIS – não passa de dezenas de milhares? Neste caso, parece que há algo radicalmente errado com a nossa estratégia. Deveriam 55% dos gastos discricionários do governo federal ir para os militares e apenas 3% para transportes quando o número de vítimas americanas é muito maior devido à infraestrutura caduca do que ao terrorismo? Será que a Califórnia precisa tantas bases militares activas (31, segundo militarybases.com) quando ela tem campuses de universidades estaduais (33)? E será que o estado precisa de mais pessoal militar no activo (168 mil segundo a revista Governing ) do que professores em escolas públicas elementares (139 mil)?

Obviamente, há muito melhores utilizações para os fundos dos contribuintes do que os milhões de milhões de dólares que são desperdiçados na guerra. O que se segue são apenas algumas das formas como esses dólares poderiam ser utilizados:

US$270 mil milhões para reparar escolas públicas dos EUA e o dobro disso para modernizá-las.

US$120 mil milhões por ano para reparar a infraestrutura em ruínas do país. Com 32% das principais auto-estradas do país em condição fraca ou medíocre, estima-se que melhorar as estradas e pontes exigiria US$120 mil milhões por ano até 2020 , ainda que sejam precisos “muitos milhões de milhões … para consertar a teia de estradas, pontes, ferrovias, metropolitanos e estações de autocarros”.

US$251 milhões destinados a melhorias de segurança e construção para o Amtrak.

US$690 milhões para cuidar dos 70 mil veteranos idosos da América.

Os US$11 mil milhões desperdiçados ou perdidos no Iraque em apenas um ano poderiam ter pago salários de 220 mil professores.

O custo anual de estacionar apenas um soldado no Iraque poderia ter alimentado 60 famílias americanas.

US$30 mil milhões por ano para acabar com a desnutrição e fome no mundo.

US$11 mil milhões para abastecer o mundo – inclusive nossas próprias cidades em decadência – com água potável.

Utilizar os US$10 mil milhões gastos a cada ano para fornecer armas, equipamento, treino e aconselhamento a mais de 180 países para começar a pagar os esmagadores US$19 milhões de milhões da dívida nacional. Este número não inclui as centenas de milhares de milhões gastos a cada ano com a manutenção da presença militar estado-unidense por todo o globo.

Na medida em que “nós o povo” continuamos a permitir ao governo travar suas custosas, absurdas e infindáveis guerras no exterior, a terra americana continuará a sofrer: nossas estradas se esfarelarão, nossas pontes cairão, nossas escolas cairão em decadência, nossa água de beber se tornará imbebível, nossas comunidades se desestabilizarão e o crime ascenderá.

Aqui está o problema: se a economia americana entrar em colapso – e com ela os últimos vestígios da nossa república constitucional – será o governo e seus orçamentos de guerra de milhões de milhões de dólares que deverão ser culpados.

Naturalmente, o governo já antecipou esta ruptura.

Eis porque o governo transformou a América numa zona de guerra, transformou a nação num estado vigiado e classificou “nós o povo” como combatentes inimigos.

Durante anos o governo actuou com os militares na preparação para o tumulto civil generalizado provocado pelo “colapso económico, ruína do funcionamento da ordem política e legal , deliberada resistência ou insurgência interna, emergências de saúde pública difusas e desastre catastróficos naturais e humanos”.

Tendo gasto mais de meio século a exportar guerra para terras estrangeiras, a aproveitarem-se da guerra e a criarem uma economia nacional aparentemente dependente dos despojos de guerra, os falcões há muito que orientaram sobre nós seus apetites conduzidos pelo lucro, trazendo para casa os materiais de guerra – tanques militares, lançadores de granadas, capacetes Kevlar, rifles de assalto, máscaras de gás, munições, aríetes, binóculos de visão nocturna, etc – e entregando-os à polícia local, transformando assim a América num campo de batalha.

É assim que a polícia estatal vence e “nós o povo” perdemos.

Contudo, como finalmente deixo claro no meu livro Battlefield America: The War on the American People , todo império militar fracassa.

No máximo do seu poder, mesmo o poderoso Império Romano não podia confrontar-se com uma economia em colapso e militares florescentes. Períodos prolongados de guerra e falsa prosperidade económica levam geralmente à sua morte. O historiador Chalmers Johnson prevê:

O destino dos impérios democráticos anteriores sugere que um tal conflito é insustentável e será resolvido em um de dois modos. Roma tentou manter seu império e perdeu sua democracia . A Grã-Bretanha optou por permanecer democrática e no processo deixou ir-se o seu império. Intencionalmente ou não, o povo dos Estados Unidos já está embarcado na rota do império não democrático.

Isto é a “influência injustificável, desejada ou não, do complexo militar-industrial” de que o presidente Dwight Eisenhower nos advertia há mais de 50 anos a fim de não deixar perigar nossas liberdades ou processos democrático. Eisenhower, que foi o Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa durante a II Guerra Mundial, estava alarmado com a ascensão da máquina de guerra orientada pelo lucro que emergiu a seguir à guerra – uma máquina que, a fim de se perpetuar, teria de manter-se a travar guerras.

Não prestámos atenção à sua advertência.

Mas como reconheceu Eisenhower , as consequências de permitir o complexo militar-industrial, exaurir nossos recursos e ditar nossas prioridades nacional estão para lá de graves:

Toda arma fabricada, todo vaso de guerra lançado, todo foguete disparado significa, em última análise, um roubo daqueles sofrem fome e não são alimentados, daqueles que sofrem frio e não são vestidos. Este mundo em armas não está só a gastar dinheiro. Ele está a gastar o suor dos seus trabalhadores, o génio dos seus cientistas, as esperanças dos seus filhos. O custo de um moderno bombardeiro pesado é isto: uma escola moderna de tijolo em mais de 30 cidades. É de duas centrais eléctricas, cada uma abastecendo uma cidade de 60 mil habitantes. É de dois hospitais refinados e plenamente equipados. É de cerca de 80 quilómetros de auto-estrada em betão. Nós pagamos por um único avião caça cerca de 13,6 mil toneladas de trigo. Pagamos por um único destróier com novos lares que poderiam ter alojado mais de 8000 pessoas. Isto, repito, é o melhor modo de vida no caminho que o mundo está a tomar. Isto não é de todo um meio de vida, em qualquer sentido verdadeiro. Sob a nuvem da ameaça de guerra, é a humanidade enforcada numa cruz de ferro.

Acorda, América. Não resta muito tempo para chegarmos à hora zero.

[*] Procurador constitucional e escritor, é fundador e presidente de The Rutherford Institute . Seu novo livro éBattlefield America: The War on the American People (SelectBooks, 2015). johnw@rutherford.org .

O original encontra-se em www.informationclearinghouse.info/46875.htm

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

A GUILHOTINA DA EUROPA

Posted: 20 Apr 2017 01:53 PM PDT

Rafael Barbosa | Jornal de Notícias, opinião

É já no domingo que os franceses são chamados a escolher o seu próximo presidente. É o momento político mais importante dos últimos anos, a nível europeu. E também para os portugueses. No final da contagem dos boletins de voto, não estará “apenas” em causa perceber se a extrema-direita xenófoba, nacionalista e antieuropeia fica mais perto de conquistar o poder. Está também em jogo o que os franceses querem da União Europeia, com ou sem Le Pen, sabendo-se que o ideal europeu pode sobreviver ao Brexit, mas não sobreviverá sem a adesão empenhada da França. Como disse por estes dias Pascal Perrinau, diretor do Instituto de Pesquisas Políticas da célebre universidade Sciences Po, em jeito de aviso, “nunca se esqueçam que os franceses são um povo que corta cabeças. Nós fizemos isso. Literalmente”. Ou seja, cortar rente, seja partidos, seja políticos, seja políticas, não constituirá um problema para os eleitores franceses. E isso é ainda mais claro por estes dias, com o cenário inédito de quatro candidatos nada ortodoxos com possibilidade de passar a uma segunda volta.

Umas eleições em que parece desenhar-se um primeiro facto político notável: pela primeira vez, podem ficar de fora, logo à primeira volta, os dois grandes partidos do Centro que governam a França desde a II Guerra Mundial. François Fillon, do centro-direita, atolou-se no escândalo dos empregos públicos fictícios que criou para a mulher e os filhos. Mas tem ainda hipóteses de sobrevivência, ao contrário do representante do centro-esquerda, o socialista Benoit Hamon, vencedor das primárias, mas entretanto renegado, com a deserção dos notáveis para o Centro e dos eleitores para a Esquerda.

Outro facto político notável é que o principal favorito, Emanuel Macron, não tem qualquer partido a suportá-lo. Aliás, procura, a todo o vapor, institucionalizar o seu movimento En Marche (note-se o narcisismo de as iniciais serem as mesmas do nome do candidato) para as legislativas de junho (uma espécie de terceira volta). Acresce que Macron é, sem dúvida, o mais europeísta dos candidatos. Defende, sem sofismas, o aprofundamento da União Europeia, seja ao nível económico (propõe um Parlamento, orçamento e ministro da Economia e Finanças para os países da Zona Euro), seja na partilha da soberania em matéria de segurança e defesa.

O oposto de dois dos seus principais adversários: Marine Le Pen (extrema-direita, que defende o fim do euro e da Europa) e Jean-Luc Mélenchon, do movimento esquerdista França Insubmissa (que quer uma revisão dos tratados e se assume eurocético). A julgar pelas sondagens, há vários candidatos ao trono, como há vários à guilhotina. E entre eles o ideal e o futuro da União Europeia. E, por arrasto, o de Portugal.

  • Editor-executivo

TRÊS MORTOS EM TIROTEIO EM PARIS

Posted: 20 Apr 2017 01:44 PM PDT

Atacante, que foi abatido, abriu fogo sobre um carro das autoridades. Dois polícias morreram

Dois polícias foram mortos e um está ferido após um tiroteio em Paris, esta quinta-feira, nos Campos Elísios. A avenida foi evacuada e está encerrada.

De acordo com a Reuters, testemunhas viram um homem sair de um carro e disparar uma metralhadora contra um carro das autoridades, matando um polícia. Depois tentou fugir a pé, tendo sido atingido e morto durante o tiroteio.

Durante a fuga, na troca de tiros, feriu outros dois polícias. O atacante era referenciado pelas autoridades, de acordo com várias fontes.

Segundo fonte da polícia, citada pela Sky News, foram escutados disparos numa segunda localização em Paris, perto do local onde ocorreu o tiroteio.

Está a ocorrer uma operação de “desminagem” ao carro usado pelos atacantes.

Testemunhas ouvidas pela BFM TV falam em dois atacantes. Um deles foi abatido, mas outro está ainda em fuga, e estará refugiado num parque subterrâneo.

Porta-voz do ministério do Interior já confirmou a morte de um polícia e de um dos atacantes.

A polícia não descarta nenhuma possibilidade, seja “crime ou terrorismo”. A Sky News diz que as autoridades estão a tratar o acidente como um “possível ataque terrorista”, e um helicóptero está a sobrevoar a área, onde estão vinte carrinhas da brigada de intervenção.

A troca de tiros aconteceu perto da cadeia de lojas Marks & Spencer. Todas as lojas da avenida foram fechadas.

A maior parte das ruas próximas do local estão fechadas e três estações de metro, George V, Franklin Roosevelt e Champs-Elysees-Clemenceau, foram fechadas por motivos de segurança.

Os principais atores políticos já estão a reagir no Twitter, enviando mensagens de condolências.

Detidos a 18 de abril

Na terça-feira, dois homens de 23 e 29 anos, suspeitos de prepararem um atentado “iminente”, foram detidos em Marselha, no sul de França.

Os dois homens são “suspeitos de uma iminente passagem à ação”, precisou uma das fontes.

Os suspeitos foram detidos pelos serviços de informação internos no quadro de uma investigação por associação criminosa terrorista, aberta em Paris.

Os dois detidos tinham um projeto de atentado para “os próximos dias em solo francês”, disse o ministro do Interior, Matthias Fekl, numa conferência de imprensa.

Buscas em Marselha permitiram encontrar “elementos para materializar o ataque” e estão em curso “operações de segurança”, adiantou.

Os dois homens eram “conhecidos devido à sua radicalização” e já estiveram presos por factos sem caráter terrorista, segundo uma fonte próxima da investigação.

“Tudo está a ser feito para garantir a segurança deste grande evento para a nossa República” que é a eleição presidencial, assegurou o ministro, assinalando “um risco terrorista que continua a ser maior que nunca”.

Mais de 50.000 polícias, apoiados pelos militares da operação Sentinela, serão mobilizados para garantir a segurança das eleições no domingo, nomeadamente nos 67.000 locais de voto.
A França tem sido particularmente visada por atentados terroristas, fazendo parte dos países que intervêm na Síria contra o grupo extremista Estado Islâmico. Os dois últimos ataques visaram militares, embora sem os matar, no museu do Louvre e no aeroporto de Orly, em Paris.

Cinco projetos de atentados foram descobertos desde o início do ano, enquanto o ano passado o seu número foi de 17, disse em março o anterior ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

Instaurado após os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, que causaram 130 mortos, o estado de emergência tem vindo a ser prolongado e está em vigor até ao verão, tendo em conta as presidenciais e as legislativas em junho.

Diário de Notícias | Foto REUTERS/Christian Hartmann

Portugal. JORNALISTAS JUSTICEIROS!

Posted: 20 Apr 2017 07:12 AM PDT

Paulo Baldaia | Diário de Notícias | opinião

Este não é um texto polido, até para poder fazer justiça à cartilha que surgiu nos últimos dias para atacar o Diário de Notícias. Regista-se a coincidência de João Miguel Tavares (JMT), no Público, e José Manuel Fernandes (JMF), no Observador, terem deixado passar dez dias para procurar satisfazer os seus leitores. Dois jornalistas que precisam de se afirmar de direita para que faça sentido o populismo em que navegam. Quanto valeriam se não soubéssemos que eles são jornalistas (?) de direita?!

JMT diz que eu e outros no DN criticámos “o Ministério Público pelas suspeitas que deixou no ar ao arquivar o processo” de Dias Loureiro. No meu caso, fiz mais! Ao contrário de JMT, arrisquei ter uma posição sobre a Justiça e digo que “o Estado de Direito está a ser corrompido”, apontando o dedo à hierarquia do Ministério Público e ao poder político. E faço-o em coerência com o que sempre disse, ainda não havia Daniel Proença de Carvalho na Global Media, numa altura em que JMT trabalhava comigo na chefia de redação do DN e muito antes até de trabalhar na TSF ou no DN.

JMT ataca o grupo e os órgãos de comunicação social que a ele pertencem (JN, DN e TSF), esquecendo que ele próprio é colaborador há muitos anos da TSF, dizendo livremente o que pensa no programa Governo Sombra, que também está na TVI. Como “taxista malandro”, percorre vielas e atravessa pontes para chegar onde quer, cobrando mais na bandeirada. Como se apenas no DN tivesse havido críticas ao Ministério Público. Que interessa que Daniel Oliveira, Pedro Adão e Silva ou Miguel Sousa Tavares tenham feito exatamente o mesmo no Expresso? Não interessa nada, porque deita por terra a teoria mirabolante, e ofensiva para o bom nome de todos os jornalistas que trabalham no DN, de que só critica o Ministério Público quem está contra o combate à corrupção ou ao serviço de Daniel Proença de Carvalho. E o que interessa que Nuno Garoupa, também no DN, tenha escrito, ontem mesmo, um texto em que defende uma versão completamente diferente daquela que é referida pelos jornalistas (?) de direita como sendo um modus operandi dos assalariados da Global Media? Não interessa para nada, porque revela um DN plural onde é possível ser livre a pensar e a escrever.

Depois há JMF que não tem a lisura e a coragem de JMT para chamar “os bois pelo nome” e que faz de conta que fala sobre justiça e Dias Loureiro para poder atacar o DN. Basta dizer que esta espécie de guru do “Tea Party” português não se importa de mentir para atacar companheiros de profissão. No texto dele, escreve que o art.º 277 do Código do Processo Penal diz que há duas formas de arquivar um inquérito, sendo que a segunda é “concluir que os indícios recolhidos não foram suficientes para formular uma acusação, mesmo subsistindo suspeitas fundadas”. Agora vejam o que diz o número 2 do art.º 277 e concluam: “O inquérito é igualmente arquivado se não tiver sido possível ao Ministério Público obter indícios suficientes da verificação do crime ou de quem foram os agentes”. Onde está escrito o “mesmo subsistindo suspeitas fundadas” que JMF garante estar no Código de Processo Penal? Não está!

Daria um certo gozo ver estes jornalistas justiceiros serem vítimas do que dizem defender, mas podem estar descansados, no DN vamos continuar a bater-nos pela defesa do Estado de Direito e estaremos sempre na linha da frente para fazer jornalismo de acordo com as regras estabelecidas e não em defesa de interesses próprios.

ESTARÁ À VISTA O FIM DO MUNDO?

Posted: 20 Apr 2017 07:01 AM PDT

Paul Craig Roberts

A indiferença do mundo ocidental é extraordinária. Não são só os americanos que se permitem terem os cérebros lavados pela CNN, MSNBC, NPR, New York Times e Washington Post, são também os seus comparsas na Europa, Canadá, Austrália e Japão, que confiam na máquina da propaganda de guerra que se apresenta como media.

http://www.bbc.com/news/world-us-canada-39573526

Os “líderes” ocidentais, isto é, os fantoches na ponta dos cordéis puxados pelos grupos de interesses privados poderosos e pelo Estado Profundo, estão igualmente indiferentes. Trump e seus comparsas no Império Americano devem estar inconscientes de que estão a provocar guerra com a Rússia e a China, se não são psicopatas.

Um novo Louco da Casa Branca substituiu o velho louco. O Novo Louco enviou o seu secretário de Estado à Rússia. Para que? Para apresentar um ultimato? Para fazer mais acusações falsas? Para se desculpar pelas mentiras?

Considerem a audácia do secretário de Estado Tillerson. Ele passou a semana anterior à sua visita a Moscovo a corroborar mentiras incríveis e alegações falsas de que Assad da Síria utilizou armas químicas com permissão da Rússia, o que justificava o inequívoco crime de guerra de Washington de um ataque militar a um país ao qual os EUA não declararam guerra. Com menos de 100 dias no gabinete Trump já é um criminoso de guerra, juntamente com o resto do seu governo belicista.

Todo o mundo sabe isto, mas ninguém diz. Ao invés disso, Tillerson, pejado de mentiras e ameaças, tem confiança para ir a Moscovo a fim de dizer aos russos que têm de entregar Assad ao poder único americano.

A missão de Tillerson demonstra a completa e total irrealidade do mundo em que vive Washington. Tente imaginar a arrogância de Tillerson. Se voce caluniou e ameaçou grosseiramente pessoas importantes, será que se sentiria confortável em ir às suas casas e jantar com elas? Pensará Tillerson que agora que a Rússia em grande medida libertou a Síria do ISIS apoiado pelos EUA, esta irá entregá-la a Washington?

Será que vai contar a Lavrov que realmente não queria dizer todas aquelas mentiras sujas que disse acerca da Rússia, mas que neoconservadores sionistas o obrigaram a fazer? Que realmente não está no comando e é apenas uma ferramenta do Império Anglo-Sionista?

Será que Tillerson vai desculpar a declaração do secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, de que Assad, aliado da Rússia, é mais perverso do que Hitler?

http://www.bbc.com/news/world-us-canada-39573063

Talvez Tillerson esteja em vias de pedir asilo e embarcar no lado vencedor.

Stephen Cohen, um dos poucos americanos restantes bem informados acerca da Rússia, disse a dois presstitutos da CNN e ao belicista Cor. Leightohn, um dos “peritos” a que os presstitutos recorrem para pronunciar a propaganda contra a Rússia, que a Rússia estava a preparar-se para a guerra quente. Isso pareceu ultrapassar as capacidades mentais dos presstitutos da CNN e do coronel. Em que folha de pagamento estão eles?

http://www.informationclearinghouse.info/46838.htm

Os líderes russos, os quais, ao contrário dos mentirosos do ocidente, falam a verdade, têm dito claramente que a Rússia nunca combaterá outra vez uma guerra no seu próprio território. Os russos não podiam dizer isto mais claramente. Provoquem uma guerra e nós os destruiremos no vosso próprio território.

Quando se observa o presidente e o governo em Washington, os governos europeus, especialmente os idiotas nos governos em Londres, canadiano e australiano, não se pode deixar de admirar a total estupidez da “liderança ocidental”. Eles estão a implorar pelo fim do mundo.

E os presstitutos estão em acção conduzindo à extinção da vida. Números enormes de pessoas no ocidente estão a ser preparada para a sua morte – e elas são protegidas desta percepção pela sua indiferença.

Washington é tão arrogante e perdido no seu próprio orgulho que não entende que os anos de mentiras claras como cristal acerca da Rússia e das intenções e façanhas russas convenceram este país de que Washington está a preparar as populações dos Estados Unidos e os seus povos cativos no ocidente, Europa do Leste, Canadá, Austrália e Japão para um ataque nuclear preventivo dos EUA contra a Rússia. Planos de guerra publicados dos EUA contra a China convenceram-na do mesmo.

Se não é para a guerra, que outra coisa é a mudança na doutrina de guerra dos EUA? George W. Bush abandonou o papel estabilizador das armas nucleares passando-as de uma função retaliatória para a de um primeiro ataque nuclear. A seguir abandonou o tratado dos mísseis anti-balísticos concluído pelo presidente Richard Nixon. Agora temos sítios de mísseis estado-unidenses posicionados nas fronteiras da Rússia. Contámos aos russos a mentira de que os mísseis são para impedir um ataque nuclear iraniano com ICBMs contra a Europa. Esta mentira é dita, e aceite, pelos fantoches na Europa, apesar do facto incontestável de que o Irão não tem nem ogivas nem ICBMs. Mas os russos não aceitam isto. Eles sabem que isto é mais uma mentira de Washington.

Quando a Rússia ouve estas mentiras flagrantes, descaradas e óbvias, ela entende que Washington pretende um ataque nuclear preventivo à Rússia.

A China chegou à mesma conclusão.

Assim, eis a situação. Dois países com forças nucleares esperam que os loucos insanos que dominam o ocidente estejam em vias de atacá-los com armas nucleares. O que a Rússia e a China estão a fazer? Estão eles a implorar por misericórdia?

Não. Estão a preparar-se para destruir o perverso ocidente, uma colecção de mentirosos e criminosos de guerra, tais como o mundo nunca vira anteriormente.

A temerária e irresponsável conversa de guerra no governo dos EUA, nos media presstitutos e entre os vassalos da NATO e de Washington deve cessar imediatamente. A vida está por um fio.

Putin tem mostrado admirável paciência com as mentiras e provocações de Washington, mas não pode arriscar a Rússia confiando em Washington, em quem ninguém pode confiar. Nem o povo americano, nem o povo russo, nem qualquer povo.

Ao saltar para dentro do vagão de propaganda do Estado Profundo os liberais/progressistas/esquerda são cúmplices na marcha rumo ao fim do mundo.

O original encontra-se em http://www.paulcraigroberts.org/2017/04/12/is-that-armageddon-over-the-horizon/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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