que rumo para angola?

ANGOLA

“Que rumo para Angola?”, por Fernando Pacheco

Redação revista África21
27/08/2012 10:15
“Denunciei na altura que não era justo que o MPLA se apropriasse de um trabalho pago pelo Governo, e impedisse que ele chegasse ao conhecimento de quem não pertencesse a um círculo muito restrito de dirigentes políticos e governantes”, escreve Fernando Pacheco.
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Brasília – O presidente da República afirmou em outubro de 2011 que o país tem um rumo. Surpreendentemente, explicitou que tal rumo está contemplado no chamado Plano 2025, um documento orientador das políticas públicas muito pouco conhecido, porque foi, de modo bizarro, então considerado secreto pelo Governo. Afinal, tal plano constituiu o suporte da Agenda Nacional de Consenso (ANC), proposta pelo MPLA à nação em 2005 como um projeto abrangente de desenvolvimento até 2025.

Denunciei na altura que não era justo que o MPLA se apropriasse de um trabalho pago pelo Governo, e impedisse que ele chegasse ao conhecimento de quem não pertencesse a um círculo muito restrito de dirigentes políticos e governantes. Ao retirar o Plano 2025 da gaveta, o presidente não fez qualquer referência à ANC e já quase ninguém se lembra dela. Recordo, porém, que ambos os documentos conformaram o programa de Governo do «partido» (assim é frequentemente designado, de modo sintomático, o MPLA) para o período 2009-2012.

Com o calar das armas, Angola dispôs de uma notável oportunidade de construir um país diferente, beneficiando das lições aprendidas dos outros e das novas ideias de desenvolvimento sustentável nas dimensões sociais, económicas, ambientais e institucionais, com ampla participação de todas as forças políticas, sociais e económicas. Que aproveitasse a reconstrução das infraestruturas do país para restaurar antigas capacidades e arquitetar novas, reduzir distâncias geográficas ou sociais, mas também políticas e estruturais; para aumentar a interação social e a ação coletiva, a autoconfiança e a autoestima; para recriar o tecido de relações sociais que envolvam todos os cidadãos de cada região numa perspetiva de integração no todo nacional visando a correção das assimetrias.

Leia versão integral na edição impressa da revista África21 (N.º 66, AGOSTO 2012). Para assinar a revista contacte: [email protected]

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chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL